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CORTE LIMPO

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Segunda-feira, 19.05.14

Balanço da época 2013/14 - Parte I - FC PORTO

sapodesporto

Há muito que o FC Porto não conhecia uma época tão má. Não valia a pena repeti-lo aqui, uma vez que não faltaram oportunidades para o escrever nas crónicas dos jogos, mas a referência é inevitável.

Traduzindo agora em números: o FC Porto não terminava no terceiro posto há quatro anos; não marcava tão poucos golos desde os 54 de 2005/06, que chegaram para ser campeão; sete derrotas era número que não se via desde as oito averbadas em 2001/02, e antes disso só em 1976/77; não ficava tão longe do primeiro classificado desde os 21 pontos de distância registados em 1972/73; terminar atrás de Benfica e Sporting só em 1981/82; derrota caseira não havia desde 2008/09; e a última época com menos de vinte vitórias foi 2004/05.

Annus horribilis, portanto. Avisos não faltaram. O empate no Estoril, à 5.ª jornada, foi tido como infeliz, mas a partir desse jogo as exibições portistas começaram a decair de qualidade.

Enquanto as partidas da Liga dos Campeões deixavam a nu as fragilidades da equipa, paradoxalmente o FC Porto chegava a Novembro líder com cinco pontos de vantagem, após bater o Sporting.

Seria esse mês a traçar a sentença de morte da equipa. Com dois pontos somados em nove possíveis para o campeonato e com a continuidade na Liga dos Campeões hipotecada, a contestação deu a mão a Paulo Fonseca e não mais a largou.

Internamente, o empate em Belém foi o primeiro sinal claro de que algo não estava a correr pelo melhor; seguiu-se nova igualdade, agora caseira com o Nacional, prenunciando a derrota de Coimbra, em qualquer dos casos com exibições insuficientes.

Estávamos a 30 de Novembro, e a derrota com os estudantes fechou a semana em que o FC Porto não conseguiu bater em casa o frágil Austria Viena. Se dependesse deste que vos escreve, Fonseca já nem se teria sentado no banco em Coimbra.

A visão de quem dirige foi diferente, e o técnico manteve-se aos comandos até tarde demais, quando o título já era uma miragem. Paulo Fonseca ainda foi a tempo de orientar o milagre de Frankfurt, mas o empate em Guimarães, a 2 de Março, depois de estar a vencer por 0-2, significou o fim da linha.

Resgatado à equipa B, que seguia no comando da divisão secundária, Luís Castro pouco mais pôde fazer que apanhar os cacos do prestígio do FC Porto. Com a dignidade possível, o novo treinador fez por recuperar o ânimo da equipa, e apesar de ainda ter desfrutado de uma noite de glória em Nápoles, cedo viu esfumar-se a hipótese de assegurar o segundo posto da liga.

Se na primeira volta o triunfo sobre o Sporting colocou o FC Porto com cinco pontos de avanço, a derrota em Alvalade deixou os dragões cinco pontos atrás dos verde-e-brancos, num terceiro lugar que seria irremediável.

Seguiram-se as eliminações nas duas taças nacionais, ambas frente ao Benfica, e o colapso em Sevilha. Ficaram-se os dedos e só um anel, o da Supertaça conquistada em Agosto.

Os muitos resultados adversos provocados por erros defensivos e hesitações esfrangalharam de tal maneira a autoconfiança do plantel, que os jogadores deixaram de ser capazes quer de se impor a adversários de menor dimensão, quer de fazer valer a superioridade numérica de que o FC Porto beneficiou em alguns jogos de maior visibilidade.

Por outro lado, o plantel revelou-se curto, logo sem alternativas competentes, coisa que não se previa em Agosto, pois os sectores pareciam bem preenchidos. Na prática, os laterais Danilo e Alex Sandro, demasiado inconstantes, não tinham concorrência; o mesmo se aplica a Varela; Licá começou bem mas terminou com o rótulo de flop; Quintero não foi o desequilibrador que se esperava; Fernando foi espremido ao máximo; apesar de um ou outro jogo interessante, Abdoulaye não é um substituto à altura do melhor Otamendi.

Carecem ainda de explicação as saídas de Fucile, Izmailov e Lucho González, que contribuíram para a tal falta de soluções. O reforço Quaresma, que lutou muitas vezes a solo contra a maré, não foi suficiente para a contrariar.

As notas positivas são apenas duas: Jackson Martínez, por ter conquistado a sua segunda Bola de Prata, com vinte golos – quantos mais teria marcado se não tivesse estado tão disperso em campo?; e a improvável presença nos quartos-de-final da Liga Europa, ao cabo de duas eliminatórias de loucos – varra-se a queda da Liga dos Campeões para debaixo do tapete, porque num ano regular o grupo era ultrapassável.

Para fechar, retenham-se as palavras de Paulo Fonseca, semanas depois de deixar o FC Porto, asseverando que “foi difícil lidar com os egos” no balneário portista. Será a confirmação tácita de que a saída lhe deveria ter sido mostrada muito antes do que efectivamente aconteceu? É certo que nada garante que o resto de temporada seria melhor ou pior, mas algo deveria ter sido feito em tempo.

Não foi. Para a história fica a frieza dos números, e o lugar mais baixo do pódio. Em outros momentos análogos o FC Porto reapareceu mais forte. A palavra a Julen Lopetegui.

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por Miran Pavlin às 11:22


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