Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]

CORTE LIMPO

Todas as fotografias neste blog encontram-se algures em desporto.sapo.pt, salvo indicação em contrário


Quarta-feira, 20.01.16

Taça da Liga, fase de grupos – FC Famalicão 1-0 FC Porto – Jogo de amigos

Não se podiam mesmo pedir dias mais agitados no reino do dragão. Depois de três jogos sob a batuta de Rui Barros, o FC Porto foi a jogo ainda com o antigo médio nos comandos, mas já com o novo treinador na bancada. O escolhido, ao cabo de quase duas semanas de indefinição, é José Peseiro, que se desvinculou dos egípcios do Al-Ahly para rumar à Invicta. Infelizmente para o técnico, o que a equipa lhe mostrou decerto não terá deixado as melhores impressões.

A falta de empenho dos dragões na Taça da Liga já tem barbas, mas mesmo pesando esse factor, este terá sido o pior jogo de sempre do FC Porto nesta competição. Possivelmente por não querer sobrecarregar os principais nomes da equipa na véspera da entrada de Peseiro em funções, Rui Barros montou um onze altamente experimental, lançando mão a nomes como Víctor García, Lichnovsky, Sérgio Oliveira e André Silva, hoje como extremo. O encontro marcou também a estreia de Hyun-Jun Suk pelo FC Porto.

A perspectiva por que se poderia ver o jogo cai por terra a partir do momento em que o Famalicão também entra com um onze alternativo e certos jogadores do FC Porto simplesmente não se conseguiram superiorizar. José Ángel não acertou um passe e Varela terá feito uma das piores exibições da sua carreira. Imbula quase não existiu em campo. É necessário ainda perguntar a alguém se este Maicon é o mesmo que há uns anos jogava no FC Porto. Até Helton esteve desconcentrado, sendo muito mal batido no golo de Mauro Alonso (58’), que decidiu a partida. O livre cobrado pelo brasileiro do Famalicão bateu no chão mesmo à frente do veterano guarda-redes, deixando-o muito mal na fotografia. No decorrer do segundo tempo Corona foi lançado na tentativa de mexer com o jogo, o que não viria a acontecer. Francisco Ramos e Ismael Díaz, da equipa B, ainda tiveram oportunidade de jogar uns minutos.

No final, não é possível recordar mais que um cabeceamento de Suk à trave, aos 85 minutos. Foi um suplício assistir ao jogo. Pareceu mesmo um jogo de amigos marcado no próprio dia por mensagem, em que só alguns se conhecem entre si. Pior que isso, só pensar que o FC Porto fica matematicamente eliminado da Taça da Liga, ainda com um jogo por disputar, e está no último lugar de um grupo que inclui duas equipas da II Liga.

Na zona de entrevistas rápidas, questionado sobre o ânimo do plantel neste momento, Helton disse “precisamos de nos ajudar, mas também precisamos de ajuda”. Palavras tão sinceras quanto esclarecedoras sobre o estado de alma actual do FC Porto. Espera-se que o início da primeira sessão de treino de José Peseiro no Olival seja o regresso de alguma normalidade ao dia-a-dia portista. Até quando resistirá o fôlego da entrada do novo treinador?

Autoria e outros dados (tags, etc)

por Miran Pavlin às 23:00

Terça-feira, 29.12.15

Taça da Liga, fase de grupos – FC Porto 1-3 CS Marítimo

Começar a ver um jogo aos 60 minutos é meio caminho andado para se tirarem conclusões precipitadas e fazerem análises insuficientes. Não sabendo o que se passou antes, a imagem que fica dessa última meia hora é a de um FC Porto quase nulo. Já a perder, e com os habituais titulares a pensar no importante jogo do próximo fim-de-semana, os menos utilizados acabaram por ficar um tanto ou quanto perdidos em campo.

O FC Porto terminou com 70% de posse de bola, e a verdade é que os dragões visaram muitas vezes a baliza de Salin, mas os remates saíram quase todos na direcção do guardião francês do Marítimo. André Silva, em estreia na equipa principal, foi o autor de muitos desses remates.

