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CORTE LIMPO


Quarta-feira, 03.10.18

Liga dos Campeões, fase de grupos - FC Porto 1-0 Galatasaray AS - Padrão

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Os últimos jogos do FC Porto têm correspondido a um padrão de resultados melhores que as exibições, e este não foi excepção. Com um FC Porto e oscilar entre o lento e o acomodado, o resultado foi um jogo que não fez jus à aura de bom futebol que emana da Liga dos Campeões. Ainda assim, houve algumas oportunidades de golo, quase todas criadas pelos turcos, pese embora estes se mostrassem confortáveis com o empate praticamente desde o início do encontro. O primeiro momento de algum perigo apareceu em cima do quarto de hora, quando um cruzamento de Onyekuru apanhou Gümüs sozinho em frente à baliza; o remate do avançado do Gala foi repelido in extremis pelas costas de Maxi Pereira. Casillas já não lhe chegaria. Os dragões responderam num remate de Brahimi à queima-roupa, após bom trabalho de Corona na direita (26'). Muslera foi gigante ao deter a finalização do argelino. Ambos os guarda-redes foram, de resto, decisivos para que o golo fosse presença solitária nesta partida. O autor do feito foi Marega (49'), que aproveitou uma grave falha defensiva para emendar, sozinho na pequena área, um canto de Alex Telles. Nem por isso o Galatasaray entrou em loucuras, mas não deixou de criar outros momentos de algum aperto. Antes (38'), já o lateral esquerdo Nagatomo se tinha soltado após tabelinha com um colega mas esbarrou em Casillas, cuja mancha, noutro momento, obrigou Donk a rematar à malha lateral quando estava em posição prometedora.
O FC Porto voltou a utilizar um onze retirado da época passada exceptuando Militão, com a complicação extra o ponta-de-lança habitual, Aboubakar, estar - e assim continuará - indisponível, mas terá faltado quem assumisse o jogo em nome do colectivo, uma vez que Corona e Otávio nem sempre encontraram saídas para os caminhos em que se metiam, Brahimi trouxe a sua versão mais individualista e Marega não está na mesma forma da época passada. Marcar foi, portanto, praticamente uma dádiva dos céus. Nos minutos finais os campeões turcos ensaiaram uma tímida busca pelo empate, que fez a sua manta destapar os pés e permitir a Marega (84') e a André Pereira (90'), que tinha entrado para o lugar de Otávio, surgirem isolados à porta do golo; em ambos os casos foi Muslera a dizer presente.
Talvez um empate fosse mais justo, mas assim não foi. Ao cabo de dois jogos o FC Porto lidera o grupo em igualdade total com o Schalke 04. Aguardam-se desenvolvimentos nos próximos capítulos.

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por Miran Pavlin às 23:50

Terça-feira, 18.09.18

Liga dos Campeões, fase de grupos - FC Schalke 04 1-1 FC Porto - Suado

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A Liga dos Campeões, habitualmente um paraíso do bom futebol, por uma vez não o foi. Enquanto o FC Porto acabou por não se galvanizar por estar na casa onde em 2004 se sagrou campeão europeu, o Schalke não conseguiu dar um pontapé na série de derrotas que o acompanha desde o arranque da Bundesliga. O resultado foi uma partida disputada predominantemente a meio-campo, com poucas oportunidades de golo e pouco fio de jogo de parte a parte. Numa frase, mais luta que futebol. Poderia não ter sido assim, mas o FC Porto não aproveitou a melhor oportunidade que teve durante o primeiro tempo, no caso uma grande penalidade por mão de Naldo (12'); na cobrança Alex Telles até nem atirou mal, mas o guardião Fährmann adivinhou o lado e defendeu. Não abrindo aí o marcador, o próprio jogo também não abriu. O futebol escorreito, esse, terá aparecido apenas por uma vez, no lance do golo do Schalke (63'). Curiosamente, esse golo começa num canto a favor do FC Porto, o qual foi batido atrasado para Herrera. No enfiamento da área, o mexicano tentou fazer qualquer coisa que não se sabe bem o que era e daí nasceu um contra-ataque ao melhor estilo alemão. Ultrapassando as linhas do adversário como um TGV, os Königsblauen num ápice fizeram a bola chegar a Embolo, que finalizou a contar. Alex Telles e Corona estavam a fechar a baliza mas ficaram à espera que o outro tomasse a iniciativa de se lançar num corte de última instância. A bola entrou tão devagar que é impossível não achar que qualquer um deles tinha hipótese de salvar o lance. Essa hesitação talvez seja reflexo da menor intensidade com que se joga em Portugal, em comparação com as ligas de topo. Uma questão que fica para debater noutra oportunidade. Certo é que o FC Porto se via a perder num jogo em que não estava a mostrar a sua melhor cara. Pouco antes do golo Sérgio Conceição tinha feito uma substituição difícil de entender, ao tirar Aboubakar para meter Corona (60'). Só um problema físico poderia motivar a troca. De outra forma, era como uma mensagem para a equipa tentar segurar o nulo. O que poucas vezes resulta, muito menos na Liga dos Campeões. Até que o milagre - ou quase - aconteceu: uma nova grande penalidade bafejou os dragões (74'), esta mais discutível que a primeira. Há um toque no pé de Marega, mas é pouco crível que tenha sido suficiente para derrubar o maliano. Talvez um árbitro do norte da Europa tivesse deixado passar o lance, mas o espanhol Gil Manzano não deixou. Desta vez foi Otávio a bater e não falhou (75'), salvando assim um ponto justo, mas muito suado.

