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CORTE LIMPO

Todas as fotografias neste blog encontram-se algures em desporto.sapo.pt, salvo indicação em contrário


Terça-feira, 13.08.19

Liga dos Campeões, 3.ª pré-eliminatória, 2.ª mão - FC Porto 2-3 FC Krasnodar - Fora dos planos

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Até dá vontade de ir apressadamente verificar todos os calendários e agendas, mas não há engano. É mesmo 13 de Agosto e o FC Porto está fora da Liga dos Campeões. Escrever a segunda parte da frase anterior tão cedo na época é tão impensável quanto um 0-3 em 34 minutos de jogo. Aí, há mérito do conjunto russo, que foi cirúrgico na forma como deu a volta à eliminatória. Logo ao minuto 3, num pontapé de canto, Tonny Trindade de Vilhena ficou esquecido ao segundo poste e rematou cruzado a contar; aos 12, num contra-ataque que beneficiou de um corte de Corona directamente para os pés de Wanderson, Suleymanov, isolado, não teve dificuldades em bater Marchesín. O mesmo Suleymanov, agora em lance individual, assinaria o terceiro do Krasnodar com um remate cruzado. O estrondo foi tal, que os dragões não conseguiam melhor que alternar passividade com letargia, e vice-versa. Nakajima era dos poucos que motravam alguma presença mental, procurando constantemente mostrar-se ao jogo para receber a bola e distribuir, mas à sua volta Marega e Luis Díaz eram pouco mais que inconsequentes, enquanto Corona, apesar de esforçado, estava demasiado individualista. Sérgio Conceição fez o mais natural nestas circunstâncias, ao tirar o lateral Saravia para colocar o ponta-de-lança Zé Luís (37'), mas a equipa, atordoada, demorou algum tempo a reagir. Logo a seguir à saída de Sérgio Oliveira por lesão (49'), foi por pouco que o Krasnodar não fez mais um golo, em novo lance de transição rápida (52'), mas Marchesín foi gigante a negar a finalização de Berg. Pouco depois (57'), o FC Porto finalmente tinha sucesso nalguma coisa; numa jogada de envolvência Alex Telles cruzou para a zona frontal, onde Zé Luís se elevou para cabecear para o fundo das redes. Só aqui o FC Porto colocou o coração em campo - porque a cabeça, na verdade, nunca chegou a aparecer. Ainda assim, essa nova intensidade serviu para pouco mais que mostrar que o FC Porto tinha algum futebol dentro de si. O golo de Luis Díaz (76'), num bom remate curzado, ainda fez os dragões acreditar que era possível sair do buraco em que se tinham metido, mas até final não haveria mais oportunidades. E assim, 19 anos depois, o FC Porto volta a despedir-se da Champions antes da chegada ao quadro principal. O choque é bem maior que nesse Agosto de 2000, pois na altura a 3.ª pré-eliminatória era a última e o carrasco foi o Anderlecht, um grande do seu país. Perder para o Krasnodar estava fora dos planos - excepto para os próprios russos, claro.

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por Miran Pavlin às 23:59

Quarta-feira, 07.08.19

Liga dos Campeões, 3.ª pré-eliminatória, 1.ª mão - FC Krasnodar 0-1 FC Porto

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Não assisti ao jogo.

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por Miran Pavlin às 23:00

Quarta-feira, 17.04.19

Liga dos Campeões, quartos-de-final, 2.ª mão - FC Porto 1-4 Liverpool FC - Diferença fulcral

