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CORTE LIMPO


Terça-feira, 11.12.18

Liga dos Campeões, fase de grupos - Galatasaray AS 2-3 FC Porto

GALFCP.jpg

Não assisti ao jogo.

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por Miran Pavlin às 23:00

Quarta-feira, 28.11.18

Liga dos Campeões, fase de grupos - FC Porto 3-1 FC Schalke 04 - Dois em um

FCPS04.jpgAinda falta disputar uma jornada, mas o FC Porto não só já sabe que estará no sorteio dos oitavos-de-final, como também já garantiu o primeiro lugar do grupo. A situação não é vulgar, uma vez que apesar de ser um dos clubes com mais presenças no quadro principal da Champions (23), esta é só a quinta ocasião em que vence o seu grupo. Principalmente para quem esteve no estádio, foi como se se assistisse a dois jogos diferentes num só; a uma primeira parte, grosso modo, entediante, sucedeu um reatamento bem mais mexido, ainda que as despesas tenham sido assumidas quase na totalidade pelo FC Porto. A etapa inicial resume-se, portanto, a dois bons remates de Danilo Pereira (15') e Marega (19') para defesas vistosas de Fährmann. Já os primeiros vinte minutos do segundo tempo justificaram o triunfo portista, à conta de um futebol mais intenso, mais decidido e, mais importante, com golos. O marcador abriu à passagem do minuto 52, momento em que Corona bate um canto para a quina contrária da área, onde Óliver recebe, ajeita e cruza para a cabeça de Éder Militão, que colocou a bola junto ao poste para o seu primeiro golo pelo FC Porto. O Schalke quis reagir de imediato. Na sequência da bola ao centro Konoplyanka aproximou-se da área e rematou bem, mas Casillas defendeu. Era o primeiro remate dos alemães à baliza portista (53'), e constituiu uma excepção ao sufoco a que os dragões sujeitaram os Königsblauen. Recuperando a bola mais alto, o FC Porto fazia com que o jogo praticamente não saísse dos últimos 40 metros e o segundo golo não se fez tardar. Embora aquela zona do campo estivesse bastante povoada, Brahimi e Corona encontraram espaço para tabelar entre si pela direita, junto à área, com o mexicano a encontrar um espaço e a rematar para o 2-0 (55'). Stambouli ainda tentou cortar, mas mais não fez que confirmar o golo. A pressão portista continuou a dar frutos. Felipe - imagine-se - tentou um pontapé de bicicleta que acertou em cheio na trave (59') e Óliver picou sobre a barreira um livre directo para a entrada de Corona, que rematou pouco ao lado (63'). Só aqui o jogo abrandou, aproximando-se daquilo que tinha sido a primeira parte, mas aqui isso já é entendido como gestão de esforço. O Schalke, que tinha mantido as suas intenções bem escondidas até próximo do intervalo, altura em que começou a retardar algumas reposições de bola, mostrava-se agora resignado com o evoluir dos acontecimentos, e só acordaria na recta final, ao ser bafejado por uma grande penalidade por mão de Óliver (89'). Bentaleb converteu e deu um ligeiro ânimo para ainda tentar um último esforço pelo empate, mas quem marcou foi mesmo o FC Porto (90'+4'). Casillas cobrou um livre junto à sua própria área, Nastasic aninhou-se para cortar de peito, mas fê-lo mal e deixou a bola à mercê de Otávio, que logo desmarcou Marega, com o maliano a picar a bola à saída de Fährmann.
Uma vez que o resultado do outro encontro do grupo - finalizado antes que este começasse - ofereceu o apuramento tanto ao FC Porto como ao Schalke, o jogo terminou em ambiente de boa disposição. Foi, de resto, uma noite em que fora das quatro linhas se viveram momentos poucas vezes vistos no futebol de alto nível. As duas equipas ficaram no relvado e fizeram em simultâneo a rodinha, antes de uma pequena volta de honra para agradecer aos espectadores - o Schalke agradeceu apenas na direcção dos seus adeptos, claro. Além de preencherem metade da arquibancada nascente, os apoiantes do Schalke fizeram questão de contribuir positivamente para o ambiente. Na primeira parte aproveitaram o habitual chamamento ao desafio entre os dois topos do estádio para gritar "Schalke", e com isso contagiar as restantes bancadas; mais tarde, foi a vez de cantarem qualquer coisa ao mesmo ritmo da mais recente música do FC Porto, mas terminando com "Schalke" em vez de "Porto". E mais uma vez o estádio cantou a uma só voz.

