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CORTE LIMPO



Terça-feira, 11.02.14

Retrospectiva Qualificação Mundial 2014 - PARTE V - AMÉRICA DO SUL

sapodesporto

A sempre fascinante zona sul-americana, feita de rivalidades quase centenárias e fortes identidades nacionais, desta vez escreveu-se apenas em castelhano. E a questão que fica no ar no termo deste autêntico campeonato da América do Sul é novamente esta: porque é que o Uruguai acaba sempre em quinto lugar?

Os qualificados vão mudando, mas a celeste continua sem se apurar directamente para a fase final do Mundial desde 1989. Nem mesmo enquanto campeã continental em título, como aconteceu desta vez. Os seis jogos sem vencer, a meio da campanha, numa série que incluiu derrotas gordas com Colômbia (4-0) e Bolívia (4-1), revelaram-se decisivos para os uruguaios, que por alturas da 14.ª jornada tinham até o quinto lugar em risco; quatro vitórias nos últimos cinco jogos, acabaram por garantir o lugar do play-off.

O primeiro posto foi para a Argentina, que apesar do começo a meio gás, conseguiu a qualificação a dois jogos do fim. Depois de vencer o Chile (4-1) no arranque, a albiceleste perderia contra a Venezuela pela primeira vez na história (1-0), averbando de seguida um embaraçoso empate caseiro com a Bolívia (1-1). Seguiram-se seis vitórias, três empates, e já com a liderança consolidada, a vitória em Assunção (2-5) a dois jogos do fim carimbou o bilhete para o Brasil.

Dois pontos atrás ficou a Colômbia, que assim regressa à fase final, onde esteve pela última vez em 1998. Liderados por Radamel Falcao, os cafeteros realizaram uma qualificação interessante, terminando com a melhor defesa (13 golos sofridos em 16 jogos). No entanto, o apuramento esteve longe de ser um passeio, já que as distâncias pontuais para quem vinha atrás não eram grandes. Os colombianos garantiram o apuramento na penúltima jornada, num jogo louco diante do Chile (3-3). À meia hora os chilenos já venciam por 0-3, mas a equipa da casa faria uma recuperação notável, ainda que dois dos golos surgissem de grande penalidade.

O Chile ficou, então, com tudo adiado para o último jogo, onde uma vitória sobre o Equador (2-1) qualificou, curiosamente, ambas as equipas.

Os equatorianos voltaram a fazer do seu Estádio Atahualpa uma fortaleza. É impressionante constatar que 22 dos 25 pontos do Equador foram conquistados no alto dos 2800 metros de Quito – só a Argentina logrou aí empatar – numa campanha para sempre marcada pela tragédia de Christian Benítez, o número 10 da equipa, que faleceu no Qatar, onde jogava.

No lote dos não apurados ficou a Venezuela, que se atreveu a sonhar, mas que viu tudo esfumar-se ao perder o crucial jogo caseiro contra o Uruguai (0-1), quando lhe faltavam disputar três partidas, com a desvantagem de folgar na última jornada.

Apesar do desaire, os venezuelanos ainda foram a tempo de empurrar definitivamente o Peru – que praticamente já não tinha esperanças – para fora das contas, batendo-o por 3-2 na antepenúltima ronda. Já a Bolívia manteve-se como a mais fraca de todas as selecções sul-americanas, vencendo apenas dois jogos, um deles o acima referido (e inesquecível) 4-1 ao campeão Uruguai.

Mesmo fracos, os bolivianos não ficaram em último. Esse posto ficou nas mãos do Paraguai, que bateu no fundo, depois de quatro presenças consecutivas na fase final, apurando-se para a fase a eliminar em três delas. A ida à final da Copa América 2011 acabou por constituir a última paragem de uma geração que levou bem alto o nome do Paraguai. Agora é tempo de reconstrução.

Até porque a qualificação para o Rússia 2018 começa, em princípio, já no próximo ano. E novamente com o Brasil, que desta vez ficou de poltrona à espera de saber quais os vizinhos que receberá em Junho próximo.

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por Miran Pavlin às 09:50


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