Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]

CORTE LIMPO

Todas as fotografias neste blog encontram-se algures em desporto.sapo.pt, salvo indicação em contrário


Terça-feira, 28.05.19

SC BRAGA 2018/19

BRA - golo.jpg

Os guerreiros do Minho terminaram a Liga na quarta posição pela nona vez nos últimos quinze anos, que correspondem à era António Salvador. É fácil pensar-se que foi uma época de serviços mínimos, mas a verdade é que o Sporting de Braga não só se voltou a imiscuir na corrida pelo título, como também beneficiou, em certos momentos, de uma cobertura mediática mais próxima daquela que é conferida aos três crónicos candidatos. Os bracarenses foram a equipa que se manteve invicta mais tempo (só à 10.ª jornada perderam pela primeira vez), lideraram (jornadas 3 e 6) ou repartiram o comando, e só na 14.ª jornada deixaram de ter acesso directo para a liderança, ao ficar seis pontos abaixo por via de um adverso 6-2 na Luz. O resultado deu nas vistas e a reacção foi veemente, com 19 pontos conquistados em 21 possíveis - vitórias sobre Marítimo (2-0), Boavista (1-0), Nacional (0-3), Santa Clara (1-0), Aves (0-2) e Chaves (2-1) e um empate com o Portimonense (1-1 f). O Braga chegava assim à 21.ª jornada apenas dois pontos atrás do então líder FC Porto, mas não aguentou a pedalada, perdendo de imediato em Alvalade (3-0) e também com o Belenenses, este na Pedreira (0-2).
Falando em Pedreira, os azuis foram uma de apenas três equipas a sair do reduto arsenalista com os três pontos (FC Porto e Benfica foram as outras); e só o Rio Ave aí logrou empatar. Uma performance que não encontrou paralelo nos jogos fora. Terá estado aí a razão de o Braga se ter desvanecido mais cedo do que decerto gostaria. Três dias depois desse desaire em casa, o FC Porto colocou pé e meio no Jamor ao vencer a primeira mão da meia-final por 3-0; uma vez que a desvantagem não seria revertida no jogo de retorno, gorava-se o objectivo Taça, na mesma fase em que tinha ocorrido a saída da Taça da Liga. A própria presença do Braga nessas meias-finais apenas sublinhou a ideia de que o clube subiu um nível em relação aos demais ao fim de década e meia.
O Braga terminaria então com mais um quarto lugar seguro, mas mais longe do topo. E, consequentemente, mais perto de quem vem atrás. Apesar de um final pontuado por derrotas consecutivas com Benfica (1-4), Marítimo (1-0) e Boavista (4-2), dificilmente se poderia pedir mais a uma equipa que na temporada transacta tinha conseguido números ao nível dos ditos grandes. Números esses que seriam suficientes para vencer uma das edições com 18 clubes e três pontos por vitória; e igualar outro dos campeões.
A retrospectiva do 2018/19 bracarense termina como ele começou: com o Braga a despedir-se da Liga Europa logo à terceira pré-eliminatória, nos golos fora, frente aos ucranianos do Zorya Lugansk. A situação trouxe à memória a época 2009/10, na qual os guerreiros caíram na mesma fase, então com o Elfsborg, avançando depois até ao único segundo lugar da sua história. Não ter Europa para disputar é uma faca de dois gumes; há menos motivação, mas também menos desgaste. Desta vez o Braga não aproveitou como há nove anos. Tendo já feito melhor que este ano, mas nunca o suficiente, mantém-se a pergunta: haverá um dia Braga campeão?

 

TREINADOR

BRA - Abel Ferreira.jpgAbel Ferreira - Professor Abel Ferreira, perdão - realizou a sua segunda temporada completa consecutiva como treinador do Braga. Desde Domingos Paciência (2009/10 e 2010/11) que ninguém o conseguia.

 

FIGURA

BRA - Dyego Sousa.jpgDyego Sousa foi o melhor marcador da equipa no campeonato, com 15 golos. Tendo garantido a cidadania portuguesa, o avançado estreou-se mesmo na Selecção, durante as jornadas de Março de qualificação para o Euro 2020.

