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CORTE LIMPO



Domingo, 11.03.18

Liga NOS, 26.ª jornada - FC Paços de Ferreira 1-0 FC Porto - Soma de factores

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O som das rolhas das garrafas de champanhe a saltar ouviu-se um pouco por toda a parte. Entre os não-portistas, claro. Pela primeira vez esta época a nível interno, o FC Porto foi derrotado, naquilo que pode ser visto como uma inevitabilidade. Nas 83 edições anteriores da I Liga, apenas por quatro vezes uma equipa terminou sem derrotas; e num dos casos, em 1977/78, esse registo não chegou para ser campeão. Daí que neste encontro um conjunto de factores se tenha alinhado para que os dragões não vencessem. Desde logo as lesões que afectam diversas unidades-chave do plantel azul-e-branco, nomeadamente nos sectores mais avançados. O onze titular não mudou sobremaneira em relação àquele que jogou em Liverpool. A envolvência do jogo sim; de um mero cumprimento de calendário, passou-se para uma partida em que os pontos faziam uma falta tremenda a ambas as equipas. Acrescentam-se ainda à equação o vento que tornava infrutíferos os passes em profundidade pelo ar, o relvado que impedia os dragões de ter fluidez nas transições ofensivas por estar empapado em certas zonas, e a chuva que fazia a bola ganhar velocidade a cada ressalto desses passes pelo ar. Obviamente que essas condições eram iguais para as duas equipas, mas o Paços de Ferreira ter-se-á adaptado melhor ao que o jogo exigia.
Tendo um dos motores do ataque indisponível e o outro, no mínimo, gripado - Marega e Aboubakar, respectivamente - e sem contar com Herrera por castigo, o FC Porto não soube - ou não conseguiu - impor-se no jogo. Um meio-campo a recuperar poucas bolas e um ataque com poucas ideias deixavam o FC Porto com uma cara semelhante à que mostrou na primeira parte do célebre jogo interrompido com o Estoril. Além disso, também não havia Alex Telles para que algum dos quinze cantos conquistados causasse perigo. O futebol pouco escorreito dos dragões permitia ao Paços jogar nos moldes que mais lhe convinham, destruindo sem grande dificuldade os ataques contrários e procurando o contacto fácil em cada bola dividida. Lances relevantes contam-se três: o golo dos castores (34'), num canto mal aliviado por Marcano, seguido de um ressalto no rosto de Waris que sobrou para Filipe Ferreira na esquerda, com o lateral a cruzar para a entrada triunfal de Miguel Vieira ao primeiro poste; a resposta do FC Porto (36'), em que Mário Felgueiras defendeu um desvio de Aboubakar à queima-roupa, a cruzamento de Diogo Dalot; e a grande penalidade desperdiçada por Brahimi (66'), que viu Felgueiras adivinhar o lado e voltar a ser decisivo.
Correndo o risco de ser acusado de ver o jogo com óculos azuis, o anti-jogo pacense é indissociável da história do desafio. Se antes do golo já se notava, assim que os castores passaram para a frente do marcador essa prática tornou-se no lema da equipa de cada vez que ganhava a posse da bola. Nestas situações é recorrente ouvir-se ou ler-se que cada um joga com as armas que tem. No entanto, neste caso o anti-jogo era revelador da posição classificativa ocupada pelo Paços de Ferreira à entrada para a jornada, mas também do desejo de capitalizar os deslizes prévios de todos os outros emblemas envolvidos na luta pela permanência. Esse futebol negativo do Paços não explica per se a derrota do FC Porto, mas foi um factor, ao contribuir para enervar os dragões. Tal como a arbitragem de Bruno Paixão. É certo que não houve lances difíceis com decisões controversas, mas Paixão colocou-se a jeito para ser acusado de caseirismo ao ajuizar a favor dos homens da Capital do Móvel praticamente todos os lances divididos. Também não justifica o desaire, mas foi igualmente um factor.
Somados todos os factores, o FC Porto regressa à Invicta de mãos a abanar, vendo encurtar-se a distância para os perseguidores. E porque no final é sempre fácil apontar erros, vistamos então o fato de treinador de bancada: mesmo não esquecendo que Conceição tinha pouco por onde escolher, não teria sido mais avisado alinhar de início com Gonçalo Paciência em vez de Aboubakar? O resultado até poderia ter sido o mesmo, mas enquanto Paciência precisa de minutos pelo FC Porto e trouxe ritmo da primeira volta em Setúbal, o camaronês veio há pouco de lesão e talvez pudesse ter sido mais efectivo sendo lançado mais tarde no jogo.

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por Miran Pavlin às 23:45




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