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CORTE LIMPO

Todas as fotografias neste blog encontram-se algures em desporto.sapo.pt, salvo indicação em contrário


Segunda-feira, 27.05.19

SL BENFICA 2018/19

SLB - em formação.jpg

Na apreciação feita pelo Corte Limpo ao Benfica de 2015/16, escrevemos que os encarnados "foram campeões quando tinham tudo para não o ser". Pois que dizer então deste Benfica de 2018/19? Morto e enterrado ao fim de 15 jornadas, o Benfica arrancou aí para uma segunda metade a todo o gás, desperdiçando apenas dois pontos, numa história feita de uma crença inabalável de que nada estava perdido, e com detalhes que há décadas não se viam. Senão vejamos: os 103 golos marcados no campeonato foram o melhor registo desde os 101 do Benfica de 1972/73; a vitória por 10-0 frente ao Nacional (21.ª jornada) foi a mais desnivelada desde o 10-0 no Benfica-Seixal de 1963/64, e a primeira vez que uma equipa atingiu pelo menos 10 golos num jogo de campeonato desde 1964/65 (11-3 noutro Benfica-Seixal). As últimas sete jornadas foram particularmente impressionantes, com o Benfica a somar 30 golos; em nenhum desses sete jogos marcou menos de três. São números de um final de época que veio dar razão a quem costuma dizer que não é como começa, é como acaba.

 

"Foi uma luz que me deu"

SLB - Rui Vitória.jpgÀ passagem dessa jornada 15 o Benfica era derrotado em Portimão (2-0) com auto-golos de Rúben Dias e de Jardel, caindo assim para o quarto lugar, a sete pontos do topo. O desaire surgiu imediatamente após uma goleada sobre o Braga (6-2), que parecia ter restaurado a posição de Rui Vitória como treinador de pleno direito, mas a verdade é que o técnico caminhava sobre brasas desde a derrota em Munique (5-1) para a Liga dos Campeões, a 27 de Novembro. O treinador esteve por um fio logo aí, mas Luís Filipe Vieira segurou-o, mesmo não tendo justificação melhor que aquela que serve de título a esta secção. O ambiente não era dos melhores no seio do plantel, até porque o Benfica já tinha empatado com Sporting (1-1 c) e Chaves (2-2 f), perdido com Belenenses (2-0) e Moreirense (1-3), e baixado à Liga Europa por via do terceiro lugar no grupo da Champions. As opções do treinador eram questionadas e o próprio Rui Vitória não demonstrava a mesma tranquilidade de espírito que em outras ocasiões.

SLB - Bruno Lage.jpgFoi aí que entrou, de forma interina, Bruno Lage, recrutado à equipa B encarnada. Independentemente disso, e da profusão de nomes que iam saltando para a comunicação social como possíveis próximos treinadores do Benfica, Lage olhou para o plantel com os seus próprios olhos, acrescentou-lhe os jovens em quem mais confiava e seguiu caminho, um jogo de cada vez. Gerindo a equipa da forma que melhor entendeu, o técnico não deixou dúvidas de que o campeonato continuava a ser a prioridade. Mesmo assim, ainda levou a equipa aos quartos-de-final da Liga Europa e às meias-finais das taças nacionais, onde perderia com FC Porto (1-3 na Taça da Liga) e Sporting (nos golos fora, na Taça de Portugal). Uma vez que esse novo treinador nunca chegou, Bruno Lage acabou por ser confirmado como treinador efectivo. Os seus números no campeonato falam por si: nos 19 jogos que orientou registou 18 triunfos e um empate.

SLB - a erguer Liga.jpgTamanho aproveitamento fez com que o Benfica fosse escalando posições na classificação, saltando para o comando à jornada 24, na qual venceu no Dragão (1-2). Ficando com dois pontos de avanço sobre o FC Porto e vantagem no confronto directo, o conforto era praticamente total para a abordagem às últimas jornadas. Com efeito, as águias não mais largariam o comando, mas foi necessário esperar até à última jornada para celebrar o título. O Benfica tornou-se assim no primeiro campeão desde o Sporting de 1999/00 a trocar de treinador a meio do caminho. Julgava-se que quando o chicote estalava num dos grandes nunca era bom sinal. Essa teoria terá agora que ser revista.

 

FIGURAS

SLB - Seferovic.jpgSeferovic foi o melhor marcador do campeonato, com 23 golos.

SLB - João Félix.jpgJoão Félix foi a revelação, terminando a época com meia Europa atrás da sua assinatura.