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por Miran Pavlin às 23:59

Terça-feira, 06.11.18

Liga dos Campeões, fase de grupos - FC Porto 4-1 Lokomotiv Moscovo - Linha de sucessão

FCPLOK.jpgTempos houve em que o FC Porto era modesto no número de golos que marcava na Liga dos Campeões. Havia apenas dois incidentes isolados em que a equipa marcou mais de três golos num jogo. Até que em 2014 se iniciou uma linha de sucessão de resultados gordos que passou por BATE Borisov (6-0), Basileia (4-0), Leicester (5-0), Mónaco (5-2) e inclui agora também o Lokomotiv de Moscovo. O primeiro golo não se fez demorar (2'), mas todos os minutos teriam valido a pena só para testemunhar uma bela jogada colectiva, que começou num trabalho de Maxi Pereira no flanco direito, passou por um cruzamento atrasado de Marega e terminou com Herrera a aparecer na zona do ponta-de-lança para desviar. O FC Porto ficou desde logo dono e senhor do jogo, mas optou pelo futebol pausado, com trocas de bola em zonas seguras do relvado, em vez de procurar um segundo golo o quanto antes. E assim os minutos iam passando sem grandes ocasiões de perigo junto às balizas. O Lokomotiv registou dois remates em arco que não passaram nada longe, enquanto o FC Porto se ficou por uma ou outra aproximação, mas sem conclusão. O segundo golo, surgido numa altura tida como crucial (43'), foi importante, mas também lisonjeiro para os dragões. Não deixou de ser um bom movimento, contudo, com Herrera a devolver a Marega a atenção, desmarcando o maliano para um arranque a jacto e uma finalização sob o corpo de Guilherme. A situação tornava-se crítica para o Lokomotiv, que corria o risco de ser eliminado já hoje. Não havia outra opção senão reverter o resultado, e os campeões russos voltaram com Farfán no lugar de Manuel Fernandes e uma atitude diferente. Embora o FC Porto tenha tido duas saídas com perigo, os primeiros minutos do reatamento foram de algum sufoco. Mais subidos no terreno os ferroviários bateram várias vezes à porta da baliza do FC Porto, até que esta se abriu (60'). Na sequência de um canto, Farfán elevou-se e cabeceou cruzado para o golo. A bola saiu bem colocada.
O golo dos russos não significou o proverbial relançamento do jogo; teve, antes, o condão de fazer os dragões acordar. Volvidos apenas sete minutos, num lance em que o Lokomotiv procurava atrair o FC Porto para depois jogar directo para a frente, Brahimi apertou Corluka e o croata atrasou para o guardião Guilherme, que estando ele próprio já pressionado por Marega, acabou por colocar mal. A bola saiu para Óliver, que de imediato deu para a direita, onde aparecia Corona; Idowu falhou o corte e o mexicano ficou com caminho livre para avançar e finalizar certeiro. Daí para a frente o Lokomotiv nunca deixou de querer jogar, mas era o FC Porto quem tinha o jogo na mão. E não mais o largou, justificando assim a robustez do marcador final. A incessante chuva aumentou de intensidade já dentro dos dez minutos finais e só aí o relvado encharcou e dificultou a acção dos jogadores. O último golo surgiria sobre o final da compensação. Após um canto, a tentativa de alívio do Lokomotiv bateu em Ignatyev e sobrou para Otávio, que à entrada da área disparou forte e colocado para um bom golo. O FC Porto fechava assim o encontro em grande e discutirá o primeiro posto do grupo quando receber o Schalke 04 na próxima jornada. Já o Lokomotiv continua sem pontuar, mas ainda pode chegar ao lugar de acesso à Liga Europa.