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por Miran Pavlin às 23:50

Terça-feira, 06.03.18

Liga dos Campeões, oitavos-de-final, 2.ª mão - Liverpool FC 0-0 FC Porto - Câmara lenta

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Quem olhasse para o onze que subiu ao relvado para este jogo tinha sérias razões para temer um suicídio azul-e-branco. Entre reforços de inverno, jovens promessas e nomes menos utilizados, Diogo Dalot foi o lateral esquerdo, o meio campo incluiu Andre André, Óliver Torres e Bruno Costa, e Waris ocupou uma das posições da frente. Mas este não era um jogo normal. Tendo o FC Porto sido assassinado pelo Liverpool na primeira mão, tornava-se necessário que os dragões fizessem algo que nunca aconteceu nos 62 anos anteriores de provas da UEFA: reverter cinco golos de diferença. Portanto, por mais voltas que os adeptos portistas dessem à cabeça, pouco mais havia a fazer senão procurar uma confirmação de que o resultado do jogo de ida não passou de um acidente. Daí as escolhas de Sérgio Conceição, que assim poupou figuras de proa que de outra forma estariam disponíveis. E se alguém ainda receava uma repetição da dose do Dragão, uns minutos bastaram para que esses medos se revelassem infundados.
Com efeito, o primeiro quarto de hora caracterizou-se por uma espécie de tiki taka em câmara lenta por parte do FC Porto. Face ao ritmo igualmente baixo do Liverpool, os dragões iam trocando a bola entre si com alguma beleza, mas pouca progressão. Os reds fizeram o mesmo nos momentos em que tiveram a bola, com a diferença de terem criado perigo. Mané falhou por pouco um desvio pouco ortodoxo a um cruzamento de Gomez (18'), encontrando o poste pouco depois (32'), no aproveitamento de uma má abordagem de Diogo Dalot, que permitiu ao senegalês ficar sozinho na cara do golo. No fundo, era como se se assistisse a xadrez em forma de futebol. As equipas movimentavam as peças pelo tabuleiro mas as situações de xeque escasseavam. O intervalo não trouxe grandes alterações. As substituições de André André por Sérgio Oliveira (67') e de Waris por Ricardo (68') tornaram o FC Porto mais perigoso, mas quem esteve primeiro à beira de marcar foi mesmo o Liverpool, na única atrapalhação da defensiva portista (59'). Felipe ainda foi a tempo de cortar no último momento o remate de Firmino. Os reds ficaram eles próprios com outra cara quando entrou Salah (74'), mas o FC Porto conseguiria um ou outro remate, antecedendo a sua grande oportunidade (84'), com Óliver, em queda, a rematar na pequena área na sequência de um livre lateral de Sérgio Oliveira. Por entre a confusão, o central estónio Klavan deu o corpo ao manifesto para o corte. A melhor oportunidade do jogo ocorreu já em cima do final (88'), e aí brilhou Casillas com uma defesa tão difícil quanto ágil a um cabeceamento colocado de Ings. O nulo era mesmo o destino da partida.
O vazio competitivo deste jogo acaba por remeter para segundo plano os dados positivos que o FC Porto leva para casa. Entre eles o próprio resultado. Apesar de ter sido apenas o terceiro empate em 18 visitas a Inglaterra - vitórias, nem uma -, foi a primeira vez que os dragões não sofreram golos na Velha Albion. Já para Bruno Costa não há segundo plano possível. Estrear-se pela equipa principal do FC Porto em Anfield Road, jogar os 90 minutos e contribuir para que a equipa não sofresse não é para todos.

