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CORTE LIMPO

Todas as fotografias neste blog encontram-se algures em desporto.sapo.pt, salvo indicação em contrário


Quarta-feira, 31.05.17

CS MARÍTIMO 2016/17

Em abstracto, quanto mais vezes uma determinada situação se repetir, menos valor notícia tem. No entanto, o nono apuramento do Marítimo para as provas da UEFA é mesmo uma proeza, em face dos problemas por que a equipa passou. Desde logo o péssimo arranque de campeonato, com uma vitória e quatro derrotas nas primeiras cinco jornadas – e apenas um golo marcado. Nessa jornada 5, a derrota (2-0) que significou o fim da linha para o brasileiro Paulo César Gusmão, que se estreava no futebol português, não foi propriamente uma gota de água; foi uma enxurrada, já que o adversário era nada menos que o Nacional. Além do mal-estar de perder com o rival (2-0), o Marítimo era 17.º classificado e via bem de perto o espectro da má época de 2015/16, na qual bateu recordes negativos do clube.

Só havia uma solução. A habitual. Foi o primeiro estalar de chicote na Liga esta época, e a verdade é que funcionou. A escolha de Daniel Ramos para substituir Gusmão foi também ela arriscada, já que o novo técnico, apesar do currículo, nunca tinha treinado na divisão maior. Na hora do balanço, uma estatística basta para provar que a aposta foi acertada: o Marítimo não voltou a perder em casa até final do campeonato. Na verdade, perdeu apenas mais seis vezes nesses 29 jogos, metade delas nas visitas aos ditos três grandes. Falando neles, nenhum venceu nos antigos Barreiros, e o Benfica saiu mesmo do Funchal derrotado (2-1), na jornada 12.

O Marítimo teve ainda que lidar com a nuvem do castigo de nove meses a Dyego Sousa por agressão a um árbitro auxiliar num jogo da pré-época. Enquanto o processo correu trâmites o avançado brasileiro ainda marcou cinco golos, mas por alturas do início da segunda volta passou a ser necessário um substituto que nunca apareceu. Talvez também porque o meio-campo – Fransérgio em destaque – e a defesa estivessem a funcionar bem. Principalmente o sector recuado, com os centrais Raul Silva e Maurício António à cabeça, que consentiram apenas 32 golos – a terceira melhor defesa da temporada, logo a seguir a Benfica e FC Porto. Este é mesmo o segundo melhor registo dos insulares na I Liga, ex æquo com as épocas 2004/05 e 2010/11, apenas atrás dos 28 golos sofridos em 2007/08. E como a defesa é o melhor ataque, o artilheiro da equipa na I Liga foi precisamente Raul Silva, com sete golos.

A escalada maritimista na classificação consolidou-se entre as jornadas 14 e 23, nas quais a equipa não perdeu – o encontro da jornada 15 havia sido antecipado. O Marítimo foi sexto classificado na jornada 17, e a partir da 20.ª não mais o largou, mas a qualificação europeia só ficaria garantida na última jornada. A turma madeirense foi ainda uma das cinco equipas que conseguiram sequências de pelo menos dez jogos sem perder, e a única além dos ditos grandes que somou quarto partidas sem sofrer golos, no caso entre as rondas 19 e 22 – Guimarães (f), Moreirense (c), Rio Ave (f) e Nacional (c).

 

PONTO ALTO

A vitória na 12.ª jornada, a 2 de Dezembro, sobre um Benfica até aí invicto. O arménio Ghazaryan abriu o activo (5’), Gonçalo Guedes igualou (27’) e Maurício fixou o marcador final ao minuto 69. O resto foi obra e graça do guarda-redes Gottardi, que coleccionou defesas monstruosas.

 

PONTO BAIXO

Aquele triunfo foi o reverso da indigesta medalha trazida da Luz a 19 de Novembro, na 4.ª eliminatória da Taça de Portugal. Nesse dia, o Marítimo foi vergado a um pesado 6-0, num encontro em que fez pouco mais que figura de corpo presente.

 

TAÇA DA LIGA

O Marítimo entrou em cena na 2.ª eliminatória, onde o esperava um dérbi com o União. Os unionistas entraram a ganhar – marcou N’Sor aos 35 segundos –, mas Edgar Costa (12’), Dyego Sousa (47’) e Ghazaryan (55’) impediram uma gracinha como aquelas que o União conseguiu na I Liga da época passada. Na fase de grupos os verde-rubros começaram por empatar com o Covilhã (1-1 fora), batendo depois o Rio Ave (1-0). A última jornada reservou uma final frente ao Braga, onde quem ganhasse passava. As equipas anularam-se até aos descontos, para proveito do Rio Ave, que assim seguiria em frente. Até que Gottardi se lesionou quando já não havia substituições, avançando Maurício para a baliza. O Braga marcaria aos 90’+4’ minutos por Velázquez, saltando assim para a fase seguinte.

 

CONTABILIDADE

Liga NOS: 6.º lugar, 13v-11e-10d, 34gm-32gs, 50 pontos; apurado para a 3.ª pré-eliminatória da Liga Europa;

Taça de Portugal: eliminou a Naval 1.º de Maio (0-4), antes de perder na 4.ª eliminatória diante do Benfica (6-0);

Taça da Liga: afastou o União na 2.ª eliminatória; terceiro classificado no grupo C (4 pontos), atrás de Braga e Rio Ave, e à frente do Covilhã.

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por Miran Pavlin às 13:00

Quarta-feira, 31.05.17

SC BRAGA 2016/17

Olhando para os números finais do campeonato, o Braga repetiu, grosso modo, a prestação da época anterior, mas há uma diferença notória: os quatro pontos a menos em relação a 2015/16 zpenas chegaram para um quinto posto, ainda para mais tendo sido ultrapassado precisamente pelo seu rival de Guimarães, ao longo de uma segunda volta terrível, na qual os arsenalistas venceram apenas quatro partidas. Além disso, há um ano havia a conquista da Taça de Portugal para festejar, ao passo que esta época a defesa do troféu terminou com estrondo nos oitavos-de-final aos pés do Covilhã, que venceu de reviravolta na Pedreira. O resultado teve consequências catastróficas para José Peseiro, que sentiu o chicote estalar nas suas costas. A eliminação da Taça foi a gota de água para o técnico, que aparentemente gastou os seus créditos junto da direcção arsenalista nos jogos da Liga Europa.

 

DESASTRE EUROPEU

O sorteio da prova continental ditou ao Braga um grupo respeitável, mas acessível, com o condimento extra do regresso de Paulo Fonseca ao Minho aos comandos do Shakhtar Donetsk, adversário com quem os bracarenses têm um registo europeu terrível. O Braga voltou a perder os dois jogos frente ao gigante ucraniano, mas o destino da equipa na prova ter-se-á decidido na visita ao Gent, na qual o Braga desperdiçou duas vantagens no marcador, que lhe teriam dado logo aí o apuramento para a fase seguinte. Tendo empatado (2-2), o Braga entrava na última jornada (8 de Dezembro) de calculadora na mão, enquanto recebia precisamente o Shakhtar (2-4). Face ao resultado do outro jogo, os arsenalistas estavam apurados mesmo perdendo, mas da Turquia chegou um golpe de teatro: aos 90’+4’ minutos o Genk marcava e saltava para o segundo lugar do grupo. O Braga ficou sem palavras.

 

DE VOLTA A CASA

Seguiu-se então o desaire com os serranos na Taça (14 de Dezembro) e o Braga entrou em curto-circuito. Olhando ao que se ia passando no campeonato, é até difícil entender o porquê da troca de treinador, já que os minhotos eram quartos classificados a apenas dois pontos do segundo e a seis do topo. E com Abel Ferreira – ex-leão – como treinador interino o Braga foi a Alvalade vencer com um golo solitário de Wilson Eduardo – ex-leão –, saltando para o terceiro lugar por troca precisamente com o Sporting. Jogava-se a 14.ª jornada e Jorge Simão parecia pegar numa equipa motivada para responder aos desaires, mas tal não se verificou. Até final da primeira volta o Braga ainda venceu Moreirense (c) e Tondela (c), e empatou com o Nacional (f), mas somaria então apenas mais quatro vitórias até final, com uma série de seis jogos sem ganhar pelo meio. E como se tratou de uma temporada de dissabores, a Taça da Liga reservou mais um.

 

TAÇA DA LIGA

Vencedor em 2012/13, o Braga não conseguiu tornar-se no primeiro clube que não o Benfica a repetir a vitória na Taça da Liga, ao perder com o Moreirense (0-1). Curiosamente, da mesma forma que tinha ganho há quatro anos: com uma grande penalidade em cima do intervalo. Até chegar à decisão, o Braga precisou de alguma sorte para chegar às meias-finais, tendo terminado o grupo em igualdade pontual com o Rio Ave, que até venceu em Braga (1-2) na primeira jornada. Na última, o Braga venceu de forma dramática em casa do Marítimo, com o único golo a surgir aos 90’+4’ minutos, numa altura em que os da casa tinham um jogador de campo na baliza por lesão de Gottardi quando já tinham esgotado as substituições. Os critérios de desempate deram então a passagem ao Braga, que vergou o Setúbal (0-3) na meia-final.