Autoria e outros dados (tags, etc)

por Miran Pavlin às 12:00

Terça-feira, 02.04.19

Taça de Portugal, meias-finais, 2.ª mão - SC Braga 1-1 FC Porto

BRAFCP TP.jpg

Não assisti ao jogo.

Autoria e outros dados (tags, etc)

por Miran Pavlin às 23:30

Sábado, 30.03.19

Liga NOS, 27.ª jornada - SC Braga 2-3 FC Porto - À portuguesa

BRAFCP.jpg

Se um triunfo sofrido conseguido nos derradeiros minutos é apelidado de "à italiana", então uma reviravolta igualmente sofrida obtida com duas grandes penalidades só pode ser uma vitória à portuguesa. Ainda com aspirações legítimas em matéria de título, o Braga tinha aqui um dos dois jogos absolutamente cruciais que lhe restam - ainda há uma recepção ao Benfica mais à frente. Na verdade, todos os jogos envolvendo Braga e FC Porto até final o são, já que nenhum dos dois se pode dar ao luxo de perder pontos. E foram os guerreiros a entrar melhor, capitalizando logo na primeira oportunidade do encontro (4'). Dyego Sousa lançou Claudemir pela esquerda e o brasileiro cruzou para Wilson Eduardo empurrar para o golo. Talvez Casillas pudesse ter feito mais - defendido, mesmo -, mas preocupou-se mais em levantar o braço a reclamar fora-de-jogo, perdendo assim uma preciosa fracção de segundo. O lance, de resto, é perfeitamente legal. O golo foi a confirmação de que o FC Porto ia mesmo precisar de trabalhar muito. Talvez por causa desse golo madrugador assistiu-se a uma partida aberta, em que ambos os conjuntos lutaram com afinco, não havendo autocarros nem artimanhas afins. Os dragões igualaram à passagem do minuto 26, quando Soares, à boca da baliza, encostou de cabeça após canto de Corona e desvio de Felipe ao primeiro poste; o bracarense Bruno Viana nem deve conseguir dormir, de tão desnecessário que foi o canto. O arranque do segundo tempo trouxe novo dissabor aos azuis-e-brancos. Desta vez, foi um desentendimento entre Casillas e Éder Militão a deixar Murilo a sós com a baliza (47'). Não havia como não marcar. Estava desequilibrado novamente o marcador, mas em campo o nó mantinha-se. Ambas as equipas continuaram o que estavam a fazer até aí, numa luta de igual para igual. Era impossível prever quem venceria. E seria o juiz Jorge Sousa a chamar a si os restantes desenvolvimentos (69' e 77'). No segundo lance parece claro que Claudemir derruba Fernando Andrade, mas a primeira grande penalidade, entre o mesmo Claudemir e Éder Militão, é muito duvidosa. Alex Telles lesionou-se na conversão de forma tão caricata quanto cómica, num misto de ballet com dança contemporânea. Mais escorreito, Soares também não deu hipótese a Tiago Sá, que teve que se contentar com duas belas defesas noutros momentos. O FC Porto prevaleceria, mas houve jogo até ao fim. Para a história, como sempre, fica o resultado. O Braga aparentemente belisca de forma irremediável a sua corrida. Já o FC Porto volta a fazer a sua parte.

Autoria e outros dados (tags, etc)

por Miran Pavlin às 23:59

Terça-feira, 26.02.19

Taça de Portugal, meias-finais, 1.ª mão - FC Porto 3-0 SC Braga - Encaminhado ao intervalo