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por Miran Pavlin às 23:40

Quarta-feira, 14.02.18

Liga dos Campeões, oitavos-de-final, 1.ª mão - FC Porto 0-5 Liverpool FC - Colete de forças

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Antes do jogo, Sérgio Conceição alertou para os diferentes graus de exigência que as duas equipas encontram semana após semana nas suas lides domésticas. Trocando por miúdos, o treinador quis dizer o óbvio, que o Liverpool tem um plantel bem mais apetrechado que o do FC Porto. Tanto, que ao soar do apito final - antes disso, até - os dragões ficaram a sentir o mesmo que sentem os emblemas mais modestos da I Liga quando um dos ditos grandes sai de sua casa com um resultado idêntico a este. A naturalidade com que se chegou aos números finais é ainda pior que o resultado em si. E os primeiros minutos até nem apontavam no sentido de um descalabro. Mesmo que não estivesse em modo aventureiro, o FC Porto esteve perto do golo ao minuto 10, num remate de Otávio que saiu pouco por cima, e para canto. Talvez porque o Dragão é reconhecidamente um local respeitável e muito boa gente já aqui tombou, o Liverpool ia jogando ele próprio com cuidado, mas quando foi à área não se ficou pelas ameaças. À mão, José Sá repôs mal a bola e Milner recuperou-a, lançando então Sadio Mané, que rematou para Sá ser muito mal batido (25'). Mal refeito do choque, quatro minutos mais tarde o FC Porto viu o ressalto de um remate de Milner ao poste cair em Salah, com o egípcio a prosseguir fintando Sá com o pé e com a cabeça antes de encostar para golo. O resultado era duro mas não apocalíptico, e esteve a um passo de ser encurtado quando Soares encontrou espaço em frente à baliza e rematou forte (44'), mas o disparo passou centímetros ao lado do poste.
Pressentindo uma reentrada determinada dos dragões, o Liverpool baixou o bloco, convidando o adversário a visitar terrenos mais avançados. O FC Porto assim fez, mas assim que os reds conseguiram lançar um contra-ataque só pararam no golo (53'), por Mané após defesa incompleta de José Sá a um primeiro remate de Firmino. Tornavam-se cristalinas as impressões que ficaram do primeiro tempo: o ataque do FC Porto não fazia pressão na saída de bola, o meio-campo não conseguia obstaculizar a verticalidade do futebol do Liverpool e havia muita indecisão sobre quem devia fazer-se à bola, multiplicando-se assim as descompensações. Isto para quem vê de fora, porque para quem está lá dentro a sensação é de que o adversário está a jogar com quinze. Tendo Soares a meio gás, Brahimi sozinho, Marega esforçado mas inconsequente, Herrera a falhar praticamente todos os passes de ruptura que tentou, Ricardo sem oportunidade de meter velocidade no flanco e José Sá num dia mau, era como se o FC Porto estivesse num colete de forças. Por entre os pingos da chuva foi escapando Corona, que entrou ao intervalo com vontade, mas, face às circunstâncias, não teve correspondência prática no jogo.
Esse terceiro golo funcinou então como a réplica que arrasa o que o sismo deixou de pé, e a oscilante estrutura dos portistas nada pôde fazer para suster as arrancadas que deram o quarto golo a Firmino (70') e o quinto a Mané (85'), que assim fechou o seu hat-trick. À falta de melhor, valeu o sonoro You'll Never Walk Alone entoado pelos 3500 ingleses que vieram ao Porto, e quem estava próximo dos bancos de suplentes ainda pôde ver os óculos de Jürgen Klopp voar num momento em que o técnico do Liverpool se agitou com mais vigor. Conformados, os adeptos com estômago para resistir até final deram o ombro à equipa e despediram-se com aplausos e cânticos de apoio.
O Estádio do Dragão nunca viu nada assim. Na verdade, nem Antas e nem a Constituição viram, pois esta foi tão só a maior derrota caseira de sempre do FC Porto. E agora, é favor os portistas entrarem em pânico. Ainda falta a segunda mão.

