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CORTE LIMPO

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Sexta-feira, 08.08.14

FC PORTO - A pré-época

adamirtorres

O pesadelo é passado. A página volta a estar em branco, à espera de ser escrita, na crença de que as palavras reflictam uma realidade diferente da pobreza franciscana do pretérito ano.

Para haver uma nova realidade era necessário que o FC Porto procedesse a uma reestruturação dos seus quadros, que começou a tomar forma com o anúncio de Julen Lopetegui como novo treinador, quando ainda fumegavam as cinzas de 2013/14. O técnico basco pôde assim tomar o pulso ao clube e à cidade, e preparar a sua abordagem calmamente, aproveitando o dispersar de atenções que um Mundial sempre provoca.

Lopetegui trouxe, a julgar pelo que passou para o público, um método de trabalho com um cunho bastante pessoal, centrado na vertente táctica e na construção de mecanismos de jogo, e alicerçado num estilo interventivo, sem pejo de corrigir os jogadores quando estes não executam bem as suas indicações.

Depois da entrada em funções do treinador – e da inusitada instalação de uma torre de observação no Olival –, passo a passo a revolução foi seguindo o seu caminho.

De saída está Jorge Fucile – essa bomba-relógio –, que finalmente deixou de ser jogador do FC Porto e regressa ao seu país para jogar no Nacional de Montevideu; Fernando também sai finalmente – no ponto de vista dele – do clube, juntando-se ao campeão inglês Manchester City, que contratou igualmente Mangala por uns astronómicos 40 milhões de euros mas ainda não se apercebeu; Iturbe e Castro desvincularam-se e vão seguir as suas carreiras noutras paragens.

Entre os que ficam, o Mundial foi bom para refrescar as ideias de alguns jogadores. Herrera teve uma boa prestação a nível individual, enquanto para Jackson Martínez e Quintero também colectivamente o Brasil 2014 fica como uma boa memória. Ambos marcaram, e regressam tendo feito parte da melhor participação de sempre da Colômbia na prova.

Entre as caras novas que vão encontrar contam-se o central Bruno Martins Indi, que traz ao peito a medalha de bronze do Mundial, e nas laterais haverá a tão desejada concorrência a Danilo e Alex Sandro, através do ganês Daniel Opare e do espanhol José Ángel.

Para o miolo chegam o argelino Yacine Brahimi, que parece tratar bem a bola, como mostrou pela sua selecção, e Evandro, ex-Estoril, que já conhece o quotidiano da Liga portuguesa. Mais à frente, o FC Porto assegurou os serviços de Cristián Tello, que integrou o mágico Barcelona de Guardiola mas nunca encontrou o seu espaço, e de Adrián López, este uma contratação inesperada, uma vez que chega como campeão espanhol, e de quem se espera que tenha ombros para suportar a pressão dos 11 milhões de euros que custou.

Os reforços são bastante interessantes, mas nem tudo são rosas da cor da nova camisola. O FC Porto este ano vai valorizar – crê-se – jogadores sobre os quais poderá não ser tido nem achado. Óliver Torres e Casemiro chegam ao Dragão por empréstimo, o primeiro para ser o médio ofensivo que falta desde Deco, o segundo para colmatar a saída de Fernando. A situação será mais séria caso o Real Madrid queira o brasileiro de volta e o FC Porto se veja obrigado a procurar novo trinco.

Com o futuro indefinido estão Defour, para quem o Mundial não correu nada bem – só foi utilizado num jogo para cumprir calendário e conseguiu ser expulso ao fim de 45 minutos – e Ghilas, que jogou nos três jogos da fase de grupos mas muito discretamente, e sempre como opção para os minutos finais.

Rolando esteve para integrar os trabalhos, mas mudou de ideias e continua sem colocação, tal como Varela, que não quer continuar no FC Porto, e também Josué. Licá e Abdoulaye foram emprestados ao Rayo Vallecano, mas hão-de voltar, possivelmente para a mesma sina que Djalma continua a enfrentar.

Dúvidas ainda na questão do guarda-redes. Com Helton no limbo de uma lesão grave em idade avançada, Fabiano é mais que competente para ser titular, e o reforço Ricardo é um suplente de luxo – pode estar a tornar-se no novo Nuno Espírito Santo –, pelo que é de questionar se a contratação de Andrés Fernández terá sido precipitada.

De uma coisa Lopetegui não se pode queixar: tem os jogadores que quis. Portugueses quase não há. Lembrando as célebres palavras de Pedroto, o técnico acaba de montar uma escola não de samba, mas de flamenco.

Tudo ingredientes para aumentar a pressão, que já de si é grande, após um ano atípico. Não se deve, no entanto, pensar que a revolução está concluída. Este é só o primeiro ano de uma nova etapa, e os jogos de preparação indicam que este FC Porto ataca melhor do que defende, pelo que o processo de reconstrução deverá continuar no futuro.

Falta uma semana para começar a acção, e enquanto o jornal O Jogo tece loas ao jovem Ruben Neves, no tocante a chegadas os dossiês Marcano, Clasie e Jiménez prolongam-se sem solução. Se o que acontece com o Benfica praticamente todos os anos fizer jurisprudência, estes nomes não virão.

Dia 15 de Agosto o FC Porto terá o privilégio de dar o pontapé de saída na 81.ª edição do campeonato, recebendo o Marítimo. De seguida, é mesmo – mesmo – a doer. O FC Porto jogará com o Lille a primeira mão do play-off da Liga dos Campeões, que decidirá desde já muito do que será a época 2014/15.

Não havendo Supertaça para dar balanço, o FC Porto tem que entrar de prego a fundo. Se eu fosse o treinador, o meu primeiro onze seria: Fabiano; Danilo, Maicon, Martins Indi, Alex Sandro; Casemiro, Herrera, Óliver; Tello, Quaresma, Jackson.

Mas não sou. Por isso, que role a bola, que aqui estarei para começar a escrever a dita página em branco.

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por Miran Pavlin às 21:00




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