FCPBRA.jpg

Em 2008/09 a FPF transformou a meia-final da Taça de Portugal numa eliminatória a duas mãos. Uma vez que é a única fase da prova em que tal acontece, o simples facto de ser assim dá sempre nas vistas. Por muito poética que a teoria possa ser, na prática disputar a antecâmara da final em dois jogos traduz-se num desarranjo de calendário, pois é frequente algum dos intervenientes ainda estar vivo na UEFA. Daí que por vezes a segunda mão seja jogada meses depois da primeira, como é o caso este ano. No momento desta primeira mão, talvez FC Porto e Braga preferissem que não se tivesse jogado agora. Enquanto os dragões estão na véspera de defrontar Benfica e Roma, os guerreiros acabam de derrapar na corrida pelo inédito título de campeão, ao sofrer duas derrotas consecutivas. Só isso poderá explicar que se tenha assistido a um jogo, digamos, entreaberto. Não foi um bocejo, mas também não houve ataque desenfreado. Entre um ou outro lance prometedor de parte a parte, o FC Porto beneficiou de uma grande penalidade (33') a punir uma saída de Marafona sobre Herrera; o guarda-redes quis limpar a soco e terá acertado meio na bola, meio no adversário. Pareceu uma disputa de bola, pelo que a decisão terá sido um tanto ou quanto áspera, mas o juiz manteve-a após longa conferência com o vídeo-árbitro. Quatro minutos depois do apito o castigo foi finalmente convertido, por Alex Telles. O golo não fez o jogo mudar de figura. Nem os treinadores terão querido fazê-lo mudar. Ao ponto de a primeira substituição no Braga (71') ter ocorrido já depois do 2-0, apontado por Soares ao minuto 63 com uma boa finalização a cruzamento de Otávio. Mesmo que nenhuma das equipas tenha mostrado a sua melhor cara, a vantagem portista era justa. Brahimi tornou-a exagerada em cima do apito final (90'+4'), finalizando com um belo remate em arco um trabalho igualmente bom de Óliver. Apesar de estar bem encaminhada para o lado do FC Porto, a eliminatória está apenas no intervalo e a segunda mão está então agendada para o início de Abril. Sabe-se lá em que estado as equipas lá chegarão...

Autoria e outros dados (tags, etc)

por Miran Pavlin às 23:59

Sábado, 10.11.18

Liga NOS, 10.ª jornada - FC Porto 1-0 SC Braga - Única justiça

FCPSCB.jpg

Não é frequente haver na Liga portuguesa jogos que coloquem frente a frente primeiro e segundo classificados com hipótese de um ultrapassar o outro. Quando tal acontece, normalmente trata-se de um clássico já bem dentro da segunda volta. À 10.ª jornada é muito, muito raro. Ainda mais quando um dos intervenientes não é um dos ditos três grandes. Mas era esse, de facto, o cenário para o presente jogo. FC Porto e Sporting de Braga chegavam aqui igualados nos 21 pontos, o que permitia todas as conjecturas. No campo, não se podia pedir mais equilíbrio. As equipas equivaleram-se palmo a palmo, lance a lance, mas acabou por não ser um daqueles jogos com tanta acção que se torna impossível assistir refastelado na cadeira. Talvez por terem faltado os golos. Entre as oportunidades mais claras destacam-se os remates de Esgaio ao poste (55') e de Fransérgio à trave (77'); no segundo caso o Dragão assustou-se a sério, pois o golo estava ali à espera de ser feito. Ao longo de todo o jogo houve lugar também a defesas mais apertadas tanto de Casillas como de Tiago Sá, a um cabeceamento de Dyego Sousa que só por acaso não deu em golo (25') e, claro está, ao momento do jogo (88'), surgido quando muitos decerto já pensavam ir para casa sem ter visto golos. A jogada nasce de um lançamento lateral de Corona na direita, que solicita Hernâni para um primeiro corte da defensiva minhota; a bola volta à direita, de onde Otávio levanta um cruzamento teleguiado para a cabeça de Soares, que se elevou e empurrou para o tento solitário. De resto, e voltando ao que foi escrito acima, o equilíbrio foi total.
Sem autocarros e sem enervantes perdas de tempo, o Braga jogou olhos nos olhos com o FC Porto e pese embora tenha estado perto, não encontrou solução para o seu problema recorrente dos últimos anos: como bater mais vezes os grandes no campeonato e manter-se na discussão pelo título até tarde? A época passada exemplifica bem o que atrás se escreve. Dos 12 pontos possíveis de somar frente a FC Porto e Benfica, o Braga não averbou nenhum e terminou a 13 pontos do primeiro posto. Bastava - entre aspas - ter ganhado os dois jogos aos dragões e empatado um dos que perdeu para que o título tivesse ido para a Cidade dos Arcebispos em vez da Invicta.
Mas isso foi na temporada passada. Nesta, o Braga espera agora entrar numa perseguição de 24 jogos. O FC Porto fica sozinho na liderança. O resultado mais justo era o empate, mas no futebol, nunca é demais repetir, a única justiça que existe é a dos golos.