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É incrível como por vezes o futebol não faz sentido nenhum. Serve isto para dizer que é muito difícil relacionar o resultado final com a estatística que diz que Casillas não fez uma única defesa. Esse desenlace adverso para o FC Porto faz ainda menos sentido quando se constata que os dragões jogaram de igual para igual com os reds ao longo de praticamente toda a primeira parte. Foi, pois, mais uma amostra de como o futebol pode ser um jogo simples e inexplicável ao mesmo tempo. Embora a tarefa do FC Porto fosse assaz difícil, a equipa não virou a cara à luta e não teve medo de ter a bola e enfrentar o Liverpool com ela nos pés. Os ingleses eram forçados a recuar, mas o FC Porto encravava na hora de definir a jogada; ora elaborava demais e a oportunidade de remate se perdia, ora rematava mal. Ou fraco e à figura. Já o Liverpool era mortífero. Na primeira vez em que subiu à área oposta, marcou, por Sadio Mané (26'). O lance teve que ser confirmado pelo vídeo-árbitro, pois o assistente assinalou fora-de-jogo. Se os dragões já precisavam de um milagre, passavam agora a precisar de que o Liverpool sofresse um cataclismo. Daí que tenha sido natural que a equipa esmorecesse durante alguns minutos. Após o descanso o FC Porto reentrou com alguma intenção, mas foi sol de pouca dura e depressa o Liverpool ficou mais tranquilo em campo. O 0-2, por Salah (65'), não só matou o jogo, como também fez com que o público da casa se erguesse em cânticos de apoio à equipa, que logo retribuiu com um golo (69'). O autor foi Éder Militão, que se elevou no centro da área para desviar um canto de Alex Telles. Esse prémio, justo para aquilo que foi a crença do FC Porto em reverter o resultado da primeira mão, acabou por ficar soterrado por mais dois golos do Liverpool (77' e 84'), ambos de cabeça. Marcaram Firmino, à vontade em zona frontal, e van Dijk, ao segundo poste na sequência de um canto. Essa boa primeira parte do FC Porto faz com que os números finais do jogo sejam demasiado pesados. No cômputo geral da eliminatória, a diferença esteve na eficácia do Liverpool na hora do golo. É a mais fulcral das diferenças...

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por Miran Pavlin às 23:59

Terça-feira, 09.04.19

Liga dos Campeões, quartos-de-final, 1.ª mão - Liverpool FC 2-0 FC Porto - Mudar o chip

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Defrontavam-se neste jogo um clube portador de um palmarés rico, proveniente de um dos países de topo do futebol europeu - se não é considerado um tubarão, pouco lhe falta -, e um dos clubes de ponta de um país médio/médio-alto. Como frequentemente acontece em encontros deste calibre, o FC Porto estava perante a necessidade de deixar de ser a equipa que passa a maioria do tempo com bola junto à área do adversário, transformando-se precisamente nesse adversário que aceita ficar bem fechado junto ao seu último reduto, sempre à espreita do momento em que se pode desdobrar no contra-ataque. Numa frase, o FC Porto precisava mudar o chip em relação àquilo que habitualmente acontece no futebol doméstico. O que não se revelou fácil, a avaliar pelo nervosismo demonstrado pelos dragões sempre que passavam demasiados segundos subjugados à pressão do Liverpool, principalmente durante a primeira parte. Sofrer cedo (5') também não ajudou, ainda para mais quando o golo aparece não só na primeira investida do adversário, como também num desvio que traiu o guarda-redes; sem essa tentativa de corte de Óliver o remate de Naby Keita teria saído à figura de Casillas. O Liverpool criou várias outras oportunidades e chegou ao segundo golo à passagem do minuto 26, numa simples jogada em que o médio Henderson lançou o lateral Alexander-Arnold pela direita e este cruzou para a entrada sem oposição de Firmino. Também é verdade que o FC Porto procurou jogar sempre que teve a bola. Na melhor oportunidade (30'), Marega viu Alisson parar com os pés o seu remate cruzado. Mais confortável no segundo tempo, o FC Porto não deixou que os reds fizessem o marcador avolumar-se como na época passada, o que vale por dizer que a eliminatória fica por resolver, embora aparente estar encaminhada para o lado dos homens de Merseyside, que, de resto, nunca deixaram de tentar um fatídico - para o adversário, pois - terceiro golo. O FC Porto terminou com queixas relativamente a duas hipotéticas grandes penalidades por mão na bola, mas as decisões do juiz espanhol Mateu Lahoz nesses momentos parecem acertadas. O mesmo não se pode dizer do lance entre Salah e Danilo Pereira (85'). Embora não tenha sido maldoso, em vez de jogar a bola o egípcio do Liverpool acertou em cheio, de sola, na perna do internacional português. Tendo em conta lances análogos, o cartão vermelho não seria desajustado, mas nem o amarelo saiu do bolso do árbitro. Talvez tenha havido respeito a mais pelo Liverpool. Ou medo das críticas por expulsar o seu jogador mais perigoso. Como sempre, é inútil insistir nas reclamações; soado o apito final o jogo passa a existir só nos livros de história. Só a segunda mão poderá repor, ou confirmar, os factos.

