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CORTE LIMPO


Domingo, 07.10.18

Liga NOS, 7.ª jornada - SL Benfica 1-0 FC Porto - Pobre

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Este terá sido o clássico mais pobre dos últimos anos entre águias e dragões no campeonato, sendo mesmo candidato ao título de pior da década no que à I Liga diz respeito. Não houve superioridade vincada de nenhum dos conjuntos, houve muito poucas oportunidades de golo e nem os ânimos aqueceram até rebentar a escala. E se o Benfica sai, evidentemente, satisfeito, o FC Porto não o pode estar, pois manteve-se no mesmo trilho que vinha seguindo: o de esperar que algo aconteça em vez de tentar fazer acontecer. Valeu que o próprio Benfica - apesar de ter vencido bem - ainda não pise terra firme, pois se assim fosse talvez o FC Porto não tenha estado dentro do jogo até final. A primeira parte resume-se a uma bola bem tirada por Casillas quando Seferovic se preparava para rematar (15') e a uma oportunidade flagrante que não contou (43'); o mesmo Seferovic isolou-se a passe de Cervi e à saída de Casillas falhou a baliza, mas estava em fora-de-jogo. O assistente só o assinalou depois de o suíço rematar. Os primeiros minutos após o reatamento fizeram crer que o FC Porto vinha com outras ideias, mas foi uma crença breve e não tardou para que a balança do jogo se reequilibrasse. O golo também não se fez tardar. Em mais uma transição rápida, Seferovic desta vez rematou com sucesso, mesmo com pressão de um contrário e com Casillas a tentar fechar a baliza (62'). A resposta dos dragões foi demasiado curta. Ficam para registo apenas um remate em arco de Brahimi ao qual faltou um pouco mais de efeito (86') - Vlachodimos estava batido - e um cabeceamento de Danilo Pereira que passou muito perto, mas ao lado (90'+5'). Sérgio Conceição ainda tentou jogar no risco ao tirar Maxi Pereira para lançar Corona (70'), mas a mexida não teve efeito, assim como não tiveram as tentativas de Soares dinamizar o araque; o brasileiro retirou-se ao minuto 76, por troca com André Pereira.
A derrota faz o FC Porto ficar dois pontos atrás da liderança. Por enquanto não é nada de alarmante, mas se a falta de iniciativa da equipa se mantiver, os dragões estarão mais perto de um novo desaire que, aí sim, trará contestação da grossa.

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por Miran Pavlin às 21:05

Sexta-feira, 28.09.18

Liga NOS, 6.ª jornada - FC Porto 1-0 CD Tondela - Perto do embaraço

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O Tondela é um adversário tradicionalmente incómodo para o FC Porto. Nem é dos que mais vezes trazem o autocarro para dentro das quatro linhas, mas sabe como fazer para embaraçar a manobra dos dragões. E cedo se ficou a perceber como seria o jogo. O Tondela procurava o contra-ataque e aproveitava cada posse de bola que ganhava para fazer passar alguns segundos sem arriscar ver cartão amarelo; sem esquecer o jogador que ocasionalmente se prostrava queixoso no relvado. Isso deixava o FC Porto com a responsabilidade de comandar o jogo. Sem que o golo aparecesse, ia nascendo a incerteza sobre se os dragões iriam consegui-lo. O FC Porto nem por isso estava a fazer um mau jogo, mas faltava o essencial. Quando não era o desacerto dos avançados, como no lance em que Aboubakar só tinha que encostar mas fincou o pé na relva e caiu (43'), era o guardião Cláudio Ramos que resolvia o problema. O jogo estava vivo e assim continuou depois do descanso. O FC Porto pressionou mais, a bola andou muitas vezes perto da área tondelense, mas os beirões não cediam. Sérgio Conceição mexeu na equipa à passagem da hora de jogo para a inclinar ainda mais para a frente, através da troca de Sérgio Oliveira por Corona, mas o resultado foi praticamente nulo. Pouco depois (64') surgia o revés da noite, com Aboubakar a elevar-se para cabecear e a sair lesionado. Pelas imagens televisivas não foi perceptível exactamente como o camaronês se terá lesionado. Para o seu lugar entrou Soares, ele próprio de regresso após lesão, e seria precisamente o brasileiro o herói da noite, ao aproveitar a única mancha no trabalho de Cláudio Ramos para apontar o golo decisivo (85'). Brahimi disparou forte, Ramos não segurou e deixou a bola à disposição de Soares, que ainda assim teve que ser convicto na finalização, pois Ricardo Costa já se lançava no corte. O antigo central do FC Porto - formado no clube, de resto - foi dos que menos mereceram sair derrotados, tal como Ramos, Ícaro - o outro central -, Joãozinho e Xavier, este pelo inconformismo. No dia em que o FC Porto celebrava os seus 125 anos de história, foi por pouco que o Tondela não fez o bolo amargar. Um erro involuntário foi quanto bastou.