 

FIGURAS

Rui Fonte foi o melhor marcador da equipa na Liga, com 11 golos. Wilson Eduardo, Pedro Santos e Ricardo Horta fizeram seis golos cada. Stojiljković apontou cinco.

 

TREINADORES

José Peseiro comandou a equipa até à jornada 13, não resistindo então aos fracassos na Europa e na Taça.

Jorge Simão entrou na 15.ª jornada mas não conseguiu dar seguimento ao trabalho que vinha fazendo até aí em Chaves. Com a equipa progressivamente em perda, pouco mais fica da sua passagem pela cidade dos arcebispos além da “parábola da posse de bola” e da demissão, após a 30.ª jornada, por não haver mais hipóteses de garantir os 65 pontos que prometeu quando foi apresentado.

E assim Abel Ferreira terminou a época como treinador de corpo inteiro, reassumindo funções antes do jogo com o Sporting, tal como na primeira volta.

 

CONTABILIDADE

Liga NOS: 5.º lugar, 15v-9e-10d, 51gm-36gs, 54 pontos; apurado para a 3.ª pré-eliminatória da Liga Europa;

Taça de Portugal: eliminou AD Oliveirense (1-3) e Santa Clara (2-1), caindo nos oitavos-de-final frente ao Covilhã (1-2);

Taça da Liga: finalista vencido; venceu o grupo C (6 pontos), à frente de Rio Ave, Marítimo e Covilhã;

Supertaça Cândido de Oliveira: derrotado pelo Benfica (3-0);

Liga Europa: eliminado na fase de grupos (6 pontos), atrás de Shakhtar Donetsk e Gent, e à frente do Konyaspor.

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por Miran Pavlin às 12:30

Quarta-feira, 31.05.17

VITÓRIA SC 2016/17

O Vitória de Guimarães foi uma das poucas histórias de sucesso desta edição da Liga NOS. O quarto lugar final é a melhor classificação do clube desde o terceiro posto conseguido em 2007/08, e faltou apenas um triunfo mais para igualar o melhor registo do Vitória na I Liga (19 jogos, em 1995/96). 10.º classificado ao fim de cinco jornadas, o Guimarães venceria sete dos dez jogos seguintes, chegando a essa 15.ª jornada já no quinto posto, a apenas oito pontos do topo. Seguir-se-ia um período de maior instabilidade entre as jornadas 19 e 25 – apenas uma vitória nesses sete jogos –, antecedendo a sequência que viria a definir a temporada do Vitória no campeonato. Foram nada menos que sete triunfos consecutivos – Rio Ave (c), Nacional (f), Tondela (c), Chaves (f), Boavista (c), Setúbal (f) e Arouca (c) –, que guindaram os conquistadores até esse quarto lugar, numa numa saborosa troca de posições com o Braga. Foi ingrato para o Vitória ver a série terminar com uma goleada (5-0) que assinalou o título do Benfica, ainda para mais quando estava perante o adversário que encontraria na final do Jamor apenas duas semanas depois. Independentemente do desfecho desse jogo, uma coisa estava desde logo garantida: o quarto lugar deu acesso à fase de grupos da Liga Europa.

 

TAÇA DE PORTUGAL

A carreira vitoriana começou não muito longe de onde haveria de terminar alguns meses mais à frente. O 1-2 na visita ao Santa Iria, dos distritais da capital, foi apertado, mas os da casa só marcaram na compensação. A 4.ª eliminatória trouxe um osso bem mais duro, na forma de uma ida ao Bessa. Se já no campeonato este jogo é um clássico, na Taça muito mais, e o Guimarães só o resolveu (1-2) aos 118 minutos, por intermédio de Hurtado. O peruano voltou a ser decisivo ao apontar o único golo da vitória sobre o Vilafranquense nos oitavos-de-final. Na eliminatória seguinte, novo triunfo à tangente, agora diante do Covilhã – marcou Hernâni.

A meia-final entrou directamente para a galeria de clássicos da Taça, ao colocar os conquistadores frente a frente com um Chaves que trazia consigo os escalpes de FC Porto e Sporting. O Guimarães avançou para a segunda mão com dois golos à maior – bis de Hernâni –, que os flavienses logo trataram de obliterar, por Perdigão (1’), Renan Bressan (32’) e Nuno André Coelho (63’). Marega apontou o fatídico golo fora logo depois (66’), e Douglas foi herói ao defender uma grande penalidade de Braga já em tempo de descontos. Impróprio para cardíacos. Na final, o Vitória criou um punhado de boas oportunidades no primeiro tempo, mas não tendo capitalizado, sucumbiu a dois golos em oito minutos no arranque da segunda metade e viu o troféu fugir para as mãos do Benfica, com o golo de Zungu a servir de consolação.

 

PONTO ALTO

Na jornada 7 da Liga, a 1 de Outubro, o Vitória tornou-se na primeira equipa desde 2004/05 a recuperar de três golos de desvantagem, na recepção ao Sporting. A vinte minutos do tempo os leões venciam tranquilamente com golos de Marković, Coates e Elias, e pareciam encaminhados para uma vitória tranquila, mas o Guimarães tinha outras ideias. Em apenas dois minutos, entre os 74 e os 75, Marega relançou o jogo com um par de golos, cabendo a igualdade a Soares (89’), num lance que deixou dúvidas por alegada carga ao guarda-redes.

 

FIGURAS

Marega fez 13 golos no campeonato, reencontrando-se com as redes depois da passagem difícil pelo FC Porto em 2015/16. Hernâni, também emprestado pelos dragões, marcou oito, mais um que Soares, que saiu para o FC Porto no mercado de inverno. Hurtado, Texeira, Josué e Pedro Henrique foram outros dos nomes em foco.

 

TREINADOR

Pedro Martins deu continuidade à sua sólida trajectória, fundada no bom trabalho realizado quando orientou o Marítimo e o Rio Ave. Foi um dos cinco sobreviventes da autêntica roda viva de treinadores esta temporada.

 

CONTABILIDADE

Liga NOS: 4.º lugar, 18v-8e-8d, 50gm-39gs, 62 pontos; apurado para a fase de grupos da Liga Europa;

Taça de Portugal: finalista vencido;

Taça da Liga: isento da 2.ª eliminatória; eliminado no grupo D (4 pontos), atrás do Benfica e à frente de Paços de Ferreira e Vizela.

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por Miran Pavlin às 12:00

Terça-feira, 30.05.17

SPORTING CP 2016/17

Por vezes diz-se que a tradição já não é o que era, mas os exemplos que provam o contrário não páram de aparecer. Tal como noutras épocas do passado, o Sporting de 2016/17 voltou a ser vítima do fatídico síndrome do Natal, esse pesadelo recorrente que tantas noites sem dormir custa aos adeptos leoninos. Na última jornada de Liga antes da data festiva – 18 de Dezembro – o Sporting perdia em casa com um Braga (0-1) orientado interinamente pelo ex-leão Abel Ferreira e caía para o quarto lugar, a oito pontos do topo, por troca precisamente com os minhotos. Por essa altura já a presença europeia tinha terminado, e o novo ano não significaria um recomeço, já que logo a 4 de Janeiro o Sporting era eliminado também da Taça da Liga, ao perder no Bonfim com o Setúbal (2-1), curiosamente também treinado por um homem com história em Alvalade, no caso José Couceiro. O golo decisivo dos sadinos apareceu numa grande penalidade sobre o final da compensação, o que motivou veementes protestos dos verdes-e-brancos. A 17 de Janeiro o Sporting despediu-se de mais um objectivo, ao ser afastado da Taça de Portugal pelo Chaves (1-0), que marcou aos 87 minutos por Carlos Ponck. O saldo das festas nesse dia era esclarecedor: restavam ao Sporting os 17 jogos da segunda volta do campeonato, com os mesmos oito pontos para recuperar face ao líder Benfica.

O cenário era diametralmente oposto ao do início da época, altura em que o optimismo era a nota dominante na casa do leão, muito por culpa da boa prestação global de 2015/16. Mesmo quando confrontado com um grupo difícil na Liga dos Campeões, o discurso da direcção do clube apontava a uma passagem aos oitavos-de-final. E enquanto na prova europeia a percepção ia mudando ao sabor das derrotas pela margem mínima frente a Real Madrid e Borussia Dortmund, na frente doméstica o Sporting não conseguiu capitalizar um arranque interessante, com cinco vitórias nas primeiras seis jornadas, que incluíram um clássico frente ao FC Porto (2-1), à terceira ronda. A derrota em Vila do Conde (3-1, 5.ª jornada) deu nas vistas, mas seriam os três empates consecutivos entre as rondas 7 e 9 que colocaram os leões em verdadeiros apuros. O primeiro a travar o Sporting nessa sequência seria o Guimarães, que recuperou de 0-3 para 3-3 no quarto-de-hora final do encontro, seguindo-se Tondela (1-1 em casa) e Nacional (0-0 fora).