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por Miran Pavlin às 23:59

Quarta-feira, 06.03.19

Liga dos Campeões, oitavos-de-final, 2.ª mão - FC Porto 3-1 AS Roma (a.p.) - Fôlego

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Conforme vaticinado no remate do texto relativo à primeira mão, de certo modo o esquilíbrio de forças manteve-se. Houve, contudo, uma diferença essencial: desta vez a equipa da casa assumiu o jogo, ao contrário do que tinha acontecido no encontro de Roma. Tal esteve à vista logo desde os primeiros minutos, com os homens do FC Porto a pressionar - e bem - cada posse de bola da Roma e a acompanhar cada movimentação. Ficou também claro desde cedo que os romanos vinham interessados em que o jogo terminasse como começou, pelo menos a avaliar pelas constantes demoras na reposição, principalmente por parte do guarda-redes Olsen. Valeu que o FC Porto foi uma equipa proactiva. Não se pense, porém, que os dragões foram donos e senhores do jogo, pois do outro lado estava um adversário de qualidade e com uma defesa coesa. Daí que o FC Porto tenha optado por jogar com a bola segura no pé, mudando de flanco, recuando e avançando pela certa, à procura de um espaço por onde furar. Esse espaço apareceu ao minuto 26. Marega ganhou a bola a Manolas perto da linha divisória, tabelou com Corona e cruzou para Soares desviar à boca da baliza. De seguida, o óbvio aconteceu: a Roma acelerou os processos. E se Éder Militão estava a viver uma noite tórrida à conta da actividade de Perotti e Kolarov, pior ficou quando cometeu grande penalidade sobre o argentino. Uma falta escusada, mas indiscutível. De Rossi converteu com mestria (37') e assim materializou tudo o que o FC Porto não queria, ou seja, sofrer o golo que o obrigaria a marcar três. Ainda houve tempo para Herrera fazer os adeptos portistas se levantarem das cadeiras (45'), mas Olsen fez uma óptima defesa ao remate bem colocado do mexicano.
Não havendo outro remédio senão marcar mais dois golos, o FC Porto entrou no segundo tempo de prego a fundo. Soares mergulhou para um cabeceamento que saiu a centímetros da trave (49'), Marega rematou cruzado para defesa apertada de Olsen (51') e a recuperação alta funcionava bem. O que vale por dizer que a Roma ia sendo submetida a grande pressão. Até que o golo apareceu (53'), por Marega, que se desmarcou bem ao segundo poste para desviar na cara do guarião giallorosso um cruzamento de Corona. Foi na segunda parte que se tornou evidente a vontade com que o FC Porto jogava, consubstanciada numa enorme disponibilidade para acorrer a todas as solicitações e responder aos problemas colocados pela Roma. Nem a troca do lateral Karsdorp - ele próprio a viver uma noite difícil com as diabruras de Corona e as subidas de Alex Telles - pelo mais experimentado Florenzi (55') fez com que os italianos passassem a respirar melhor. Enquanto Pepe e Dzeko travavam um despique intenso, Brahimi foi a jogo na vez de Corona (69'), significando duas pernas frescas a obrigar a Roma a correr tanto, ou mais, mas os 90 minutos não foram suficientes. Foi só no prolongamento que se começou a notar o desgaste nos dragões, que permitiram a Dzeko diversas oportunidades, uma delas bem flagrante (111'); é incrível como o remate do bósnio não entrou. Um minuto mais tarde Dzeko voltou a aparecer sozinho na cara do golo, picando sobre Casillas rumo à baliza deserta. Salvador, Pepe apareceu no último momento a tirar a bola. Era o último cartucho de que os giallorossi dispunham. O assustador espectro das grandes penalidades começou aí a pairar sobre o jogo. Contudo, mesmo já para lá das forças o FC Porto não baixava os braços. Ao minuto 117, uma bola bem metida para a pequena área à qual Fernando Andrade chegou uma fracção de segundo atrasado transformou-se numa grande penalidade, pois Florenzi puxou o avançado. Um puxão imperceptível à vista desarmada, mas descortinado pelo vídeo-árbitro. Alex Telles converteu o castigo, lançando a euforia no Dragão. Ainda assim, continuava a bastar um golo adversário para tudo ir por água abaixo, pelo que os romanos não deixaram de tentar o tudo-por-tudo, partindo o jogo e abrindo espaço a dois contra-ataques perigosíssimos do FC Porto. Faltou aos dragões o discernimento para definir da melhor maneira. Um quarto golo seria saboroso, mas exagerado. Por muito que Casillas tenha terminado os 120 minutos sem registar uma única defesa.
Foi sem fôlego e já sem o coração - no caso dos adeptos - que chegou ao final mais uma noite europeia no Dragão. Esta fica na prateleira das memórias positivas, pois leva o FC Porto aos quartos-de-final pela primeira vez desde 2014/15.