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por Miran Pavlin às 23:55

Sábado, 22.09.18

Liga NOS, 5.ª jornada - Vitória FC 0-2 FC Porto - Sequela

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Tinham passado quatro dias, mas quem ligasse a televisão poderia pensar estar a assistir a uma reposição do encontro anterior e não à 5.ª jornada da Liga portuguesa. Com o futebol escorreito novamente de folga, para o FC Porto a diferença em relação a esse jogo com o Schalke foi ter ficado em vantagem pouco depois do quarto de hora, numa sobra aproveitada por Aboubakar após primeiro trabalho de Maxi Pereira na direita da área. Até porque durante toda a primeira parte os dragões se bateram com um Vitória bastante fechado. Numa das poucas saídas dos sadinos ao ataque (21') pediu-se falta e expulsão por derrube de Felipe a Berto quando este se isolava rumo à baliza. O lance deixou dúvidas; Manuel Oliveira nada assinalou. O Vitória surgiu mais desperto no segundo tempo, ao contrário do FC Porto, que parecia sentar-se junto à bananeira. Não tardou que Valdu Té fizesse os dragões se levantarem (50'), mas o lance não contaria. Depois de rever as imagens o árbitro considerou que o ponta-de-lanca ajeitara a bola com o braço antes de fazer golo. Ficava então tudo na mesma, mas o Vitória não virou a cara à luta, forçando o FC Porto a batalhar pelo resultado. Os lances flagrantes de golo foram tão escassos que só de bola parada a rede voltou a abanar. E de que maneira, à conta do livre batido rasteiro e com força por Sérgio Oliveira (78'). Era o célebre golo da tranquilidade, que acabaria por confirmar um triunfo portista que, qual sequela de Gelsenkirchen, voltou a ser melhor que a exibição.

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por Miran Pavlin às 23:45

Domingo, 02.09.18

Liga NOS, 4.ª jornada - FC Porto 3-0 Moreirense FC - Três pontos

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Ao quarto jogo do campeonato Diogo Leite e André Pereira desapareceram dos titulares, deixando o onze portista ainda mais igual ao da época anterior. Só não o foi na totalidade porque o lugar vago no centro da defesa foi ocupado por Éder Militão, reforço que assim se estreou de dragão ao peito. O FC Porto ia a jogo na incumbência de corrigir o desaire da pretérita jornada, mas também de terminar a partida sem sofrer golos, coisa que só por uma vez conseguiu nos quatro jogos oficiais até aqui. A primeira parte da tarefa começou a desenhar-se ao quarto de hora, na sequência de um canto cobrado por Alex Telles, com Militão a desviar de cabeça para o segundo poste, onde Herrera amorteceu a bola e colocou para o golo. Antes (9'), já as luzes do golo tinham ameaçado acender-se, quando foi assinalada grande penalidade a favor dos dragões. Só quando já estava tudo a postos para a cobrança é que o juiz teve ordens para ir ver as imagens e voltar atrás com a decisão. E bem, pois Loum tinha mesmo cortado a bola. Era mesmo necessária tanta demora? Ao minuto 28 Aboubakar fazia o segundo golo portista, após primeiro remate de Marega ao poste. O FC Porto via-se pela terceira vez consecutiva com dois golos à maior. Nas anteriores ocasiões a equipa relaxou. Desta vez... também. Ao ponto de a segunda parte ter sido intragável. O FC Porto só não sofreu porque o Moreirense não foi capaz de mais que um remate de Chiquinho para defesa apertada de Casillas, à passagem do minuto 67. A emoção maior ficou guardada para o regresso de Danilo Pereira (82'), que finalmente debelou a lesão que desde Janeiro o atormentava. O próprio terceiro golo, apontado por Marega (90'+4'), apareceu numa altura em que o jogo já estava morto e enterrado. Não foi bonito. Valeram os três pontos.

