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CORTE LIMPO


Quarta-feira, 30.01.19

Liga NOS, 19.ª jornada - FC Porto 3-0 Os Belenenses SAD - Aplicação q.b.

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Dizem os entendidos que o melhor para uma equipa esquecer um mau resultado é que o próximo jogo chegue o quanto antes. Assim, quatro dias depois do desaire na Taça da Liga, o Belenenses SAD batia à porta do Dragão e que mais o FC Porto podia pedir senão um adversário que se revelou macio, e que pouco mostrou que pudesse pôr em causa o triunfo que os dragões acabaram por conseguir? Ter sofrido bem cedo (5', por Brahimi) não ajudou à causa dos azuis da capital, por muito que existam exemplos de golos que acabam por soltar quem os sofre. Não foi o caso neste jogo, contudo, ainda que Licá tenha ameaçado num ataque rápido, mas o seu remate saiu à malha lateral (18'). Perto da meia hora Éder Militão cabeceava para o 2-0 e tornava-se claro que o FC Porto dificilmente perderia o jogo. Naturalmente que no futebol as coisas só são certas quando o jogo termina, mas face ao pouco perigo criado pelo Belenenses era quase impossível que outra coisa acontecesse. O FC Porto manteve-se aplicado q.b., e seria bafejado com um terceiro golo à passagem do minuto 71, através de um cabeceamento de Soares em zona frontal. Até final, nota apenas para a entrada de Manafá (80'), que assim somou os seus primeiros minutos pelo FC Porto.

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por Miran Pavlin às 23:59

Domingo, 30.12.18

Taça da Liga, fase de grupos - Os Belenenses SAD 1-2 FC Porto - A salvo

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A Taça da Liga é aquela prova em que o FC Porto habitualmente vive os cenários mais improváveis. Desta vez, para passar o grupo os dragões não podiam nem fazer pior que o Chaves, nem descurar a diferença de golos. Não era, portanto, recomendável que o FC Porto mantivesse a tendência dos últimos jogos internos, nos quais sofreu sempre primeiro. Mas foi isso que aconteceu. Logo ao quarto minuto Reinildo colocou o Belenenses em vantagem, no aproveitamento de uma defesa incompleta de Vaná a uma primeira tentativa de Cleylton. Rápido a reagir nas partidas anteriores, desta vez o FC Porto deixou-se cair num torpor um tanto ou quanto característico quando o jogo é para a competição em apreço. Chegou até a pensar-se se não estaríamos perante mais uma saída portista sem glória e com a honra possível. Ao ponto de Sérgio Conceição, que até nem promoveu alterações de vulto na equipa, não ter sequer esperado pelo intervalo para mexer, e em dose dupla (37'). Na prática tratou-se de uma mudança de ala direita, saindo Maxi Pereira e Bruno Costa para entrarem Hernâni e Soares, recuando Corona para lateral. Os efeitos não foram imediatos, mas ficou a mensagem para a equipa de que o jogo é a doer. Talvez por algum adormecimento à sombra da vantagem, o Belenenses não criou muitas mais situações relevantes ao longo do jogo. Daí que não se revelou fácil responder quando o FC Porto marcou (52'), num movimento simples em que Soares desmarca Brahimi e o argelino coloca no segundo poste onde aparecia Marega para apenas encostar. A reviravolta chegou ao minuto 63, por Soares, que desviou de cabeça um livre de Alex Telles. Entretanto, em Trás-os-Montes o Chaves fazia o 3-1 (76'); mais um golo flaviense colocava o FC Porto fora da final-a-quatro. A notícia foi como que um despertador para uns dragões que se tinham deixado eles próprios relaxar. Aí, foi Mika a marcar pontos, com três defesas vistosas a remates de Hernâni (87' e 90'+1') e Adrián López (89'). Não haveria, contudo, mais golos, quer num encontro, quer noutro. A salvo de um dissabor que não ficou longe, o FC Porto segue para uma meia-final frente ao Benfica.