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por Miran Pavlin às 23:59

Quarta-feira, 24.10.18

Liga dos Campeões, fase de grupos - Lokomotiv Moscovo 1-3 FC Porto - Boas notícias

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Sempre que vai a Moscovo o FC Porto regressa com boas notícias. Mais uma vez foi o caso, naquele que foi o primeiro encontro entre ferroviários e dragões nas provas da UEFA, mas podia não ter sido assim, já que as primeiras oportunidades foram do Lokomotiv. A primeira de todas, de resto, foi bem clara, na forma de uma grande penalidade por derrube de Alex Telles a Aleksei Miranchuk (9'). Encarregado da conversão, o português Manuel Fernandes viu Casillas travar o remate com firmeza. Os campeões russos voltaram à carga e Alex Telles foi mais uma vez protagonista, agora pelos melhores motivos. Já com Casillas fora do lance, o lateral dos dragões deu o corpo às balas e evitou o golo do mesmo Aleksei Miranchuk, impedindo também a recarga de Éder (19'). O minuto 25 trouxe nova grande penalidade, desta feita a favor do FC Porto, a castigar um agarrão de Éder a Felipe. O árbitro escocês Bobby Madden teve certamente visão HD, pois a infracção ocorreu naquele momento em que um canto é batido e há muitas coisas a acontecer ao mesmo tempo no coração da área. Ao contrário de Manuel Fernandes, Marega não falhou e o FC Porto saltava para a frente do marcador. A verdade, contudo, é que os homens da Invicta ainda não tinham criado grande perigo. Quando o fizeram foi a valer, com Corona a partir Höwedes na direita e a cruzar para um bom cabeceamento de Herrera em zona frontal (35'). A execução do 16 do FC Porto nesse lance foi tão boa que até parecia tratar-se de um certo número 16 que há vinte anos fazia os portistas rejubilar. O Lokomotiv relançou o jogo apenas três minutos mais tarde, quando uma combinação entre os gémeos Miranchuk permitiu a Anton, com toda a calma, enganar Éder Militão e atirar a contar. Talvez Casillas pudesse ter feito mais.

O arranque da segunda parte devolveu aos azuis-e-brancos a vantagem de dois golos, numa rápida transição que começou na esquerda em Brahimi, teve a contribuição de Marega no arrastamento de um defesa e terminou numa finalização de Corona, já de ângulo apertado, após passe de morte do argelino (47'). Os moscovitas não desistiram e chegaram a novo golo quando Éder aproveitou uma defesa incompleta de Casillas a um tiro de Manuel Fernandes e só teve que encostar. O problema é que o árbitro assistente estava com a bandeirola bem erguida a assinalar um fora-de-jogo que não existiu; o erro é grosseiro, pois não se tratou propriamente de uma questão de milímetros. Não havendo vídeo-árbitro, uma vez tomada a decisão não havia volta a dar. Quem pagou foi o próprio jogo, que decaiu de qualidade. Houve um ou outro momento de algum sobressalto, quer através de remates que não passaram longe, quer no lance em que Felipe falhou um atraso e só a rápida reacção de Casillas impediu Anton Miranchuk de bisar, mas do resto do jogo acaba por sobressair apenas a expulsão de Kverkvelia por rasteirar Herrera quando este já seguia isolado (76').
A superioridade numérica serviu apenas para confirmar que o FC Porto já não perderia o comando das operações, ao mesmo tempo que abriu caminho para Sérgio Conceição lançar no jogo Adrián López e Bazoer (83'). O holandês ainda foi a tempo de efectuar dois remates, ambos sem direcção (84' e 86'), o último na sequência de um brilhante movimento de André Pereira, que com um toque passou pelo meio de dois adversários. Numa noite em que Herrera, Brahimi e Corona - e Alex Telles - se cotaram como os melhores do FC Porto, a melhor notícia trazida da Rússia foi a exibição ter sido, no global, convincente.