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por Miran Pavlin às 23:59

Terça-feira, 12.02.19

Liga dos Campeões, oitavos-de-final, 1.ª mão - AS Roma 2-1 FC Porto - Fora e dentro

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Sérgio Conceição avisou na antevisão que seria necessário defender bem e a equipa correspondeu à deixa entrando no jogo com bola, mas de espírito pouco expansivo. Apesar de um ou outro susto de Felipe nos primeiros minutos, no global a equipa parecia estar segura daquilo que precisava fazer para levar um bom resultado para a segunda mão. No entanto, em certos momentos durante o primeiro tempo ficou a ideia de que talvez o FC Porto pudesse ter feito um pouco mais, pois a Roma ia permitindo que os dragões chegassem ao último terço sem grandes problemas. Talvez a estratégia fosse cansar o adversário e prolongar ao máximo o 0-0, mas a este nível é preciso que corra tudo muito bem para que surta efeito. Os giallorossi visaram a baliza algumas vezes, mas Casillas esteve firme, negando de forma vistosa as tentativas de Dzeko (38'), Cristante (50') e Lorenzo Pellegrini (67'). Até que o coelho saiu mesmo da cartola, quando Dzeko trabalhou na área e colocou em Zaniolo, que atirou a contar (70'). Pouco depois (76') os mesmos homens repetiram a dose, desta vez com Zaniolo a aproveitar o ressalto de um remate ao poste. De súbito, o FC Porto via a eliminatória quase por um fio, ainda para mais quando tinha acabado de perder Brahimi por lesão (68'). O argelino foi rendido por Adrián López - talvez o jogador mais intrigante do FC Porto do século XXI - que não tardou em tornar-se no herói improvável dos dragões (79'), ao aparecer no sítio certo para tirar o melhor partido de um chutão sem grande nexo de Soares. Herrera ficou perto do golo num belo remate em arco (83') e o lateral Kolarov passou os últimos minutos mais subido na tentativa de desequilibrar, mas o substrato do jogo ficaria mesmo concentrado naqueles cerca de dez minutos. Quando estava quase fora, o importante golo fora trouxe o FC Porto de volta para bem dentro da eliminatória. Se na segunda mão o equilíbrio de forças for idêntico, a derrota vai doer a quem perder.

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por Miran Pavlin às 23:59

Terça-feira, 11.12.18

Liga dos Campeões, fase de grupos - Galatasaray AS 2-3 FC Porto

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Não assisti ao jogo.