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por Miran Pavlin às 12:30

Sábado, 02.03.19

Liga NOS, 24.ª jornada - FC Porto 1-2 SL Benfica - Fio da navalha

FCPSLB.jpg

A época passada ofereceu, por um par de semanas, um vislumbre dos terríveis - para o FC Porto - anos anteriores, com os dragões a perderem a liderança para o Benfica, recuperando-a face a face. Pouco menos de um ano volvido, essas memórias ressurgem não como um vislumbre, mas como uma fotografia de alta resolução. Jogando no fio da navalha, que é como quem diz, com uma vantagem pontual reduzida ao mínimo, o FC Porto estava perante a hipótese de ganhar folga no comando. A busca por esse desiderato começou da melhor maneira, com Alex Telles a rematar com perigo logo na bola de saída. Com o jogo ainda por desatar, o FC Porto beneficiou de um livre em boa posição. Adrián López, imagine-se, foi chamado à cobrança; o primeiro remate ficou na barreira, mas a recarga saiu para o cantinho do poste, onde Vlachodimos já não conseguiu chegar (19'). O lance foi revisto, pois havia dúvidas sobre se Pepe estaria em fora-de-jogo no momento em que se baixa para a bola passar; mais uma vez foi necessário medir até à biqueira da bota antes de confirmar o golo. Podia pensar-se que estava feito o mais difícil, mas o Benfica não tremeu e respondeu pouco depois (26'), numa transição rápida que nasceu em Seferovic na esquerda e terminou com uma entrada de João Félix na zona fatal, sem oposição. Por duas vezes a bola podia ter sido aliviada, pelo mesmo Adrián e por Manafá, mas os dois perderam no corpo a corpo com o suíço. De uma forma talvez demasiado fácil. A primeira parte ainda ia a meio, mas ficou a sensação de que o FC Porto não contava sofrer aquele golo e ficou sem saber bem o que fazer. Além de que este não era o melhor jogo para Brahimi trazer a sua versão menos altruísta. De cada vez que procura escavar mais um pouco com a bola, o argelino acaba por baralhar os próprios colegas de equipa, que acabam por não saber para onde se devem mexer, e em que momento. O intervalo chegou em boa hora. No reatamento, contudo, se houve reacção ela não passou de um esboço. A pressão que os encarnados faziam a cada saída de bola obrigava a voltar a trás e começar de novo. Sem conseguir fazer a bola chegar em condições aos homens da frente o FC Porto ficava exposto ao pior. O que viria a acontecer logo ao minuto 52, numa bola metida por Grimaldo para a área; Felipe cortou para o sítio errado e o resto da defesa entrou em pânico. Rafa recolheu a bola, deu-a a Pizzi e recebeu-a logo de seguida, já enquadrado com a baliza para o remate certeiro. Pepe ainda tentou chegar para remediar, mas o mal já estava feito. Sérgio Conceição só refrescaria a equipa nove minutos mais tarde, lançando Soares e Otávio para os lugares de Adrián e Corona. A mexida fez o FC Porto crescer, mas no melhor lance construído pelos dragões no segundo tempo, Samaris tirou não só o pão, como também a manteiga e até o fiambre da boca de Herrera quando o mexicano já tinha armado um remate flagrante (74'). Houve outros lances de perigo para o lado do FC Porto, nomeadamente em remates de longe. Num deles (90'), Vlachodimos fez a defesa da noite, tirando do ângulo o disparo de Felipe. Minutos antes (85') o central acertara na trave ao desviar de cabeça um canto de Alex Telles. O Benfica foi oportuno na forma como deu a volta ao resultado, mas também foi uma equipa muito física. Por muito que tenha feito um grande corte, Samaris devia ter sido expulso por uma entrada a matar sobre Óliver (60'); Jorge Sousa apenas viu caso para cartão amarelo. A reclamação não serve de desculpa para nada. O resultado significa que o FC Porto vê a sua liderança tomada de assalto e está agora dois pontos atrás dos encarnados. Continua no fio da navalha, no fundo. A lâmina é que fere mais depressa a quem corre atrás do prejuízo.

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por Miran Pavlin às 23:59

Terça-feira, 22.01.19

Taça da Liga, meias-finais - SL Benfica 1-3 FC Porto - Vivo

BENFCP.jpg

Longe dos constrangimentos, variáveis e circunstâncias do campeonato, por uma vez as equipas proporiconaram um jogo como todos entre águias e dragões deviam ser: com futebol vivo e aberto. E ainda houve golos. Entre avanços e recuos, o FC Porto abriu o activo ao minuto 24, numa recarga de Brahimi após primeiro remate de Marega. As imagens televisivas não foram as melhores para esclarecer se Óliver Torres ganhou a bola em falta no início da jogada. O Benfica respondeu por Rafa (31'), que enquanto entrava pela área aproveitou uma sobra que veio ter direitinha aos seus pés; Vaná tinha defendido o primeiro avanço de Seferovic mas a defesa não limpou. Passaram alguns minutos enquanto o lance era revisto pelo vídeo-árbitro, pelo que se pode dizer que o FC Porto respondeu de imediato, embora já fosse o minuto 35. E foi uma bela jogada, com Brahimi a virar de flanco para a direita e Corona a cruzar para a entrada triunfal de Marega. Em cima do intervalo (45'+2') o Benfica voltava a igualar, em contra-ataque... mas eis que o vídeo-árbitro voltava a intervir, decretando fora-de-jogo no momento em que Rafa recebeu a bola - tinha sido Pizzi a finalizar. Vendo o lance corrido e a imagem fixa é impossível achar que o atacante está adiantado em relação ao penúltimo defensor; terá sido a biqueira da bota a colocar o jogador dos encarnados em posição irregular. O que é ridículo. Este lance é um exemplo perfeito daquilo a que chegou a avaliação do fora-de-jogo com recurso a meios tecnológicos e com as indicações a estipular qualquer parte do corpo que possa jogar legalmente a bola. Adiante. A segunda parte foi menos intensa. Talvez o Benfica tenha sentido o golo anulado, talvez não. Certo é que o FC Porto exerceu um controlo mais firme sobre o jogo, mas só o matou na recta final (86'), num remate cruzado de Fernando Andrade a concluir uma transição rápida. Os dragões avançam para a sua terceira final da Taça da Liga, depois de 2010 e 2013.

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por Miran Pavlin às 23:59

Domingo, 07.10.18

Liga NOS, 7.ª jornada - SL Benfica 1-0 FC Porto - Pobre

SLBFCP.jpg

Este terá sido o clássico mais pobre dos últimos anos entre águias e dragões no campeonato, sendo mesmo candidato ao título de pior da década no que à I Liga diz respeito. Não houve superioridade vincada de nenhum dos conjuntos, houve muito poucas oportunidades de golo e nem os ânimos aqueceram até rebentar a escala. E se o Benfica sai, evidentemente, satisfeito, o FC Porto não o pode estar, pois manteve-se no mesmo trilho que vinha seguindo: o de esperar que algo aconteça em vez de tentar fazer acontecer. Valeu que o próprio Benfica - apesar de ter vencido bem - ainda não pise terra firme, pois se assim fosse talvez o FC Porto não tenha estado dentro do jogo até final. A primeira parte resume-se a uma bola bem tirada por Casillas quando Seferovic se preparava para rematar (15') e a uma oportunidade flagrante que não contou (43'); o mesmo Seferovic isolou-se a passe de Cervi e à saída de Casillas falhou a baliza, mas estava em fora-de-jogo. O assistente só o assinalou depois de o suíço rematar. Os primeiros minutos após o reatamento fizeram crer que o FC Porto vinha com outras ideias, mas foi uma crença breve e não tardou para que a balança do jogo se reequilibrasse. O golo também não se fez tardar. Em mais uma transição rápida, Seferovic desta vez rematou com sucesso, mesmo com pressão de um contrário e com Casillas a tentar fechar a baliza (62'). A resposta dos dragões foi demasiado curta. Ficam para registo apenas um remate em arco de Brahimi ao qual faltou um pouco mais de efeito (86') - Vlachodimos estava batido - e um cabeceamento de Danilo Pereira que passou muito perto, mas ao lado (90'+5'). Sérgio Conceição ainda tentou jogar no risco ao tirar Maxi Pereira para lançar Corona (70'), mas a mexida não teve efeito, assim como não tiveram as tentativas de Soares dinamizar o araque; o brasileiro retirou-se ao minuto 76, por troca com André Pereira.
A derrota faz o FC Porto ficar dois pontos atrás da liderança. Por enquanto não é nada de alarmante, mas se a falta de iniciativa da equipa se mantiver, os dragões estarão mais perto de um novo desaire que, aí sim, trará contestação da grossa.