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por Miran Pavlin às 23:35

Sábado, 25.08.18

Liga NOS, 3.ª jornada - FC Porto 2-3 Vitória SC - Brincar com o fogo

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O aviso da semana anterior não foi suficiente. De tal forma, que quando o FC Porto abriu os olhos a valer já era tarde demais. E os milagres não acontecem em todos os jogos. Por muito que no FC Porto nenhuma derrota possa ser desvalorizada, vendo-a pelo lado positivo é preferível que tenha acontecido agora do que numa fase mais adiantada da época, onde os pontos contam, eles próprios, a valer. Independentemente do gosto que tenha ficado na boca depois do apito final, todos têm que concordar que se tratou de um bom jogo. Os dragões entraram com posse de bola e inclinados para a frente, mas o Vitória não se deixava ficar. A cada investida dos azuis-e-brancos os conquistadores respondiam com tranquilidade, tanto na saída de bola como no uso que cada jogador fazia dela. Havia tempo e à-vontade para fazer uma pequena finta logo após recuperar a bola e espaço para procurar criar jogadas de corpo inteiro, o que porventura denota uma certa falta de intensidade do FC Porto. A verdade, contudo, é que os da casa controlavam as operações. O golo inaugural chegou ao minuto 37, por Brahimi, numa fotocópia do golo de Herrera na Luz na época passada. Aqui, o argelino fez a tabela vertical com André Pereira antes de rematar com fogo para o fundo da baliza. O segundo golo demorou seis minutos a aparecer, agora por André Pereira, que desviou, ao primeiro poste, um livre lateral de Alex Telles. O avançado portista estava inequivocamente em fora-de-jogo. Qual não foi o espanto quando o árbitro Fábio Veríssimo mandou seguir com pontapé de saída. Como podia o vídeo-árbitro não ter visto?! A justificação chegaria durante o intervalo: o VAR estava indisponível, por motivos técnicos, desde os quinze minutos de jogo. É possível que o árbitro assistente Valdemar Maia tenha preferido resguardar-se, deixando a responsabilidade para o VAR, mas o tiro saiu pela culatra, e acaba por ser o próprio assistente a ficar muito mal na fotografia. Até porque era um lance de bola parada.
O Vitória deixou um aviso ainda antes do intervalo, numa subida ao ataque que terminou num remate pouco ao lado de André André (45'+1'), mas seria na segunda parte que os vimaranenses mostrariam sem margem para dúvidas que ainda acreditavam que podiam retirar alguma coisa positiva deste jogo. O FC Porto baixou claramente de intensidade, permitindo aos visitantes ter ainda mais tempo e espaço para desenvolver jogadas. Ao minuto 63 Ola John aproveitou-se de um carrinho de Sérgio Oliveira para forçar uma grande penalidade que André André converteu. Os dragões, aparentemente, não levaram a sério o toque. Não só já tinham perdido Brahimi por lesão (51'), como trocaram Aboubakar por Marega imediatamente antes de o penálti ser batido, o que se traduzia num desinteresse pela parte ofensiva do jogo. E a margem mínima nunca - mas nunca - é um porto seguro. O FC Porto continuava, ainda assim, a chegar perto da área, mas o Vitória também; e com mais moral, pois tinha sido o último a marcar. Até que o golpe de teatro começou a materializar-se. Douglas pousou a bola nos pés de André André, o médio percorreu os muitos metros de espaço livre que tinha, ao passar a linha de meio campo lateralizou para Florent, que tinha também muito espaço para avançar, e o francês centrou para Tozé, sozinho, atirar cruzado para o empate (76'). Há mérito na forma como os homens do Guimarães construíram a jogada, mas talvez o FC Porto não tenha pressionado como devia. O pior, contudo, estava para vir. A três minutos da compensação os dragões limitaram-se a ver jogar e pagaram com o golo de uma reviravolta poucas vezes vista. Após um lançamento lateral para a pequena área, Welthon atrasou para Davidson, que pôde rematar em posição privilegiada e sem qualquer oposição.
Só aqui o FC Porto acordou, mas Douglas fez questão de silenciar dois golos cantados com defesas monumentais a Marega e a Óliver. Douglas não se ficou por aqui e defendeu mais um golo certo, agora para o poste, com a bola a sobrar para Maxi Pereira, que falhou inacreditavelmente. Herrera também já tinha atirado ao poste, pelo que se pode dizer que talvez estivesse mesmo escrito algures que o FC Porto não poderia brincar com o fogo pelo segundo jogo consecutivo e voltar a escapar incólume. E nem se pode falar em azar, pois esse restringiu-se ao capítulo físico, como prova a saída de Corona por lesão (73'), depois de ter rendido Brahimi. O mexicano durou 22 minutos em campo. As duas substituições forçadas terão deixado Sérgio Conceição sem soluções, mas as desculpas ficam por aqui.
Sobram as curiosidades históricas e o mérito do Vitória em quebrar um jejum de 22 anos sem vencer em casa do FC Porto. Tanto o treinador, como os jogadores, como o vosso humilde escriba não conseguem fazer outra coisa senão reconhecê-lo. Incluindo todas as provas, é preciso recuar ao célebre jogo com o Artmedia na Liga dos Campeões de 2005/06 para encontrar uma cambalhota igual.

