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CORTE LIMPO

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Domingo, 09.08.15

FC PORTO - Pré-época 2015

Mediatismo. Esse terrível conceito, que frequentemente exacerba o acessório em detrimento do essencial, foi a nota dominante do defeso portista. Na verdade, era impossível não abafar tudo e mais alguma coisa quando se contrata um dos jogadores mais titulados da história, juntamente com uma peça fundamental do principal rival, que era ao mesmo tempo um dos homens mais criticados pela forma como encara a dimensão física do jogo.

Com oito anos de casa na Luz e sem proposta de renovação até tarde demais, Maxi Pereira deixava meio mundo em alvoroço ao trocar as águias pelos dragões, obrigando os adeptos portistas a engolir o ódio que nutriam pelo lateral uruguaio. A transferência foi muito debatida, mas foi, do ponto de vista desportivo, um golpe certeiro.

Totalmente inesperada foi a contratação do lendário Iker Casillas, guarda-redes de sempre do Real Madrid. Um sismo sentido mundialmente, que levou a comunicação social a focar-se no que menos interessa. Mais do que nas implicações desportivas da mudança, as notícias centraram-se nas opiniões da mulher e dos pais do jogador. Por muito que se possa achar que Casillas perdeu a cabeça, importa lembrar que Raul jogou pelo Schalke 04 e não lhe caíram os parentes na lama – e o Schalke não tem o mesmo prestígio que o FC Porto. Ainda que numa liga menos proeminente que a do seu país, o guarda-redes continuará a lutar por títulos e a disputar a Liga dos Campeões, pelo que a sua aventura no Porto não será assim tão descabida.

Arrumado a um canto ficou então o facto de o FC Porto ter perdido quase toda a equipa titular da época passada, tendo agora que construir uma nova. Tal como se supunha há um ano, o FC Porto acabou mesmo por valorizar jogadores para outros colherem os proveitos. Com efeito, o Real Madrid fez regressar o trinco Casemiro e o Atlético Madrid resgatou o criativo Óliver Torres. As compras dos dois madrilenos não se ficaram por aí, já que os merengues levaram também o lateral Danilo – negócio feito ainda no decorrer de 2014/15 – enquanto os colchoneros recrutaram Jackson Martínez, que deixa a Invicta com uma sacola de golos às costas.

Tendo perdido espaço depois do desastre de Munique, o guarda-redes Fabiano seguiu por empréstimo para o Fenerbahçe. Não seria o único a rumar a Istambul, pois Quaresma está de regresso ao Beşiktaş, onde é idolatrado. Entre os nomes menos utilizados, registam-se as saídas de Campaña (Alcorcón, da II Liga espanhola), Reyes (Real Sociedad, por empréstimo) e do guardião Andrés Fernández (Granada, também cedido).

Foram-se muitos anéis, mas os dedos que se ficaram são suficientes para que a reconstrução não comece propriamente do zero. Helton, Maicon, Marcano, Martins Indi, Alex Sandro, Ruben Neves, Herrera, Tello e Brahimi estão prontos para mais uma batalha, secundados por Ricardo, Evandro e Aboubakar. Uma óptima base de trabalho, complementada na perfeição pelos dois nomes referidos mais acima, mas não só.

O FC Porto bateu o seu recorde de transferência mais cara ao assinar com o francês de origem congolesa Gilbert “Giannelli” Imbula (ex-Marselha) por 20 milhões de euros. Será que o médio vai sentir o peso do seu preço da mesma forma que Adrián López há um ano?

As chegadas de André André (ex-Vitória Guimarães e filho do antigo jogador portista António André), Danilo Pereira (ex-Marítimo) e Sérgio Oliveira (ex-Paços de Ferreira e formado na casa) serviram para matar dois coelhos com uma cajadada só: além de aumentarem o número de portugueses do plantel, são todos médios, e parecem suprir muitas das lacunas que o FC Porto teve nesse sector na última temporada. Outra das contratações, o espanhol Alberto Bueno, traz credenciais (28 golos pelo Rayo Vallecano em duas épocas), mas talvez seja como os melões; só depois de aberto se verá a sua real qualidade.

O defeso azul-e-branco foi mesmo repleto de surpresas. Quem poderia pensar que Varela ainda conheceria uma segunda – ou terceira – vida no FC Porto? A verdade é que o extremo um dia apelidado de Drogba da Caparica está de volta ao cabo de um ano nas brumas do futebol europeu (West Bromwich Albion e Parma), e somou tantos minutos nos jogos de pré-época que até o lugar de Tello está agora em xeque.

A pré-temporada do FC Porto contemplou dois estágios, primeiro em Horst, na Holanda, depois em Marienfeld, na Alemanha, pontuados por seis jogos de preparação, que revelaram algumas carências a nível de golos. Mesmo tendo Aboubakar, será que a solução está no italo-argentino Pablo Osvaldo? Chegado do Boca Juniors, o internacional italiano traz consigo a nada desejável reputação de ter um mau feitio que lhe terá tolhido a carreira. O FC Porto será uma das suas últimas oportunidades de deixar marca.

A derradeira surpresa da pré-temporada foi o regresso de Aly Cissokho, o lateral esquerdo que em 2009 conheceu uma ascensão meteórica, muito a reboque da célebre exibição colectiva do FC Porto nos 2-2 de Manchester na Liga dos Campeões.

Nas entrelinhas acabaram por ficar o empréstimo de Gonçalo Paciência à Académica e as saídas definitivas de Carlos Eduardo, Kléber e Sinan Bolat, nomes que já não faziam parte da equipa. Por definir está a situação da eterna promessa Quintero, enquanto Hernâni, que chegou a estar em negociações com o Olympiakos, deverá ficar, de resto tal como José Ángel. O guarda-redes mexicano Raul Gudiño e o central chileno Igor Lichnovsky ascendem da equipa B, e o ponta-de-lança André Silva surge no plantel principal na senda de Ruben Neves.

A pré-temporada culminou ontem com a apresentação aos sócios, num empate a zero com o Nápoles. Adrián López não foi apresentado, pelo que deverá sair nos próximos dias. Começa aqui a contagem decrescente para o futebol a doer e já há problemas para resolver, pois Brahimi e Cissokho saíram do jogo tocados. Por ter um plantel mais e melhor apetrechado que na época passada a solução não deverá ser difícil. Que comece a acção!

ACTUALIZAÇÃO (1 Setembro 2015): até ao fecho do mercado Alex Sandro deixou o FC Porto rumo à Juventus, sendo substituído pelo mexicano Miguel Layún, que chega por empréstimo do Watford. Não foi o único mexicano a ingressar no FC Porto. Da Holanda chegou Jesús Corona, para colmatar a vaga deixada por Quaresma.

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por Miran Pavlin às 22:00




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