Autoria e outros dados (tags, etc)

por Miran Pavlin às 23:45

Sábado, 03.02.18

Liga NOS, 21.ª jornada - FC Porto 3-1 SC Braga - Empurrar com a cabeça

FCPSCB.jpg

O Corte Limpo reclamou, Conceição satisfez: Sérgio Oliveira ascendeu à titularidade e a escolha do técnico mais legitimada ficou quando o médio abriu o activo ao cabo de 13 minutos. O golo surgiu na insistência, após uma primeira jogada em que o guardião bracarense Matheus repeliu um cabeceamento perigoso de Aboubakar. A bola sobrou para o flanco esquerdo portista, onde Brahimi solicitou um cruzamento de Alex Telles que encontraria a cabeça de Sérgio Oliveira, que estava livre de marcação na zona fatal. Concretizava-se aí uma primeira ameaça de Marega (5'), cuja finalização saiu pouco ao lado. Embora pouco expansivo, o Braga nem por isso esteve por baixo do jogo durante a primeira metade, conseguindo também lances prometedores, como aconteceu ao minuto 24 através de um cabeceamento de Paulinho, que ficou pertíssimo do golo. Os guerreiros facturariam em nova bola parada, no caso um canto de Jefferson que o central Raúl Silva desviou no centro da área, com a parte de fora do pé, depois de fugir à marcação de Reyes (31'). Tornava-se claro que ia haver jogo, mas o FC Porto não estava interessado em passar uma noite de sofrimento e respondeu da mesma forma sete minutos mais tarde; Alex Telles bateu um canto e Reyes fez o 2-1 com uma bela cabeçada, mais alto que todos. Matheus bem se esticou, mas em vão.
O jogo esteve longe de ser frenético, mas foi suficientemente movimentado para justificar mais golos de parte a parte. O bom colectivo do Braga não permitia que o FC Porto adormecesse. Ora pela capacidade de furar de Brahimi, ora pela alta rotação de Ricardo, ora pela intensidade de Marega, os azuis-e-brancos iam colocando à prova o último reduto minhoto com regularidade, chegando ao terceiro tento perto do quarto de hora final (73'). Na esquerda, Brahimi segurou a bola no limite junto à linha lateral, trabalha sobre um adversário e mais uma vez entrega a Alex Telles, que entretanto chegara no apoio; o lateral voltou a tirar um bom cruzamento e Aboubakar completou o hat-trick de cabeceamentos do FC Porto esta noite. Só aí o Braga esqueceu a táctica e carregou mais vincadamente sobre a defesa dos dragões. José Sá, que já antes (61') tinha feito uma majestosa defesa à queima-roupa a remate de Paulinho, voltou a brilhar e manteve como final o resultado vigente.
O FC Porto empurrou o empate com o Moreirense não com a barriga, mas com a cabeça. Ao mesmo tempo, marcou o triplo dos golos que obtivera nos três encontros anteriores. Numa altura em que o equilíbrio é grande no topo da classificação, é importante não ceder terreno em jogos consecutivos. Muito mais quando ainda falta reverter a derrota ao intervalo com o Estoril.

Autoria e outros dados (tags, etc)