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por Miran Pavlin às 23:00

Quarta-feira, 28.11.18

Liga dos Campeões, fase de grupos - FC Porto 3-1 FC Schalke 04 - Dois em um

FCPS04.jpgAinda falta disputar uma jornada, mas o FC Porto não só já sabe que estará no sorteio dos oitavos-de-final, como também já garantiu o primeiro lugar do grupo. A situação não é vulgar, uma vez que apesar de ser um dos clubes com mais presenças no quadro principal da Champions (23), esta é só a quinta ocasião em que vence o seu grupo. Principalmente para quem esteve no estádio, foi como se se assistisse a dois jogos diferentes num só; a uma primeira parte, grosso modo, entediante, sucedeu um reatamento bem mais mexido, ainda que as despesas tenham sido assumidas quase na totalidade pelo FC Porto. A etapa inicial resume-se, portanto, a dois bons remates de Danilo Pereira (15') e Marega (19') para defesas vistosas de Fährmann. Já os primeiros vinte minutos do segundo tempo justificaram o triunfo portista, à conta de um futebol mais intenso, mais decidido e, mais importante, com golos. O marcador abriu à passagem do minuto 52, momento em que Corona bate um canto para a quina contrária da área, onde Óliver recebe, ajeita e cruza para a cabeça de Éder Militão, que colocou a bola junto ao poste para o seu primeiro golo pelo FC Porto. O Schalke quis reagir de imediato. Na sequência da bola ao centro Konoplyanka aproximou-se da área e rematou bem, mas Casillas defendeu. Era o primeiro remate dos alemães à baliza portista (53'), e constituiu uma excepção ao sufoco a que os dragões sujeitaram os Königsblauen. Recuperando a bola mais alto, o FC Porto fazia com que o jogo praticamente não saísse dos últimos 40 metros e o segundo golo não se fez tardar. Embora aquela zona do campo estivesse bastante povoada, Brahimi e Corona encontraram espaço para tabelar entre si pela direita, junto à área, com o mexicano a encontrar um espaço e a rematar para o 2-0 (55'). Stambouli ainda tentou cortar, mas mais não fez que confirmar o golo. A pressão portista continuou a dar frutos. Felipe - imagine-se - tentou um pontapé de bicicleta que acertou em cheio na trave (59') e Óliver picou sobre a barreira um livre directo para a entrada de Corona, que rematou pouco ao lado (63'). Só aqui o jogo abrandou, aproximando-se daquilo que tinha sido a primeira parte, mas aqui isso já é entendido como gestão de esforço. O Schalke, que tinha mantido as suas intenções bem escondidas até próximo do intervalo, altura em que começou a retardar algumas reposições de bola, mostrava-se agora resignado com o evoluir dos acontecimentos, e só acordaria na recta final, ao ser bafejado por uma grande penalidade por mão de Óliver (89'). Bentaleb converteu e deu um ligeiro ânimo para ainda tentar um último esforço pelo empate, mas quem marcou foi mesmo o FC Porto (90'+4'). Casillas cobrou um livre junto à sua própria área, Nastasic aninhou-se para cortar de peito, mas fê-lo mal e deixou a bola à mercê de Otávio, que logo desmarcou Marega, com o maliano a picar a bola à saída de Fährmann.
Uma vez que o resultado do outro encontro do grupo - finalizado antes que este começasse - ofereceu o apuramento tanto ao FC Porto como ao Schalke, o jogo terminou em ambiente de boa disposição. Foi, de resto, uma noite em que fora das quatro linhas se viveram momentos poucas vezes vistos no futebol de alto nível. As duas equipas ficaram no relvado e fizeram em simultâneo a rodinha, antes de uma pequena volta de honra para agradecer aos espectadores - o Schalke agradeceu apenas na direcção dos seus adeptos, claro. Além de preencherem metade da arquibancada nascente, os apoiantes do Schalke fizeram questão de contribuir positivamente para o ambiente. Na primeira parte aproveitaram o habitual chamamento ao desafio entre os dois topos do estádio para gritar "Schalke", e com isso contagiar as restantes bancadas; mais tarde, foi a vez de cantarem qualquer coisa ao mesmo ritmo da mais recente música do FC Porto, mas terminando com "Schalke" em vez de "Porto". E mais uma vez o estádio cantou a uma só voz.