O Natal aproximava-se então a passos largos, e o sinal mais claro disso apareceria a 7 de Dezembro, dia do fecho da fase de grupos da Liga dos Campeões. Um empate bastava para o Sporting assegurar o terceiro lugar do grupo e a passsagem para a Liga Europa, mas os leões saíram de Varsóvia derrotados pelo Legia (1-0), que assim se apurou com míseros quatro pontos, de resto os mesmos que teriam servido ao Sporting. O jogo seguinte, na jornada 13 da Liga, trouxe uma derrota (2-1) no dérbi da Luz, antecedendo a já referida derrota caseira com o Braga. Era então o princípio do fim para os leões. O desfecho ficou virtualmente confirmado pelos empates cedidos nas jornadas 17 (2-2 em Chaves) e 18 (2-2 no Marítimo), que elevaram a fasquia para os dez pontos de distância, e tiveram a saída da Taça de Portugal pelo meio. Pouco mais restava ao Sporting senão começar desde logo a pensar na próxima temporada, enquanto assistia à continuação uma luta particular.

 

FIGURA

Autor de 13 golos até à viragem do campeonato, Bas Dost não abrandou o ritmo até final da temporada, ao ponto de se ter imiscuído na luta pela Bota de Ouro com a fina flor do futebol europeu. Foi por pouco que o holandês perdeu o troféu para Lionel Messi, mas os seus 34 golos na Liga não só bateram os 32 do benfiquista Jonas em 2015/16, como foram o melhor registo desde os 42 de Jardel em 2001/02. Mais que isso: totalizaram metade dos golos marcados pelo Sporting neste campeonato! Dost terminou com três hat-tricks, frente a Boavista (28.ª jornada), Braga (31.ª) e Chaves (34.ª), mas o seu melhor momento aconteceu na jornada 25, na qual apontou os quatro golos do Sporting na visita a Tondela (1-4). Como nota de curiosidade, os últimos três póqueres na I Liga foram apontados por jogadores do Sporting: Liedson, frente ao Belenenses em 2009/10, e Carlos Bueno diante do Nacional em 2006/07). Bas Dost foi apenas o sexto jogador a assinar um póquer na I Liga desde a viragem do século.

 

NO OCASO

A performance de Bas Dost foi de tal forma luminosa que acabou por ofuscar o trabalho dos outros integrantes do Sporting de 2016/17, que ora foram tidos como flop, como Joel Campbell, ora passaram praticamente despercebidos, como aconteceu com Bryan Ruiz. Os golos do holandês tiveram também o condão de apagar quaisquer vestígios da passagem do seu antecessor, o argelino Islam Slimani, que ainda ficou o tempo suficiente para marcar no triunfo sobre o FC Porto na 3.ª jornada (28 de Agosto), antes de seguir para o Leicester City. Nessa partida o outro golo leonino foi apontado por Gelson Martins, que espalhou qualidade pelos flancos do ataque verde-e-branco.

Adrien Silva mais uma vez deu coração ao meio-campo, com o eterno Rui Patrício a adicionar coragem nas redes. Alan Ruiz despontou na segunda volta, a tempo de marcar seis golos na Liga, enquanto Coates se destacou no rector recuado.

 

TREINADOR

Com a equipa progressivamente fora da luta pelo título, faltaram a Jorge Jesus argumentos para alimentar a sua inesgotável fonte de declarações vistosas, pelo que se pode considerar que o técnico teve um ano atípico. Pelo menos em comparação com a última década. Ainda assim, em nenhum momento o seu lugar esteve perigosamente em causa, mesmo tendo chegado a ver lenços brancos.

 

CONTABILIDADE

Liga NOS: 3.º lugar, 21v-7e-6d, 68gm-36gs, 70 pontos; apurado para o play-off da Liga dos Campeões;

Taça de Portugal: derrotou Famalicão (0-1), Praiense (5-1) e Setúbal (0-1), antes de cair diante do Chaves (1-0) nos quartos-de-final;

Taça da Liga: eliminado no grupo A (6 pontos), atrás do Setúbal e à frente de Arouca e Varzim;

Liga dos Campeões: eliminado na fase de grupos, ao ser último do grupo F (3 pontos), atrás de Borussia Dortmund, Real Madrid e Legia Varsóvia.

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por Miran Pavlin às 13:30

Terça-feira, 30.05.17

SL BENFICA 2016/17

O adejctivo “histórico”, tão banalizado hoje em dia, por uma vez aplica-se na perfeição. A corrida atrás da história que o Benfica vinha empreendendo nos últimos anos culmina agora no primeiro tetracampeonato encarnado, sendo quase inacreditável como um clube com tão ilustre palmarés só agora o tenha conseguido – o Sporting fê-lo em 1954, seguindo-se o FC Porto em 1998 e 2009. O Benfica foi, sem dúvida, a equipa mais regular desta edição da Liga NOS, liderando ininterruptamente desde a jornada 5 e sobrevivendo a um período menos bom por alturas da viragem do campeonato. A concorrência também contribuiu com o seu quinhão para o título das águias, nomeadamente no caso do FC Porto, que se ficou pelas ameaças quando parecia ter tudo para tomar o comando da classificação numa fase já adiantada da época, mas é impossível sugerir que o Benfica revalidou o título apenas graças ao demérito dos adversários directos.

Até porque o Benfica teve o mérito de saber adaptar-se aos diferentes momentos de forma por que a equipa passou, manejando da melhor maneira os ferros para arrancar o resultado que interessava quando não era possível praticar futebol de encher o olho. Determinante foi também a forma como os jogadores foram entrando e saindo das opções sem tornar o rendimento global da equipa assustadoramente baixo. Enquanto Jonas não regressou em força da lesão – o brasileiro marcou o primeiro dos seus 13 golos na Liga à 16.ª jornada –, as despesas ofensivas ficaram a cargo de Mitroglou e Jiménez, apoiados por Pizzi, que realizou a sua melhor época desde que está no Benfica. Enquanto nomes como Rafa – tanta tinta correu sobre ele no defeso – e Carrillo praticamente passaram ao lado, Gonçalo Guedes chamou tanto a atenção que saiu para o Paris Saint-Germain no mercado de inverno. Mais atrás no terreno, os centrais fizeram dos clássicos a sua coutada, com Lisandro López a marcar no Dragão e Lindelöf em Alvalade. Éderson voltou a dominar a baliza, e Nélson Semedo e Grimaldo – este mais na primeira volta – cotaram-se como outros nomes em destaque.

A época encarnada arrancou com a conquista da Supertaça Cândido de Oliveira (3-0 frente ao Braga), mas tal não se traduziu propriamente num tónico, pois o Benfica demorou a estabilizar. Logo à 2.ª jornada um empate caseiro com o Setúbal (1-1) foi o primeiro sinal de que havia trabalho a fazer. Esses até acabariam por ser os únicos pontos desperdiçados nas primeiras quatro jornadas da Liga, mas é curioso constatar que o Benfica defrontou exactamente as três equipas que terminariam o campeonato na cauda da classificação. Esses dois pontos perdidos foram suficientes para deixar os encarnados no terceiro posto, na véspera do arranque da Liga dos Campeões, onde o Benfica tomaria dois golpes duros ainda no mês de Setembro.

Com efeito, o Beşiktaş seria o primeiro a causar estragos, ao empatar na Luz (1-1) com um golo de Talisca – emprestado aos turcos precisamente pelo Benfica – no último suspiro do encontro. Duas semanas depois, em Nápoles, com uma hora de jogo o Benfica perdia por 4-0 e os pontos de interrogação eram mais que muitos. Gonçalo Guedes e Salvio ainda marcariam dois golos cosméticos, que não impediram que o Benfica voltasse a Portugal envolto em dúvidas. No campeonato, porém, as águias já tinham somado duas vitórias tidas como difíceis, frente a Braga (3-1) e Chaves (0-2), que funcionavam como sinais contrários às agruras vividas na prova continental. O mês de Outubro chegou já com o Benfica numa liderança que nunca cederia, o que vale por dizer que uma vez pesados os prós e os contras do primeiro mês e meio de temporada, a entourage benfiquista terá dado pouca importância aos desaires da Champions. Com maior ou menor dificuldade, o Benfica conseguiu as vitórias suficientes para resistir aos três tremores que ainda sofreria até final.

O primeiro desses tremores foi uma repetição do mau arranque na Liga dos Campeões. A 23 de Novembro, em Istambul, em meia hora o Benfica colocou-se a vencer por 0-3 e parecia ter o jogo na mão, mas o marcador final assinalaria 3-3, com dois dos golos do Beşiktaş a serem assinados por outros velhos conhecidos, no caso Quaresma e Aboubakar, ambos ex-FC Porto; a 6 de Dezembro, o Nápoles venceu na Luz (1-2), beneficiando de um Benfica na ressaca da derrota em casa do Marítimo (2-1) na sexta-feira anterior. Esse desaire na Madeira reduziu o avanço encarnado na tabela para apenas dois pontos. Os suores frios voltariam no novo ano. A 14 de Janeiro o Boavista demorou 25 minutos a colocar-se a vencer por 0-3 em pleno Estádio da Luz, antes de ver os homens da casa recuperar até ao empate final; a 25 foi o Moreirense a causar espanto ao afastar o Benfica da final da Taça da Liga com um valoroso triunfo por 3-1; por fim, a 30 de Janeiro, o Setúbal – o outro derrotado das meias-finais da Taça da Liga – voltou a fazer das suas e bateu os encarnados no Bonfim (1-0) pela primeira vez desde 1998/99.

