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CORTE LIMPO



Quarta-feira, 06.03.19

Liga dos Campeões, oitavos-de-final, 2.ª mão - FC Porto 3-1 AS Roma (a.p.) - Fôlego

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Conforme vaticinado no remate do texto relativo à primeira mão, de certo modo o esquilíbrio de forças manteve-se. Houve, contudo, uma diferença essencial: desta vez a equipa da casa assumiu o jogo, ao contrário do que tinha acontecido no encontro de Roma. Tal esteve à vista logo desde os primeiros minutos, com os homens do FC Porto a pressionar - e bem - cada posse de bola da Roma e a acompanhar cada movimentação. Ficou também claro desde cedo que os romanos vinham interessados em que o jogo terminasse como começou, pelo menos a avaliar pelas constantes demoras na reposição, principalmente por parte do guarda-redes Olsen. Valeu que o FC Porto foi uma equipa proactiva. Não se pense, porém, que os dragões foram donos e senhores do jogo, pois do outro lado estava um adversário de qualidade e com uma defesa coesa. Daí que o FC Porto tenha optado por jogar com a bola segura no pé, mudando de flanco, recuando e avançando pela certa, à procura de um espaço por onde furar. Esse espaço apareceu ao minuto 26. Marega ganhou a bola a Manolas perto da linha divisória, tabelou com Corona e cruzou para Soares desviar à boca da baliza. De seguida, o óbvio aconteceu: a Roma acelerou os processos. E se Éder Militão estava a viver uma noite tórrida à conta da actividade de Perotti e Kolarov, pior ficou quando cometeu grande penalidade sobre o argentino. Uma falta escusada, mas indiscutível. De Rossi converteu com mestria (37') e assim materializou tudo o que o FC Porto não queria, ou seja, sofrer o golo que o obrigaria a marcar três. Ainda houve tempo para Herrera fazer os adeptos portistas se levantarem das cadeiras (45'), mas Olsen fez uma óptima defesa ao remate bem colocado do mexicano.
Não havendo outro remédio senão marcar mais dois golos, o FC Porto entrou no segundo tempo de prego a fundo. Soares mergulhou para um cabeceamento que saiu a centímetros da trave (49'), Marega rematou cruzado para defesa apertada de Olsen (51') e a recuperação alta funcionava bem. O que vale por dizer que a Roma ia sendo submetida a grande pressão. Até que o golo apareceu (53'), por Marega, que se desmarcou bem ao segundo poste para desviar na cara do guarião giallorosso um cruzamento de Corona. Foi na segunda parte que se tornou evidente a vontade com que o FC Porto jogava, consubstanciada numa enorme disponibilidade para acorrer a todas as solicitações e responder aos problemas colocados pela Roma. Nem a troca do lateral Karsdorp - ele próprio a viver uma noite difícil com as diabruras de Corona e as subidas de Alex Telles - pelo mais experimentado Florenzi (55') fez com que os italianos passassem a respirar melhor. Enquanto Pepe e Dzeko travavam um despique intenso, Brahimi foi a jogo na vez de Corona (69'), significando duas pernas frescas a obrigar a Roma a correr tanto, ou mais, mas os 90 minutos não foram suficientes. Foi só no prolongamento que se começou a notar o desgaste nos dragões, que permitiram a Dzeko diversas oportunidades, uma delas bem flagrante (111'); é incrível como o remate do bósnio não entrou. Um minuto mais tarde Dzeko voltou a aparecer sozinho na cara do golo, picando sobre Casillas rumo à baliza deserta. Salvador, Pepe apareceu no último momento a tirar a bola. Era o último cartucho de que os giallorossi dispunham. O assustador espectro das grandes penalidades começou aí a pairar sobre o jogo. Contudo, mesmo já para lá das forças o FC Porto não baixava os braços. Ao minuto 117, uma bola bem metida para a pequena área à qual Fernando Andrade chegou uma fracção de segundo atrasado transformou-se numa grande penalidade, pois Florenzi puxou o avançado. Um puxão imperceptível à vista desarmada, mas descortinado pelo vídeo-árbitro. Alex Telles converteu o castigo, lançando a euforia no Dragão. Ainda assim, continuava a bastar um golo adversário para tudo ir por água abaixo, pelo que os romanos não deixaram de tentar o tudo-por-tudo, partindo o jogo e abrindo espaço a dois contra-ataques perigosíssimos do FC Porto. Faltou aos dragões o discernimento para definir da melhor maneira. Um quarto golo seria saboroso, mas exagerado. Por muito que Casillas tenha terminado os 120 minutos sem registar uma única defesa.
Foi sem fôlego e já sem o coração - no caso dos adeptos - que chegou ao final mais uma noite europeia no Dragão. Esta fica na prateleira das memórias positivas, pois leva o FC Porto aos quartos-de-final pela primeira vez desde 2014/15.

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por Miran Pavlin às 23:59




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