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por Miran Pavlin às 21:05

Domingo, 15.04.18

Liga NOS, 30.ª jornada - SL Benfica 0-1 FC Porto - Golpe de teatro

SLBFCP.jpg

Muito do eventual sucesso do FC Porto esta temporada passava por este jogo, no qual só uma vitória lhe permitiria manter controlo total sobre o seu destino. A tarefa dos azuis-e-brancos não foi nem mais, nem menos difícil que em anteriores visitas à Luz; a conclusão da mesma foi, isso sim, demorada, uma vez que se tratou de um encontro muito equilibrado e, como se diz em futebolês, com pouca baliza. Os primeiros 45 minutos esgotaram-se sem que houvesse muito a assinalar, à conta dessa pronunciada vertente táctica que o jogo exibiu. Apesar do equilíbrio, o grosso da iniciativa até ao intervalo pertenceu ao Benfica, mas os caminhos para a área estavam tão escondidos que nem um mapa podia ajudar a descobri-los. Os encarnados ameaçaram ao minuto 22, num lance bem trabalhado na esquerda por Grimaldo e Cervi, e concluído com um disparo do argentino para defesa apertada de Casillas; a sobra quase queimou nos pés de Felipe, mas o central resolveu. Em cima do descanso houve perigo dos dois lados no mesmo minuto (45'); primeiro por Pizzi, que ficou na cara do golo após corte falhado de Marcano mas viu Casillas fazer a defesa da tarde, depois por Marega, que na sequência do lance recebeu um cruzamento de Ricardo e desviou rente ao poste, mas do lado de fora.
O segundo tempo trouxe mudanças, ainda que não tivesse havido qualquer substituição. O FC Porto passava a jogar mais subido no terreno, e quando o Benfica procurava romper através de bolas em profundidade, havia sempre alguém dos dragões a antecipar o movimento e a chegar primeiro à bola. Nomeadamente os centrais Marcano e Felipe, que estiveram ao seu melhor nível, de resto tal como os seus homólogos encarnados Jardel e Rúben Dias. As disputas de bola incluíram alguns contactos mais fortes entre os jogadores. Talvez o facto de estes não terem protestado com veemência tenha contribuído para os poucos cartões mostrados, mas pelo meio o FC Porto fez as faltas cirúrgicas que teve que fazer, para quebrar uma ou outra arrancada das águias. Em última instância, foi isso que custou a saída do amarelado Sérgio Oliveira (74'). E nesse capítulo das substituições Sérgio Conceição não foi conservador, alterando a configuração do meio campo com a entrada de Óliver Torres. Ao contrário do que aconteceu no clássico da época transacta, no qual o FC Porto chegou ao ponto de festejar o empate, desta vez a mensagem - que já era óbvia - tornava-se clara e cristalina: ganhar era o único caminho. E assim foram também a jogo Corona (saiu Otávio, 80') e Aboubakar (saiu Soares, que esteve apagado, 83'), enquanto do lado das águias saía Cervi para entrar Samaris (74'). Certamente que a intenção de Rui Vitória era contrariar a entrada de Óliver juntando outra torre ao lado de Fejsa, mas tal traduzia-se num enfoque mais defensivo à manobra do Benfica.
A verdade é que o jogo se mantinha atado ao 0-0, por muito que os dragões jogassem então mais subidos. Marega isolou-se sobre a direita mas não teve gás para apanhar a bola e Bruno Varela chegou primeiro (48'), antes de Brahimi procurar um remate em arco ao melhor estilo de Quaresma e errar por pouco (66'). O Benfica, por seu turno, não voltaria a aparecer à frente de Casillas; e numa altura em que parecia começar a contentar-se com o nulo, o golpe de teatro aconteceu (90'). É verdade que o lance ameaçava ser inconclusivo, face ao pouco espaço que havia para jogar, mas os homens da frente do FC Porto seguraram a bola e trocaram-na entre si tempo suficiente para que os elementos das duas equipas se aglomerassem na faixa central. Aboubakar não conseguiu ultrapassar Jardel, Grimaldo aliviou mal, e Herrera apareceu na sobra, de pé cheio, rematando com tudo o que tinha. Era golo, e não havia tempo suficiente para que os encarnados se recompusessem e procurassem a igualdade.
E assim, ao cabo de duas jornadas, o topo da Liga muda novamente de ocupante. Por enquanto, contudo, o alento portista é moral, já que a escassa vantagem de dois pontos significa que tudo continua por decidir quanto ao vencedor deste campeonato. Foi a sétima vitória dos dragões na Luz este século, contra apenas quatro triunfos do Benfica.