Jogava-se a jornada 19 e o Benfica via-se com apenas um ponto de vantagem sobre o segundo classificado FC Porto. Foram necessários nervos de aço para sobreviver a essa fase, que coincidiu com o melhor período dos da Invicta. O Benfica respondeu a esse ímpeto do adversário com seis triunfos consecutivos – Nacional (c), Arouca (c), Braga (f), Chaves (c), Feirense (f) e Belenenses (c) –, numa sequência apenas manchada pela eliminação nos oitavos-de-final da Liga dos Campeões frente ao Borussia Dortmund. Tendo vencido em casa por um suado 1-0 – marcou Mitroglou (48’) e Éderson defendeu uma grande penalidade a Aubameyang (58’) – na Alemanha o Dortmund esteve ao seu melhor nível e reverteu a eliminatória (4-0), com Aubameyang desta vez a assinar um hat-trick. A série de vitórias na Liga conheceu um ponto final na jornada 26, a 18 de Março, com um empate em Paços de Ferreira (0-0). Seria aqui, em última instância, que o campeonato se decidiu. Enquanto o alarme soava estridente nas hostes encarnadas, o FC Porto não aproveitou para saltar para o comando, cedendo ele próprio um empate na recepção ao Setúbal. Na jornada seguinte os dois candidatos defrontaram-se na Luz e repetiram o resultado da primeira volta (1-1). Embora tenha ficado tudo na mesma, na prática o FC Porto desperdiçava duas oportunidades de escrever uma história diferente e ficava com esse ónus sobre os ombros. A velha máxima da candeia que vai à frente explica na perfeição a recta final do Benfica na Liga; cinco triunfos e um empate – em Alvalade (1-1) – garantiram o tetra a uma jornada do fim, num título carimbado com uma goleada (5-0) na recepção ao Guimarães. O empate final no Bessa (2-2) terá sido fruto de uma descompressão que quase custou ainda mais caro, já que o Benfica esteve a perder por 2-0.

 

TAÇA DE PORTUGAL

A época do Benfica encerrou com a conquista da sua 26.ª Taça de Portugal. Quatro anos depois da última final entre Benfica e Guimarães o resultado (2-1) repetiu-se, mas desta vez foi favorável às águias, que resistiram a uma boa primeira parte dos conquistadores, antes dos golos de Jiménez (48’) e Salvio (53’) darem alguma tranquilidade ao Benfica. O Vitória marcaria por Zungu (78’). O percurso encarnado até ao Jamor foi também ele feito de sobressaltos. Logo na terceira eliminatória o 1.º Dezembro, do Campeonato de Portugal, só caiu em definitivo (1-2) com um golo de Luisão aos 90’+6’ minutos. Foi por um triz. A fava desse susto foi paga pelo Marítimo, que saiu da Luz derrotado por 6-0. Nos oitavos-de-final o Benfica ultrapassou o Real (0-3), que viria a sagrar-se vencedor do Campeonato de Portugal, em encontro disputado no Restelo, antes de nova goleada (6-2), agora sobre o Leixões, nos quartos-de-final. Na meia-final o Estoril vendeu cara a derrota, principalmente na segunda mão, na qual por três vezes se colocou a um golo de distância de eliminar o Benfica. O 3-3 final foi suficiente para os encarnados, que tinham vencido na Amoreira por 1-2.

 

TREINADOR

Mais uma vez, Rui Vitória mostrou que não cede facilmente à pressão. Assim que se acomodou à dimensão da cadeira que ocupa, Vitória rebateu bem as constantes invectivas do seu homólogo do Sporting ao longo da época passada, e tanto nesse ano como neste, defendeu o grupo de trabalho sem precisar de fazer grandes declarações e, mais importante, sem entrar em pânico quando a pressão classificativa imposta pelos rivais mais apertou, ou quando apareceram restulados menos positivos.

 

FIGURAS

Éderson assumiu-se como um guarda-redes em nome próprio. Em nenhum momento da temporada o lugar do brasileiro foi questionado.

Durante a primeira metade da temporada Gonçalo Guedes e Grimaldo estiveram em foco; no retrato global saltam à vista o central Lindelöf, os médios Pizzi e Salvio, e os avançados Mitroglou e Jonas, que juntos marcaram 29 golos só no campeonato.

O avançado mexicano Jiménez foi ele próprio decisivo em alguns jogos mais apertados.

 

CONTABILIDADE

Liga NOS: 1.º lugar, 25v-7e-2d, 72gm-18gs, 82 pontos; apurado para a fase de grupos da Liga dos Campeões;

Taça de Portugal: vencedor;

Taça da Liga: venceu o grupo C (9 pontos), à frente de Guimarães, Paços de Ferreira e Vizela; eliminado na meia-final pelo Moreirense (3-1);

Supertaça Cândido de Oliveira: vencedor, ao bater o Braga (3-0);

Liga dos Campeões: segundo classificado no grupo B (8 pontos), atrás do Nápoles e à frente de Beşiktaş e Dinamo Kiev; eliminado nos oitavos-de-final pelo Borussia Dortmund (1-0c, 0-4f).

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por Miran Pavlin às 13:00

Terça-feira, 30.05.17

FC PORTO 2016/17

Estas palavras já foram escritas na crónica do recente jogo com o Paços de Ferreira, mas é difícil não voltar a elas: o FC Porto vive uma fase de insucesso continuado que não estaria na mente dos seus aficionados se lhes tivesse sido perguntado há uns seis, sete anos. E para provar que a persistência da falta de títulos traz inevitavelmente consigo ansiedade, impaciência e decisões precipitadas, basta constatar que há dois anos Julen Lopetegui – independentemente do que foi pensado, sentido, dito e escrito na altura – resistiu a uma época de “quase”, e agora Nuno Espírito Santo não. Talvez esta comparação não seja justa, não só porque Nuno não foi tão contestado e acusado como Lopetegui, mas também porque fez o plantel sentir a camisola de uma forma que o espanhol nunca conseguiu, mas faltou, no entanto, o “quase”. Esse “quase” que transforma as estatísticas positivas numa mão cheia de nada. Senão vejamos: o FC Porto foi a equipa que esteve mais tempo sem perder na Liga NOS (30 jogos, entre as jornadas 4 e 33), teve a mais longa sequência de vitórias da época (9 jogos, entre as rondas 17 e 25) e foi durante largas jornadas a melhor defesa e o melhor ataque, sendo só ultrapassado no último dia, mas nada disso serviu para contrabalançar o peso dos dez empates averbados. Só em 2004/05 (11) e em 1988/89 (14, num campeonato com 20 equipas) os dragões empataram mais.

Nuno Espírito Santo teve então o mérito de ter conseguido reunir as tropas em torno do objectivo maior. Não só os jogadores, como também os próprios adeptos, que apoiaram a equipa mesmo quando tudo já estava perdido. Os assobios foram pouco mais que esporádicos, em função de uma ou outra exibição menos condizente. Pode até dizer-se que todo o capital de confiança de que técnico e equipa dispuseram resultou de um jogo apenas, no caso a ida ao Olímpico de Roma na segunda mão do play-off de acesso à Liga dos Campeões. Depois de um nervoso empate a um golo no Dragão, o FC Porto regressou da capital italiana com uma vitória por 0-3. É certo que os azuis-e-brancos beneficiaram de a Roma ter tido homens expulsos em ambos os jogos, mas como o que fica é o resultado, a vitória portista serviu ainda para deixar a concorrência em sentido. A confiança trazida de Itália, porém, demorou algum tempo a consolidar-se, pois logo a seguir o FC Porto perdeu em Alvalade (2-1) e mais à frente cederia empates frente a FC Copenhaga (1-1 em casa) e Tondela (0-0 fora). Estávamos em meados de Setembro, e esse primeiro mês da temporada deixava o FC Porto um tanto ou quanto em xeque. Já havia pontos para recuperar na classificação e a equipa alternava boas exibições com outras em que se deixava tomar pela ansiedade, como no referido jogo de Tondela.

Ao longo da primeira volta, de resto, enquanto a versão casa do FC Porto era implacável, a versão fora era pouco mais que inconsequente. A ansiedade portista atingiu um pico no mês de Novembro, cujo negrume futebolístico ameaça tornar-se tradição. Nos sete jogos realizados entre 29 de Outubro e 29 de Novembro o FC Porto não só empatou seis, como também somou o estonteante total de 2-1 em golos. Encontrando-se três pontos abaixo do líder antes dessa jornada 9, os dragões começaram por empatar em Setúbal (0-0), antes de bater o Club Brugge (1-0) na Liga dos

Campeões com uma exibição bem cinzenta. Seguiu-se o doloroso empate caseiro com o Benfica (1-1, 6 de Novembro), no qual o FC Porto terá realizado a sua melhor exibição em toda a temporada, mas sucumbiu a um golo aos 90’+2’, após ter concedido um canto absolutamente desnecessário. O choque foi tal que o FC Porto não encontrou forma de marcar um golo que fosse ao Chaves em 120 minutos, dizendo adeus à Taça de Portugal num desempate por grandes penalidades (3-2) em que Layún, Depoitre e André Silva falharam (18 de Novembro). De seguida, o empate em Copenhaga deixou o futuro na Liga dos Campeões por resolver. Faltava um duplo confronto com o Belenenses, que resultou em mais 180 minutos sem golos, que se traduziram numa distância de sete pontos em relação ao comando da Liga NOS e num hipotecar de perspectivas na Taça da Liga.