Os adeptos portistas não andam satisfeitos com o rendimento da equipa, e não teve qualquer importância que o jogo contasse para a historicamente menosprezada Taça da Liga; imediatamente após o 0-2, os presentes brindaram a equipa com um sonoro coro de assobios, e o treinador com lenços brancos. Qual espírito natalício, qual quê?

O 0-3, aos 90’+4’ minutos, foi só mais um estalo na cara do FC Porto. Aboubakar ainda reduziu na jogada seguinte, e o jogo findou logo depois. 1-3. A primeira vitória de sempre do Marítimo em casa do FC Porto, incluindo todas as competições. Helton foi veemente ao instar os colegas para que dirigissem às bancadas um agradecimento misturado com pedido de desculpas, mas a equipa não se livrou de nova vaia.

Talvez nunca tenha acontecido a ninguém numa fase de grupos semelhante a esta, mas bastou um jogo para as hipóteses de passar à fase seguinte se reduzirem ao mínimo. O Marítimo, que já tinha realizado um jogo em Novembro, soma agora seis pontos, faltando-lhe apenas um para seguir em frente. O FC Porto tem que vencer as duas partidas restantes e esperar que o Famalicão, que pode ele próprio apurar-se, traia o Marítimo no Funchal.

Autoria e outros dados (tags, etc)

por Miran Pavlin às 21:30

Quinta-feira, 02.04.15

Taça da Liga, meias-finais – CS Marítimo 2-1 FC Porto – Males que vêm por bem

Terceira visita à Madeira, terceira noite de indisposição. Esta custou um lugar na final da Taça da Liga, o troféu que o FC Porto historicamente desvaloriza, não faz questão de ganhar e, pelos vistos, não consegue mesmo ganhar.

Fazendo jus à pouca importância dada a esta competição, Julen Lopetegui escalou um onze sem alguns dos habituais titulares, opção justificada na sala de imprensa, onde o técnico referiu não fazer sentido levar outros nomes a jogo quando os menos utilizados na I Liga se bateram dignamente nas partidas da Taça da Liga.

Durante a primeira meia hora de jogo, mesmo com alguma lentidão, a equipa ia executando as suas rotinas ofensivas, face a um Marítimo expectante, que não quereria de maneira nenhuma cometer erros, ou não estivesse no momento mais importante de uma temporada abaixo dos seus objectivos.

Aos 32 minutos os dragões chegaram ao golo, num pontapé de ressaca de Evandro, após mau alívio da defensiva insular. A vantagem teve um efeito nocivo para o FC Porto, que em vez de se galvanizar, quebrou, desapareceu do jogo e chegou mesmo ao intervalo, imagine-se, já a perder por 2-1.

O empate surgiu cinco minutos depois do tento de Evandro, numa grande penalidade transformada por Bruno Gallo, precisamente o homem que marcara o único golo na partida para o campeonato. O lance foi de grande infelicidade para o lateral Ricardo, que não tinha hipótese de se desviar do maritimista Xavier, que o fintou e de seguida chocou com ele. Uma jogada normal de futebol, que o status quo da arbitragem portuguesa torna difícil não ser considerada faltosa. Para discutir eternamente.

Em cima do descanso Marega fez o 2-1, na sequência de um canto em que a defesa azul-e-branca não sai bem vista. Este golo mudou tudo o que se podia esperar do jogo para a segunda parte. Era como um pássaro raro nas mãos do Marítimo, que logo tratou de não o deixar escapar, cerrando fileiras na zona defensiva e entregando a iniciativa ao FC Porto.

Sem nervosismo ou sofreguidão, os dragões voltaram à forma inicial, trocando a bola, lateralizando, furando até cruzamentos que invariavelmente não saíam a jeito para finalizações, que é o mesmo que dizer que não causaram perigo para as redes de Salin. Excepção feita àquele último quarto-de-hora da primeira parte, não se pode dizer que o FC Porto tenha feito um jogo horrível. O problema é que não foi nem intenso, nem bom o suficiente, logo deixando o FC Porto com pouco que abone a seu favor.