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por Miran Pavlin às 23:59

Quarta-feira, 03.10.18

Liga dos Campeões, fase de grupos - FC Porto 1-0 Galatasaray AS - Padrão

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Os últimos jogos do FC Porto têm correspondido a um padrão de resultados melhores que as exibições, e este não foi excepção. Com um FC Porto e oscilar entre o lento e o acomodado, o resultado foi um jogo que não fez jus à aura de bom futebol que emana da Liga dos Campeões. Ainda assim, houve algumas oportunidades de golo, quase todas criadas pelos turcos, pese embora estes se mostrassem confortáveis com o empate praticamente desde o início do encontro. O primeiro momento de algum perigo apareceu em cima do quarto de hora, quando um cruzamento de Onyekuru apanhou Gümüs sozinho em frente à baliza; o remate do avançado do Gala foi repelido in extremis pelas costas de Maxi Pereira. Casillas já não lhe chegaria. Os dragões responderam num remate de Brahimi à queima-roupa, após bom trabalho de Corona na direita (26'). Muslera foi gigante ao deter a finalização do argelino. Ambos os guarda-redes foram, de resto, decisivos para que o golo fosse presença solitária nesta partida. O autor do feito foi Marega (49'), que aproveitou uma grave falha defensiva para emendar, sozinho na pequena área, um canto de Alex Telles. Nem por isso o Galatasaray entrou em loucuras, mas não deixou de criar outros momentos de algum aperto. Antes (38'), já o lateral esquerdo Nagatomo se tinha soltado após tabelinha com um colega mas esbarrou em Casillas, cuja mancha, noutro momento, obrigou Donk a rematar à malha lateral quando estava em posição prometedora.
O FC Porto voltou a utilizar um onze retirado da época passada exceptuando Militão, com a complicação extra o ponta-de-lança habitual, Aboubakar, estar - e assim continuará - indisponível, mas terá faltado quem assumisse o jogo em nome do colectivo, uma vez que Corona e Otávio nem sempre encontraram saídas para os caminhos em que se metiam, Brahimi trouxe a sua versão mais individualista e Marega não está na mesma forma da época passada. Marcar foi, portanto, praticamente uma dádiva dos céus. Nos minutos finais os campeões turcos ensaiaram uma tímida busca pelo empate, que fez a sua manta destapar os pés e permitir a Marega (84') e a André Pereira (90'), que tinha entrado para o lugar de Otávio, surgirem isolados à porta do golo; em ambos os casos foi Muslera a dizer presente.
Talvez um empate fosse mais justo, mas assim não foi. Ao cabo de dois jogos o FC Porto lidera o grupo em igualdade total com o Schalke 04. Aguardam-se desenvolvimentos nos próximos capítulos.