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por Miran Pavlin às 21:50

Sexta-feira, 01.12.17

Liga NOS, 13.ª jornada - FC Porto 0-0 SL Benfica - Jogo decisor

FCPSLB.jpg

Embora com contornos diferentes, tal como na época passada o FC Porto voltou a fazer o suficiente para somar três pontos na recepção ao Benfica, mas tem que se contentar com um empate que não só o mantém sem margem de segurança, como também o deixa agora em igualdade pontual com o Sporting. Se ao intervalo o empate era mais que adequado, ao cabo dos segundos 45 minutos ajustava-se que o algarismo 1 estivesse sob o emblema do FC Porto. Mas assim não foi. E como a primeira parte não teve grandes motivos de interesse quanto ao futebol jogado, tornava-se impossível não notar uma certa dualidade de critérios do juiz Jorge Sousa, com prejuízo do FC Porto. No lance mais difícil, porém, aguardamos pelos corajosos que consigam afirmar que um corte pouco ortodoxo de Luisão (45'), sozinho na área, foi efectivamente com o braço. A oportunidade mais clara do primeiro tempo terá mesmo sido do Benfica (3'), num cabeceamento de Jonas após confusão na área, ao qual José Sá correspondeu com uma atenta palmada. O lance marcou a melhor entrada do Benfica no jogo. Sem bola, o FC Porto naturalmente que não conseguia assentar jogo, e sempre que procurava sair os obstáculos eram muitos e não havia linhas de passe. Os dragões apenas conseguiriam equilibrar a posse de bola para lá dos 30 minutos. Seria o intervalo a refrescar as ideias do FC Porto, que aumentou um nível na intensidade e com isso somou diversas oportunidades claras. O guardião encarnado Bruno Varela foi vital num par de ocasiões; noutras foram os portistas a desperdiçar. Felipe apareceu bem colocado numa sobra na área mas rematou um nada ao lado (68'), Marega atrapalhou-se e não rematou quando só tinha o golo pela frente (86'), Ricardo rematou frouxo em boa posição (90'+2') e Marega cabeceou por cima em posição ainda melhor (90'+5'). O Benfica esteve ele próprio muito perto de marcar num lance fortuito (85'), no caso um alívio de Felipe contra Danilo Pereira que deixou Krovinovic na cara do golo, mas José Sá saiu bem e anulou o perigo. De realçar ainda a participação-relâmpago do benfiquista Zivkovic: entrou aos 76 minutos, e aos 82 acumulou amarelos.
A verdade é que o FC Porto de facto marcou, aos 56 minutos, quando um desvio de Sérgio Oliveira a cruzamento de Brahimi deixou Aboubakar sozinho em frente a Bruno Varela, que defendeu o remate do camaronês, mas não a recarga de Herrera. Havia um homem do Benfica junto à linha, do outro lado do relvado, a colocar toda a gente em jogo, mas o auxiliar assinalou fora-de-jogo. Sendo este um dos jogos de cartaz do futebol português, com ampla transmissão internacional, e jogando-se já a 13.ª jornada da I Liga, não pode haver uma justificação plausível para ainda não serem claros quais os critérios de intervenção do video-árbitro. Não é uma questão de uniformidade dos mesmos. A questão é que se trata de um lance flagrante, grosseiro, em que todos sem excepção concordam que o golo é limpo. É precisamente o tipo de lance que justifica a existência dessa ferramenta auxiliar de decisão, mas não houve qualquer revisão das imagens. Terminado o jogo, o campeonato continua, pois, mas é impossível não questionar e comparar tudo e mais alguma coisa face a esse minuto 56. Como Sérgio Conceição disse na antevisão, não era um jogo decisivo. Terá sido antes um jogo decisor.

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por Miran Pavlin às 23:55

Terça-feira, 30.05.17

SL BENFICA 2016/17

O adejctivo “histórico”, tão banalizado hoje em dia, por uma vez aplica-se na perfeição. A corrida atrás da história que o Benfica vinha empreendendo nos últimos anos culmina agora no primeiro tetracampeonato encarnado, sendo quase inacreditável como um clube com tão ilustre palmarés só agora o tenha conseguido – o Sporting fê-lo em 1954, seguindo-se o FC Porto em 1998 e 2009. O Benfica foi, sem dúvida, a equipa mais regular desta edição da Liga NOS, liderando ininterruptamente desde a jornada 5 e sobrevivendo a um período menos bom por alturas da viragem do campeonato. A concorrência também contribuiu com o seu quinhão para o título das águias, nomeadamente no caso do FC Porto, que se ficou pelas ameaças quando parecia ter tudo para tomar o comando da classificação numa fase já adiantada da época, mas é impossível sugerir que o Benfica revalidou o título apenas graças ao demérito dos adversários directos.

Até porque o Benfica teve o mérito de saber adaptar-se aos diferentes momentos de forma por que a equipa passou, manejando da melhor maneira os ferros para arrancar o resultado que interessava quando não era possível praticar futebol de encher o olho. Determinante foi também a forma como os jogadores foram entrando e saindo das opções sem tornar o rendimento global da equipa assustadoramente baixo. Enquanto Jonas não regressou em força da lesão – o brasileiro marcou o primeiro dos seus 13 golos na Liga à 16.ª jornada –, as despesas ofensivas ficaram a cargo de Mitroglou e Jiménez, apoiados por Pizzi, que realizou a sua melhor época desde que está no Benfica. Enquanto nomes como Rafa – tanta tinta correu sobre ele no defeso – e Carrillo praticamente passaram ao lado, Gonçalo Guedes chamou tanto a atenção que saiu para o Paris Saint-Germain no mercado de inverno. Mais atrás no terreno, os centrais fizeram dos clássicos a sua coutada, com Lisandro López a marcar no Dragão e Lindelöf em Alvalade. Éderson voltou a dominar a baliza, e Nélson Semedo e Grimaldo – este mais na primeira volta – cotaram-se como outros nomes em destaque.

A época encarnada arrancou com a conquista da Supertaça Cândido de Oliveira (3-0 frente ao Braga), mas tal não se traduziu propriamente num tónico, pois o Benfica demorou a estabilizar. Logo à 2.ª jornada um empate caseiro com o Setúbal (1-1) foi o primeiro sinal de que havia trabalho a fazer. Esses até acabariam por ser os únicos pontos desperdiçados nas primeiras quatro jornadas da Liga, mas é curioso constatar que o Benfica defrontou exactamente as três equipas que terminariam o campeonato na cauda da classificação. Esses dois pontos perdidos foram suficientes para deixar os encarnados no terceiro posto, na véspera do arranque da Liga dos Campeões, onde o Benfica tomaria dois golpes duros ainda no mês de Setembro.