A derrota, contudo, não deixa de ser um mal que vem por bem. Caso tivesse passado, o FC Porto jogaria a final numa altura em que já estará a braços não só com a eliminatória frente ao Bayern Munique, mas também com o decisivo Benfica-Porto do campeonato. Nessas contas há muito que já não há margem de erro. Agora deixa também de haver desculpas para um jogo pouco conseguido na Luz.

Autoria e outros dados (tags, etc)

por Miran Pavlin às 23:55

Quarta-feira, 28.01.15

Taça da Liga, 3.ª fase – FC Porto 4-1 A Académica Coimbra – Música, maestro

Bastou levar a jogo três habituais titulares para a música ser diferente da que normalmente se escuta quando o jogo vale para a Taça da Liga. Talvez não querendo ficar intranquilo no sofá à espera dos resultados de terceiros – para isso já basta o campeonato – o FC Porto resolveu desde já a questão do apuramento para as meias-finais.

Não terá sido só por estarem titulares em campo. Todos os que jogaram contribuíram para uma exibição bem airosa, de pendor ofensivo, com muitas jogadas colectivas e rápidas recuperações de bola, mas acima de tudo com grande afinação.

O FC Porto reduziu a Académica a escassos dois lances com princípio, meio e fim, um em cada parte. O segundo desses lances deu mesmo golo, por Mbala (72’), à ponta-de-lança. Foi o despertador que o jogo precisava, e que impeliu os dragões para uma ponta final frenética, em que não deu descanso aos estudantes.

Antes já se assistira a um solo de Jackson Martínez, que assim se estreou a marcar nesta edição da prova. Aos seis minutos aproveitou uma perda de bola infantil de Aníbal Capela para inaugurar o marcador, e aos 59 dobrou a vantagem portista num excelente golpe de calcanhar. Cumprida a missão, o colombiano deu o lugar a Gonçalo Paciência, que demorou um quarto de hora a fazer história.

Numa jogada individual que incluiu uma magnífica finta de corpo, o jovem concluiu-a com um remate colocado, de pé esquerdo, no milésimo de segundo antes de o defesa academista chegar ao corte. O seu primeiro golo pela equipa sénior. Gonçalo festejou-o de dedo em riste, tal como o pai fez dezenas de vezes em tempos idos. Haverá mais no futuro?

Talvez tenha sido a beleza dos golos a ofuscar a parte menos interessante do jogo, que ainda durou um bom par de minutos, com o FC Porto a limitar-se a controlar as operações contra uma Académica sem último terço. Evandro ainda faria o quarto golo portista (80’), de grande penalidade. O médio está a revelar-se um especialista da marca dos onze metros.

Pena que seja só a Taça da Liga. É imperioso que os jogadores mais utilizados consigam exibições como a desta noite nos jogos de campeonato. Porque nunca se sabe quando os adversários directos poderão dar passos em falso.

Autoria e outros dados (tags, etc)

por Miran Pavlin às 23:30

Quarta-feira, 21.01.15

Taça da Liga, 3.ª fase – SC Braga 1-1 FC Porto – Haja coração

Foi quase até entrar em taquicardia. O coração acelerou repetidas vezes, ao sabor das mil e uma peripécias de um jogo que parecia de campeonato. O empate final saberá melhor ao FC Porto, que fica a uma vitória de garantir a passagem às meias-finais da prova.

Face às numerosas incidências, o futebol jogado fica relegado para quarto ou quinto plano. Antes dos dez minutos já tinha havido duas alterações por lesão. No Braga o infeliz foi Santos, que caiu de costas, desamparado, e cedeu o lugar a André Pinto. Do outro lado, foi Adrián a sair, vitimado por uma lesão presumivelmente na virilha, quando acelerou na perseguição a um contrário. Entrou Tello, e não seria a única mudança que o FC Porto teria que operar.