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por Miran Pavlin às 23:50

Terça-feira, 18.09.18

Liga dos Campeões, fase de grupos - FC Schalke 04 1-1 FC Porto - Suado

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A Liga dos Campeões, habitualmente um paraíso do bom futebol, por uma vez não o foi. Enquanto o FC Porto acabou por não se galvanizar por estar na casa onde em 2004 se sagrou campeão europeu, o Schalke não conseguiu dar um pontapé na série de derrotas que o acompanha desde o arranque da Bundesliga. O resultado foi uma partida disputada predominantemente a meio-campo, com poucas oportunidades de golo e pouco fio de jogo de parte a parte. Numa frase, mais luta que futebol. Poderia não ter sido assim, mas o FC Porto não aproveitou a melhor oportunidade que teve durante o primeiro tempo, no caso uma grande penalidade por mão de Naldo (12'); na cobrança Alex Telles até nem atirou mal, mas o guardião Fährmann adivinhou o lado e defendeu. Não abrindo aí o marcador, o próprio jogo também não abriu. O futebol escorreito, esse, terá aparecido apenas por uma vez, no lance do golo do Schalke (63'). Curiosamente, esse golo começa num canto a favor do FC Porto, o qual foi batido atrasado para Herrera. No enfiamento da área, o mexicano tentou fazer qualquer coisa que não se sabe bem o que era e daí nasceu um contra-ataque ao melhor estilo alemão. Ultrapassando as linhas do adversário como um TGV, os Königsblauen num ápice fizeram a bola chegar a Embolo, que finalizou a contar. Alex Telles e Corona estavam a fechar a baliza mas ficaram à espera que o outro tomasse a iniciativa de se lançar num corte de última instância. A bola entrou tão devagar que é impossível não achar que qualquer um deles tinha hipótese de salvar o lance. Essa hesitação talvez seja reflexo da menor intensidade com que se joga em Portugal, em comparação com as ligas de topo. Uma questão que fica para debater noutra oportunidade. Certo é que o FC Porto se via a perder num jogo em que não estava a mostrar a sua melhor cara. Pouco antes do golo Sérgio Conceição tinha feito uma substituição difícil de entender, ao tirar Aboubakar para meter Corona (60'). Só um problema físico poderia motivar a troca. De outra forma, era como uma mensagem para a equipa tentar segurar o nulo. O que poucas vezes resulta, muito menos na Liga dos Campeões. Até que o milagre - ou quase - aconteceu: uma nova grande penalidade bafejou os dragões (74'), esta mais discutível que a primeira. Há um toque no pé de Marega, mas é pouco crível que tenha sido suficiente para derrubar o maliano. Talvez um árbitro do norte da Europa tivesse deixado passar o lance, mas o espanhol Gil Manzano não deixou. Desta vez foi Otávio a bater e não falhou (75'), salvando assim um ponto justo, mas muito suado.

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por Miran Pavlin às 23:50

Terça-feira, 06.03.18

Liga dos Campeões, oitavos-de-final, 2.ª mão - Liverpool FC 0-0 FC Porto - Câmara lenta

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Quem olhasse para o onze que subiu ao relvado para este jogo tinha sérias razões para temer um suicídio azul-e-branco. Entre reforços de inverno, jovens promessas e nomes menos utilizados, Diogo Dalot foi o lateral esquerdo, o meio campo incluiu Andre André, Óliver Torres e Bruno Costa, e Waris ocupou uma das posições da frente. Mas este não era um jogo normal. Tendo o FC Porto sido assassinado pelo Liverpool na primeira mão, tornava-se necessário que os dragões fizessem algo que nunca aconteceu nos 62 anos anteriores de provas da UEFA: reverter cinco golos de diferença. Portanto, por mais voltas que os adeptos portistas dessem à cabeça, pouco mais havia a fazer senão procurar uma confirmação de que o resultado do jogo de ida não passou de um acidente. Daí as escolhas de Sérgio Conceição, que assim poupou figuras de proa que de outra forma estariam disponíveis. E se alguém ainda receava uma repetição da dose do Dragão, uns minutos bastaram para que esses medos se revelassem infundados.
Com efeito, o primeiro quarto de hora caracterizou-se por uma espécie de tiki taka em câmara lenta por parte do FC Porto. Face ao ritmo igualmente baixo do Liverpool, os dragões iam trocando a bola entre si com alguma beleza, mas pouca progressão. Os reds fizeram o mesmo nos momentos em que tiveram a bola, com a diferença de terem criado perigo. Mané falhou por pouco um desvio pouco ortodoxo a um cruzamento de Gomez (18'), encontrando o poste pouco depois (32'), no aproveitamento de uma má abordagem de Diogo Dalot, que permitiu ao senegalês ficar sozinho na cara do golo. No fundo, era como se se assistisse a xadrez em forma de futebol. As equipas movimentavam as peças pelo tabuleiro mas as situações de xeque escasseavam. O intervalo não trouxe grandes alterações. As substituições de André André por Sérgio Oliveira (67') e de Waris por Ricardo (68') tornaram o FC Porto mais perigoso, mas quem esteve primeiro à beira de marcar foi mesmo o Liverpool, na única atrapalhação da defensiva portista (59'). Felipe ainda foi a tempo de cortar no último momento o remate de Firmino. Os reds ficaram eles próprios com outra cara quando entrou Salah (74'), mas o FC Porto conseguiria um ou outro remate, antecedendo a sua grande oportunidade (84'), com Óliver, em queda, a rematar na pequena área na sequência de um livre lateral de Sérgio Oliveira. Por entre a confusão, o central estónio Klavan deu o corpo ao manifesto para o corte. A melhor oportunidade do jogo ocorreu já em cima do final (88'), e aí brilhou Casillas com uma defesa tão difícil quanto ágil a um cabeceamento colocado de Ings. O nulo era mesmo o destino da partida.
O vazio competitivo deste jogo acaba por remeter para segundo plano os dados positivos que o FC Porto leva para casa. Entre eles o próprio resultado. Apesar de ter sido apenas o terceiro empate em 18 visitas a Inglaterra - vitórias, nem uma -, foi a primeira vez que os dragões não sofreram golos na Velha Albion. Já para Bruno Costa não há segundo plano possível. Estrear-se pela equipa principal do FC Porto em Anfield Road, jogar os 90 minutos e contribuir para que a equipa não sofresse não é para todos.