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por Miran Pavlin às 23:59

Domingo, 19.08.18

Liga NOS, 2.ª jornada - Os Belenenses SAD 2-3 FC Porto

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Não assisti ao jogo.

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por Miran Pavlin às 22:50

Sábado, 11.08.18

Liga NOS, 1.ª jornada - FC Porto 5-0 GD Chaves - Imponente

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O arranque da caminhada portista no campeonato foi tão imponente que até pareceu tratar-se de uma jornada algures a meio da prova, com a equipa já em velocidade de cruzeiro. Perdido na velha máxima de uma equipa só jogar o que a outra deixa ficou o Desportivo de Chaves, que teve efectivamente pouca bola e não conseguiu - ou não soube - criar algo de positivo quando a teve. Bem cedo ficou a perceber-se qual seria o rumo do jogo. Aboubakar ameaçou ao minuto 8, com um cabeceamento em mergulho que saiu sobre a trave, e concretizou aos 14, trabalhando bem na pequena área antes de finalizar. O lance começou em Otávio junto à bandeirola de canto e passou por uma simulação de André Pereira antes de a bola chegar ao camaronês. Ao minuto 20 surgiria o segundo golo de Aboubakar, seguramente um dos mais fáceis que alguma vez teve de marcar. O segredo da jogada esteve no passe de Sérgio Oliveira para a desmarcação de Otávio, que apanhou os transmontanos totalmente desprevenidos. Não foi o único momento em que o FC Porto descobriu linhas de passe menos óbvias, que além de confundirem o adversário eram agradáveis à vista. Em lance individual Brahimi assinou o terceiro golo, com um remate inesperado depois de ultrapassar o central flaviense Maras (45').
Desta vez não houve a gestão de esforço tantas vezes levada a cabo quando tudo parece estar decidido. O FC Porto voltou do intervalo com a mesma atitude e criou perigo logo na bola de saída, em jogada de insistência com alguma confusão na área. As jogadas com princípio, meio e fim sucediam-se, mas seria preciso esperar até ao minuto 71 para ver um golo, agora por Corona, que interceptou um passe junto ao círculo de meio campo e cavalgou imparável até à festa. Os homens do Chaves limitaram-se a ver o mexicano avançar, diga-se. Corona tinha entrado apenas quatro minutos antes, para o lugar de André Pereira. Pouco depois do quarto golo iria a jogo Adrián López, que assim dava início à sua terceira tentativa de afirmação no FC Porto. O terceiro suplente utilizado seria Marius, que entrou aos 81 minutos e precisou de apenas sete para marcar. No lugar certo à hora certa, o chadiano estava onde era preciso para emendar de cabeça um remate transviado de Sérgio Oliveira.
Mesmo tentando colocar-nos do lado dos flavienses, é impossível questionar a justiça desta manita. Cinco golos que, no fundo, não valem mais que três pontos. O Chaves pode desde já colocar para trás das costas um dos três jogos teoricamente mais difíceis que cada equipa tem que fazer em cada campeonato português. Do outro lado, se os dragões não ganharam uma moral extra, pelo menos mantiveram a que já traziam.