Com efeito, o Beşiktaş seria o primeiro a causar estragos, ao empatar na Luz (1-1) com um golo de Talisca – emprestado aos turcos precisamente pelo Benfica – no último suspiro do encontro. Duas semanas depois, em Nápoles, com uma hora de jogo o Benfica perdia por 4-0 e os pontos de interrogação eram mais que muitos. Gonçalo Guedes e Salvio ainda marcariam dois golos cosméticos, que não impediram que o Benfica voltasse a Portugal envolto em dúvidas. No campeonato, porém, as águias já tinham somado duas vitórias tidas como difíceis, frente a Braga (3-1) e Chaves (0-2), que funcionavam como sinais contrários às agruras vividas na prova continental. O mês de Outubro chegou já com o Benfica numa liderança que nunca cederia, o que vale por dizer que uma vez pesados os prós e os contras do primeiro mês e meio de temporada, a entourage benfiquista terá dado pouca importância aos desaires da Champions. Com maior ou menor dificuldade, o Benfica conseguiu as vitórias suficientes para resistir aos três tremores que ainda sofreria até final.

O primeiro desses tremores foi uma repetição do mau arranque na Liga dos Campeões. A 23 de Novembro, em Istambul, em meia hora o Benfica colocou-se a vencer por 0-3 e parecia ter o jogo na mão, mas o marcador final assinalaria 3-3, com dois dos golos do Beşiktaş a serem assinados por outros velhos conhecidos, no caso Quaresma e Aboubakar, ambos ex-FC Porto; a 6 de Dezembro, o Nápoles venceu na Luz (1-2), beneficiando de um Benfica na ressaca da derrota em casa do Marítimo (2-1) na sexta-feira anterior. Esse desaire na Madeira reduziu o avanço encarnado na tabela para apenas dois pontos. Os suores frios voltariam no novo ano. A 14 de Janeiro o Boavista demorou 25 minutos a colocar-se a vencer por 0-3 em pleno Estádio da Luz, antes de ver os homens da casa recuperar até ao empate final; a 25 foi o Moreirense a causar espanto ao afastar o Benfica da final da Taça da Liga com um valoroso triunfo por 3-1; por fim, a 30 de Janeiro, o Setúbal – o outro derrotado das meias-finais da Taça da Liga – voltou a fazer das suas e bateu os encarnados no Bonfim (1-0) pela primeira vez desde 1998/99.

Jogava-se a jornada 19 e o Benfica via-se com apenas um ponto de vantagem sobre o segundo classificado FC Porto. Foram necessários nervos de aço para sobreviver a essa fase, que coincidiu com o melhor período dos da Invicta. O Benfica respondeu a esse ímpeto do adversário com seis triunfos consecutivos – Nacional (c), Arouca (c), Braga (f), Chaves (c), Feirense (f) e Belenenses (c) –, numa sequência apenas manchada pela eliminação nos oitavos-de-final da Liga dos Campeões frente ao Borussia Dortmund. Tendo vencido em casa por um suado 1-0 – marcou Mitroglou (48’) e Éderson defendeu uma grande penalidade a Aubameyang (58’) – na Alemanha o Dortmund esteve ao seu melhor nível e reverteu a eliminatória (4-0), com Aubameyang desta vez a assinar um hat-trick. A série de vitórias na Liga conheceu um ponto final na jornada 26, a 18 de Março, com um empate em Paços de Ferreira (0-0). Seria aqui, em última instância, que o campeonato se decidiu. Enquanto o alarme soava estridente nas hostes encarnadas, o FC Porto não aproveitou para saltar para o comando, cedendo ele próprio um empate na recepção ao Setúbal. Na jornada seguinte os dois candidatos defrontaram-se na Luz e repetiram o resultado da primeira volta (1-1). Embora tenha ficado tudo na mesma, na prática o FC Porto desperdiçava duas oportunidades de escrever uma história diferente e ficava com esse ónus sobre os ombros. A velha máxima da candeia que vai à frente explica na perfeição a recta final do Benfica na Liga; cinco triunfos e um empate – em Alvalade (1-1) – garantiram o tetra a uma jornada do fim, num título carimbado com uma goleada (5-0) na recepção ao Guimarães. O empate final no Bessa (2-2) terá sido fruto de uma descompressão que quase custou ainda mais caro, já que o Benfica esteve a perder por 2-0.

 

TAÇA DE PORTUGAL

A época do Benfica encerrou com a conquista da sua 26.ª Taça de Portugal. Quatro anos depois da última final entre Benfica e Guimarães o resultado (2-1) repetiu-se, mas desta vez foi favorável às águias, que resistiram a uma boa primeira parte dos conquistadores, antes dos golos de Jiménez (48’) e Salvio (53’) darem alguma tranquilidade ao Benfica. O Vitória marcaria por Zungu (78’). O percurso encarnado até ao Jamor foi também ele feito de sobressaltos. Logo na terceira eliminatória o 1.º Dezembro, do Campeonato de Portugal, só caiu em definitivo (1-2) com um golo de Luisão aos 90’+6’ minutos. Foi por um triz. A fava desse susto foi paga pelo Marítimo, que saiu da Luz derrotado por 6-0. Nos oitavos-de-final o Benfica ultrapassou o Real (0-3), que viria a sagrar-se vencedor do Campeonato de Portugal, em encontro disputado no Restelo, antes de nova goleada (6-2), agora sobre o Leixões, nos quartos-de-final. Na meia-final o Estoril vendeu cara a derrota, principalmente na segunda mão, na qual por três vezes se colocou a um golo de distância de eliminar o Benfica. O 3-3 final foi suficiente para os encarnados, que tinham vencido na Amoreira por 1-2.

 

TREINADOR

Mais uma vez, Rui Vitória mostrou que não cede facilmente à pressão. Assim que se acomodou à dimensão da cadeira que ocupa, Vitória rebateu bem as constantes invectivas do seu homólogo do Sporting ao longo da época passada, e tanto nesse ano como neste, defendeu o grupo de trabalho sem precisar de fazer grandes declarações e, mais importante, sem entrar em pânico quando a pressão classificativa imposta pelos rivais mais apertou, ou quando apareceram restulados menos positivos.

 

FIGURAS

Éderson assumiu-se como um guarda-redes em nome próprio. Em nenhum momento da temporada o lugar do brasileiro foi questionado.