A pressão era enorme nesta fase. O adversário seguinte era um Braga que estava só dois pontos atrás dos dragões e que tinha acabado de golear o Feirense por 6-2. Os minhotos ficaram reduzidos a dez homens ao minuto 35 em função de uma grande penalidade cometida, mas viram André Silva falhar a conversão. O FC Porto esfalfou-se ao máximo, mas só seria premiado aos 90’+5’ minutos, quando o improvável Rui Pedro finalmente quebrou o enguiço (1-0). As nuvens negras ficaram mesmo para trás, e os portistas prosseguiriam batendo um Leicester City experimental por 5-0 para garantir a passagem na Liga dos Campeões, e o Feirense por 0-4 numa partida em que jogaram 87 minutos com mais um jogador. A equipa voltou a entrar nos eixos mas ainda faltava passar por novos dissabores, por alturas da passagem de ano. A 29 de Dezembro o Feirense foi ao Dragão arrancar um empate a um golo na Taça da Liga; a 3 de Janeiro o Moreirense atirou mesmo o FC Porto para fora da prova ao vencer por 1-0 no Minho; e a 7 de Janeiro um empate em Paços de Ferreira (0-0) colocava os azuis-e-brancos a seis pontos da liderança do campeonato. O cenário nesse dia era, de facto, terrível para o FC Porto. Os oitavos-de-final da Liga dos Campeões eram a única distracção que os dragões teriam até final do campeonato. Por muito inaceitável que tal fosse, era essa a verdade nua e crua.

E foi aí que o FC Porto recuperou alguma da chama que o guiou tantas vezes no passado, arrancando para a tal série de nove vitórias de enfiada, que duraria até meados de Março. Nessa fase os dragões venceram Moreirense (c), Rio Ave (c), Estoril (f), Sporting (c), Guimarães (f), Tondela (c), Boavista (f), Nacional (c) e Arouca (f), com 29-4 em golos. Pelo meio encaixaram-se os jogos europeus com a Juventus, nos quais o FC Porto não fez má figura, apesar do agregado de 0-3, mas provou do mesmo veneno que a Roma tinha provado no play-off, ao ser vítima do cartão vermelho em ambos os jogos. Os nove triunfos consecutivos do FC Porto na Liga NOS coincidiram com o período menos fulgurante do líder Benfica, permitindo que os dragões se aproximassem até à distância mínima de um ponto.

Foi aí que a pressão e a ansiedade voltaram a atacar. As jornadas 26 e 27 foram cruciais para o desfecho da Liga. Duas vitórias teriam colocado o FC Porto na liderança com quatro pontos de avanço, mas a equipa não aproveitou o deslize do Benfica nessa ronda 26, empatando também. Uma semana depois, na Luz, novo empate deixou tudo na mesma. A equipa não voltou a encontrar-se e cederia mais três empates até final, frente a Braga (1-1 fora, jornada 29), Feirense (0-0 em casa, jornada 30) e Marítimo (1-1 fora, jornada 32), contra apenas dois empates do líder. A jornada 33 assinalou o fim da ténue esperança portista. O campeonato encerraria com uma bofetada, na forma de uma derrota por 3-1 em Moreira de Cónegos. Sem ter ligado o chip competitivo para esse encontro, o FC Porto via assim cair a tal sequência de 30 partidas sem derrotas.

Ficava a faltar uma última notícia. No dia seguinte ao fecho da época, Nuno Espírito Santo chegava a acordo para a rescisão do contrato que o ligava ao FC Porto por mais um ano. Voltando à ideia veiculada no início deste texto, só a pressão de quatro anos arredado do título permite entender a saída do treinador. Talvez seja mais fácil entendê-la do que aceitá-la. Certo é que em 2017/18 o FC Porto iniciará o terceiro projecto novo em cinco temporadas. Só uma ideia ocorre ao vosso humilde escriba neste momento: o FC Porto vive um período de sportinguização.

 

 

 

TREINADOR

Nuno Espírito Santo parecia ser o homem certo no lugar certo na altura em que foi apresentado. Afinal de contas, o que será melhor que um homem com história na casa para transmitir ao plantel o que significa envergar a camisola do FC Porto? A história recente do FC Porto diz que nem sempre o currículo do novo treinador importa, sendo vários os exemplos de técnicos que chegaram ao clube com pouco mais que o canudo. Nuno trazia então na bagagem as presenças do Rio Ave nas finais das duas taças nacionais em 2013/14 e um apuramento para a Liga dos Campeões com o Valência na época seguinte. Experiência mais que suficiente para assumir o cadeirão técnico do FC Porto. Dispondo de um plantel bastante jovem, nomeadamente nos sectores mais avançados, Nuno conseguiu criar as bases para que a equipa praticasse um futebol apelativo, mas não foi capaz de limpar a ansiedade da cabeça dos jogadores nos momentos em que a pressão mais subiu de intensidade. Frequentemente criticado por ser brando na forma como comunicava com a imprensa e na reacção a eventuais prejuízos ao FC Porto, Nuno nunca foi acusado das mesmas coisas que Julen Lopetegui foi no seu tempo. Com efeito, tal como o agora seleccionador espanhol, Nuno não criou um onze-base – exceptuando a composição da defesa – e além disso insistiu em experimentações na disposição dos jogadores e nos esquemas tácticos utilizados, que flutuaram entre o 4x3x3 e variantes do 4x4x2. A equipa construía rotinas, mas logo elas eram alteradas, não havendo assim a possiblidade de as consolidar. As saídas prematuras das duas taças foram outro ponto negativo para a causa do técnico, assim como a leitura que fazia dos jogos, a qual nem sempre conduziu às melhores substituições. Ainda assim, considerando o sentido de compromisso que Nuno Espírito Santo conseguiu instigar na equipa, talvez a saída fosse a última coisa que o treinador merecia no final da temporada. Até porque as soluções não abundavam no plantel, ainda que o mesmo não fosse tão deficitário como em alguns dos anos mais recentes e não tenha sido afectado por demasiadas lesões e castigos.

 

EQUIPA

 

Guarda-redes

Casillas realizou uma temporada muito acima do seu ano de estreia em Portugal. Comandou a área como os grandes nomes das balizas portistas do passado o faziam, e ainda teve oportunidade de ser decisivo em alguns momentos, mais notoriamente nos encontros com Sporting (c) e Benfica (f). Naturalmente que ter à sua frente uma defesa sólida ajudou a melhorar o seu próprio rendimento, mas é inegável que Casillas voltou a ser ele próprio. Só sobraram migalhas para José Sá, que assumiu a baliza nas partidas das duas taças e na última jornada do campeonato, sempre sem comprometer.

 

Defesa

Foi o sector mais estável da equipa. Maxi Pereira, Marcano, Felipe e Alex Telles deram bem conta do recado (19 golos sofridos no campeonato contra 30 sofridos em 2015/16). A sua solidez foi essencial, até porque as soluções eram então poucas. Boly foi terceira opção no centro e somou poucos minutos, enquanto nas laterais Layún perdeu espaço, terminando a época praticamente como um proscrito, ao ponto de na 32.ª jornada ter sido Fernando Fonseca, da equipa B, a colmatar o castigo de Maxi Pereira.

 

Meio-campo

As constantes mudanças operadas pelo treinador não permitiram tirar o melhor rendimento de André André, Óliver Torres e Otávio, enquanto Rúben Neves e João Carlos Teixeira não passaram de alternativas e Herrera voltou à inconstância que tantas vezes o caracteriza. O destaque absoluto do miolo portista foi o trinco Danilo Pereira, peça essencial na ligação entre sectores, fazendo ainda uma perninha na defesa quando foi necessário. Evandro, que também não passou de alternativa, saiu em Janeiro para o Hull City. Sérgio Oliveira não existiu.

 

Ataque

André Silva foi o homem em foco ao longo da primeira metade da temporada, correspondendo à esperança que nele era depositada desde o final da época transacta. Nas extremas, Brahimi começou também ele na condição de proscrito, mas terminaria como indispensável, apesar do excesso de individualismo que não foi capaz de corrigir; já Corona, apesar de mostrar bons pormenores, ainda não conseguiu ser mais regular. Diogo Jota foi um abre-latas, nomeadamente durante a primeira metade da

época, coleccionando bons golos e conduzindo contra-ataques com classe, mas as mudanças tácticas, aliadas à chegada de Soares em Janeiro retiraram-lhe espaço. O ponta-de-lança brasileiro pegou de estaca, apontando nove golos nos seus primeiros seis jogos. A sua utilização em conjunto com André Silva potenciava ambos, mas nem sempre foi essa a opção do treinador. Já Depoitre, que começou como segunda opção para a cabeça do ataque, caiu um nível na hierarquia com o aparecimento súbito de Rui Pedro, e mais desceu quando Soares chegou e tomou o lugar de assalto. Nota ainda para Adrián López, que foi utilizado em nove partidas mas sairia em Janeiro para o Villarreal, e para Varela, que calçou as chuteiras em sete encontros antes de rumar ao Kayserispor.