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por Miran Pavlin às 23:40

Quarta-feira, 14.02.18

Liga dos Campeões, oitavos-de-final, 1.ª mão - FC Porto 0-5 Liverpool FC - Colete de forças

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Antes do jogo, Sérgio Conceição alertou para os diferentes graus de exigência que as duas equipas encontram semana após semana nas suas lides domésticas. Trocando por miúdos, o treinador quis dizer o óbvio, que o Liverpool tem um plantel bem mais apetrechado que o do FC Porto. Tanto, que ao soar do apito final - antes disso, até - os dragões ficaram a sentir o mesmo que sentem os emblemas mais modestos da I Liga quando um dos ditos grandes sai de sua casa com um resultado idêntico a este. A naturalidade com que se chegou aos números finais é ainda pior que o resultado em si. E os primeiros minutos até nem apontavam no sentido de um descalabro. Mesmo que não estivesse em modo aventureiro, o FC Porto esteve perto do golo ao minuto 10, num remate de Otávio que saiu pouco por cima, e para canto. Talvez porque o Dragão é reconhecidamente um local respeitável e muito boa gente já aqui tombou, o Liverpool ia jogando ele próprio com cuidado, mas quando foi à área não se ficou pelas ameaças. À mão, José Sá repôs mal a bola e Milner recuperou-a, lançando então Sadio Mané, que rematou para Sá ser muito mal batido (25'). Mal refeito do choque, quatro minutos mais tarde o FC Porto viu o ressalto de um remate de Milner ao poste cair em Salah, com o egípcio a prosseguir fintando Sá com o pé e com a cabeça antes de encostar para golo. O resultado era duro mas não apocalíptico, e esteve a um passo de ser encurtado quando Soares encontrou espaço em frente à baliza e rematou forte (44'), mas o disparo passou centímetros ao lado do poste.
Pressentindo uma reentrada determinada dos dragões, o Liverpool baixou o bloco, convidando o adversário a visitar terrenos mais avançados. O FC Porto assim fez, mas assim que os reds conseguiram lançar um contra-ataque só pararam no golo (53'), por Mané após defesa incompleta de José Sá a um primeiro remate de Firmino. Tornavam-se cristalinas as impressões que ficaram do primeiro tempo: o ataque do FC Porto não fazia pressão na saída de bola, o meio-campo não conseguia obstaculizar a verticalidade do futebol do Liverpool e havia muita indecisão sobre quem devia fazer-se à bola, multiplicando-se assim as descompensações. Isto para quem vê de fora, porque para quem está lá dentro a sensação é de que o adversário está a jogar com quinze. Tendo Soares a meio gás, Brahimi sozinho, Marega esforçado mas inconsequente, Herrera a falhar praticamente todos os passes de ruptura que tentou, Ricardo sem oportunidade de meter velocidade no flanco e José Sá num dia mau, era como se o FC Porto estivesse num colete de forças. Por entre os pingos da chuva foi escapando Corona, que entrou ao intervalo com vontade, mas, face às circunstâncias, não teve correspondência prática no jogo.
Esse terceiro golo funcinou então como a réplica que arrasa o que o sismo deixou de pé, e a oscilante estrutura dos portistas nada pôde fazer para suster as arrancadas que deram o quarto golo a Firmino (70') e o quinto a Mané (85'), que assim fechou o seu hat-trick. À falta de melhor, valeu o sonoro You'll Never Walk Alone entoado pelos 3500 ingleses que vieram ao Porto, e quem estava próximo dos bancos de suplentes ainda pôde ver os óculos de Jürgen Klopp voar num momento em que o técnico do Liverpool se agitou com mais vigor. Conformados, os adeptos com estômago para resistir até final deram o ombro à equipa e despediram-se com aplausos e cânticos de apoio.
O Estádio do Dragão nunca viu nada assim. Na verdade, nem Antas e nem a Constituição viram, pois esta foi tão só a maior derrota caseira de sempre do FC Porto. E agora, é favor os portistas entrarem em pânico. Ainda falta a segunda mão.