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por Miran Pavlin às 23:59

Quarta-feira, 06.12.17

Liga dos Campeões, grupo G - FC Porto 5-2 AS Mónaco FC - Mão firme

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364 dias depois, o FC Porto voltava a jogar a última jornada da fase de grupos em casa, com o apuramento ainda por garantir, e defrontando um adversário já com a vida resolvida, por conseguinte não alinhando com as peças habituais. Os detractores do FC Porto decerto serão lestos a deslustrar os números do resultado invocando o reduzido foco competitivo do Mónaco, mas tal como há quase um ano frente ao Leicester City, os dragões fizeram por merecer a robusta vitória com que reservaram lugar nos oitavos-de-final. Nesse jogo de 2016 os então campeões ingleses sofreram o primeiro golo aos seis minutos. Esta noite o marcador abriu aos nove, quando Aboubakar se isolou na cara do golo numa segunda bola e não perdoou. Era importante marcar cedo, e o golo permitiu ao FC Porto gerir o ritmo do jogo. Mesmo sendo sabido que na Liga dos Campeões todo o cuidado é pouco, a verdade é que o Mónaco ia jogando um futebol circunspecto, de pouca vocação atacante, e à espera de colocar no momento certo os avançados contrários em fora-de-jogo. A armadilha não resultou no primeiro golo e voltou a não surtir efeito no terceiro (45'), com Brahimi em jogo a receber um óptimo passe picado de Aboubakar. Nessa altura já o camaronês tinha bisado (33'), trabalhando bem sobre Glik na área para se enquadrar e rematar rasteiro por baixo do corpo de Benaglio, e Felipe tinha sido expulso (38') por responder a uma provocação de Ghezzal, que lhe meteu a mão na cara após um lance mais viril. O central vai fazer falta no jogo dos oitavos-de-final, assunto que só voltará acima da mesa na altura. Ghezzal foi também expulso, mas Sérgio Conceição ajustou mesmo assim a equipa tirando André André para meter Reyes (42').
Com 3-0 ao intervalo e jogando com dez era plausível que o FC Porto surgisse menos intenso no reatamento. Talvez seja por aí que se explicam os três remates com algum perigo consentidos aos campeões franceses até ao minuto 61, altura em que Glik converteu uma grande penalidade por mão de Marcano que não parece existir. O golo sofrido acabaria mesmo por ser o mote para que os dragões dessem um pouco mais de si, e a resposta não se fez demorar (65'), num belo remate rasteiro cruzado, de fora da área, de Alex Telles. O jogo ganharia novos contornos com as entradas de Falcao e João Moutinho (66'), muito saudados pela plateia, que vieram dar outra solidez ao Mónaco. Falcao marcaria mesmo (78'), na pequena área, após uma saída extemporânea de José Sá a uma bola que não era sua, e à qual também acorria Ricardo. Keita Baldé, que entrara seis minutos antes, recuperou-a e cruzou para a cabeça do colombiano. Corona fora lançado ao minuto 67 e deu nova vida ao flanco direito do ataque. O último golo do encontro (88') nasceu de uma boa finta do mexicano, antes de Ricardo cruzar e Soares - entrado aos 85 minutos - se elevar com firmeza e cabecear certeiro.
Tanta firmeza quanta a da mão portista que agarrou mais uma presença na fase a eliminar da Liga dos Campeões, depois de um início difícil em que somou três pontos em três jogos. Foi um teste à capacidade mental da equipa, que sai com nota positiva, e marcando 15 golos pelo caminho. Só Paris SG (25, recorde), Liverpool (23) e Chelsea (16) marcaram mais. Os dez golos sofridos, no entanto, poderão - ou não - ser sinal de alarme. Dos apurados, só o Sevilha (12) sofreu mais.