 

Menção honrosa

Kelvin jogou 21 minutos no encontro da 17.ª jornada frente ao Moreirense, a 15 de Janeiro, e pouco depois era emprestado ao Vasco da Gama. O do Rio de Janeiro, não o de Sines.

 

MARCADORES

Liga NOS

16 golos – André Silva (cinco de grande penalidade);

12 – Soares (mais sete pelo Guimarães);

8 – Diogo Jota;

6 – Brahimi (2 g.p.)

4 – Marcano e Danilo Pereira;

3 – Corona;

2 – Felipe, Rui Pedro, Óliver Torres, Otávio, Herrera e Maxi Pereira;

1 – Alex Telles, Depoitre, Rúben Neves, Layún e André André;

Auto-golo – João Aurélio, do Guimarães.

 

Taça de Portugal

1 – Otávio, Corona e Depoitre.

 

Taça da Liga

1 – Marcano.

 

Liga dos Campeões

4 – André Silva (2 g.p.);

1 – Otávio, Layún, Corona, Brahimi e Diogo Jota.

 

CONTABILIDADE

Liga NOS: 2.º lugar, 22v-10e-2d, 71gm-19gs, 76 pontos; apurado para a fase de grupos da Liga dos Campeões;

Taça de Portugal: venceu o Gafanha (0-3) na 3.ª eliminatória; perdeu com o Chaves (0-0 a.p., 3-2 g.p.) na eliminatória seguinte;

Taça da Liga: último classificado no grupo B (2 pontos), atrás de Moreirense, Belenenses e Feirense;

Liga dos Campeões: ultrapassou a Roma no play-off (1-1c, 3-0f); segundo classificado no grupo G (11 pontos), atrás do Leicester City e à frente de FC Copenhaga e Club Brugge; eliminado nos oitavos-de-final pela Juventus (0-1c, 0-2f).

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por Miran Pavlin às 12:30

Domingo, 17.07.16

EURO 2016 - Final

10 Julho – Saint-Denis – Portugal 1-0 França (a.p.)

Golo: 1-0 Éder 109’

Nota: 4

Diz-se, embora seja praticamente impossível prová-lo, que os organizadores das grandes competições fazem tudo para que a final coloque frente-a-frente dois integrantes do restrito lote de tubarões. Gorada a perspectiva de um duelo clássico ainda antes do final da fase de grupos, a UEFA não se pode de maneira nenhuma queixar de um Portugal-França; a equipa da casa frente à de um país que há décadas aí tem um numeroso contingente emigrante – não é à toa que se diz jocosamente que Paris é a segunda cidade portuguesa. Imagine-se Portugal receber outro Euro e haver uma final Portugal-Ucrânia, por exemplo. Além disso, os intervenientes nesta final têm história entre si, já que se cruzaram em três meias-finais, sempre com vitória gaulesa – Euro 1984 (3-2 a.p.), Euro 2000 (2-1 a.p.) e Mundial 2006 (1-0). Criticado pelo futebol insosso apresentado ao longo do torneio, Portugal chegava à final no reverso do filme que viveu em 2004, enquanto a França, que também não convenceu por aí além, apesar de pelo caminho ter eliminado a campeã mundial vigente, procurava o terceiro título enquanto ainfitriã, depois do Euro 1984 e do Mundial 1998. Ingredientes para um grande jogo efectivamente não faltavam.

A boa nota que o Corte Limpo atribui não advém tanto do jogo em si, mas sim de todo o drama que se foi vivendo ao longo dos 120 minutos. Com efeito, não houve futebol ofensivo de deixar os (tele)espectadores na ponta da cadeira, nem estrelas a ofuscar de tanto cintilar. O torneio não proporcionou jogos assim, e a final não foi excepção. Repetindo-nos, foi o dramatismo que ganhou o dia. Num jogo então de poucos momentos de perigo junto às balizas, foi a França quem procurou assumir as primeiras despesas, e Antoine Griezmann, quem mais, obrigou Rui Patrício a uma vistosa defesa para canto (10’). A partida nem por sombras foi quezilenta, mas ao minuto 18 Dimitri Payet entrou bem forte sobre Cristiano Ronaldo, atingindo o joelho que não devia atingir. Do ângulo em que viu o lance, o juiz inglês Mark Clattenburg foi… inglês e mandou seguir. De facto, desse ângulo, o lance não parece faltoso; interpretações e análises ficam para quem de direito. A verdade é que Cristiano Ronaldo não ficou em condições. Ainda regressou ao relvado mas ao minuto 25 não dava para esticar mais a corda e a substituição era inevitável. O técnico Fernando Santos não deu qualquer sinal de nervosismo e lançou Quaresma no jogo.

Parecia coisa de filme. O melhor jogador da equipa que teoricamente tinha a missão mais difícil abandonava o relvado em menos de meia hora. Era só o primeiro capítulo do drama. Os bleus sentiram a oportunidade e voltaram a ameaçar ao minuto 33, por Moussa Sissoko, que partiu Adrien Silva e rematou para boa defesa de Rui Patrício. Mais perigo só na segunda parte. Raphaël Guerreiro fez um corte cirúrgico a cruzamento de Payet (53’), Olivier Giroud tentou um remate cruzado mas Rui Patrício disse presente (75’) e Sissoko voltou a disparar forte mas Patrício voltou a estar lá (84’). A tensão era evidente, tanto em campo como nas bancadas. Impassível, a equipa das Quinas não se desconcentrava, enquanto os gauleses iam coçando a cabeça sem saber como desfeitear o adversário. Nos descontos, drama e sorte deram as mãos. André-Pierre Gignac, entrado aos 78 minutos para o lugar de Giroud, recebe a bola junto à pequena área, tira Pepe do caminho e a finalização finalmente ultrapassa Rui Patrício, mas o poste devolveu a bola. O prolongamento era mesmo o destino, e Portugal teria que o enfrentar já sem substituições. Foi nesse período que os lusos colocaram a cabeça fora da toca. Aos 104 minutos um cabeceamento de Éder, que substituíra Renato Sanches 25 minutos antes, obrigou Hugo Lloris a uma defesa apertada, seguindo-se um livre venenoso de Raphaël Guerreiro (108’) que rebentou na barra. Um livre nascido de uma mão… de Éder, que o árbitro erradamente julgou ter sido do defensor francês.

De apenas incómodo, Éder passou a letal. 109 minutos. O avançado recupera uma bola perdida a meio do meio-campo adversário, enquadra-se praticamente sem oposição e ainda de fora da área remata forte, rasteiro, colocado, com a bola a entrar bem junto ao poste direito de Lloris. Criticado antes do torneio por ser um avançado nada produtivo, Éder acabava de marcar aquele que se confirmou ser o golo mais importante da história do futebol português e era engolido pelos festejos de equipa e técnicos. A França não encontrou forma de se recompor do choque, mas agora sim Fernando Santos já não escondia o nervosismo. Ele e Cristiano Ronaldo, tão ou mais agitado, que de pé em frente ao banco ia agindo como um segundo treinador, dando indicações aos colegas e vigorosos abanões ao treinador.

O apito final lançou a selecção portuguesa de 2016 rumo à eternidade. Tal como na partida dos oitavos-de-final, Portugal pediu meças à Grécia de há doze anos, infligindo à França o mesmo golpe que sofrera dos gregos naquela noite de 4 de Julho de 2004. Pelo menos por umas semanas, essa final e os dissabores frente aos bleus em 1984, 2000 e 2006 podiam ser esquecidos. Mas só mesmo por umas semanas, porque a história não os apaga. Tal como não apagará as palavras de Fernando Santos após o empate com a Áustria na fase de grupos: “só vou para casa dia 11 [de Julho] e vou ser recebido em festa”. Em cheio. A glória, efémera como sempre, desta vez é portuguesa.

 

As equipas

 

PORTUGAL

Atrás: Nani (17), Pepe (3), William Carvalho (14), José Fonte (4), Rui Patrício (1), Cristiano Ronaldo (7).

À frente: Raphaël Guerreiro (5), Adrien Silva (23), Cédric Soares (21), Renato Sanches (16), João Mário (10).

 

FRANÇA

Atrás: Paul Pogba (15), Laurent Koscielny (21), Hugo Lloris (1), Olivier Giroud (9), Samuel Umtiti (22), Moussa Sissoko (18).

À frente: Dimitri Payet (8), Patrice Evra (3), Blaise Matuidi (14), Bacary Sagna (19), Antoine Griezmann (7).