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por Miran Pavlin às 23:59

Quarta-feira, 06.12.17

Liga dos Campeões, grupo G - FC Porto 5-2 AS Mónaco FC - Mão firme

FCPASMFC.jpg

364 dias depois, o FC Porto voltava a jogar a última jornada da fase de grupos em casa, com o apuramento ainda por garantir, e defrontando um adversário já com a vida resolvida, por conseguinte não alinhando com as peças habituais. Os detractores do FC Porto decerto serão lestos a deslustrar os números do resultado invocando o reduzido foco competitivo do Mónaco, mas tal como há quase um ano frente ao Leicester City, os dragões fizeram por merecer a robusta vitória com que reservaram lugar nos oitavos-de-final. Nesse jogo de 2016 os então campeões ingleses sofreram o primeiro golo aos seis minutos. Esta noite o marcador abriu aos nove, quando Aboubakar se isolou na cara do golo numa segunda bola e não perdoou. Era importante marcar cedo, e o golo permitiu ao FC Porto gerir o ritmo do jogo. Mesmo sendo sabido que na Liga dos Campeões todo o cuidado é pouco, a verdade é que o Mónaco ia jogando um futebol circunspecto, de pouca vocação atacante, e à espera de colocar no momento certo os avançados contrários em fora-de-jogo. A armadilha não resultou no primeiro golo e voltou a não surtir efeito no terceiro (45'), com Brahimi em jogo a receber um óptimo passe picado de Aboubakar. Nessa altura já o camaronês tinha bisado (33'), trabalhando bem sobre Glik na área para se enquadrar e rematar rasteiro por baixo do corpo de Benaglio, e Felipe tinha sido expulso (38') por responder a uma provocação de Ghezzal, que lhe meteu a mão na cara após um lance mais viril. O central vai fazer falta no jogo dos oitavos-de-final, assunto que só voltará acima da mesa na altura. Ghezzal foi também expulso, mas Sérgio Conceição ajustou mesmo assim a equipa tirando André André para meter Reyes (42').
Com 3-0 ao intervalo e jogando com dez era plausível que o FC Porto surgisse menos intenso no reatamento. Talvez seja por aí que se explicam os três remates com algum perigo consentidos aos campeões franceses até ao minuto 61, altura em que Glik converteu uma grande penalidade por mão de Marcano que não parece existir. O golo sofrido acabaria mesmo por ser o mote para que os dragões dessem um pouco mais de si, e a resposta não se fez demorar (65'), num belo remate rasteiro cruzado, de fora da área, de Alex Telles. O jogo ganharia novos contornos com as entradas de Falcao e João Moutinho (66'), muito saudados pela plateia, que vieram dar outra solidez ao Mónaco. Falcao marcaria mesmo (78'), na pequena área, após uma saída extemporânea de José Sá a uma bola que não era sua, e à qual também acorria Ricardo. Keita Baldé, que entrara seis minutos antes, recuperou-a e cruzou para a cabeça do colombiano. Corona fora lançado ao minuto 67 e deu nova vida ao flanco direito do ataque. O último golo do encontro (88') nasceu de uma boa finta do mexicano, antes de Ricardo cruzar e Soares - entrado aos 85 minutos - se elevar com firmeza e cabecear certeiro.
Tanta firmeza quanta a da mão portista que agarrou mais uma presença na fase a eliminar da Liga dos Campeões, depois de um início difícil em que somou três pontos em três jogos. Foi um teste à capacidade mental da equipa, que sai com nota positiva, e marcando 15 golos pelo caminho. Só Paris SG (25, recorde), Liverpool (23) e Chelsea (16) marcaram mais. Os dez golos sofridos, no entanto, poderão - ou não - ser sinal de alarme. Dos apurados, só o Sevilha (12) sofreu mais.