por Miran Pavlin às 23:45

Domingo, 27.08.17

Liga NOS, 4.ª jornada - SC Braga 0-1 FC Porto - Pássaro na mão

SCBFCP.jpg

Deitar cedo e cedo erguer, dá saúde e faz crescer. O ditado, como todos, é antigo, e adaptando-o a este jogo dá qualquer coisa como "marcar cedo e não sofrer, dá pontos e faz crescer". Num jogo vivo, disputado a bom ritmo, fica a dúvida se um segundo golo se ajustaria à produção do FC Porto, pelo menos a julgar pelas várias defesas apertadas a que o guarda-redes Matheus foi forçado, nomeadamente durante o primeiro tempo. O primeiro a causar algum perigo, no entanto, foi o improvável Sequeira, cujo mau cruzamento quase se transformava em golo, caindo sobre a rede superior de Casillas (3'). Quando o FC Porto se mostrou, foi a valer. Brahimi rompeu até junto da área contrária, Marcelo Goiano opôs-se com um corte para onde estava virado, e a bola sobrou para Corona, descaído sobre a direita do ataque; o mexicano fez um véu a Sequeira e rematou de pronto, com a bola a passar por entre as pernas de Matheus. Decorria o minuto 7 e fixava-se aí mesmo o resultado final.
O segundo golo portista mostrou então a cara por diversas vezes. Aos 19 minutos Felipe apareceu na área em posição prometedora mas Rosic cortou; sete minutos mais tarde, três remates na pequena área não foram suficientes para voltar a mexer com o marcador, com Brahimi, Aboubakar e Felipe a encontrarem sempre alguém dos guerreiros no caminho. O quarto remate, pelo mesmo Felipe, saiu por cima. Depois da meia hora foi Marega a tentar, primeiro numa recarga a remate de Aboubakar (31') - Matheus voltou a estar lá - e de seguida num cabeceamento (36') que o guardião brasileiro segurou para a fotografia.
O FC Porto jogava com ímpeto, tal como o Braga, mas com uma diferença: enquanto os dragões chegavam à baliza oposta, os donos da casa nem por isso. Em nenhum momento pareceu que os azuis-e-brancos pudessem sofrer, por muito que o resultado se mantivesse na sempre incerta margem mínima. O arranque da segunda parte trouxe um livre de laboratório, cobrado através de um passe rasteiro de Alex Telles para Otávio - entrado ao intervalo -, que já com pouco ângulo ainda conseguiu rematar e ganhar um canto (47'), mas os dragões não voltariam a criar tanto perigo como antes do descanso, excepção feita a um lance ao minuto 79, no qual o mesmo Alex Telles forçou Matheus a mais uma defesa apertada, com um remate que ainda tocou no poste após a intervenção do guarda-redes. Aliás, assim que o cronómetro se aproximou da recta final, o FC Porto adoptaria uma postura mais de contenção, preferindo segurar o pássaro firme na mão. Talvez já desgastados, os bracarenses nem assim passaram a impressão de que pudessem ainda escrever uma história diferente.
O pássaro ficaria mesmo na posse do FC Porto, que assim se mantém no grupo da frente. Um grupo que ficou reduzido a apenas dois elementos - já não é um grupo, portanto -, mercê do empate da noite anterior entre Rio Ave e Benfica. Conforme tem sido hábito nas últimas décadas, a passagem de Agosto para Setembro está reservada às selecções. No fundo, é como se a temporada só começasse a sério depois desta paragem, já com o mercado fechado e com a fase de grupos das provas da UEFA na curva seguinte. O FC Porto chega a essa "partida real" sem ter deixado nada caído pelo caminho.

Autoria e outros dados (tags, etc)

por Miran Pavlin às 23:50

Quarta-feira, 31.05.17

SC BRAGA 2016/17

Olhando para os números finais do campeonato, o Braga repetiu, grosso modo, a prestação da época anterior, mas há uma diferença notória: os quatro pontos a menos em relação a 2015/16 zpenas chegaram para um quinto posto, ainda para mais tendo sido ultrapassado precisamente pelo seu rival de Guimarães, ao longo de uma segunda volta terrível, na qual os arsenalistas venceram apenas quatro partidas. Além disso, há um ano havia a conquista da Taça de Portugal para festejar, ao passo que esta época a defesa do troféu terminou com estrondo nos oitavos-de-final aos pés do Covilhã, que venceu de reviravolta na Pedreira. O resultado teve consequências catastróficas para José Peseiro, que sentiu o chicote estalar nas suas costas. A eliminação da Taça foi a gota de água para o técnico, que aparentemente gastou os seus créditos junto da direcção arsenalista nos jogos da Liga Europa.