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por Miran Pavlin às 23:00

Terça-feira, 21.11.17

Liga dos Campeões, grupo G - Beşiktaş JK 1-1 FC Porto - Imunidade

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Sempre que um dos gigantes de Istambul aparece na rota dos clubes portugueses, as antevisões referem invariavelmente as palavras "inferno" e "ambiente escaldante" ou "efervescente", mas o FC Porto, à quarta visita à maior cidade turca, mantém-se imune a tudo isso e mais uma vez regressa sem perder; o que não quer dizer que tenha sido fácil, até porque desafogo só na partida de 2010/11 frente a este mesmo Beşiktaş, que terminou com resultado de 1-3. Principalmente na segunda parte, os bicampeões turcos forçaram o FC Porto a recuar, transformando-o quase numa daquelas equipas menos capazes da I Liga, quando jogam em casa de um dos ditos grandes. Antes, contudo, a única vantagem do jogo foi dos dragões, que executaram na perfeição uma manobra de laboratório. Num livre lateral, Ricardo correu para a bola como quem ia bater para a área mas limitou-se a deixá-la em jogo com um toque, Alex Telles devolveu na direita, e Ricardo cruzou para Felipe, que sozinho no centro da área rematou forte e certeiro (29'). Até aí o encontro fora pautado pelo equilíbrio, havendo a assinalar apenas um remate de Babel que obrigou Jose Sá a uma defesa apertada (19'), completada por um corte de Felipe. À segunda, o Beşiktaş marcou mesmo, após boa finta de Cenk Tosun, que picou a bola sobre Felipe antes de avançar para a área sem oposição, onde ofereceu o golo a Talisca, que só teve que empurrar (41').
O empate ao intervalo era justo. No apito final talvez nem tanto, à conta das oportunidades criadas pelo Beşiktaş. Babel rematou com estrondo à trave (57') e Quaresma, que já tinha posto José Sá à prova no primeiro tempo, voltou a fazê-lo ao minuto 61, ultrapassando Maxi Pereira com classe, antes de desferir um remate directo ao ângulo, onde apareceu a mão de Sá a negar a tentativa do ex-dragão. O FC Porto só por uma vez ameaçou (62'), quando Ricardo teve as portas do golo à sua frente mas finalizou de trivela para onde estava virado. Ou seja, bastante ao lado. A cinco minutos dos descontos Marcano ainda assustou com um cabeceamento que passou perto do golo, mas apenas isso.
Por essa altura já se tinha tornado difícil fazer a leitura das incidências. O empate qualifica desde já o Beşiktaş para a fase a eliminar, e só assim se percebe que as águias negras tenham procurado segurar a igualdade nesses minutos finais, enquanto o FC Porto parecia conformar-se ele próprio com o empate, ainda que só garantisse já hoje o apuramento caso o RB Leipzig não pontue - esse jogo dos alemães no Mónaco ainda decorre, no momento desta publicação. Sem os dados todos sobre a mesa, regista-se apenas essa continuação da imunidade azul-e-branca em solo turco. Não só em Istambul, uma vez que o historial do FC Porto guarda ainda um empate em casa do Denizlispor (2-2), na Taça UEFA de 2002/03, vencida precisamente pelos dragões.