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por Miran Pavlin às 23:00

Sábado, 24.11.18

Taça de Portugal, 4.ª eliminatória - FC Porto 2-0 Os Belenenses SAD - Sem tripla

FCPBEL.jpgJogos de Taça entre clubes históricos são, à partida, jogos de tripla. Afinal de contas, não há distâncias pontuais, posições classificativas, nem considerações sobre o que ainda aí vem. Este FC Porto-Belenenses, contudo, não foi um jogo assim. Muito por culpa do Belenenses, que não trouxe o seu melhor fato; outra quota-parte de culpa ficou do lado do FC Porto, que facturou logo à primeira oportunidade (13'), por Soares. Numa transição ofensiva Adrián López recebeu a bola já perto da grande área e levantou para Corona, que ofereceu um golo fácil ao ponta de lança brasileiro. Foi por pouco que o segundo golo não surgiu logo depois (15'), numa insistência em que André Pereira e Herrera se atrapalharam mutuamente na hora do remate. Passado o mau tempo criou-se o espaço para uma reacção dos azuis de Lisboa, mas ela não aconteceu. O que vale por dizer que o encontro se desenrolou de forma bastante enfadonha. Sérgio Conceição até nem mexeu em demasia no onze, dando minutos apenas a Fabiano, Adrián e André Pereira, ao mesmo tempo que experimentou Corona a lateral-direito. Não eram mudanças de fundo, daquelas que interferem com o rendimento global da equipa, mas talvez fosse mesmo o jogo que não estava a exigir grandes esforços. O segundo golo apareceu também ao minuto 13, mas da segunda parte. Otávio foi o autor do mesmo, num lance em que pegou na bola a meio do meio-campo contrário e ultrapassou quem lhe apareceu pelo caminho, antes de colocar suavemente à saída do guarda-redes. Pouco antes (55') o mesmo Otávio tinha desperdiçado uma grande penalidade; a redenção foi mais que oportuna. O 2-0 fez com que os poucos motivos de interesse se transformassem em nenhuns, pelo que pouco mais restou senão aguardar pelo apito final e pela confirmação de que os dragões seguem para a próxima eliminatória. Mbemba, um dos elementos menos utilizados, ainda jogou quatro minutinhos - mais descontos - por troca com um Óliver que vem vivendo a sua melhor fase desde que está no FC Porto.

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por Miran Pavlin às 23:59

Domingo, 19.08.18

Liga NOS, 2.ª jornada - Os Belenenses SAD 2-3 FC Porto

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Não assisti ao jogo.