 

DESASTRE EUROPEU

O sorteio da prova continental ditou ao Braga um grupo respeitável, mas acessível, com o condimento extra do regresso de Paulo Fonseca ao Minho aos comandos do Shakhtar Donetsk, adversário com quem os bracarenses têm um registo europeu terrível. O Braga voltou a perder os dois jogos frente ao gigante ucraniano, mas o destino da equipa na prova ter-se-á decidido na visita ao Gent, na qual o Braga desperdiçou duas vantagens no marcador, que lhe teriam dado logo aí o apuramento para a fase seguinte. Tendo empatado (2-2), o Braga entrava na última jornada (8 de Dezembro) de calculadora na mão, enquanto recebia precisamente o Shakhtar (2-4). Face ao resultado do outro jogo, os arsenalistas estavam apurados mesmo perdendo, mas da Turquia chegou um golpe de teatro: aos 90’+4’ minutos o Genk marcava e saltava para o segundo lugar do grupo. O Braga ficou sem palavras.

 

DE VOLTA A CASA

Seguiu-se então o desaire com os serranos na Taça (14 de Dezembro) e o Braga entrou em curto-circuito. Olhando ao que se ia passando no campeonato, é até difícil entender o porquê da troca de treinador, já que os minhotos eram quartos classificados a apenas dois pontos do segundo e a seis do topo. E com Abel Ferreira – ex-leão – como treinador interino o Braga foi a Alvalade vencer com um golo solitário de Wilson Eduardo – ex-leão –, saltando para o terceiro lugar por troca precisamente com o Sporting. Jogava-se a 14.ª jornada e Jorge Simão parecia pegar numa equipa motivada para responder aos desaires, mas tal não se verificou. Até final da primeira volta o Braga ainda venceu Moreirense (c) e Tondela (c), e empatou com o Nacional (f), mas somaria então apenas mais quatro vitórias até final, com uma série de seis jogos sem ganhar pelo meio. E como se tratou de uma temporada de dissabores, a Taça da Liga reservou mais um.

 

TAÇA DA LIGA

Vencedor em 2012/13, o Braga não conseguiu tornar-se no primeiro clube que não o Benfica a repetir a vitória na Taça da Liga, ao perder com o Moreirense (0-1). Curiosamente, da mesma forma que tinha ganho há quatro anos: com uma grande penalidade em cima do intervalo. Até chegar à decisão, o Braga precisou de alguma sorte para chegar às meias-finais, tendo terminado o grupo em igualdade pontual com o Rio Ave, que até venceu em Braga (1-2) na primeira jornada. Na última, o Braga venceu de forma dramática em casa do Marítimo, com o único golo a surgir aos 90’+4’ minutos, numa altura em que os da casa tinham um jogador de campo na baliza por lesão de Gottardi quando já tinham esgotado as substituições. Os critérios de desempate deram então a passagem ao Braga, que vergou o Setúbal (0-3) na meia-final.

 

FIGURAS

Rui Fonte foi o melhor marcador da equipa na Liga, com 11 golos. Wilson Eduardo, Pedro Santos e Ricardo Horta fizeram seis golos cada. Stojiljković apontou cinco.

 

TREINADORES

José Peseiro comandou a equipa até à jornada 13, não resistindo então aos fracassos na Europa e na Taça.

Jorge Simão entrou na 15.ª jornada mas não conseguiu dar seguimento ao trabalho que vinha fazendo até aí em Chaves. Com a equipa progressivamente em perda, pouco mais fica da sua passagem pela cidade dos arcebispos além da “parábola da posse de bola” e da demissão, após a 30.ª jornada, por não haver mais hipóteses de garantir os 65 pontos que prometeu quando foi apresentado.

E assim Abel Ferreira terminou a época como treinador de corpo inteiro, reassumindo funções antes do jogo com o Sporting, tal como na primeira volta.

 

CONTABILIDADE

Liga NOS: 5.º lugar, 15v-9e-10d, 51gm-36gs, 54 pontos; apurado para a 3.ª pré-eliminatória da Liga Europa;

Taça de Portugal: eliminou AD Oliveirense (1-3) e Santa Clara (2-1), caindo nos oitavos-de-final frente ao Covilhã (1-2);

Taça da Liga: finalista vencido; venceu o grupo C (6 pontos), à frente de Rio Ave, Marítimo e Covilhã;

Supertaça Cândido de Oliveira: derrotado pelo Benfica (3-0);

Liga Europa: eliminado na fase de grupos (6 pontos), atrás de Shakhtar Donetsk e Gent, e à frente do Konyaspor.