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por Miran Pavlin às 20:55

Quarta-feira, 01.11.17

Liga dos Campeões, grupo G - FC Porto 3-1 RB Leipzig - Eficácia

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O sobe-e-desce continua. Alternando derrotas com vitórias, nem o FC Porto, nem ninguém, consegue imaginar como vai ser o final do grupo - como se a Liga dos Campeões já não fosse imprevisível o suficiente. Vencer o Leipzig foi tudo menos fácil para o FC Porto, que mesmo tendo corrigido as falhas defensivas que custaram dois golos no jogo de ida, não conseguiu propriamente estancar as trocas de bola dos vice-campeões alemães. Uma parte da receita para o sucesso num jogo de futebol consiste na boa ocupação dos espaços e na antecipação daquilo que o adversário vai fazer, e nesse particular o Leipzig voltou a demonstrar qualidade, não dando aos portistas meio segundo que fosse para decidir o que fazer. E uma vez que o próprio FC Porto estava mais coeso, multiplicaram-se os momentos em que parecia estar a assistir-se ao jogo das meninas na aula de educação física, com uma multidão ao redor da bola e esta a ressaltar até ao infinito. De resto, foi assim que nasceu o primeiro golo do FC Porto (13'). Alex Telles bateu um canto para o segundo poste, Herrera amorteceu para a zona fatal, e após alguma confusão a bola acabou por sobrar de novo para o mexicano, que rematou forte e rasteiro. Gulácsi ainda lhe tocou, mas o destino era mesmo o fundo das redes. O golo chegou segundos depois do primeiro revés sofrido pelos dragões, no caso a lesão de Marega (11'), que roubou a velocidade necessária nas alas. A resposta do Leipzig surgiu num livre colocado de Forsberg (21'), ao ângulo, ao qual José Sá se opôs com um belo voo. O FC Porto procurou gerir a magra vantagem com bola, mas da forma como as equipas obstaculizavam o jogo uma da outra, o primeiro tempo esgotou-se sem mais oportunidades a registar.
Face aos atributos do Leipzig, dificilmente o FC Porto conseguiria manter-se em gestão até final, e a segunda parte confirmou-o num ápice, com Sabitzer a lançar Werner em profundidade, sobre a esquerda, para uma boa finalização em arco. A igualdade acabaria por mudar ligeiramente o rosto do jogo. O Leipzig abrandou o ritmo sem se tornar displicente, e com isso o FC Porto passava a ter o ónus de encontrar uma forma de abrir o adversário, coisa que também não se revelou fácil, pelo menos de bola corrida. Com efeito, o segundo golo portista apareceu na cobrança de um livre na direita, por Alex Telles, com Danilo Pereira a desviar de cabeça na grande área (61'). A posição de Danilo era duvidosa, e mesmo as imagens televisivas não clarificam se o médio estava adiantado. Só aí o FC Porto conseguiu assentar um pouco o seu jogo, fazendo melhor uso da largura dada por Ricardo, Brahimi e até por Aboubakar, que veio várias vezes à linha lateral receber e segurar a bola. Ao minuto 72, novo azar, agora consubstanciado na lesão de Corona, que cedeu o lugar a Maxi Pereira. Pensou-se que o uruguaio ocuparia a lateral direita e Ricardo passaria para a extrema, mas assim não foi. Maxi entrou mesmo para jogar subido no terreno e seria decisivo na confirmação do triunfo do FC Porto, já que foi dele o terceiro golo (90'+3'). Com o Leipzig na última tentativa de voltar a empatar, um alívio encontra Aboubakar junto ao círculo central, o camaronês domina com um delicioso gesto técnico e desmarca Maxi, que avançou no momento certo, e com via verde para o golo. A finalização, rasteira, foi sem espinhas.
O aperto do resultado resolvia-se tarde, e no final é justo dizer-se que a única oportunidade que ficou por converter foi o referido livre que José Sá defendeu. É mais uma prova da eficácia por que os dragões se têm pautado nesta fase de grupos sempre que a bola pisca o olho ao golo. A vitória leva o FC Porto ao segundo lugar do grupo e os seis pontos deixam-no em condições de se apurar para os oitavos-de-final já na próxima jornada, imagine-se, caso aconteça a conjugação certa de resultados.