Durante a primeira metade da temporada Gonçalo Guedes e Grimaldo estiveram em foco; no retrato global saltam à vista o central Lindelöf, os médios Pizzi e Salvio, e os avançados Mitroglou e Jonas, que juntos marcaram 29 golos só no campeonato.

O avançado mexicano Jiménez foi ele próprio decisivo em alguns jogos mais apertados.

 

CONTABILIDADE

Liga NOS: 1.º lugar, 25v-7e-2d, 72gm-18gs, 82 pontos; apurado para a fase de grupos da Liga dos Campeões;

Taça de Portugal: vencedor;

Taça da Liga: venceu o grupo C (9 pontos), à frente de Guimarães, Paços de Ferreira e Vizela; eliminado na meia-final pelo Moreirense (3-1);

Supertaça Cândido de Oliveira: vencedor, ao bater o Braga (3-0);

Liga dos Campeões: segundo classificado no grupo B (8 pontos), atrás do Nápoles e à frente de Beşiktaş e Dinamo Kiev; eliminado nos oitavos-de-final pelo Borussia Dortmund (1-0c, 0-4f).

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por Miran Pavlin às 13:00

Sábado, 01.04.17

Liga NOS, 27.ª jornada – SL Benfica 1-1 FC Porto – Filme invertido

O clássico da Luz foi como que uma imagem invertida do encontro da primeira volta. Nesse jogo da 10.ª jornada o FC Porto foi dominador, mas viu o Benfica obter o empate praticamente no único lance que teve junto à baliza contrária. Desta vez foram os encarnados a viver o mesmo filme, ainda que de forma menos dolorosa, pelo menos em face do minuto em que o golo da igualdade aconteceu. Com as equipas separadas por um mísero ponto, as implicações eram enormes; ou o Benfica se escapava quiçá irreversivelmente rumo ao título, ou o FC Porto saltava para a liderança, ou… a montanha paria um rato e tudo ficaria remetido para os próximos capítulos. E foi justamente isso que aconteceu, de resto tal como os dois técnicos anteviam.

Continuando a sobrepor o filme dos dois jogos desta época, foi a equipa da casa quem entrou melhor. Através de rápidas transições e pressão incessante, o Benfica não deixava o FC Porto respirar. Logo ao minuto 7, em mais uma investida encarnada, Carlos Xistra assinalou grande penalidade num lance porventura passível de mais que uma interpretação entre Felipe e Jonas. Ainda assim, no momento, no desenrolar do lance, era difícil o juiz fazer vista grossa. O mesmo Jonas converteu e festejou efusivamente. Só perto do minuto 20 o FC Porto começou a ter mais bola, mas não conseguia ver de perto a baliza adversária. Óliver Torres tentou a sorte de longe, com a bola a sair ligeiramente ao lado (19’), antes de um livre de Brahimi que obrigou Ederson a defender a custo para canto (37’), mas a melhor oportunidade foi do Benfica (41’), com um cabeceamento de Luisão a passar assustadoramente perto do golo, após livre em posição central. Por esta altura já se percebia que Jonas tentava a todo o momento forçar o mesmo tipo de situação do lance da grande penalidade, e que Brahimi era o homem mais desperto dos dragões, capaz de procurar com a bola os espaços que a teia do Benfica não queria dar. Mas com pouco efeito, pois o FC Porto não atacava com muitas unidades, portanto não proporcionando soluções suficientes ao argelino. Do outro lado do campo Corona estava a ser muito castigado pelos adversários e no meio Soares era pouco mais que discreto. O meio-campo com Óliver, André André e Danilo Pereira funcionava bem, mas não conseguia compensar aquilo que os avançados não estavam a dar.

A perder ao intervalo o FC Porto estava com um pé no cadafalso. Nuno Espírito Santo resistiu à pressão de mexer, e o mesmo onze apareceu transfigurado para a segunda metade. Assumindo de imediato um claro ascendente, os azuis-e-brancos trouxeram o jogo até ao último reduto do Benfica, e logo aos 50 minutos Maxi Pereira realizou o sonho secreto de muitos portistas – e quiçá dele próprio – e marcou um golo na Luz. Brahimi voltou a encontrar espaços escondidos no flanco esquerdo e cruzou para a área lançando a confusão. André André aproveitou um primeiro corte incompleto para rematar com perigo, com a recarga do próprio a ser aliviada por Lindelöf de bandeja para o lateral uruguaio receber de peito e rematar colocado ao ângulo inferior direito de Ederson. Era o culminar da entrada forte do FC Porto. Pouco depois Soares esteve cara-a-cara com a reviravolta, mas o guardião encarnado tirou-lhe a bola com uma saída aos pés no limite. E aqui voltamos ao filme invertido do jogo da primeira volta. O Benfica voltou a assumir as despesas e dominaria o jogo até final, mas teve em Casillas um obstáculo megalítico, especialmente ao minuto 73, altura em que negou à queima-roupa finalizações consecutivas de Mitroglou e Lindelöf, com Marcano a limpar para canto. Antes (65'), Casillas já tinha feito uma defesa no limite a outra tentativa de Mitroglou. Fiel ao plano que trazia, o técnico portista apostou na chamada troca por troca, tirando Corona – que saiu com cara de poucos amigos – para colocar Diogo Jota (66’), Soares para meter André Silva (72’), e o esgotado Brahimi para entrar Otávio (87’).

Num jogo que não foi quezilento, não deixam de saltar à vista os cinco cartões amarelos exibidos a jogadores do FC Porto, incluindo a cada um dos defesas, contra nenhum a homens do Benfica. Os motivos para isso, subliminares ou não, levá-los-á a espuma dos dias. O que fica é que o FC Porto pela segunda vez consecutiva perde a oportunidade de trocar de posição com o Benfica, desperdiçando aqui também a oportunidade de ter vantagem no confronto directo com as águias. Se a bola de cristal de Nuno Espírito Santo e de Rui Vitória estiver correcta, o campeonato será mesmo disputado até ao fim, mas a candeia que alumia mais é sempre a que vai à frente, e essa o FC Porto segurou apenas nas duas primeiras jornadas deste campeonato. A pressão segue então nos próximos capítulos, com o FC Porto agora a precisar da ajuda de terceiros para subir ao topo da classificação.