Autoria e outros dados (tags, etc)

por Miran Pavlin às 12:30

Sábado, 15.04.17

Liga NOS, 29.ª jornada – SC Braga 1-1 FC Porto

Compromissos sociais fizeram com que não pudesse assistir ao jogo nas melhores condições. Estando a vários metros do ecrã televisivo mais próximo, só me era possível vislumbrar uns homenzinhos a correr sobre o verde do relvado. A bola só às vezes. Ao longo da primeira parte a câmara principal focou as proximidades da grande área do FC Porto mais vezes que as do Braga, pelo que se depreende que os dragões tenham tido dificuldade em impor-se no jogo desde o início. Ainda por cima, logo ao minuto 6, o Braga adiantava-se, através de um golpe de cabeça de Pedro Santos no coração da área, após cruzamento de Cartabia. Tal como no recente jogo da Luz, como no anterior com o Setúbal, o FC Porto parece atordoar-se sempre que sofre um golo e demora a reagir. O primeiro lance com algum perigo apareceu apenas aos vinte minutos, quando Soares irrompeu pela grande área bracarense mais rematou mal. Em cima do intervalo o Braga dispôs de uma grande penalidade por mão na bola de Óliver Torres, mas na conversão Pedro Santos acertou em cheio no poste direito de Casillas. O FC Porto escapava de boa.

No segundo tempo os dragões equilibraram a contenda, igualando ao minuto 61, altura em que Soares se elevou para cabecear certeiro a cruzamento de Alex Telles, imitando assim Pedro Santos. Óliver já tinha saído para entrar Corona (55’), e apesar de o FC Porto não ter permitido mais avanços ao Braga, a verdade é que também ele próprio não encontrou meio de causar mais perigo. Ainda assim, o hoje titular Matheus foi chamado a intervir mais vezes que Casillas. Indisfarçável foi a tensão das equipas, que resultou numa partida muito faltosa e com reclamações constantes pós-apito. Afinal de contas, não era só o FC Porto que estava no calor da luta pelos pontos; também o Braga precisava deles para a sua luta acesa pelo quarto lugar. A pressão era tal, que Brahimi foi mesmo expulso do banco (88’) por protestos contra uma decisão do árbitro Hugo Miguel. O argelino tinha saído cinco minutos antes para entrar Otávio, ao mesmo tempo que André André saía para entrar Herrera. Danilo Pereira teve as melhores oportunidades do FC Porto (77’ e 84’), com dois cabeceamentos. No primeiro Matheus opôs-se bem, o segundo foi um desastre do internacional português, muito ao lado.

O empate final é deveras penalizador para as duas equipas. O FC Porto passa a estar três pontos atrás do líder Benfica, enquanto o Braga se vê ultrapassado pelo Vitória de Guimarães, ficando dois pontos abaixo deste. No fundo, os dragões continuam a estar à distância de um disparo, mas cada vez é necessário considerar mais variáveis e outros cenários condicionais.

Autoria e outros dados (tags, etc)

por Miran Pavlin às 23:45

Sábado, 03.12.16

Liga NOS, 12.ª jornada – FC Porto 1-0 SC Braga – Exorcismo

Sobrepondo o filme deste encontro ao da visita do Benfica, as semelhanças eram óbvias, e não se ficavam pela cor das camisolas. Em ambos os casos o FC Porto foi dominador e enérgico, e teve oportunidades para ascender a números tranquilos. Havia entendimento suficiente no ataque – descontando uma ou outra inicativa sem sentido – e a bola andava sempre nas imediações da área contrária. A diferença em relação ao clássico estava no número de oportunidades criadas, que neste jogo fez rebentar a escala. O golo é que se mantinha fugidio. Sem incluir as compensações, eram já 520 os minutos que o FC Porto levava à espera daquele segundo de felicidade.