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por Miran Pavlin às 23:59

Terça-feira, 06.11.18

Liga dos Campeões, fase de grupos - FC Porto 4-1 Lokomotiv Moscovo - Linha de sucessão

FCPLOK.jpgTempos houve em que o FC Porto era modesto no número de golos que marcava na Liga dos Campeões. Havia apenas dois incidentes isolados em que a equipa marcou mais de três golos num jogo. Até que em 2014 se iniciou uma linha de sucessão de resultados gordos que passou por BATE Borisov (6-0), Basileia (4-0), Leicester (5-0), Mónaco (5-2) e inclui agora também o Lokomotiv de Moscovo. O primeiro golo não se fez demorar (2'), mas todos os minutos teriam valido a pena só para testemunhar uma bela jogada colectiva, que começou num trabalho de Maxi Pereira no flanco direito, passou por um cruzamento atrasado de Marega e terminou com Herrera a aparecer na zona do ponta-de-lança para desviar. O FC Porto ficou desde logo dono e senhor do jogo, mas optou pelo futebol pausado, com trocas de bola em zonas seguras do relvado, em vez de procurar um segundo golo o quanto antes. E assim os minutos iam passando sem grandes ocasiões de perigo junto às balizas. O Lokomotiv registou dois remates em arco que não passaram nada longe, enquanto o FC Porto se ficou por uma ou outra aproximação, mas sem conclusão. O segundo golo, surgido numa altura tida como crucial (43'), foi importante, mas também lisonjeiro para os dragões. Não deixou de ser um bom movimento, contudo, com Herrera a devolver a Marega a atenção, desmarcando o maliano para um arranque a jacto e uma finalização sob o corpo de Guilherme. A situação tornava-se crítica para o Lokomotiv, que corria o risco de ser eliminado já hoje. Não havia outra opção senão reverter o resultado, e os campeões russos voltaram com Farfán no lugar de Manuel Fernandes e uma atitude diferente. Embora o FC Porto tenha tido duas saídas com perigo, os primeiros minutos do reatamento foram de algum sufoco. Mais subidos no terreno os ferroviários bateram várias vezes à porta da baliza do FC Porto, até que esta se abriu (60'). Na sequência de um canto, Farfán elevou-se e cabeceou cruzado para o golo. A bola saiu bem colocada.
O golo dos russos não significou o proverbial relançamento do jogo; teve, antes, o condão de fazer os dragões acordar. Volvidos apenas sete minutos, num lance em que o Lokomotiv procurava atrair o FC Porto para depois jogar directo para a frente, Brahimi apertou Corluka e o croata atrasou para o guardião Guilherme, que estando ele próprio já pressionado por Marega, acabou por colocar mal. A bola saiu para Óliver, que de imediato deu para a direita, onde aparecia Corona; Idowu falhou o corte e o mexicano ficou com caminho livre para avançar e finalizar certeiro. Daí para a frente o Lokomotiv nunca deixou de querer jogar, mas era o FC Porto quem tinha o jogo na mão. E não mais o largou, justificando assim a robustez do marcador final. A incessante chuva aumentou de intensidade já dentro dos dez minutos finais e só aí o relvado encharcou e dificultou a acção dos jogadores. O último golo surgiria sobre o final da compensação. Após um canto, a tentativa de alívio do Lokomotiv bateu em Ignatyev e sobrou para Otávio, que à entrada da área disparou forte e colocado para um bom golo. O FC Porto fechava assim o encontro em grande e discutirá o primeiro posto do grupo quando receber o Schalke 04 na próxima jornada. Já o Lokomotiv continua sem pontuar, mas ainda pode chegar ao lugar de acesso à Liga Europa.

