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CORTE LIMPO

Todas as fotografias neste blog encontram-se algures em desporto.sapo.pt, salvo indicação em contrário


Quarta-feira, 29.05.19

BOAVISTA FC 2018/19

BOA - golo.jpg

As panteras terminaram a Liga no oitavo posto, igualando a prestação da temporada transacta, mas passaram 29 jornadas abaixo do décimo lugar - três delas dentro da zona proibida -, o que diz bem das dificuldades por que a equipa passou. Valeu a recta final, que não só trouxe quatro triunfos consecutivos (Moreirense 3-1, Setúbal 0-3, Braga 4-2 e Marítimo 0-1), como também arrastou até ao Bessa molduras humanas como há muito não se viam. Esse jogo em Setúbal, à 32.ª jornada, foi de capital importância, já que ambas as equipas ainda tinham a sua vida por resolver.
O Boavista ficou-se pelos 34 golos marcados (quinto pior total desta edição da I Liga), o que também atesta que facilidades foi coisa que não houve em 2018/19. O angolano Mateus foi o melhor marcador no campeonato, com apenas cinco tentos.

 

TREINADORES

BOA - Jorge Simão.jpgJorge Simão iniciou a época, mas os maus resultados fizeram estalar o chicote após a jornada 18.

BOA - Jorge Couto.jpgJorge Couto orientou a equipa interinamente na ronda 19.

BOA - Lito Vidigal.jpg

Lito Vidigal foi o homem que se seguiu, conseguindo nove triunfos em quinze jornadas. O treinador ingressou no Boavista cerca de uma semana depois de ter saído do Vitória de Setúbal.

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por Miran Pavlin às 12:30

Sexta-feira, 05.04.19

Liga NOS, 28.ª jornada - FC Porto 2-0 Boavista FC - Mundo real

FCPBOA.jpg

Num mundo ideal os dérbis seriam sempre jogos emocionantes, cheios de peripécias. No mundo real não é bem assim quando o dérbi entre dragões e panteras acontece em casa dos primeiros. A primeira parte foi pouco mais que monótona. Tão monótona que o único golo surgiu de um lance fortuito, no caso uma grande penalidade por derrube de Raphael Silva sobre Brahimi. Soares converteu. O Boavista praticamente só subiu um pouco nos segundos que restaram entre o golo e o intervalo. Logo ao minuto 55, na insistência, Otávio rematou de fora da área para o segundo golo - talvez Bracali pudesse ter feito mais - e o FC Porto ficou mais tranquilo para evitar contratempos de última hora em véspera de jornada europeia. Na prática, um jogo que até aí se tinha disputado nos últimos 35 metros antes da baliza axadrezada, passou a jogar-se junto dos últimos 40 metros dos azuis-e-brancos. O Boavista, contudo, não trouxe criatividade suficiente para relançar o encontro nessa fase em que o FC Porto reduziu a intensidade e consentiu mais posse de bola. No apito final do dia, é mais uma parte que o FC Porto junta à história. O mundo real continua já a seguir.