 

O treinador vencedor

Fernando Santos

 

A celebração

Os vencedores erguem a Taça Henri Delaunay

 

A fotografia de conjunto

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por Miran Pavlin às 12:30

Sábado, 16.07.16

EURO 2016 - Meias-finais

6 Julho – Lyon – Portugal 2-0 País de Gales

Golos: 1-0 Cristiano Ronaldo 50’ / 2-0 Nani 53’

Nota: 2,5

Ao sexto jogo no Euro 2016 finalmente Portugal venceu nos 90 minutos. Sem Aaron Ramsey a coordenar as operações no meio-campo galês a equipa não conseguiu elevar o seu colectivo como nas partidas anteriores, com isso deixando Gareth Bale sem o apoio necessário para que fosse mais efectivo. Disso se aproveitou a selecção portuguesa, que ainda assim teve que esperar pelos primeiros minutos da segunda parte para marcar os golos que a levam até à final. Mesmo muito longe de deslumbrar, esta foi a melhor exibição de Portugal no torneio.

 

7 Julho – Marselha – Alemanha 0-2 França

Golos: 0-1 Griezmann (g.p.) 45’+2’ / 0-2 Griezmann 72’

Nota: 3

Tal como Portugal não esquece as sucessivas eliminações diante da França em meias-finais de grandes competições, também os gauleses recordam com dor a meia-final do Mundial 1982, perdida para a Alemanha (então Federal) nas grandes penalidades, num jogo marcado pela célebre “tentativa de assassinato” de Harald Schumacher a Patrick Battiston. Talvez não fosse necessário ir tão longe na memória, pois a Alemanha havia eliminado a França nos quartos-de-final do Mundial 2014, mas certo era que os bleus se deparavam com um obstáculo historicamente difícil para si. E foi mesmo a Alemanha a exercer o domínio do jogo ao longo de toda a primeira parte, causando apreensão nas hostes francesas. Até que sobre o intervalo Bastian Schweinsteiger cometeu grande penalidade por mão na bola e Antoine Griezmann não enjeitou a conversão. A Mannschaft precisava apenas de eficácia para materializar o seu domínio, mas não o conseguiu e sofreu novo golpe cerca da hora de jogo, com a lesão de Jérôme Boateng. Como uma desgraça nunca vem só, um raro erro de Manuel Neuer, que, pressionado por Olivier Giroud, defendeu para a frente um cruzamento de Paul Pogba, deu a Griezmann o seu segundo golo no jogo, que selou a passagem da França. Salvo alguma exibição estratosférica de alguém na final, Griezmann terá garantido aqui o título de melhor jogador do torneio.

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por Miran Pavlin às 12:30

Sexta-feira, 15.07.16

EURO 2016 - Quartos-de-final

30 Junho – Marselha – Polónia 1-1 Portugal (a.p.), 3-5 g.p.

Golos: 1-0 Robert Lewandowski 2’ / 1-1 Renato Sanches 33’

Nota: 2,5

Cedo se confirmou que o plano utilizado por Portugal frente à Croácia não podia ser repetido. Dispensando fases de estudo, logo ao minuto 2 a Polónia adiantou-se no marcador, aproveitando algum desnorte da defesa portuguesa, que permitiu que a bola andasse de flanco para flanco antes da finalização certeira de Robert Lewandowski. A vantagem era preciosa para a Polónia, mas fugiu com o golo de Renato Sanches pouco depois da meia hora. A partir daí assistiu-se a um tradicional jogo do gato e do rato em que as defesas não vacilaram na hora de anular os avanços que ambas as equipas foram procurando. Sem que nenhum dos conjuntos quisesse balancear-se demasiado no ataque, e sem que Cristiano Ronaldo fizesse a diferença – Lewandowski, a estrela maior dos polacos, já tinha marcado –, o jogo arrastou-se até às grandes penalidades. Portugal, que bateu primeiro, converteu quatro tentativas; foi aí que Jakub Błaszczykowki permitiu a defesa a Rui Patrício. O quinto penálti, de Quaresma, selou a passagem portuguesa às meias-finais.

 

1 Julho – Lille – País de Gales 3-1 Bélgica

Golos: 0-1 Nainggolan 13’ / 1-1 Ashley Williams 31’ / 2-1 Robson-Kanu 55’ / 3-1 Vokes 86’

Nota: 4

O aviso estava lá desde a fase de qualificação: o País de Gales empatou em Bruxelas (0-0) e venceu em Cardiff (1-0), pelo que o jogo era de tripla. Apostada em corrigir esses resultados, a Bélgica entrou forte no jogo, chegando à vantagem com um golaço de Radja Nainggolan, num remate de fora da área. Mais uma vez fazendo uso de um excepcional jogo colectivo, os galeses equilibraram a contenda, empatando antes do intervalo num cabeceamento do central Ashley Williams após pontapé de canto. Os diabos vermelhos não foram capazes de reassumir o controlo do jogo e ficaram atrás no marcador pouco depois do reinício, quando Hal Robson-Kanu marcou um dos melhores golos do torneio, ao rodopiar sobre si tirando ao mesmo tempo três defensores belgas do caminho; depois foi só colocar para o 2-1. O golo decisivo apareceu na recta final, em contra-ataque, quando a Bélgica já jogava com o coração e apenas com três defesas.

 

2 Julho – Bordéus – Alemanha 1-1 Itália (a.p.), 6-5 g.p.

Golos: 1-0 Özil 65’ / 1-1 Bonucci (g.p.) 78’

Nota: 3,5

Poucos jogos têm tanta história associada como um Alemanha-Itália. Além dos inúmeros encontros em grandes competições, que incluem uma final do Mundial em 1982, existia ainda a particularidade de a Alemanha nunca ter batido a Itália em fases finais, nem mesmo como anfitriã, como sucedeu na meia-final do Mundial 2006. Era então mais um jogo para ser levado muito a sério, pelo que mais uma vez ninguém quis arriscar. Perigo só a espaços, pelo que os golos só apareceriam na segunda parte. Pouco depois de a Itália salvar um lance em cima da linha, um passe magistral de Mario Gómez encontrou Jonas Hector no flanco esquerdo, com o lateral a assistir Mesut Özil. De seguida, Gómez quase marcou de calcanhar, correspondendo Gianluigi Buffon com uma enorme defesa. O golo italiano apareceu de grande penalidade, a punir mão na bola de Jérôme Boateng. Com tudo na estaca zero as emoções só voltaram num desempate por grandes penalidades impróprio para cardíacos, já que o vencedor só foi encontrado à nona conversão. Entre defesas, remates ao lado, por cima, e até ao poste, à entrada para a morte súbita verificava-se um 2-2. Os nervos dos jogadores foram de aço até essa nona ronda, altura em que Matteo Darmian viu Manuel Neuer defender. Hector converteu o penálti decisivo, terminando a maldição alemã. Noutra nota histórica, a Alemanha – incluindo os anos como RFA – apenas perdeu um desempate por grandes penalidades, na final do Euro 1976.

 

3 Julho – Saint-Denis – França 5-2 Islândia

Golos: 1-0 Giroud 12’ / 2-0 Pogba 20’ / 3-0 Payet 43’ / 4-0 Griezmann 45’ / 4-1 Sigthórsson 56’ / 5-1 Giroud 59’ / 5-2 Birkir Bjarnason 84’

Nota: 4

O conto de fadas islandês terminou de forma abrupta aos pés da equipa anfitriã, que pela primeira vez no torneio puxou dos galões e saiu para o intervalo a vencer por 4-0. Numa fase da competição em que já tudo é possível, os bleus fizeram jus ao facto de jogarem no seu estádio nacional e colocaram-se a salvo de qualquer surpresa, ao mesmo tempo que passaram uma declaração de intenções às restantes equipas ainda em prova. A segunda parte serviu para a Islândia defender a sua honra. A França reduziu a intensidade do seu jogo e a Islândia não se fez rogada, apontando dois golos que não só atenuaram o volume do resultado, como também sublinham o quão histórica foi a sua participação no Euro 2016.

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por Miran Pavlin às 13:00

Sexta-feira, 15.07.16

EURO 2016 - Oitavos-de-final

25 Junho – Saint-Étienne – Suíça 1-1 Polónia (a.p.), 4-5 g.p.

Golos: 0-1 Błaszczykowski 39’ / 1-1 Shaqiri 82’

Nota: 2,5

Numa fase final que não estava a proporcionar bom futebol, era pouco provável que a fase a eliminar trouxesse um inversão da tendência. Suíços e polacos demoraram pouco a confirmar essa impressão, deixando claro que não iriam abusar do ataque para conseguir o acesso aos quartos-de-final. Só um golo poderia abrir espaço às emoções, e esse apareceu perto do intervalo, e para a Polónia. Sem margem para contemplações a formação helvética começou a procurar mais o ataque, mas os seus intentos foram esbarrando na solidez defensiva polaca e até na barra da baliza. Até que Xherdan Shaqiri arrancou um magnífico pontapé de bicicleta para o golo do empate, sublinhando que os jogos com pouca procura pelas balizas se decidem em momentos fortuitos, ou de génio. No entanto o golo não decidiu nada, já que empurrou tudo para um prolongamento em que faltaram forças – principalmente do lado polaco – para atingir um segundo golo. Foram necessárias as dez grandes penalidades da ordem para encontrar a decisão, e a fava ficou para Granit Xhaka, que na segunda ronda rematou ao lado. As restantes nove tentativas foram convertidas com sucesso, cabendo a Grzegorz Krychowiak o pontapé decisivo.