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por Miran Pavlin às 23:59

Quarta-feira, 24.10.18

Liga dos Campeões, fase de grupos - Lokomotiv Moscovo 1-3 FC Porto - Boas notícias

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Sempre que vai a Moscovo o FC Porto regressa com boas notícias. Mais uma vez foi o caso, naquele que foi o primeiro encontro entre ferroviários e dragões nas provas da UEFA, mas podia não ter sido assim, já que as primeiras oportunidades foram do Lokomotiv. A primeira de todas, de resto, foi bem clara, na forma de uma grande penalidade por derrube de Alex Telles a Aleksei Miranchuk (9'). Encarregado da conversão, o português Manuel Fernandes viu Casillas travar o remate com firmeza. Os campeões russos voltaram à carga e Alex Telles foi mais uma vez protagonista, agora pelos melhores motivos. Já com Casillas fora do lance, o lateral dos dragões deu o corpo às balas e evitou o golo do mesmo Aleksei Miranchuk, impedindo também a recarga de Éder (19'). O minuto 25 trouxe nova grande penalidade, desta feita a favor do FC Porto, a castigar um agarrão de Éder a Felipe. O árbitro escocês Bobby Madden teve certamente visão HD, pois a infracção ocorreu naquele momento em que um canto é batido e há muitas coisas a acontecer ao mesmo tempo no coração da área. Ao contrário de Manuel Fernandes, Marega não falhou e o FC Porto saltava para a frente do marcador. A verdade, contudo, é que os homens da Invicta ainda não tinham criado grande perigo. Quando o fizeram foi a valer, com Corona a partir Höwedes na direita e a cruzar para um bom cabeceamento de Herrera em zona frontal (35'). A execução do 16 do FC Porto nesse lance foi tão boa que até parecia tratar-se de um certo número 16 que há vinte anos fazia os portistas rejubilar. O Lokomotiv relançou o jogo apenas três minutos mais tarde, quando uma combinação entre os gémeos Miranchuk permitiu a Anton, com toda a calma, enganar Éder Militão e atirar a contar. Talvez Casillas pudesse ter feito mais.

O arranque da segunda parte devolveu aos azuis-e-brancos a vantagem de dois golos, numa rápida transição que começou na esquerda em Brahimi, teve a contribuição de Marega no arrastamento de um defesa e terminou numa finalização de Corona, já de ângulo apertado, após passe de morte do argelino (47'). Os moscovitas não desistiram e chegaram a novo golo quando Éder aproveitou uma defesa incompleta de Casillas a um tiro de Manuel Fernandes e só teve que encostar. O problema é que o árbitro assistente estava com a bandeirola bem erguida a assinalar um fora-de-jogo que não existiu; o erro é grosseiro, pois não se tratou propriamente de uma questão de milímetros. Não havendo vídeo-árbitro, uma vez tomada a decisão não havia volta a dar. Quem pagou foi o próprio jogo, que decaiu de qualidade. Houve um ou outro momento de algum sobressalto, quer através de remates que não passaram longe, quer no lance em que Felipe falhou um atraso e só a rápida reacção de Casillas impediu Anton Miranchuk de bisar, mas do resto do jogo acaba por sobressair apenas a expulsão de Kverkvelia por rasteirar Herrera quando este já seguia isolado (76').
A superioridade numérica serviu apenas para confirmar que o FC Porto já não perderia o comando das operações, ao mesmo tempo que abriu caminho para Sérgio Conceição lançar no jogo Adrián López e Bazoer (83'). O holandês ainda foi a tempo de efectuar dois remates, ambos sem direcção (84' e 86'), o último na sequência de um brilhante movimento de André Pereira, que com um toque passou pelo meio de dois adversários. Numa noite em que Herrera, Brahimi e Corona - e Alex Telles - se cotaram como os melhores do FC Porto, a melhor notícia trazida da Rússia foi a exibição ter sido, no global, convincente.

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por Miran Pavlin às 23:59



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