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por Miran Pavlin às 23:59

Domingo, 02.12.18

Liga NOS, 11.ª jornada - Boavista FC 0-1 FC Porto - Essência

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Já se viu pior, mas o Boavista-Porto voltou a ser um encontro em que os axadrezados disputaram cada lance com a faca entre os dentes. Talvez faça parte da essência do clube. Talvez sejam memórias vivas do Boavista da década de 90. Ou então é simplesmente inevitável sempre que o dérbi tripeiro decorre no Bessa. E diga-se que o FC Porto teve uma postura notável perante um adversário que não se coibia de usar da dureza. Dessa forma, a chamada "bola corrida" não durava muito tempo. Ainda assim, o FC Porto teve alguns lances prometedores, como ao minuto 43, altura em que Brahimi viu Helton Leite deter o seu remate à queima-roupa, após assistência de Herrera; ou o cabeceamento de Felipe (60'), que embora estivesse bem colocado atirou por cima. O tempo regulamentar estava prestes a expirar quando uma bola metida para a zona frontal apanhou Soares a avançar sem oposição, mas o brasileiro apenas encostou o pé à bola em vez de rematar, e esta escapou tranquilamente rumo ao pontapé de baliza. O Boavista apenas foi visto na área contrária em três ocasiões: num lance em que Rochinha ficou a reclamar grande penalidade por derrube de Brahimi (70') e em dois momentos em que Casillas foi carregado quando se preparava para pontapear para a frente depois de recolher bolas perdidas. Na alegada grande penalidade o ângulo de observação teve grande importância. Visto de um lado tratou-se de um aproveitamento do jogador axadrezado; do ângulo oposto era mesmo grande penalidade. Uma vez que é impossível estar em dois lados ao mesmo tempo, o lance passou em claro. A não-intervenção do vídeo-árbitro é mais uma acha para a fogueira onde ardem as aparentes disparidades na sua utilização. E quando o empate parecia certo, o futebol fez questão de lembrar que um jogo só acaba quando acaba. Numa última insistência (90'+5'), Marega cruzou rasteiro desde a direita, o central boavisteiro Gonçalo Cardoso falhou o corte e a bola ficou à solta na pequena área. Soares ameaçou o remate mas ofereceu o golo a Adrián López, que viu o mesmo Cardoso dar o corpo às balas. Mas também isso não seria suficiente, pois a bola ficou em Hernâni, que finalmente encostou para o golo solitário. Na euforia dos subsequentes festejos Sérgio Conceição foi expulso. As imagens não esclareceram porquê. Talvez também isso faça parte da essência do treinador nos momentos de maior tensão.

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por Miran Pavlin às 23:40

Sábado, 17.03.18

Liga NOS, 27.ª jornada - FC Porto 2-0 Boavista FC - Isto, só vídeo

FCPBFC.jpg

Em cada temporada, o raciocínio do vosso humilde escriba acerca dos jogos entre dragões e panteras começa da seguinte forma: é dérbi. E um dérbi nunca pode ser encarado de ânimo leve, nem mesmo quando a história diz que é raro o FC Porto sentir problemas quando recebe o seu rival da zona oeste da cidade. O encontro deste ano mais uma vez seguiu a tendência histórica, muito por culpa do madrugador golo de Felipe (2'), que cabeceou junto à pequena área a cruzamento de Sérgio Oliveira, numa segunda vaga portista de ataque após canto aliviado pela defesa contrária. Terá sido esse golo que permitiu ao FC Porto conviver bem com um jogo mexido, frente a um adversário que não quis de maneira nenhuma ficar remetido à sua própria zona defensiva. No fundo, esta linha de pensamento é como que uma pescadinha de rabo na boca, pois encontrando-se a perder, não atacar era o pior que o Boavista poderia fazer. E lá está: era um dérbi. Ainda assim, nem por isso os axadrezados criaram perigo, de resto tal como o FC Porto, que se deparava ele próprio com dificuldades em colocar a baliza do Boavista em risco. Nesse particular, a responsabilidade era da acção do central Raphael Rossi, que teve muitas palavras a dizer, limpando lance atrás de lance aos dragões. O jogo decorria sem grandes sobressaltos até ao minuto 41, quando uma entrada mais viril de Vítor Bruno sobre Sérgio Oliveira foi punida com cartão vermelho directo. Manuel Oliveira foi peremptório na decisão, mas mudou de ideias depois de ir à linha lateral rever o lance. As imagens não deixavam dúvidas; o lance não justificava mais que um cartão amarelo. Um alívio para Vítor Bruno, que tinha entrado para colmatar a lesão de David Simão havia escassos oito minutos.
O jogo estava então a ser disputado a bom ritmo, mas sem grandes motivos de interesse. A segunda parte trouxe um ligeiro acréscimo de intensidade, mas o resultado prático era nulo. O Boavista teve a sua melhor oportunidade aos 56 minutos, através de um remate cruzado de Mateus que Casillas defendeu para canto com uma boa estirada. Acabaria por ser o próprio Boavista a virtualmente resolver o jogo (62'), quando o guarda-redes Vágner cobrou um pontapé de baliza com um passe em frente para Idris mas apanhou Herrera no caminho. O mexicano só precisou de se aproximar da baliza e colocar a bola. O vídeo-árbitro voltou a desempenhar um papel importante mais à frente (73'). A jogada até já tinha seguido durante alguns segundos quando o árbitro assinalou grande penalidade a favor do FC Porto; tinha havido um derrube de Sparagna a Maxi Pereira no momento em que o uruguaio meteu a bola para o centro da área. Sérgio Oliveira avançou para uma conversão com sucesso, mas os axadrezados imediatamente rodearam Manuel Oliveira alegando que o médio portista deu dois toques na bola. Vendo o lance corrido, foi perceptível que Sérgio Oliveira escorregou. E mais uma vez as imagens foram esclarecedoras: ao escorregar, o pé de apoio tocou na bola ao mesmo tempo do pé que rematou. Golo invalidado, de nada valendo os efusivos festejos.
Foi o último momento de destaque do encontro. No cômputo geral, foi um dérbi que não deixa grandes saudades. Para o FC Porto, valeu por um triunfo que coloca atrás das costas em definitivo o deslize da pretérita ronda, e por uma utilização do vídeo-árbitro que não merece comentários negativos; o que na verdade vale para as duas equipas. O Boavista, mesmo derrotado, justificou bem o lugar tranquilo que ocupa na tabela.