 

25 Junho – Paris – País de Gales 1-0 Irlanda do Norte

Golo: 1-0 McAuley (p.b.) 75’

Nota: 2

O segundo jogo britânico deste Euro teve pouco a ver com o que opôs ingleses e galeses na fase de grupos. Faltou a emoção e o ataque-contra-ataque – parafraseando o slogan da liga portuguesa de futsal – que caracterizam o futebol em terras de Sua Majestade. Por um lado, é possível entender-se por que as equipas não optaram por futebol expansivo; estando ambas em estreia na prova, e encontrando um adversário pouco sonante, custaria ver a oportunidade de ir mais além gorar-se à custa de desvarios ofensivos, pelo que cautela foi a palavra de ordem. Socorrendo-me de palavras escritas acerca do jogo anterior, este encontro decidiu-se num golpe fortuito. A quinze minutos do fim, num cruzamento de Gareth Bale, o central norte-irlandês Gareth McAuley desviou para a própria baliza. Num jogo tão equilibrado, foi o suficiente.

 

25 Junho – Lens – Croácia 0-1 Portugal (a.p.)

Golo: 0-1 Quaresma 117’

Nota: 2,5

Depois de uma fase de grupos em que ficou a sensação de não ter ligado realmente o motor – ou então de estar presa ao velho fantasma de ter pela frente adversários que não assustam –, a selecção portuguesa transformou-se oficialmente na Grécia. No que toca a futebol nunca é recomendável falar da Grécia tratando-se de um jogo de Portugal, mas a forma como os lusos ultrapassaram a Croácia paga direitos de autor à equipa grega de 2004. Enquanto os croatas somavam números atrás de números às estatísticas ofensivas – 17-5 em remates – e tinham o grosso da posse de bola – 59%-41% – Portugal respondia com uma organização defensiva exemplar, ao ponto de nenhum desses 17 remates croatas ter acertado no alvo. Os portugueses insistiam em não ceder ao assédio da Croácia, não deixando alternativa senão a ida ao prolongamento. A toada manteve-se e foi quando as grandes penalidades já aguardavam junto à linha que o golpe de teatro aconteceu. Renato Sanches conduziu talvez o único contra-ataque com princípio, meio e fim que Portugal construiu e cruzou para Nani do lado contrário; Nani assistiu Cristiano Ronaldo, que rematou forte para defesa incompleta de Danijel Subašić, com Quaresma a aparecer no local certo para a recarga de cabeça. A Croácia já não teve tempo para se recompor.

 

26 Junho – Lyon – França 2-1 Irlanda

Golos: 0-1 Brady (g.p.) 2’ / 1-1 Griezmann 58’ / 2-1 Griezmann 61’

Nota: 3

Os anfitriões voltaram a ver-se em apuros bem cedo, e por culpa própria. Paul Pogba cometeu grande penalidade e Robbie Brady, que já havia marcado à Itália, converteu o castigo. Para que consumassem a surpresa os irlandeses necessitavam de aguentar 88 minutos – mais descontos – sem permitir que a França fizesse valer o factor-casa, proposição que se tornava agora bem mais difícil que antes de o jogo começar. Só após o intervalo a França começou a carburar com mais afinco, muito devido à troca do médio defensivo Ngolo Kanté pelo atacante Kingsley Coman. Os suores frios terminaram com dois golpes sucessivos de Antoine Griezmann, que se assume como o jogador mais em forma neste Euro 2016. Cinco minutos após o golo a Irlanda viu-se reduzida a dez unidades pela expulsão do central Shane Duffy. Ainda assim, os verdes não desistiram de procurar o empate, mas a França segurou a vantagem.

 

26 Junho – Lille – Alemanha 3-0 Eslováquia

Golos: 1-0 Jérôme Boateng 8’ / 2-0 Gómez 43’ / 3-0 Draxler 63’

Nota: 2

A Alemanha não encontrou problemas em ultrapassar a Eslováquia, deixando bem vincada a sua superioridade, num jogo em que não precisou de grande esforço para se impor. Logo ao minuto 8 Jérôme Boateng colocou a Mannschaft em vantagem com um potente remate de fora da área. Volvidos cinco minutos Mesut Özil desperdiçou uma grande penalidade, permitindo a defesa a Matúš Kozáčik, mas o golo da tranquilidade surgiria ainda antes do intervalo, por Mario Gómez. A segunda parte foi pouco mais que uma formalidade.

 

26 Junho – Toulouse – Hungria 0-4 Bélgica

Golos: 0-1 Alderweireld 10’ / 0-2 Batshuayi 78’ / 0-3 Hazard 80’ / 0-4 Ferreira-Carrasco 90’+1’

Nota: 3,5

A Bélgica conseguiu o resultado mais folgado de toda a fase final, mas tal não espelha o que se passou em campo. Os belgas marcaram cedo, mas a Hungria não teve medo de responder às tendências ofensivas dos diabos vermelhos com o seu próprio jogo atacante. Com oportunidades de parte a parte, o resultado manteve-se incerto até à recta final, altura em que a Bélgica apontou dois golos de rajada e assegurou o seu lugar nos quartos-de-final. O 0-3 já era pesado para aquilo que a Hungria mostrou, mas a Bélgica fez questão de acrescentar um quarto golo já sobre o termo da partida.

 

27 Junho – Saint-Denis – Itália 2-0 Espanha

Golos: 1-0 Chiellini 33’ / 2-0 Pellè 90’+1’

Nota: 4

O primeiro duelo de gigantes da fase final assinalou a despedida dos bicampeões em título. A Espanha, que se encontra em transição depois do desastre no Mundial do Brasil há dois anos, encontrou uma Itália que procura ela própria reencontrar-se com glórias passadas, e não restaram dúvidas sobre que direcção as duas equipas vão seguindo. A squadra azzurra foi superior à roja – que jogou de branco – ao longo de todo o encontro, não lhe dando espaço para pensar e executar, além de novamente ter sabido dar os golpes fatais nas alturas certas, tal como já tinha acontecido frente a Bélgica e Suécia na fase de grupos. Até porque, apesar dos momentos das duas equipas, um Itália-Espanha nunca é um jogo fácil. O primeiro golo apareceu pouco depois da meia hora. Éder marcou um livre que David de Gea defendeu para a frente, causando a confusão na pequena área, onde acabaria por aparecer Giorgio Chiellini para um oportuno desvio. A Espanha, que não tinha conseguido libertar-se do colete de forças imposto pelos transalpinos, continuou sem conseguir encontrar meios de respirar no jogo. As opções para refrescar o ataque não são as mesmas dos anos dourados entre 2008 e 2012, pelo que a entrada de Aritz Aduriz ao intervalo para o lugar de Nolito não fez qualquer efeito. O próprio Aduriz seria substituído por Pedro Rodríguez ao minuto 81. Mestres na arte de defender, os italianos sustiveram o canto do cisne espanhol nos minutos finais, matando o jogo nos descontos, num contra-ataque finalizado por Graziano Pellè.

 

27 Junho – Nice – Inglaterra 1-2 Islândia

Golos: 1-0 Rooney (g.p.) 4’ / 1-1 Ragnar Sigurdsson 6’ / 1-2 Sigthórsson 18’

Nota: 4

Quando não são as grandes penalidades, ou quando a linha não acaba na fase de grupos – ou na qualificação, como sucedeu no Euro 2008 –, a Inglaterra não resiste a ser vítima de eliminações improváveis. Encontrando-se em vantagem logo ao minuto 4, menos de um quarto de hora mais tarde a Inglaterra via-se atrás no marcador, ainda para mais frente a uma equipa que nunca na sua história tinha estado tão alto numa competição de futebol. A equipa dos três leões apenas esteve na frente durante alguns segundos. Após o pontapé de saída subsequente ao 1-0 a Islândia ganhou um lançamento lateral no enfiamento da área inglesa. Aron Gunnarsson executou-o, Gylfi Sigurdsson desviou já dentro da área, e o central Ragnar Sigurdsson estava lá para empurrar à boca da baliza para o empate. Na vez seguinte em que se aproximou da baliza contrária a Islândia voltou a ser fatal, com Kolbeinn Sigthórsson a consumar a reviravolta, num remate em que Joe Hart podia ter feito melhor. Claramente desorientados, e com poucas referências às quais recorrer, os ingleses não tiveram engenho para forçar pelo menos o prolongamento. Ressalvadas as devidas distâncias, até porque os jogos não são todos iguais, a Islândia sobreviveu a uma situação semelhante àquela com que a Irlanda se deparou no jogo com a França: segurar uma vantagem durante muitos minutos diante de uma equipa teoricamente mais forte. Os islandeses seguem do jogo mais importante da sua história… para o jogo mais importante da sua história. Desde que se apurou para esta fase final que tem sido assim. Já Roy Hodgson anunciou de imediato o abandono do comando da selecção inglesa.

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por Miran Pavlin às 12:00



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