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por Miran Pavlin às 23:55

Domingo, 06.11.16

Liga NOS, 10.ª jornada – FC Porto 1-1 SL Benfica – Sinal dos tempos

Outrora feliz, o minuto 92 fica hoje para a história como aquele em que se desmoronou tudo aquilo que o FC Porto procurava de há uns anos a esta parte, e que foi encontrando ao longo deste clássico. De facto, o FC Porto não podia ter escolhido melhor jogo para se apresentar ao máximo das suas capacidades. Enérgicos e cheios de intenção, os azuis-e-brancos deixaram as hesitações à porta e realizaram uma notável exibição, pontuada por inúmeras recuperações de bola, com fio de jogo, entrega, e com o entrosamento que tão frequentemente tem faltado. A pecha foi, mais uma vez, a finalização, que em última análise não terá permitido ao FC Porto segurar o jogo com as duas mãos.

Oportunidades para isso não faltaram, nomeadamente no primeiro tempo, altura em que o FC Porto teve o seu motor em alta rotação. Com Corona, Diogo Jota e André Silva a emprestar grande dinâmica às movimentações ofensivas, e bem apoiados por Óliver e Otávio, os dragões não deixavam o Benfica respirar. Com efeito, sempre que saíam da zona defensiva, os encarnados rapidamente se viam cercados por homens de azul-e-branco e sem opções para avançar mais no terreno. Ganhando a bola, os jogadores do FC Porto tinham sempre quem desse linhas de passe para a construção de novo ataque; a situação era idêntica a cada perda de bola, já que havia sempre alguém na posição ideal para fechar o caminho ao adversário. Faltava apenas o golo. André Silva disparou forte após um mau alívio da defesa contrária – graças à pressão de Óliver, em quem a bola ressaltou –, com o remate a sair um tudo ou nada ao lado (22’), e Corona isolou-se mas não foi capaz de desfeitear Ederson (24’), naquelas que foram as melhores oportunidades do FC Porto. Do outro lado, apenas um lance, já em cima do descanso, quando Felipe por pouco fazia auto-golo ao tentar cortar um canto. A bola ainda raspou no poste.

Se por um lado o Benfica não saía da toca porque o FC Porto estava inexcedível, por outro talvez isso não acontecesse porque os comandados de Rui Vitória não queriam. Pelo menos, a avaliar pelos primeiros minutos da segunda parte, altura em que Ederson foi amarelado por demorar a cobrar um pontapé de baliza. A estratégia não duraria muito mais tempo, pois aos 50 minutos o Benfica passava a estar obrigado a correr atrás do prejuízo. Sobre a esquerda do ataque, Diogo Jota fintou Nélson Semedo e rematou cruzado, com a bola a entrar pelo buraco da agulha do primeiro poste. O golo teve um efeito quiçá inesperado. Em vez de fazer com que o FC Porto se galvanizasse em busca do segundo tento – aquele que a gíria diz ser o da tranquilidade – o resultado foi um crescimento do Benfica, que começou a aparecer mais vezes junto à área portista. Tal era consequência directa do retraimento do FC Porto, que deixou de atacar com tanta motivação. Nuno Espírito Santo procurou fechar a zona central fazendo entrar Rúben Neves (67’), mas para isso retirou Corona, hoje uma das unidades que mais estava a mexer com o jogo; mais tarde sairia Óliver (76’), outro nome que encaixa nesta descrição, entrando Layún, novamente para jogar na extrema.

Tendo retirado o poder de fogo nas alas, o FC Porto não conseguiu evitar que o Benfica continuasse a mostrar o quão instável o 1-0 era. Casillas já tinha sido chamado para duas intervenções mais vistosas, enquanto o FC Porto respondeu com um livre colocado de Alex Telles, que Ederson defendeu bem. Já o relógio escoava a compensação quando Herrera, que entrara aos 87 minutos para o lugar de Diogo Jota, protagonizou o golpe de teatro da noite. Ao tentar chutar contra um adversário para ganhar um lançamento, o mexicano acabou por ceder um canto. O Benfica bateu curto, e o cruzamento subsequente encontrou a cabeça de Lisandro López, que assinou o empate, literalmente silenciando o estádio.

Este lance deitou por água abaixo todo o trabalho da equipa, bem como as perspectivas que se abriam se o triunfo portista se tivesse confirmado, e até o espaço para a reclamação de uma vitória moral, às costas da óptima exibição colectiva. O topo da classificação manter-se-ia sempre na posse das águias, mas tal não invalida que o FC Porto tenha pago bem caro a má decisão de Herrera. Olhando apenas à exibição, o FC Porto deixa a fasquia muito alta. Se é capaz de estar a este nível num clássico, a equipa fica desde já obrigada a não fraquejar novamente, pelo menos sem ter um bom motivo para tal. Considerando o resultado final e o momento do golo sofrido, é difícil não o ver como um sinal dos tempos. Por mais que a equipa faça, falha sempre alguma coisa; num dia é a finalização, no outro são as carências defensivas, uma decisão do árbitro, uma opção do treinador, ou, como foi o caso, um disparate de um jogador próprio. O FC Porto continua assim a cinco pontos da liderança.

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por Miran Pavlin às 22:45

Terça-feira, 24.05.16

SL BENFICA 2015/16

Depois do primeiro bicampeonato em 31 anos, o Benfica escavou um pouco mais nos livros de história e regressou trazendo em mãos o seu primeiro tricampeonato em 39 anos. E pode até dizer-se que os encarnados foram campeões quando tinham tudo para não o ser. Além das saídas de jogadores, o Benfica entrava na primeira época pós-Jesus, era alvo de ataques constantes por parte do ex-treinador, chegou a ver-se no oitavo posto, à oitava jornada, e passou as cinco rondas seguintes com um atraso de oito pontos face ao primeiro lugar, em parte motivado pelo jogo que teve em atraso, e que só acertou – com um empate – após a jornada 13, altura em que ficou cinco pontos abaixo do líder.