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por Miran Pavlin às 23:40

Sábado, 28.10.17

Liga NOS, 10.ª jornada - Boavista FC 0-3 FC Porto

BFCFCP.jpg

Não assisti ao jogo.

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por Miran Pavlin às 23:00

Quinta-feira, 01.06.17

BOAVISTA FC 2016/17

No final da época passada aqui se escreveu que a base para os resultados do Boavista se devia ao facto de ter homens associados à casa. Pelo menos ao nível técnico bastou chegar a inícios de Outubro para que esta ideia se desactualizasse, com a saída de Erwin Sánchez.

O treinador não gostou das críticas dos adeptos após uma derrota caseira com o Belenenses (0-1) que ditou o afastamento da Taça da Liga. A direcção axadrezada não ficou indiferente à reacção dos adeptos, e entendeu trazer outro nome para o lugar do técnico boliviano. Por essa altura, no campeonato o Boavista seguia num modesto 13.º lugar, com apenas duas vitórias nesses primeiros sete jogos, marca que não era ela própria favorável a Sánchez.

Com Miguel Leal (de pé, à direita) ao leme, o Boavista haveria de fixar-se no confortável meio da tabela, a salvo das aflições das épocas anteriores e com espaço para arriscar ir um pouco mais alto assim que a manutenção foi garantida. Ainda que sem sucesso nesse aspecto. Leal conseguiu ainda tirar o melhor rendimento da manta de retalhos que o plantel boavisteiro voltou a ser, em especial na vitória sobre o Marítimo (3-0), à 25.ª jornada, naquela que foi a melhor exibição do Boavista esta temporada.

Se o caminho na Taça da Liga foi curto, o da Taça de Portugal durou apenas mais uma eliminatória. Depois de bater a União de Leiria (0-2), o Boavista perdeu em casa com o Vitória de Guimarães (1-2), com o golo decisivo a aparecer a dois minutos do final do prolongamento.

 

FIGURA

Iuri Medeiros foi o principal dinamizador do ataque das panteras, e terminou como melhor marcador da equipa na Liga NOS, com sete golos.

 

CONTABILIDADE

Liga NOS: 9.º lugar, 10v-13e-11d,33gm-36gs, 43 pontos;

Taça de Portugal: afastado na 4.ª eliminatória;

Taça da Liga: afastado na 2ª eliminatória.

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por Miran Pavlin às 13:00

Domingo, 26.02.17

Liga NOS, 23.ª jornada – Boavista FC 0-1 FC Porto – Arreganho

Nas idas ao Bessa os homens do FC Porto costumam ter que pedir emprestada a alcunha do Braga e ser guerreiros por 90 minutos, mais descontos. Foi o caso mais uma vez, e tal como na época passada não tanto por um jogo ultra-competente do Boavista, mas sim pelo seu arreganho. A vantagem, tanto material como psicológica, cedo ficou nas mãos do FC Porto, que marcou ao minuto 8 por Soares. Daí para a frente o jogo nunca decresceu de intensidade, o FC Porto visou com regularidade a baliza axadrezada e o Boavista deu o que tinha e o que não tinha em busca do empate. Não havia dúvidas de que era de dérbi que se tratava. As bancadas, compostas como há muito não se via num Boavista-FC Porto, também o indicavam. Quem não teve mãos a medir foi o árbitro Fábio Veríssimo. Foram assinaladas inúmeras faltas, umas mais unânimes que outras, mostrados 12 cartões amarelos, e ainda um vermelho por acumulação a Maxi Pereira, por faltas semelhantes a outras cometidas pelos boavisteiros. Valeu ao juiz a ausência de lances quentes dentro das grandes áreas.