As restantes mexidas foram consequência directa das acções do primeiro protagonista da noite, que neste caso foi aquele que nunca se pretende que o seja: o árbitro. Certamente que não foi de propósito, mas Cosme Machado teve um jogo para esquecer. A dualidade de critérios que mostrou foi gritante e continuamente mais penalizadora para com o FC Porto, em lances semelhantes a outros envolvendo atletas do Braga. O Collina português até pelo resultado foi responsável, uma vez que ambos os golos surgiram na cobrança de grandes penalidades. A primeira foi convertida com classe por Evandro (25’), a segunda pelo ex-portista Alan (51’).

Quando o Braga repôs a igualdade já o FC Porto jogava com nove homens apenas. Reyes acumulou amarelos entre os 28 e os 34 minutos, e Evandro seguiu o mexicano a caminho dos balneários aos 42 minutos por pontapear a bola que estava sob Pedro Santos, que tinha caído e a prendeu. Era um reflexo dos ânimos quentes com que se jogava, mas de onde o árbitro estava, a teatralização excessiva do arsenalista induziu-o a considerar tratar-se de uma agressão.

Com menos dois homens o FC Porto naturalmente retraiu-se, e passou todo o segundo tempo debaixo da pressão do Braga, que não desistiu de procurar o segundo golo. E é aqui que aparece o segundo protagonista da noite: Helton. O veterano relembrou a todos o porquê de antes da lesão ser frequentemente considerado o melhor guarda-redes a actuar em Portugal – com a devida vénia a Rui Patrício. Foram muitas e boas as defesas que fez, numa exibição majestosa, carimbada em definitivo nos segundos finais, quando impediu com o pé que Éder marcasse.

O Braga terminou a lamentar a falta de eficácia. Não contaria com o enorme coração dos dragões, que resistiram firmemente e ainda criaram um lance perigoso, quando Tello se desmarcou e forçou Kritsyuk a uma defesa apertada (82’).

A reacção dos dirigentes portistas à arbitragem pouco conseguida teve tanto de veemente, como de surreal. Antero Henrique foi expulso na saída para o intervalo, Julen Lopetegui perguntou ao quarto árbitro se seria melhor retirar a equipa de campo, e até Pinto da Costa foi à sala de imprensa em modo invasão reiterar, no seu estilo irónico, o orgulho que sentia nos jogadores, os únicos que não se deixaram tomar pelos nervos.

Um notório contra-senso com a conhecida desvalorização portista da Taça da Liga. Fico a coçar a cabeça à procura de uma justificação.

Autoria e outros dados (tags, etc)

por Miran Pavlin às 23:55

Terça-feira, 13.01.15

Taça da Liga, 3.ª fase – FC Porto 3-1 CF União – Um desafio

Um jogo de Taça da Liga diante de um adversário da Liga 2 é um grande desafio. Não para a equipa, mas para quem assiste. Convém apelar a todo o portismo e tomar um café antes, porque não é preciso ser adivinho para afirmar que o jogo tem grandes hipóteses de ser disputado a baixo ritmo, e dificilmente terá momentos que perdurarão na memória.

Não que esta recepção ao União da Madeira tenha sido completamente inútil. Além de permitir dar minutos a Reyes, Ricardo, Campaña e Evandro, o jogo marcou os regressos de Ruben Neves e Helton à titularidade, este dez meses depois da grave lesão que sofreu em Alvalade.

O veterano guarda-redes sai com a infelicidade de ter sofrido um golo numa noite em que não fez qualquer defesa. A verdade é que nesse lance em particular Helton tinha poucas hipóteses de êxito, uma vez que o avançado unionista Élio apareceu solto à sua frente, e nesse momento a vantagem é sempre de quem está de frente para a baliza. Élio não a enjeitou, e marcou pela terceira vez às equipas da I Liga, depois de Paços de Ferreira e Braga.

Absoluta foi a estreia de Ivo Rodrigues, avançado da equipa B que pela primeira vez envergou a camisola da equipa principal. A sua utilização traz à tona a questão da perspectiva por que se olha para os jogadores. Quintero bem tentou colocar-lhe bolas, mas Ivo não aproveitou nenhuma e não mostrou muito. O estaria eu aqui a escrever caso tivesse sido Adrián o autor do desperdício…

[Pausa de alguns minutos para pensar]

Não dá para evitar bater mais uma vez no ceguinho: Adrián jogou os 90 minutos e continua sem mostrar nada que justifique o seu currículo. Que tal deitar-se no divã e contar o que o apoquenta?