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por Miran Pavlin às 23:59

Sábado, 12.05.18

Liga NOS, 34.ª jornada - Vitória SC 0-1 FC Porto - Canas

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O passado fim-de-semana foi de festa rija e muitos foguetes na cidade do Porto. As canas ficaram para apanhar em Guimarães, onde o FC Porto tinha o derradeiro compromisso da temporada. Pelo menos por 90 minutos, mais descontos, era necessário que os dragões recuperassem a seriedade, e bastava um olhar pela ficha de jogo para o subentender. Não havia rotação, invenções ou experiências entre os dez jogadores de campo, com excepção do lugar de ponta-de-lança, hoje ocupado por Gonçalo Paciência, que assim tinha uma oportunidade mais duradoura de mostrar serviço. A surpresa, ainda que anunciada, estava na baliza, onde Vaná somou minutos que lhe permitem ser campeão de pleno direito.
Embora o título já estivesse entregue, o FC Porto ainda tinha um objectivo: igualar o recorde de pontos amealhados numa temporada de 34 jornadas com vitórias a valer três pontos. Também isso terá contribuído para o onze sério apresentado pelos azuis-e-brancos. Ainda assim, não foi propriamente fácil o FC Porto encontrar motivação. Não quer isto dizer que tenha havido displicência. Longe disso. O ritmo de jogo é que não subiu sobremaneira, também porque o Vitória jogava apenas pela honra. Com o FC Porto a ter mais bola e os vimaranenses a apostar no contra-ataque, os dragões controlavam os acontecimentos enquanto os da casa se mostravam nos intervalos da chuva. Era, no fundo, um proverbial jogo de fim de época, contradizendo o que escrevi a propósito da partida com o Feirense - "no campeonato, quando se trata dos ditos grandes, a luta é sempre até ao fim".
O golo que valeu o recorde apareceu ao minuto 69. Alex Telles bateu um livre lateral e Marcano elevou-se para cabecear ao ângulo superior direito de Miguel Silva. Por essa altura, Paciência já tinha saído para entrar Soares (53'), e pouco depois André André foi a jogo no lugar de Corona (73'), alterando o esquema táctico para esses minutos finais. Restava uma substituição, que serviu para acrescentar à lista mais um campeão. Virtualmente arredado da vida portista desde 2015, por opção, empréstimo e depois lesão, o guarda-redes Fabiano tomou o lugar de Vaná (80') e ainda foi a tempo de fazer uma defesa a um cabeceamento de Rafael Martins (86'). Fabiano era o único elemento do plantel que sabia o que era ser campeão pelo FC Porto, pois tinha festejado em 2012/13 como suplente de Helton.
Concluída a campanha, outros 29 homens também passaram a saber.

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por Miran Pavlin às 19:10

Domingo, 06.05.18

Liga NOS, 33.ª jornada - FC Porto 2-1 CD Feirense - A luta continua

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O grito por que os portistas tanto ansiavam soltara-se na noite anterior, assim que o nulo no clássico lisboeta enviou o título de campeão para a Invicta, pelo que foi em clima de festa que o FC Porto viveu a sua última jornada caseira da época. Havia, no entanto, uma partida para disputar frente a um Feirense que ainda não tem a vida resolvida, pelo que era importante o FC Porto não se colocar a jeito de ser acusado de influir na verdade desportiva da luta pela manutenção. De resto, e até porque não era certo que o título se decidisse nesta jornada, o FC Porto decerto preparou o jogo como se fosse apenas mais um, e subiu ao relvado sem poupanças no onze. Numa frase, foi com grande dose de profissionalismo que os dragões encararam o jogo.
Além disso, convém não esquecer de que no campeonato, quando se trata dos ditos grandes, a luta é sempre até ao fim. E foi esse o caso. Muito mais quando Crivellaro aproveitou o adiantamento de Casillas e tentou um chapéu desde o meio-campo, levando a bola a embater na trave (16'). O FC Porto estava por cima praticamente desde o apito inicial, mas o Feirense não deixava de procurar o ataque, contribuindo assim para um jogo mexido. Nenhuma equipa quer estar em campo para fazer parte de uma festa que não é sua, mas, afinal de contas, não é todos os dias que se participa num jogo com esta envolvência, pelo que independentemente da aflição classificativa, era um momento para desfrutar. O Feirense fê-lo até aos 37 minutos, altura em que o FC Porto abriu o activo e reavivou o espectro da despromoção que os fogaceiros ainda não descartaram. Sérgio Oliveira foi o autor do golo, com um remate forte em frente à baliza, após cruzamento atrasado de Ricardo; o feirense Flávio Ramos aliviou mal e o médio portista dominou de peito antes de rematar. O golo era o coroar da boa exibição dos azuis-e-brancos, que construíram diversas jogadas com princípio, meio e fim, em mais uma prova de que o foco competitivo não esmoreceu. O momento da noite surgiu aos 59 minutos, já com Aboubakar em campo. O camaronês recebeu a bola junto à área, virou-se para a baliza com um belo toque e levantou para Brahimi, que dominou a bola no ar com o pé esquerdo, rodopiou e rematou de primeira com o direito, tirando do caminho com esse movimento o homem que o marcava. Um golaço.
Só aí o FC Porto abrandou ligeiramente o ritmo, mas sem nunca perder o controlo do jogo. Enquanto o público endereçava cânticos aos elementos mais destacados da equipa, a Sérgio Conceição e a Pinto da Costa, os dragões viram Reyes sair por lesão (70') - entrou Óliver Torres, que coincidentalmente já estava pronto para ir a jogo nesse momento - e viram também o Feirense apontar um golo, já ao cair do pano (90'+1'), com José Valencia a aparecer por entre os centrais e a desviar de cabeça, sem espinhas, o cruzamento de Kakuba. Um prémio justo para os fogaceiros, embora o FC Porto tenha feito o suficiente para obter um terceiro golo.
Seguiu-se o prolongamento da festa, primeiro dentro do estádio, com a apresentação um a um dos novos campeões e a entrega do troféu no centro do relvado, depois no exterior, para uma última consagração junto dos adeptos que não assistiram ao jogo ao vivo.