O FC Porto tomou então a dianteira na fase inicial do encontro. Óliver Torres trabalhou bem no miolo e lançou Corona na direita, com o mexicano a cruzar para o desvio de Soares à boca da baliza. O Boavista pôs Casillas à prova num remate de Anderson Carvalho (30’) mas a melhor oportunidade foi do FC Porto (34’), com Soares a finalizar no meio da confusão na pequena área, opondo-se Vágner com uma espantosa defesa, antes de Óliver desperdiçar a recarga. Mais emoções ao rubro no caminho para as cabines, a propósito de uma entrada muito dura de Talocha sobre Corona (42’), que tirou o extremo portista do jogo. Corona tirou satisfações com o jogador axadrezado, motivando uma acesa troca de palavras entre Nuno Espírito Santo e o adjunto boavisteiro Alfredo Castro, que ficaram a ver o resto do jogo na bancada. Na segunda parte houve muita intensidade de parte a parte, mas pouca baliza, o que talvez explique que o marcador não tenha voltado a mexer. André André esteve perto do golo (75’), com o seu remate à entrada da área a passar ligeiramente sobre a barra, e pouco depois (82’) Maxi Pereira era expulso, recolocando as equipas de igual para igual, já que o defesa Henrique tinha saído lesionado (80’) quando o Boavista já tinha esgotado as substituições.

O destaque da noite acabou por ser Soares, não só pelo golo, mas também pela capacidade de luta que demonstrou, não desistindo de nenhuma bola e resistindo a tudo o que o Boavista lhe atravessou no caminho. De resto, tal como a equipa no seu todo, onde também merecem menção Brahimi pela deambulação por toda a frente de ataque e Boly, que substituiu o castigado Felipe, pela segurança que exibiu, em contraste com a tremideira em Tondela na primeira volta. Depois das inseguranças nos jogos fora de casa, o FC Porto passa agora incólume por Guimarães e Bessa, num sinal contrário a alguns mostrados na primeira volta. Até nova prova em contrário, até porque a deslocação fulcral só aparecerá mais lá à frente.

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por Miran Pavlin às 23:10

Sexta-feira, 23.09.16

Liga NOS, 6.ª jornada – FC Porto 3-1 Boavista FC – Morno

Para aqueles que ainda duvidam de que a visita do Boavista é um jogo especial, de entre os muitos hoje vistos como pequenos em cada edição do campeonato, aos cinco minutos de jogo os axadrezados lembraram de que se trata de um dérbi tripeiro, e inauguraram o marcador, por intermédio de Henrique, que apareceu sozinho na pequena área para desviar de cabeça um livre. A forma como o FC Porto sofreu o golo vem realçar um problema já visto no recente jogo com o Copenhaga: a defesa lida mal com bolas pelo ar.

Em vantagem, o Boavista rapidamente se fechou na zona mais recuada, convidando o FC Porto a ter a bola e estacionar em frente à muralha. Não era para menos, até porque nas dez visitas anteriores a contar para a I Liga, as panteras marcaram apenas por duas vezes. Mais esclarecido em campo, até porque jogava em casa, o FC Porto foi um pouco mais profícuo no capítulo ofensivo, e empatou a partida ao minuto 19, quando numa sobra junto à área, Otávio lançou André Silva com um passe suculento, que o ponta-de-lança tocou para o golo já na cara do guarda-redes. Antes do intervalo o mesmo André Silva deu a reviravolta na conversão de uma grande penalidade a castigar falta sobre Otávio. No reatamento o futebol foi, no mínimo, morno. Conformado e confortado pela vantagem, o FC Porto talvez não se tenha querido expor em vésperas de jornada europeia. O Boavista não desistiu de tentar, mas não teve arte para voltar a criar perigo. Os dragões matariam o jogo, mas nem isso por iniciativa própria, porque num cruzamento aparentemente mal tirado por Alex Telles, o estreante guarda-redes azeri Kamran Agayev deu um monumental frango (86’) ao não conseguir agarrar a bola.

Mesmo que a natureza de alguns dos golos que permitiram a reviravolta possa abrir espaço a especulações sobre o estado do FC Porto, a verdade é que pela segunda vez esta época os dragões dão a volta a um resultado adverso. Sinal de que parece haver um rumo na equipa, apesar de um futebol por vezes mais apagado, que ao mesmo tempo não dissipa as dúvidas sobre se a equipa realmente consegue mais, ou se está, qual pérola, escondida na concha, só se revelando em ocasiões especiais, como em Roma – não esquecendo o sinal contrário dado em Alvalade. Faltam dois jogos antes da segunda paragem para compromissos das selecções. Primeiro em Leicester, depois na Madeira frente ao Nacional.

