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CORTE LIMPO



Quarta-feira, 18.04.18

Taça de Portugal, meias-finais, 2.ª mão - Sporting CP 1-0 FC Porto (a.p., 5-4 g.p.) - Adamastor

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FC Porto e Sporting gostaram tanto de se defrontar esta época, que não resistiram a mais meia hora de jogo até decidir quem ficava com o bilhete para o Jamor. No fundo, o cenário de um prolongamento tinha que estar em cima da mesa, se considerarmos que a média de golos marcados nos quatro jogos deste ano entre dragões e leões se cifrava em 1. O que vale por dizer que não era expectável que neste capítulo final a tendência se invertesse e o marcador escalasse até números invulgares, de resto como se viria a verificar. Além disso, uma vez que os clássicos entre os ditos grandes são jogos de tripla, um 1-0 para o Sporting encaixava no lote de resultados plausíveis. E assim foi.
Talvez por já estarem fartas de se conhecer mutuamente, nenhuma das equipas conseguiu surpreender a outra. Nem os treinadores inventaram formas de o fazer. O resultado foi um jogo tão desprovido de emoção, que é possível avançar o filme até ao minuto 85 sem prejudicar o estimado leitor por falta de informação. O Sporting esteve espevitado, mas apenas a espaços, enquanto o FC Porto foi pouco mais que circunspecto no seu futebol. Em face da desvantagem na eliminatória a responsabilidade estava, pois, do lado dos leões, mas os azuis-e-brancos pouco fizeram para evitar ficar em apuros. Quando Jorge Jesus trocou o lateral Fábio Coentrão pelo avançado Montero (75'), Sérgio Conceição respondeu introduzindo o mais defensivo Sérgio Oliveira no lugar de Otávio. Até aqui tudo bem, mas prosseguir tirando Óliver para colocar a trinco o central de raiz Reyes (84') era um convite a um eventual último assalto dos da casa. Meu dito, meu feito, passe a expressão. Segundos após essa substituição o Sporting beneficia de um canto, na sequência do qual Marcano acerta nas orelhas da bola ao tentar aliviar e esta sobra para Coates, que remata sem preparação, com a bola a bater no poste esquerdo de Casillas antes de entrar. O FC Porto respondeu através de um cabeceamento à trave do mesmo Marcano (87'). Ainda houve recargas, mas já havia fora-de-jogo, portanto já não contava. Foi o único lance de perigo claro dos dragões em todo o jogo. Já sem substiuições, e também sem pernas, um FC Porto que existiu pouco precisava agora de existir na plena força da vida, o que não se revelou fácil. O Sporting resistiu melhor fisicamente e o prolongamento pertenceu-lhe, mas as suas investidas foram todas travadas - sem grandes dificuldades, diga-se - por Casillas, que terá sido o melhor em campo nos 120 minutos.
E assim o FC Porto reencontrou o seu Adamastor: o desempate por grandes penalidades. Desta vez, um remate bastou para que a nau portista fosse atirada contra as rochas. Depois de Marcano confirmar que não devia ter saído de casa, ao ver a sua conversão embater no poste, as restantes nove tentativas deram todas em golo. Pelo FC Porto bateram ainda Alex Telles, Felipe, Reyes e Sérgio Oliveira; pelos leões cobraram Bruno Fernanes, Bryan Ruiz, Mathieu e Coates, antes de Montero assinar o penálti decisivo.
Cumpriu-se a velha máxima: quem joga para empatar, perde. Pelo menos a avaliar pelos minutos finais do tempo regulamentar. Não sobra agora outra alternativa ao FC Porto senão somar os pontos necessários para assegurar o título de campeão, sob pena de passar mais um ano sem acrescentar um troféu que seja à sua vitrine.

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por Miran Pavlin às 23:59




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