O FC Porto superiorizou-se ao União com naturalidade, desencravando o resultado aos 25 minutos num lance individual de Quintero. No segundo tempo Quaresma foi o homem em destaque, ao estar nos lances dos restantes dois golos. No lance do 2-0 rematou para Zarabi meter o pé à bola e a desviar para a própria baliza, e sofreu a falta para a grande penalidade que Evandro converteria no 3-1 final.

Com o marcador ainda em andamento houve o golo de Élio e um remate de Barnes ao poste de Helton. O jogo terminaria na altura certa, quando o nevoeiro ameaçava abater-se sobre o Dragão.

Foram anunciados 11 mil espectadores. Generoso, a avaliar pelas imagens televisivas e pelo ruído geral das bancadas.

Autoria e outros dados (tags, etc)

por Miran Pavlin às 23:45

Terça-feira, 30.12.14

Taça da Liga, 3.ª fase – Rio Ave FC 0-1 FC Porto – Sem pressas

Preparem-se, porque a partir de agora os grandes estão envolvidos nela. É a Taça da Liga, esse antro de polémicas que incrivelmente vai já na sua oitava edição. Frequentemente um empecilho para vários emblemas participantes, a Taça da Liga não deixa de ter uma vantagem para quem assiste: preenche de futebol as longas e frias semanas de Janeiro. No entanto, essa vantagem desaparece quando nos sentamos em frente ao televisor e constatamos que o futebol jogado nem sempre cativa.

Este jogo não foi excepção. O FC Porto, mesmo já eliminado da Taça de Portugal, tem outras preocupações, além de não ter um carinho especial por esta prova; já o Rio Ave, sem esquecer que foi à final de 2013/14, estará mais interessado na Taça de Portugal, com vista a um regresso ao Jamor.

Era o pretexto ideal para dar minutos a nomes menos utilizados, e os dois conjuntos assim fizeram. Do lado dos dragões, foram titulares Andrés Fernández, José Ángel, Ricardo, Evandro, Adrián e Aboubakar, bem como o central mexicano Reyes, que decerto estará com muitas saudades de Paulo Fonseca e Luís Castro, que o utilizavam mais amiúde.

O efeito das mexidas foi em tudo semelhante ao que já se vira no encontro com o Shakhtar Donetsk. A equipa não se expôs em demasia, mas praticou um futebol pausado – OK, lento, mesmo – sem pressas quer de chegar à área, quer de resolver o jogo. O beneficiado era o Rio Ave, que assim tinha mais tempo e espaço para organizar jogadas e tentar dar uma imagem que apagasse os 5-0 sofridos na visita ao Dragão no final de Novembro.

O futebol pode ter sido vagaroso, mas o FC Porto não deixou de dar a Ederson uma noite atarefada. O guarda-redes brasileiro do Rio Ave teve que se aplicar em diversas ocasiões, por vezes com defesas consecutivas no mesmo lance. No outro extremo, Andrés Fernández pouco teve que fazer, mas ainda viu um remate de Diego Lopes, sem defesa possível, esbarrar na trave. Face ao pouco trabalho que teve nesta gélida noite, tornou-se impossível não reparar que Fernández estava de manga curta. Brrr!

Um jogo assim só se decidiria num golpe fortuito, que aconteceria ao minuto 61, quando Aboubakar e Nuno Lopes, na pequena área, meteram o pé à bola ao mesmo tempo e ela entrou. As imagens televisivas não permitem um veredicto, mas tendo em conta o movimento da bola, fica toda a sensação de que foi o carrinho de Nuno Lopes a empurrar para o golo, mais do que a finalização de Aboubakar. O tento seria atribuído ao camaronês, que assim irá para a CAN com um sorriso nos lábios.