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por Miran Pavlin às 22:45

Quinta-feira, 26.05.16

BOAVISTA FC 2015/16

A tarefa do Boavista adivinhava-se mais difícil que na época passada. Já não havia factor surpresa, nem relvado sintético para eventualmente causar dificuldades aos adversários. A perspectiva era de uma luta extenuante, do ponto de vista mental, no sentido de cruzar a meta, no mínimo, em 16.º lugar. O arranque do campeonato, contudo, contrariou as previsões. Logo no começo, em Setúbal, os axadrezados recuperaram dois golos de desvantagem já a jogar com menos um homem e lograram um empate. Seguiram-se uma vitória tangencial sobre o Tondela (1-0), outra em Coimbra (0-2) e um nulo caseiro com o Sporting; de permeio, derrotas com o Braga (4-0) e o Paços de Ferreira (0-1). Oito pontos em seis jornadas não era um pecúlio propriamente mau, e o Boavista encontrava-se nessa altura no nono lugar. As complicações, porém, começaram a partir deste ponto.

Nessa sexta jornada o Boavista embarcava numa viagem de doze jogos sem vencer, em que somou escassos três pontos. O xadrez chegava à 17.ª jornada sem marcar golos há quatro partidas, sofria há nove jogos seguidos, e era derrotado em casa pelo FC Porto por 0-5. O treinador Petit demitira-se após a 11.ª jornada, invocando razões pessoais. O cenário era, de facto negro, mas começaria a mudar assim que começou a segunda volta.

Com efeito, o Boavista entrou na segunda metade da Liga NOS com três vitórias e dois empates, e apenas um golo sofrido. Era o balão de oxigénio de que a equipa tanto precisava. As panteras começaram por bater o Setúbal por 4-0, antes de uma vitória estratégica em Tondela (1-2) e um empate com o Braga (0-0). Ainda haveria tempo para vencer em Paços (0-1) e empatar no Bessa com a Académica (0-0), que apesar de ser mais um ponto somado, não era o resultado mais conveniente. Até porque o Boavista passou grande parte da época num jogo das cadeiras com a Briosa. Os dois conjuntos alternaram no 16.º e 17.º lugares entre as jornadas 12 e 28. Nessa luta a vantagem, primeiro psicológica, mais tarde real, era do Boavista, que tinha então vencido no terreno da Académica.

Os axadrezados ainda tiveram que sofrer mais um pouco até perto do final do campeonato, mas conseguiram acrescentar os pontos necessários para celebrar a manutenção à 32.ª jornada. Nesse último esforço a equipa obteve uma vitória no recinto do Marítimo (0-3), deu luta ao Benfica, que só venceu com um golo no último suspiro, empatou em Guimarães (1-1) e derrotou o Belenenses (1-0), antes de garantir o objectivo maior empatando em Moreira de Cónegos (1-1).

Parte das forças que o Boavista encontrou vieram de fora das quatro linhas. O substituto de Petit no banco foi nada menos que outra glória do clube, Erwin Sánchez. A estrutura do futebol do Boavista contou ainda com o adjunto Jorge Couto, que orientou a equipa interinamente na 12.ª jornada, mas também com Fary e Ion Timofte, além do técnico de guarda-redes Alfredo Castro. Tudo homens com história de xadrez ao peito.

Dentro de campo, o guarda-redes Mika deu o que tinha, Carlos Santos foi o pilar da defesa, em conjunto com Tengarrinha, enquanto o senegalês Idris foi o motor do meio-campo. Zé Manuel foi o melhor marcador da equipa na Liga, com cinco tentos. Foi o único jogador do Boavista que apontou mais que dois golos no campeonato. Anderson Carvalho e Paulo Vinícius foram outros dos nomes em foco na equipa.

A presença na Taça da Liga durou apenas um jogo, com as panteras a perderem nas grandes penalidades na visita ao Feirense (1-1 nos 90 minutos). Na Taça de Portugal o Boavista eliminou Loures (1-2 após prolongamento), Operário (1-0) e Académica (1-0), antes de tombar em casa nos quartos-de-final, numa batalha frente ao FC Porto (0-1), na qual desperdiçou uma grande penalidade no último minuto da compensação. Apesar do estatuto que tem na prova rainha, por enquanto não é essa a história que o Boavista quer escrever; é no campeonato que o xadrez coloca todas as suas peças. E para o ano elas lá estarão no tabuleiro da Liga NOS.