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por Miran Pavlin às 22:50

Segunda-feira, 02.04.18

Liga NOS, 28.ª jornada - CF Os Belenenses 2-0 FC Porto - Estocada

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Costumava ser só no Marítimo. Nos tempos que correm, contudo, é preciso juntar também a antiga Mata Real e este Restelo à equação de campos minados para o FC Porto. Antes do jogo, a percepção geral era de que a paragem de duas semanas para os compromissos das selecções era benéfica para os azuis-e-brancos, no sentido de recuperarem a fadiga acumulada em alguns jogadores, mas a verdade é que essa ideia era uma falácia, pois diversos elementos do plantel foram forçados a longas viagens. E alguns nem chegaram a entrar em campo, ou regressaram tocados. O que vale por dizer que Sérgio Conceição era mais uma vez obrigado a magicar um melhor onze possível. Apostando num 4x4x2 com Soares e Aboubakar na cabeça do ataque, Ricardo voltou a ser ala direito e Brahimi ocupou a esquerda, com Herrera e Sérgio Oliveira a assegurarem o centro; as novidades estavam na defesa, onde Alex Telles regressava após lesão e o central venezuelano Osorio, reforço de inverno, se estreou. Conceição só não conseguiu controlar uma coisa: o estado de espírito dos jogadores. Principalmente depois de o Belenenses ter aberto o marcador. O primeiro perigo até veio do FC Porto (2'), num cabeceamento de Felipe que o guarda-redes contrário segurou, mas seguiu-se o acidente da noite (10'). Um alívio da defesa portista caiu pouco à frente da linha de meio-campo, Sérgio Oliveira ficou a ver o adversário cabecear para a frente, Felipe e Osorio chocaram ao acorrer à mesma bola e Nathan ficou sozinho perante Casillas. O avançado dos azuis picou a bola sobre o espanhol para o primeiro golo.
A ausência de resposta pronta ao golo sofrido conduziu àquilo que viria a ser a nota principal da exibição do FC Porto: uma ansiedade que ainda não se tinha visto esta temporada. A bola queimava nos pés de cada jogador, a indecisão era grande sobre o que fazer com ela e os lances eram criados aos soluços. Para quem via o jogo pela televisão, era evidente que os homens do FC Porto jogavam de rosto fechado e olhar perdido no vazio. Decerto que não era medo, mas quase. Do outro lado, o Belenenses jogava tranquilo. Evidentemente que é mais fácil encarar o adversário quando se está em vantagem; e muito mais quando este não consegue responder em condições. Os azuis conseguiram reeditar aquilo que de melhor fizeram aquando da visita do Benfica, em que ficaram a segundos de vencer. Concentrados mentalmente e disciplinados na forma como se colocavam em duas linhas atrás de onde a bola estivesse, os da casa não concediam espaços ao FC Porto, nem tempo para o portador da bola jogar. Numa frase, a estratégia surtia efeito.
Ainda assim, o FC Porto teve algumas oportunidades, nomeadamente em remates que saíram a rasar o poste. Também nesses lances ficou à vista a ansiedade que ia consumindo os dragões, pela forma como levavam as mãos à cabeça ao ver a bola escapar-se pela linha de fundo. Só o intervalo poderia fazer o FC Porto começar de novo, mas nem isso; o Belenenses não se abria. Ao minuto 56 Conceição mexeu: trocou Aboubakar por Gonçalo Paciência e tirou Maxi Pereira para meter Paulinho. Ricardo recuou, na tentativa de dar a largura de ataque que nem o uruguaio, nem Telles - quiçá sem ritmo - estavam a dar. O FC Porto teve aí as suas melhores oportunidades (62 e 63'), mas André Moreira respondeu com defesas estupendas a novo cabeceamento de Felipe e a um desvio de Paciência na pequena área. Se já estava escrito a lápis, ficou a negrito: naquela baliza a bola não vai entrar. O técnico belenense Silas, por seu turno, teve toque de Midas. Tirou o autor do golo para entrar Maurides (66'), e o brasileiro deu a estocada final nos dragões apenas quatro minutos depois, com uma forte cabeçada em frente à baliza, após livre lateral batido por Fredy.
No quarto de hora final o Belenenses fechou a loja, passe a expressão. Entregou a iniciativa ao FC Porto e bloqueou os caminhos da baliza. Conceição tirou Osorio e lançou Danilo Pereira (72'), que também regressava após longa paragem, mas não houve meio de dar um sinal de vida, por ténue que fosse. É todo um novo campeonato que começa nesta recta final. Em escassas três jornadas os cinco pontos de avanço que o FC Porto tinha tornaram-se em um de atraso. Por outro lado, tudo está na mesma, pois dragões e águias continuam a depender de si mesmos para cortar a meta em primeiro. Não restam dúvidas de que a hora das grandes decisões chegou.