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por Miran Pavlin às 23:55

Domingo, 29.04.18

Liga NOS, 32.ª jornada - CS Marítimo 0-1 FC Porto - Match point

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Dos estádios assinalados a vermelho no calendário do FC Porto, só faltava visitar os antigos Barreiros. Na verdade, a casa do Marítimo estava marcada a vermelho, negrito, itálico e sublinhado, pois os dragões aí não venciam desde 2011/12. Jejum mais longo só em Alvalade (2008/09). Como se isso não bastasse, a luta dos insulares por um quinto lugar que pode valer uma presença europeia era um acréscimo às dificuldades que os dragões implicitamente encontravam. Era, portanto, uma tarefa de considerável magnitude aquela que o FC Porto tinha pela frente. Os primeiros momentos do jogo confirmaram as projecções. Houve muito equilíbrio e escassearam os lances junto às áreas. Em face da derrota do segundo classificado 24 horas antes, para o FC Porto o cenário de um empate seria sempre um ponto ganho na corrida ao título, mas não era de todo aconselhável baixar a guarda ou tentar segurar o nulo. Com a lição bem estudada, mas sem entrar em loucuras, o Marítimo não deixava o adversário potenciar os seus homens-chave, ao mesmo tempo que ia trazendo o jogo até ao meio-campo portista. A estratégia sofreu um revés à passagem do minuto 40, altura em que Soares se isolou a caminho do golo e foi derrubado por uma saída imprudente do guardião maritimista Amir Abedzadeh. Cartão vermelho indiscutível e um livre prometedor em posição frontal, que Sérgio Oliveira atirou por cima.
O Marítimo sacrificou o médio Jean Cléber para fazer entrar o guarda-redes Charles, mas as consequências da inferioridade numérica só ficaram à vista no segundo tempo. Os verde-rubros baixaram as linhas e a acção passou a decorrer maioritariamente no seu meio-relvado. Ainda assim, graças a uma interessante performance defensiva, o FC Porto não conseguia furar. Com Pablo em destaque, o sector recuado do Marítimo não abria espaços, enquanto o próprio Charles se ia mostrando autoritário perante as bolas que passaram pelo seu raio de acção. As entradas de Corona e Óliver Torres ao intervalo, para os lugares de Otávio e Sérgio Oliveira, também ajudaram o FC Porto a ter melhor presença atacante, no entanto o Marítimo resistia bem ao jogo com menos uma unidade, restringindo os azuis-e-brancos a um ou outro remate de fora e a mais um livre frontal desaproveitado. No melhor lance portista (67'), Soares não contava que Zainadine falhasse o corte e por isso não conseguiu rematar em condições.
A partida aproximava-se do final e o 0-0 era cada vez mais provável. Talvez tenha sido essa sensação de o empate ser um ponto ganho a fazer com que o FC Porto conseguisse equilibrar bem o velho binómio cabeça/coração na pressão dos minutos finais. E foi aí que o jogo se decidiu. Ao minuto 89 os dragões beneficiaram de um canto; Alex Telles bateu e Marega elevou-se ao primeiro poste para um cabeceamento certeiro com efeitos contrários nas contas dos dois clubes. Enquanto o FC Porto regressou aos cinco pontos de vantagem, o Marítimo passou a estar três abaixo do quinto posto.
Com duas jornadas por disputar, o FC Porto dispõe agora de um match point. Caso o Sporting-Benfica da próxima jornada não termine empatado, um ponto basta para os dragões confirmarem o título na recepção ao Feirense. Se houver empate no dérbi da capital, o FC Porto será campeão no sofá.

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por Miran Pavlin às 21:45



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