 

Contas finais

Campeonato: 14.º lugar, com 8v, 9e, 17d, 24gm (pior ataque), 47gs, 33pts

Taça de Portugal: eliminado nos quartos-de-final

Taça da Liga: afastado na 2.ª eliminatória

 

Para mais tarde recordar

18.01.2016, jornada 18 – vitória por 4-0 sobre o Setúbal; desde 1979/80 que o Boavista não batia os sadinos em casa tão folgadamente. Além disso, foi a maior vitória dos axadrezados na I Liga desde 2001/02, quando derrotou o Paços de Ferreira por 5-0;

11.03.2016, jornada 26 – ao vencer por 0-3, o Boavista consegue a sua maior vitória de sempre em casa do Marítimo.

 

Para esquecer

10.01.2016, jornada 17 – derrota caseira com o FC Porto por 0-5; a pior do Boavista no Bessa desde 1981/82 (0-6, também contra os dragões).

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por Miran Pavlin às 13:00

Sábado, 14.05.16

Liga NOS, 34.ª jornada – FC Porto 4-0 Boavista FC – De manhã começa o dia

O percurso portista na Liga NOS terminou com uma novidade. Foi o primeiro jogo de campeonato que o FC Porto realizou de manhã, e apenas o segundo em toda a história da I Liga. Quase que era preciso madrugar. Pese embora o horário invulgar, o FC Porto fez questão de se despedir dos seus adeptos com uma vitória sólida, num jogo disputado a médio ritmo.

Ainda não tinha havido muitas aberturas quando os dragões passaram para a frente do marcador, através de Danilo Pereira (11’), que rematou com sucesso no aproveitamendo de um ressalto em Marcano após corte de um defensor axadrezado. E sim, eram membros do sector mais recuado que se encontravam na área contrária nesse lance.

A goleada, contudo, não se explica a partir desta jogada, uma vez que quem esteve melhor até ao intervalo foi mesmo o Boavista. Não no sentido de colocar o FC Porto em apuros, mas sim porque a tranquilidade classificativa garantida há um par de jornadas permitiu aos homens do Bessa desenvolver sucessivas incursões no meio-campo contrário. A finalização, porém, não esteve à altura, com os remates a saírem muito longe do alvo. O FC Porto também surgiu diversas vezes junto à área do Boavista, mas não encontrou os espaços de que precisava.

Decorria já o minuto 56 quando Layún rematou colocado para o 2-0, após assistência astuta de André Silva, que descobriu o lateral mexicano solto na esquerda. Mika ainda tocou na bola mas não a conseguiu deter. Foi este golo que deu ao FC Porto a determinação necessária para pegar no jogo e não mais o largar. Por esta altura começava a ser notória a qualidade que André Silva emprestava aos movimentos dentro da área do Boavista, muito graças à sua corpulência, mas também à sua vontade. O jovem avançado tentou várias vezes visar as redes de Mika, mas ora o próprio guarda-redes, ora a acção do central Henrique, iam negando os seus intentos.

Ao minuto 82 Maxi Pereira é derrubado dentro da área. Apesar dos clamores dos adeptos para que fosse André Silva a subir à marca de onze metros, Brahimi tomou no seu pé a responsabilidade e não a enjeitou. Não seria preciso esperar muito mais para que o desejo dos adeptos fosse satisfeito. Lançado em profundidade por um passe bem medido de Brahimi, André Silva isolou-se, contornou Mika e selou o resultado final (88’), assinando o seu primeiro golo pela equipa principal. Um justo prémio para o trabalho que o ponta-de-lança vinha desenvolvendo.

O encontro terminou pouco depois, e em clima de festa. Comedida por parte dos dragões, porque uma época abaixo das expectativas não se apaga, um pouco mais vincada do lado dos adeptos boavisteiros, que mais uma vez viram a sua equipa ser maior que as adversidades e garantir presença na próxima edição da I Liga. A oficina dos azuis-e-brancos só fechará portas no próximo fim-de-semana, num regresso ao Jamor, cinco anos depois da última visita.

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por Miran Pavlin às 15:00



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