Já Óliver tinha desperdiçado um lance claro (27’), após uma má reposição de Marafona, quando os dragões dispuseram de uma grande penalidade (34’), por um puxão de                 Artur Jorge a André Silva, quando este ia isolado para a baliza. Embora as repetições deixem transparecer que o avançado portista se aproveitou de um contacto mínimo, à primeira vista ficou toda a sensação de ter havido mesmo falta. E uma vez assinalado o castigo, não restava senão expulsar o central bracarense. O guarda-redes Marafona, quiçá ainda com a última final da Taça na memória, defendeu bem a conversão do mesmo André Silva. Foi apenas a primeira das suas muitas intervenções de qualidade ao longo da partida, em contraste com o seu homólogo portista Casillas, que em momento algum foi importunado. Até porque se o Braga não tinha tido qualquer lance de relevo até aqui, com menos uma unidade praticamente não saiu do momento defensivo. O FC Porto foi então coleccionando oportunidades. Em cima do intervalo Layún cruzou e Danilo Pereira desviou de cabeça para o poste, com a recarga de Diogo Jota a ser salva no limite por Marafona. No segundo parcial os azuis-e-brancos introduziram mesmo a bola na baliza em duas ocasiões, mas nenhuma contou; primeiro (55’) porque o árbitro Carlos Xistra considerou ter havido falta de Diogo Jota sobre Maurício – decisão muito controversa –, e mais tarde porque foi tirado um fora-de-jogo microscópico a Rui Pedro (88’) – mais sobre ele dentro de momentos. O FC Porto nunca desistiu. André Silva perdeu um par de golos cantados, e até Maxi Pereira passou grande parte do tempo junto ao ataque, tendo também ele hipótese de decidir o jogo (76’), numa finalização na pequena área, mas mais uma vez Marafona disse “presente”. O lateral uruguaio tentou uma bicicleta na recarga; a bola saiu paralela à linha de golo.

Face à ausência de ataque no Braga, Nuno Espírito Santo acabou por colocar o FC Porto em sistema de três defesas (75’), retirando Óliver para entrar Herrera, ao mesmo tempo que trocou Layún por Rui Pedro, o homem que se estreara no recente encontro da Taça da Liga. A outra substituição acontecera perto do intervalo, quando Otávio saiu lesionado para entrar Brahimi. O argelino, hoje menos individualista, também esteve perto do golo (48’), num remate cruzado em arco que passou a centímetros do poste. Por uma vez, o árbitro deu compensação justa para as incidências da segunda parte, decretando sete minutos, sete, de descontos. O redondo 0-0, esse, continuava gigante no marcador. A artilharia portista em campo era mais que pesada: Brahimi, Corona, Diogo Jota, André Silva, Rui Pedro. Acantonado junto à sua área, o Braga estava prestes a concluir a sua tarefa. Brahimi ainda cobrou um livre directo que passou um tudo ou nada por cima (90’+4’) e não parecia restar muito mais tempo.

Havia, contudo, uma última palavra. Uma rara bola que passou por terrenos mais recuados resultou num chuto para a frente, que encontrou Diogo Jota no meio, já para lá da linha divisória; com dois toques no ar, tão deliciosos quanto eficazes, Jota lançou o improvável Rui Pedro, que se desmarcou no momento certo e picou a bola sobre Marafona (90’+5’), assumindo assim a pele de exorcista. Era golo! Enquanto jogadores, suplentes e técnicos festejavam como se fosse aquele minuto 92 de 2012/13, Depoitre, onde quer que estivesse, via a sua vida andar para trás. O longo festejo fez com que se jogasse até ao minuto 98, e o Braga ainda tentou escrever injustiça, mas não conseguiu chegar perto da baliza. Por muito que o técnico José Peseiro tenha procurado defender a dama bracarense ao referir, na sala de imprensa, que houve um jogo antes e depois da expulsão, a verdade é que não há muito a que o Braga se possa agarrar.

Foi preciso roer unhas, dedos, um pouco do carpo e arrancar uns quantos cabelos com a outra mão até que o FC Porto exorcizasse o fantasma dos nulos e pudesse aproveitar o deslize do líder na noite anterior. Os azuis-e-brancos estão agora quatro pontos abaixo do topo.

Autoria e outros dados (tags, etc)

por Miran Pavlin às 23:55



Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Pesquisar

Pesquisar no Blog  

calendário

Junho 2019

D S T Q Q S S
1
2345678
9101112131415
16171819202122
23242526272829
30

Posts mais comentados