Ederson não concordará, mas o triunfo do FC Porto acaba por ajustar-se, uma vez que a baliza mais visada foi a do Rio Ave, e só assim o brasileiro pôde coleccionar defesas. Quem ficou visivelmente desagradado, mas por ser substituído, foi Quaresma. A sua expressão ao abandonar o relvado não o disfarçava minimamente. Mais indisfarçável só a inépcia de Adrián: um remate ao poste em 90 minutos é muito pouco para quem custou tanto dinheiro.

Por ora, o que custa mais é pensar que o FC Porto ainda tem três jogos para disputar até final desta fase de grupos.

Autoria e outros dados (tags, etc)

por Miran Pavlin às 22:45

Domingo, 27.04.14

Taça da Liga – FC Porto 0-0 SL Benfica (3-4 g.p.) – O bilhete errado da lotaria

sapodesporto

A lotaria andou à roda várias vezes no Dragão. E o FC Porto nunca teve consigo a cautela premiada. Varela e Jackson, em cada extracção, não acertaram sequer na terminação, mantendo a conta do FC Porto a zero.

Seria no sorteio extraordinário – leia-se grandes penalidades – que se saberia quem era o destinatário da taluda, e essa sairia aos visitantes, que mesmo sem querer, seguem em frente para a final.

O FC Porto fez alinhar todas as armas, naquela que era a última hipótese de salvaguardar um raio de sol no filme de terror que esta época tem sido; já o Benfica, com atenções centradas nos outros voos em que está envolvido, apresentou uma equipa de segundas linhas.

Ficou a sensação de que o Benfica iria dar de barato este jogo. Não só por começar a queimar tempo desde muito cedo, mas também porque Steven Vitória, enquanto esteve em campo, foi pouco mais que um buraco.

Face à enorme falta de ritmo do central, a auto-estrada estava aberta, e os azuis-e-brancos, com destaque para Herrera, tudo fizeram para colocar a bola na zona fatal, mas o desperdício foi-se repetindo.

A brincadeira acabou por volta da meia hora, quando Vitória foi expulso e Jesus reequilibrou a equipa fazendo entrar Garay. A partir daí não mais o FC Porto incomodou as redes de Oblak.

Com dez os visitantes recuaram, e muito, as suas linhas. A iniciativa foi entregue ao FC Porto, mas a falta de crença resultante dos muitos desaires vividos por uma equipa em perda desde Novembro mais uma vez subiu à tona.

Novamente contra dez elementos, como em Sevilha e na meia-final da Taça de Portugal, o FC Porto não conseguiu mostrar uma pontinha de superioridade que fosse. Não estivesse o Benfica em poupanças – Fabiano foi espectador – e os dragões poderiam ter pago a onerosa factura nos 90 minutos. Pagariam no desempate por grandes penalidades.

Garay acertou na trave, mas Jackson atirou por cima; Fabiano quis ser herói ao defender o remate de André Gomes, mas Oblak imitou-o ao deter o de Maicon; já na morte súbita, Fernando respondeu à conversão de Ivan Cavaleiro com um remate tão colocado que bateu no poste.

Não houve assobios nem contestação no estádio – apenas resignação. Muitos nem ficaram para ver o desempate que confirmaria que 2013/14 é a época mais aziaga do FC Porto nos últimos trinta anos.

Restam dois jogos para o seu final.

Autoria e outros dados (tags, etc)

por Miran Pavlin às 23:23

Domingo, 26.01.14

Taça da Liga - FC Porto 3-2 CS Marítimo - Dragões vencem primeira sessão

sapodesporto

Não terá sido um jogo de fina água, mas em termos de emoção foi o oposto da partida com o Setúbal. Teve cinco golos, duas reviravoltas, e só no termo dos descontos se fixou o resultado final.

A chave deste grupo B da terceira fase acabou por residir na diferença de golos. Só FC Porto e Sporting tinham hipóteses de passar, e os dragões tinham um tento de vantagem. O inevitável Jackson abriu as hostilidades ao fim de 20 minutos, e poderia pensar-se que o FC Porto marcaria ainda um ou outro golo, face ao desinteresse que o Marítimo teria sobre este jogo em particular.