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por Miran Pavlin às 23:45

Sábado, 04.11.17

Liga NOS, 11.ª jornada - FC Porto 2-0 CF Os Belenenses - Espuma dos dias

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A percepção que há meses boiava na espuma dos dias finalmente deu à costa, trazida por uma leve corrente de lesões. Trata-se da exiguidade do plantel do FC Porto, que pela primeira vez foi posta à prova. Sem Danilo Pereira nem Marega, ainda sem Soares, e com Corona tocado, foi necessária alguma ginástica para montar o onze, no qual Reyes jogou a trinco e Herrera aproveitou para somar créditos. Pela exibição realizada, as alternativas não ficaram a dever nada àqueles que têm jogado mais vezes, sujeitando o Belenenses a momentos de grande sufoco junto à baliza. Não é que os do Restelo tivessem vindo com ideias de jogar com o autocarro, mas as oportunidades de subir no terreno escassearam. Excepção feita a um ou outro remate mais ou menos colocado à baliza do FC Porto, a primeira parte foi uma batalha entre o ataque portista e o guarda-redes Muriel, que só cedeu ao minuto 42, e por muito pouco não defendia também essa recarga de Herrera após ressalto no centro da área. O Belenenses teve a sua melhor oportunidade em cima do intervalo (45'+2'), mas o desvio de Yebda na zona fatal apanhou José Sá no caminho.
A intensidade da pressão do FC Porto decresceu um pouco na segunda parte, permitindo ao Belenenses respirar com bola em terrenos mais avançados, mas a defesa dos da casa, sem baixas, não passou por grandes dificuldades. À hora de jogo, Corona acabou por ir a jogo, no lugar de Hernâni, que passou despercebido. Mais tarde, Sérgio Oliveira (75') e Galeno (76') foram a jogo, rendendo André André e Brahimi. Faltava apenas o proverbial golo da tranquilidade, que se fez esperar até ao último minuto do tempo regulamentar, altura em que um ataque rápido isolou Aboubakar, que ajeitou e picou com classe sobre Muriel. As curtas linhas deste texto denotam que o jogo não teve muita história. Valeu a boa resposta da equipa face às alterações efectuadas. A boiar na espuma dos dias do FC Porto continua Óliver Torres, que mais uma vez foi suplente não utilizado.

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por Miran Pavlin às 23:15

Sábado, 03.06.17

CF OS BELENENSES 2016/17

A convulsão interna do Belenenses parece ter passado para a equipa, que pareceu sempre em perda, depois de um breve período de algum fulgor até à sexta jornada da Liga NOS. Duas vitórias – Tondela (f) e Nacional (c) – e três empates – Boavista (c), Guimarães (f) e Arouca (c) – colocavam os azuis no sétimo lugar, mas a jornada seguinte traria mudanças. Além de ver a sua equipa sair de Chaves derrotada (3-1), Julio Velázquez não pôde contar com Sturgeon, devido a um processo disciplinar que o técnico espanhol não entendeu nem aceitou. Extremadas as posições, o treinador saiu.

Já com Quim Machado ao volante o Belenenses apurou-se para a fase de grupos da Taça da Liga ao vencer no Bessa (0-1), mas no campeonato foram precisos mais dois jogos até obter um triunfo, que apareceu então na 10.ª jornada, na Feira, com um tento precisamente de Sturgeon. Seria o início da última fase positiva do Belenenses na Liga, antecedendo uma segunda volta marcada pelas nove derrotas, sete das quais consecutivas, entre as jornadas 25 e 31. É certo que os homens da cruz de Cristo não perderam entre as jornadas 19 e 24, mas a série negra teve efeitos nefastos, já que fez o clube descer até ao 13.º lugar ao fim de 29 jogos.

 

MOMENTO DA ÉPOCA

A derrota caseira com o Estoril (1-3) nessa jornada 29 causou grande mal-estar nos adeptos azuis, que fizeram questão de mostrar o seu desagrado com uma espera à equipa à saída do Restelo. Abel Camará foi o jogador mais visado, sendo mesmo apertado por alguns adeptos. Quim Machado não resistiu a essa pressão e chegou a acordo para a rescisão do seu contrato, sendo substituído por Domingos Paciência.

A resposta efectiva às críticas chegou ao terceiro jogo do novo técnico, e logo no jogo teoricamente mais difícil que o Belenenses ainda tinha pela frente. Na visita a Alvalade, até foi o Sporting a abrir o marcador (Bruno César, 52’), mas o Belenenses reagiu, e de que maneira, operando uma reviravolta histórica, com golos de Abel Camará (g.p., 65’) – festejado efusivamente –, Dinis Almeida (84’) e Gonçalo Silva (88’). Era a primeira vitória do Belenenses em casa do seu vizinho desde, imagine-se, 1954/55, e levou os mesmos adeptos ao pólo oposto àquele em que estavam semanas antes.