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por Miran Pavlin às 23:00

Terça-feira, 21.11.17

Liga dos Campeões, grupo G - Beşiktaş JK 1-1 FC Porto - Imunidade

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Sempre que um dos gigantes de Istambul aparece na rota dos clubes portugueses, as antevisões referem invariavelmente as palavras "inferno" e "ambiente escaldante" ou "efervescente", mas o FC Porto, à quarta visita à maior cidade turca, mantém-se imune a tudo isso e mais uma vez regressa sem perder; o que não quer dizer que tenha sido fácil, até porque desafogo só na partida de 2010/11 frente a este mesmo Beşiktaş, que terminou com resultado de 1-3. Principalmente na segunda parte, os bicampeões turcos forçaram o FC Porto a recuar, transformando-o quase numa daquelas equipas menos capazes da I Liga, quando jogam em casa de um dos ditos grandes. Antes, contudo, a única vantagem do jogo foi dos dragões, que executaram na perfeição uma manobra de laboratório. Num livre lateral, Ricardo correu para a bola como quem ia bater para a área mas limitou-se a deixá-la em jogo com um toque, Alex Telles devolveu na direita, e Ricardo cruzou para Felipe, que sozinho no centro da área rematou forte e certeiro (29'). Até aí o encontro fora pautado pelo equilíbrio, havendo a assinalar apenas um remate de Babel que obrigou Jose Sá a uma defesa apertada (19'), completada por um corte de Felipe. À segunda, o Beşiktaş marcou mesmo, após boa finta de Cenk Tosun, que picou a bola sobre Felipe antes de avançar para a área sem oposição, onde ofereceu o golo a Talisca, que só teve que empurrar (41').
O empate ao intervalo era justo. No apito final talvez nem tanto, à conta das oportunidades criadas pelo Beşiktaş. Babel rematou com estrondo à trave (57') e Quaresma, que já tinha posto José Sá à prova no primeiro tempo, voltou a fazê-lo ao minuto 61, ultrapassando Maxi Pereira com classe, antes de desferir um remate directo ao ângulo, onde apareceu a mão de Sá a negar a tentativa do ex-dragão. O FC Porto só por uma vez ameaçou (62'), quando Ricardo teve as portas do golo à sua frente mas finalizou de trivela para onde estava virado. Ou seja, bastante ao lado. A cinco minutos dos descontos Marcano ainda assustou com um cabeceamento que passou perto do golo, mas apenas isso.
Por essa altura já se tinha tornado difícil fazer a leitura das incidências. O empate qualifica desde já o Beşiktaş para a fase a eliminar, e só assim se percebe que as águias negras tenham procurado segurar a igualdade nesses minutos finais, enquanto o FC Porto parecia conformar-se ele próprio com o empate, ainda que só garantisse já hoje o apuramento caso o RB Leipzig não pontue - esse jogo dos alemães no Mónaco ainda decorre, no momento desta publicação. Sem os dados todos sobre a mesa, regista-se apenas essa continuação da imunidade azul-e-branca em solo turco. Não só em Istambul, uma vez que o historial do FC Porto guarda ainda um empate em casa do Denizlispor (2-2), na Taça UEFA de 2002/03, vencida precisamente pelos dragões.

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por Miran Pavlin às 20:55



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