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por Miran Pavlin às 23:30

Terça-feira, 17.10.17

Liga dos Campeões, fase de grupos - RB Leipzig 3-2 FC Porto - Fosso

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Decorrida metade da fase de grupos, é como se o FC Porto estivesse numa montanha russa de emoções, percepções e, mais importante, de resultados. O deste jogo, mais que adverso, é lisonjeiro para um FC Porto que primou pela eficácia, como fizera no Mónaco, mas desta vez encontrou um adversário com outro estado de espírito. Logo nos primeiros minutos o Leipzig mostrou ao que vinha, chegando com facilidade a posições de remate e não hesitando em fazê-lo. Quando Orban abriu o marcador (8'), já não era a primeira vez que os alemães causavam perigo sério junto à baliza portista, hoje guardada por José Sá, que nesse lance defendeu para a frente um forte remate de Bruma, ficando depois muito mal na fotografia quando aparentemente poderia ter feito melhor para deter a recarga. A mobilidade dos atacantes Bruma, Forsberg e Augustin ia desmontando o FC Porto e os instantes de sufoco sucediam-se, até que ao minuto 18, os dragões aproveitaram um certo relaxamento do adversário, e de um lançamento lateral fizeram um golo; Layún arremessou longo, Marcano tocou de cabeça, Felipe desviou ainda mais para o meio, e Aboubakar, à meia volta, atirou a contar. O Leipzig sentiu o toque e voltou a acelerar. O famoso espaço entre linhas voltava a ser dominado pelos da casa, e entre cortes in extremis e remates a rasar o poste os dragões iam sobrevivendo, até que se desnortearam e abriram todo o espaço do mundo a Forsberg (38') e Augustin (41'), que marcaram isolados. Perto do intervalo, uma bóia de salvação noutra bola parada, no caso um canto tão básico quanto certeiro: Alex Telles bateu para o segundo poste e Herrera amorteceu de cabeça para o meio, onde Marcano aparecia para empurrar. O FC Porto podia dar-se por feliz por ir para o intervalo na margem mínima.
Até porque numa segunda parte menos frenética, foi o Leipzig quem esteve a centímetros de voltar a marcar (62'), com Marcano a salvar uma mancha insuficiente de José Sá a remate de Bruma, quando a bola já se encaminhava calmamente para dentro da baliza. Nessa altura já Sérgio Oliveira tinha cedido o lugar a Óliver (58'), mas sem efeitos, de resto como não tiveram as substituições de Brahimi por Corona (76') e de Herrera por Hernâni (81'). É inegável que a equipa lutou ao longo da segunda parte, mas foi pouco mais que desconexa. Os golos foram mesmo as únicas oportunidades claras que o FC Porto teve num jogo em que nunca chegou realmente a acordar. Mesmo já mais cansado, o Leipzig nunca deixou de dar a impressão de estar por cima do jogo. Talvez o desnível do resultado do Mónaco-FC Porto devesse ter acontecido aqui, e vice versa. É um mistério o FC Porto não estar num fosso classificativo como aquele que em campo separou as equipas. Os azuis-e-brancos estão um ponto abaixo do Leipzig, que retribui a visita na próxima jornada.

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por Miran Pavlin às 23:55

Terça-feira, 26.09.17

Liga dos Campeões, grupo G - AS Mónaco FC 0-3 FC Porto - Implacável

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No rescaldo da partida com o Beşiktaş alguns comentadores apontaram deficiências ao miolo do FC Porto. Só o próprio poderá confirmar se levou esses reparos em linha de conta, mas a verdade é que Sérgio Conceição apresentou neste jogo um meio-campo reforçado com as presenças de Herrera e de Sérgio Oliveira, que somou os seus primeiros minutos da temporada. Se a aposta tivesse falhado, Conceição estaria agora na linha de fogo, acusado de fazer experiências e invenções na pior altura; da forma como correu, é óbvio que a questão não se põe. Ainda assim, o resultado talvez seja exagerado, porque não houve grande desequilíbrio. Nem em face da posse de bola - 47% para o FC Porto -, nem do uso que as equipas fizeram dela, que é sempre mais importante que a percentagem em si. Nesse particular, enquanto o Mónaco praticava um futebol mais rendilhado, o FC Porto optava por um estilo mais pausado mas não hesitante, e a correlação de forças traduzia-se em poucos lances junto às balizas. A decisão do encontro acabou por centrar-se no aproveitamento desses poucos momentos de perigo, e aí os azuis-e-brancos foram implacáveis.
Mesmo assim, e mesmo tendo nessas jogadas as redes monegascas à mercê, foi preciso partir alguma pedra para marcar. Foi o que aconteceu ao minuto 31. Alex Telles executou um lançamento lateral longo na esquerda, Marcano ajeitou de cabeça e Danilo Pereira rematou de pronto, com Benaglio a defender para a frente; Aboubakar estava lá para a sobra, mas ainda viu o guardião suíço defender à queima-roupa a recarga. Golo, só à terceira. O terceiro golo (89') bebeu inspiração no primeiro, já que também foram precisos três remates para o confirmar. Neste caso, foi Marega quem primeiro "aqueceu" o guarda-redes, que defendeu pura e simplesmente porque estava no caminho, mas fê-lo de novo para a frente. Na enorme confusão que se seguiu, Marega atrapalhou-se sozinho, Herrera apareceu a tentar picar a bola, Benaglio voltou a tirá-la, e esta regressou a Marega, que a entregou à esquerda para Layún por fim marcar com um forte remate. Pelo meio, o FC Porto fez um golo mais convencional (69'), num contra-ataque lançado com mestria por Brahimi, conduzido na direita por Marega e finalizado por Aboubakar. O Mónaco ficou-se por um remate de Falcao à trave (71'), no único instante em que escapou à atenção do sector recuado portista.
A busca por outros momentos de relevo apenas encontra um lance (42') em que os dragões trabalharam bem no flanco direito, de onde Ricardo cruzou para Brahimi, que aparecia no coração da área. Era prometedor, mas deixou de o ser assim que o remate do argelino saiu para essa baliza imaginária que fica algures entre o poste e a bandeirola de canto. A escassez de oportunidades só vem corroborar a tese de que o resultado é bem mais vistoso que a acção sobre a relva. Sinal também de que este grupo é efectivamente muito aberto. Se ainda havia dúvidas quanto a isso, elas terão ficado extintas.