 

FIGURAS

O Belenenses teve o plantel mais português desta edição da Liga NOS, mas o melhor marcador foi o brasileiro Maurides, chegado em Janeiro, com seis golos. Abel Camará apontou quatro, um à frente de Tiago Caeiro. Miguel Rosa ficou-se por um tento apenas. João Diogo foi o elemento em destaque no sector defensivo.

 

CONTABILIDADE

Liga NOS: 14.º lugar, 9v-9e-16d, 27gm-45gs, 36 pontos;

Taça de Portugal: afastado logo na 3.ª eliminatória pela Académica (2-0). Para uns estudantes recém-despromovidos, era como se fosse um jogo de I Liga;

Taça da Liga: afastou o Boavista na 2.ª eliminatória; segundo classificado no grupo B, só com empates, atrás do Moreirense, e à frente de Feirense e FC Porto.

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por Miran Pavlin às 12:30

Sábado, 08.04.17

Liga NOS, 28.ª jornada - FC Porto 3-0 CF Os Belenenses

Não assisti ao jogo.

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por Miran Pavlin às 22:00

Terça-feira, 29.11.16

Taça da Liga, fase de grupos – FC Porto 0-0 CF Os Belenenses – Mal menor

O palco do jogo mudou. Parte dos intervenientes também, assim como a competição em causa. Só duas coisas se mantiveram do jogo de sábado para este: o nome do adversário e o resultado final. O FC Porto estava preso na estaca zero e por lá continuou, ao cabo de mais 90 minutos de futebol com muito pouca baliza. O jogo em si não foi diferente de pretéritas noites portistas na Taça da Liga, caracterizadas por futebol a meio gás perante bancadas tristemente despidas. No entanto, o contexto no qual se inseria a estreia dos dragões na prova aconselhava, imagine-se, a que se esquecesse o desprezo crónico e se encarasse esta Taça da Liga como se fosse a Taça de Portugal. Ainda assim, Nuno Espírito Santo promoveu alterações de vulto nos titulares, dando a oportunidade a nomes como Evandro, Depoitre e Brahimi, além das inclusões de Inácio, recrutado à equipa B, na lateral esquerda, e de Varela na lateral oposta. No decorrer do encontro João Carlos Pereira teve a sua primeira oportunidade de ir a jogo, juntamente com Adrián López e ainda Rui Pedro, outro nome da equipa B, que acabaria por ser o homem que mais perto esteve do golo. Que nunca apareceu.

Por estes dias, é como se o golo fosse um metal raro e valioso, que exige que uma mão cheia de operários morram para o extrair da mina mais profunda. E como ninguém está para perder a vida, o FC Porto teve que se resignar a um quarto empate consecutivo sem golos. O Belenenses não criou perigo, em parte porque simplesmente não conseguiu, mas também porque teve que jogar cerca de 50 minutos com menos um homem, pela expulsão do jovem Benny por uma valente calcadela – ainda que aparentemente sem maldade – no tornozelo de Rúben Neves. O que os azuis do Restelo mostraram – ou não – no Dragão sublinha dois aspectos opostos em relação ao FC Porto. Por um lado, a defesa mantém-se estanque, mas por outro nem contra dez os dragões puseram fim à seca de golos.

Felipe ainda pensou ter marcado (29’), mas o seu desvio de cabeça a um livre de Brahimi foi invalidado por fora-de-jogo. As imagens televisivas foram tão pouco esclarecedoras que não resta outra hipótese senão acreditar que o juiz de linha não teve quaisquer dúvidas sobre a irregularidade do lance. Após alguns remates frouxos e à figura do ex-portista Ventura, em cima do final Rui Pedro esteve então perto de fazer soltar o ansiado grito, rematando rasteiro – e devagar – desde a esquerda da área, mas um ligeiro toque de um defensor belenense encaminhou a bola para o poste, gorando-se assim a oportunidade.