Até essa oitava jornada, o Benfica tinha perdido três jogos, aos quais se somava o desaire na Supertaça Cândido de Oliveira, frente ao Sporting (0-1). As águias encontravam-se mesmo num bloqueio de clássicos, uma vez que perderam os encontros da Liga NOS com FC Porto (1-0, na 5.ª jornada) e Sporting (0-3, na jornada 8). A saída da Taça de Portugal ocorreu bastante cedo, e novamente às mãos dos seus rivais de Alvalade, que saíram vencedores por 2-1, após prolongamento.

O Benfica parecia estar perto de uma calamidade, mas seria por essa altura que arrancaria para uma impressionante sequência, que justificou por inteiro a conquista do título de campeão. Entre a jornada 9, na qual bateu o Tondela, em Aveiro, por 0-4, e a última, o Benfica venceu 25 dos 27 jogos que realizou, cedendo pontos apenas nesse tal jogo em atraso com o União (0-0) e na recepção ao FC Porto (1-2). A prova cabal de que o Benfica é um justo campeão reside num dado estatístico: foi o campeão mais pontuado da era dos três pontos por vitória, com 88, número que nem as melhores edições do FC Porto atingiram. Nem se deu pelas ausências, devido a lesão, do guarda-redes Júlio César e do central Luisão.

A jornada 25 foi simbólica para o Benfica, que disputou aí o último clássico da época, novamente em Alvalade, com os dois conjuntos separados por dois pontos. Carregando o peso de ainda não ter vencido nenhum dos clássicos já realizados, as águias estavam perante uma autêntica final, e não perderiam a hipótese de saltar logo aí para o topo da classificação. Um golo de Mitroglou, ao minuto 20, foi o suficiente para quebrarem o enguiço. A marcha do Benfica continuou a todo o vapor até ao termo do campeonato, e foi bem necessário que assim fosse, já que a vantagem de dois pontos obtida em casa do Sporting se manteve até final.

A campanha europeia foi também ela positiva, com o Benfica a atingir os quartos-de-final da Liga dos Campeões. O saldo da fase de grupos não foi particularmente esclarecedor, mas os dez pontos somados, ao contrário do que sucedera em 2013/14, foram suficientes para passar à fase seguinte. Aí, o Benfica ultrapassou o Zenit, numa eliminatória de nervos, antes de se bater dignamente com o Bayern Munique nos quartos-de-final, onde cairia por 2-3 no agregado das duas mãos.

A época terminaria com a conquista da sétima Taça da Liga, em nove edições possíveis. Numa repetição da época anterior, o Benfica defrontou o Marítimo na final de Coimbra, triunfando desta vez por um robusto 6-2. Num dado tão impressionante quanto a carreira nesta Liga NOS, o Benfica apenas perdeu um jogo nos 90 minutos em toda a história da Taça da Liga – 2-1 em Setúbal, em 2007/08. Mas não só: ao bater o Moreirense por 1-6 na fase de grupos, tornou-se na primeira equipa a atingir a meia dúzia nessa competição.

 

Treinador

Enquanto as suas ideias não deram frutos, foi impossível a Rui Vitória escapar às comparações com o seu antecessor. Pois aqui fica mais uma: enquanto Jorge Jesus frequentemente reclamava para si o mérito dos triunfos da equipa, Vitória é credor de uma fatia generosa do mérito da época benfiquista, e não o reclama. O técnico é um homem cordato, que sabe estar no futebol, e lidou da melhor maneira com toda a pressão que teve nos seus ombros. Não apenas aquela inerente ao cargo que ocupa, mas também aquela a que o seu antecessor o sujeitou, através das inúmeras tiradas que lhe dirigiu durante praticamente toda a época. O clube teve a paciência necessária para que Rui Vitória se ajustasse, e os dividendos não tardaram a aparecer, em termos de lançamento de jogadores jovens e, mais importante, títulos.

 

Figuras

Se a época passada tinha sido boa, que dizer então desta, na qual Jonas apontou nada menos que 31 golos na Liga NOS, cifra que ninguém atingia desde Jardel, em 2001/02. O seu companheiro de ataque, o grego Mitroglou, demorou algum tempo a acomodar-se, mas assim que o fez foi tão letal como o brasileiro, terminando a campanha na Liga com 19 golos. Os 50 golos da dupla representam perto de 57% dos golos apontados pela equipa no campeonato.

Entre os mais jovens, Gonçalo Guedes destacou-se na primeira fase da época, apontando mesmo o golo da vitória em casa do Atlético Madrid (1-2) na Liga dos Campeões, cedendo depois o epíteto de next big thing a Renato Sanches, que pese embora a dureza por vezes excessiva que emprega nas disputas de bola, tem uma rebeldia que empresta um perfume diferente à equipa. O central sueco Lindelöf aproveitou da melhor maneira a indisponibilidade de Luisão para se afirmar, enquanto Jardel mostrou uma segurança que se lhe desconhecia.

Em sentido contrário, Gaitán não foi tão proeminente como em outros anos e Talisca ficou reduzido a um papel secundário.

 

Contas finais

Campeonato: 1.º lugar, com 29v, 1e, 4d, 88gm,22gs, 88pts

Taça de Portugal: afastado na 4.ª eliminatória (Sporting, 2-1 a.p.)

Taça da Liga: vencedor

Supertaça Cândido de Oliveira: derrotado pelo Sporting (0-1)

Europa: eliminado nos quartos-de-final da Liga dos Campeões (Bayern 0-1f, 2-2c)

 

Para mais tarde recordar

30.09.2015, Liga dos Campeões: vitória por 1-2 sobre o Atlético Madrid, depois de estar a perder, na segunda jornada da fase de grupos;

05.02.2016, jornada 21 – ao vencer no Restelo por 0-5, o Benfica consegue a sua maior vitória em casa do Belenenses desde o 0-6 de 1964/65;

01.04.2016, jornada 28 – vitória por 5-1 sobre o Braga; os encarnados não marcavam tantos golos nas recepções aos minhotos desde 1983/84

 

Para esquecer

23.08.2015, jornada 2 – sofreu a sua primeira derrota de sempre diante do Arouca (1-0).

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por Miran Pavlin às 22:00



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