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por Miran Pavlin às 23:15

Quarta-feira, 13.09.17

Liga dos Campeões, grupo G - FC Porto 1-3 Beşiktaş JK - Falta de material

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O FC Porto não poderia ter escolhido pior jogo para faltar. Ou, pelo menos a avaliar pelas estatísticas finais, para ter o que em linguagem escolar seria apenas falta de material, uma vez que apesar de ter tido muitos cantos (11 contra 3) e ainda mais remates (18), na verdade, no final da partida, é então muito difícil achar que os dragões foram a jogo. Tão difícil como avaliar o que terá corrido mal. Entrar em jogo aparentemente sem vontade foi o primeiro dos males do dragão, com isso permitindo ao Beşiktaş jogar tranquilo. Tão tranquilo que o primeiro golo surgiu bem cedo (13'), num cabeceamento frontal de Talisca a cruzamento de Quaresma, numa insistência após primeiro alívio da defensiva portista. O FC Porto pareceu reagir bem ao golpe. Óliver Torres rematou ao poste quando estava em óptima posição, na sequência de um amortecimento de Soares a cruzamento de Brahimi (19'), e Marega pareceu ter feito o golo do empate (21') ao desviar de cabeça no primeiro poste um canto de Alex Telles. Mas não era, na realidade tinha sido Duško Tošić a introduzir a bola na própria baliza.
Talvez amolecido pelo golo, o FC Porto voltou a ser castigado ao minuto 28, quando Cenk Tosun arrancou um remate de fora da área que o voo de Casillas para a fotografia não conseguiu deter. Os minutos seguintes deixaram claro que os dragões não terão vindo com o espírito certo. Danilo Pereira estava irreconhecível, Corona não existia, Ricardo era continuamente engolido por Talisca, e até Marcano estava estranhamente inseguro. A desinspiração colectiva deixava Brahimi, Óliver, Marega e Soares demasiado sozinhos para serem efectivos. Dito de outra forma, o Beşiktaş estava a ser a melhor equipa em campo e colhia os frutos disso. Ao intervalo Sérgio Conceição procurou corrigir lançando André André e Otávio para os lugares de Óliver e Corona. A equipa ficou mais coesa, mas nem por isso mais perigosa, excepção feita a nova desmarcação prometedora de Soares (62') à qual Fabrício respondeu com uma boa mancha. Por muito que as estatísticas ofensivas do FC Porto indicassem o contrário, era impossível escapar à ideia de que o Beşiktaş continuava a ser a melhor equipa em campo. Para que não houvesse dúvidas, Babel fixou o resultado final (86') com um remate cruzado após tabela à direita com Negredo. A jogada passou por boa parte da equipa do Besiktas.
O resultado final vem reforçar a percepção de que o FC Porto se encontra num grupo de Liga dos Campeões muito aberto, onde qualquer equipa pode ficar em primeiro, ou em último. Não tendo o estatuto de campeões nacionais, os dragões não podem, no mínimo, repetir esta prestação desligada se quiserem pensar em cumprir o objectivo mínimo de se qualificarem para a fase a eliminar.

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por Miran Pavlin às 22:45



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