Não havia mesmo meio de quebrar a malapata. Enredado numa teia de dilemas, e com as recepções a Braga e Leicester nos capítulos imediatos, o FC Porto inicia assim a Taça da Liga com um mal menor. Tendo havido alguns assobios e um ou outro lenço branco no final, se a saída dos agora 430 minutos sem golos não estiver na próxima esquina, a intensidade dos protestos certamente subirá exponencialmente de tom.

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por Miran Pavlin às 23:59

Sábado, 26.11.16

Liga NOS, 11.ª jornada – CF Os Belenenses 0-0 FC Porto – Bloqueio

Minuto 69. Depoitre, que entrara oito minutos antes, isola-se perigosamente a caminho da baliza do Belenenses. Na hora de decidir a jogada, chuta em falso, escorrega, cai, desmorona-se. Tudo no mesmo movimento. Foi a personificação da crise do ataque portista, que rendeu escassos dois golos nos últimos seis jogos, incluindo este. O despiste de Depoitre foi talvez o mais claro dos três lances de golo que o FC Porto construiu. Antes (23’), Óliver tinha aparecido em boa posição na esquerda da área mas decidiu mal, não se percebendo se quis passar ao colega que aparecia no meio ou fazer um desvio mais ou menos subtil, e na segunda parte um cabeceamento de Marcano ultrapassou o guarda-redes mas foi salvo in extremis pelo belenense Florent (55’). O próprio Belenenses teve apenas um lance perigoso, através de um remate de André Sousa que encontrou o poste (13’), apesar da irreverência de Abel Camará, que obrigou mais que uma vez Casillas a atenções redobradas. O golo, esse, tirou folga, e a sua ausência tirou também mais dois pontos ao FC Porto, que empata pela terceira vez consecutiva no campeonato. Juntando todas as provas, os dragões acabam de completar uma trilogia de nulos, e não marcam há já 340 minutos, mais descontos.

Qual escritor, o sector atacante do FC Porto vive um bloqueio. Sem Diogo Jota e Otávio na melhor forma, André Silva parece ficar muito mais sozinho entre os defensores contrários, mas isso não explica na totalidade a falta de garras afiadas nos movimentos ofensivos do FC Porto. Até porque o desacerto é generalizado. Os passes sem nexo, quer pelo ar, quer sobre a relva, repetem-se, e os jogadores não mostram entendimento entre si, o que se traduz na incapacidade de os médios solicitarem os avançados, e vice-versa. Apenas a defesa tem mantido de pé as fundações do edifício portista. Com oito pontos perdidos em quatro encontros, o FC Porto vê-se ultrapassado pelo Sporting, e em risco de cair, na conclusão da jornada, para o quinto lugar a sete pontos da liderança; sem esquecer de que já está fora da Taça de Portugal e ainda não garantiu a passagem aos oitavos-de-final da Liga dos Campeões. São demasiados sinais de alarme, e a época ainda só leva três meses.

O Belenenses foi pouco mais que lutador, tornando-se progressivamente mais confortável com a ideia de empatar a zero, enquanto o FC Porto ia deixando o coração levar a melhor sobre a cabeça conforme os minutos escoavam. As substituições não surtiriam grandes efeitos, e a partida terminaria com o resultado que se foi adivinhando durante toda a segunda parte. É difícil perceber como esta mesma equipa que se impôs tão vincadamente no encontro com o Benfica não tenha conseguido voltar a marcar desde esse jogo. Naturalmente que os golos vão voltar a aparecer, mas enquanto tal não acontece a única certeza é que esses golos futuros não servirão para devolver os pontos que ficaram pelo caminho. E só eles poderão diminuir a intensidade das brasas sobre que o FC Porto a partir de agora definitivamente caminha.

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por Miran Pavlin às 23:50



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