Mas rapidamente esses pensamentos se desvaneceram. Por vezes um jogo sem objectivos competitivos é o melhor para fazer uma equipa se soltar. E foi isso que o Marítimo fez, igualando praticamente de seguida e provocando o escândalo aos 34 minutos, ao passar para o comando do marcador.

Nesta fase os insulares praticavam um futebol interessante, diante de um relaxamento porventura exagerado por parte de um FC Porto que até só fez descansar Helton.

E pela primeira vez esta época Paulo Fonseca parece ter percebido o que se estava a passar, e fez entrar Josué para o lugar de Fernando ainda na primeira parte, trocando mais tarde Defour por Ghilas e Maicon por Quintero. Só substituições ofensivas.

Não se sabe se aconteceu porque o jogo não era de campeonato, onde os riscos desmedidos se pagam mais caro, mas certo é que o técnico portista mexeu na equipa com intenção. E progressivamente os dragões empurraram o jogo para o meio-campo maritimista, ainda que não fosse um sufoco na total expressão do termo.

Mas era nitidamente uma reacção à desvantagem. E a quatro minutos do fim, na sequência de um canto, Carlos Eduardo restabeleceu a igualdade. Com o Sporting a vencer por 1-3 no outro jogo, mais um golo bastava para o FC Porto se apurar, e seria Josué a vestir-se de herói, ao converter uma grande penalidade a segundos do termo do encontro, quando o jogo do Sporting já havia terminado.

Premiada a audácia do treinador, o FC Porto segue em frente, para defrontar o Benfica nas meias-finais. Mas pela reacção do presidente do Sporting em Penafiel a história promete não ficar por aqui.

Assim como não fica a de Porto e Marítimo, que se reencontram nos Barreiros no próximo fim-de-semana, a contar para o campeonato.

Autoria e outros dados (tags, etc)

por Miran Pavlin às 12:17

Quarta-feira, 15.01.14

Taça da Liga - FC Porto 4-0 FC Penafiel - O preço da chuva

sapodesporto

A Taça da Liga é a competição que menos diz ao FC Porto. Mas depois de uma derrota na Luz os dragões não se podiam dar ao luxo de passar o tempo, apesar da intempérie que por momentos assolou a cidade do Porto.

Não assisti aos primeiros 45 minutos, que coincidiram com o final do dia de trabalho. Só mais tarde vi a obra de arte de Quaresma que abriu o activo, mas só não abre telejornais porque o jogo não tinha significado competitivo por aí além. O antigo Mustang marcou um raro golo de cabeça, de costas para a baliza, mas cheio de intenção, para gáudio dos poucos que estiveram no estádio.

Num jogo com bilhetes ao preço da chuva, foi por pouco que a chuva saiu realmente cara, nos primeiros minutos da segunda parte. Antes disso, porém, foi o vento a fazer das suas ao enviar um placard de publicidade para o relvado. Segundos depois, a forte chuvada alagou o relvado e obrigou à suspensão do encontro por cerca de meia hora.

No reatamento o jogo naturalmente ressentiu-se do relvado pesado, e passou a desenrolar-se predominantemente pelo ar, e pelo lado nascente, onde a relva não estava tão empapada. E foi daí que surgiu o cruzamento de Ghilas, de letra, para Jackson elevar a contagem.

Com o jogo na mão, ainda houve espaço para Jackson bisar e Varela picar o ponto, em posição de fora-de-jogo, que passou despercebida ao assistente.

O 4-0 final permite ao FC Porto entrar para a última ronda da fase de grupos com um golo de vantagem sobre o Sporting. Tudo fica então para decidir dentro de semana e meia, quando o Marítimo visitar o Dragão e o Sporting se deslocar a Penafiel.

Caso o FC Porto passe, tem encontro marcado com o Benfica nas meias-finais. E na Taça de Portugal também, se ambos passarem os quartos-de-final!

Autoria e outros dados (tags, etc)

por Miran Pavlin às 23:08



Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Pesquisar

Pesquisar no Blog  

calendário

Março 2021

D S T Q Q S S
123456
78910111213
14151617181920
21222324252627
28293031

Posts mais comentados