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CORTE LIMPO


Quarta-feira, 21.02.18

Liga NOS, 18.ª jornada (conclusão) - GD Estoril Praia 1-3 FC Porto - Espírito de missão

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As duas partes do jogo, separadas por mais de um mês, não podiam ter sido mais diferentes. Na primeira, um FC Porto desconexo não encontrava forma de contrariar um Estoril motivado pela vantagem no marcador. No reatamento, os dragões roçaram o avassalador. Foram verdadeiramente dois jogos num só. No fundo, quem acabou por sair prejudicado pela suspensão do encontro foi o Estoril, que numa questão de minutos viu esfumar-se um potencial resultado positivo. Imbuído de um notável espírito de missão, o FC Porto carregou de imediato sobre a defensiva canarinha, com Herrera a ameaçar o golo logo ao minuto 47, respondendo Renan Ribeiro com a primeira das suas várias defesas difíceis. Aos 53, o golo azul-e-branco, por Alex Telles na cobrança de um livre lateral na direita do ataque. Certamente que se seguirá polémica, pois quando o livre é batido três homens do FC Porto arrancam para a bola em posição de fora-de-jogo; nenhum tocou na bola, mas deveria ter sido assinalado fora-de-jogo posicional a Soares, que mesmo nessa circunstância toma parte activa na jogada. O árbitro João Pinheiro consultou o vídeo-árbitro, que validou a decisão inicial. De seguida, Alex Telles desceu a pique na montanha russa das emoções, ao colocar mal o pé depois de efectuar um corte, lesionando-se com aparente gravidade (55'). O lateral cederia o lugar a Diogo Dalot, não contendo as lágrimas, já no banco de suplentes.
A reviravolta consumou-se por Soares (59'), que finalizou uma jogada de insistência que incluiu remates de Marega - defendido por Renan - e de Herrera, este tão desenquadrado que foi parar aos pés de Soares. O sufoco era grande e a acção parecia nunca sair das imediações da área estorilista, onde os da casa eram frequentemente obrigados a limpar de qualquer maneira. O FC Porto recuperava a bola na primeira zona de construção dos canarinhos e os lances de perigo sucediam-se. Foi precisamente isso que aconteceu no terceiro tento dos dragões (67'). Na direita, Herrera aproveitou uma má saída do Estoril e avançou até ao cruzamento; Corona rematou para defesa incompleta de Renan, e Soares estava no lugar certo para capitalizar o ressalto. Foi, de facto, um golo da tranquilidade, já que o FC Porto abrandou a pressão e recebeu na sua defesa a visita dos atacantes contrários, que conquistaram alguns cantos e obrigaram Casillas a redobrar atenções. O FC Porto também dispôs de outros lances perigosos, mas o marcador não sofreria mais alterações.
Este terá sido um dos jogos mais surreais da história do FC Porto, à conta das diferentes datas, contextos e onzes de cada parte. Até se deu o caso de Layún, que jogou os primeiros 45 minutos, já cá não estar para o resto do jogo por ter sido emprestado ao Sevilha. Valeu a disponibilidade física e mental do FC Porto para a reversão do marcador ao intervalo, colocando assim os azuis-e-brancos com cinco pontos de vantagem sobre o duo perseguidor, composto pelos nomes habituais da capital.

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por Miran Pavlin às 20:10

Segunda-feira, 15.01.18

Liga NOS, 18.ª jornada - GD Estoril Praia-FC Porto (1-0, jogo suspenso)

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A jornada de futebol parou durante o intervalo, quando uma parte da bancada norte do António Coimbra da Mota cedeu, causando um enorme susto. Num ápice, os adeptos que a preenchiam passaram a estar espalhados entre o relvado, as outras bancadas e a zona circundante do estádio, por onde tentavam voltar a entrar. Alguns ainda voltaram à dita bancada, mas assim que a Protecção Civil conferiu o interior da estrutura o veredicto foi rápido: havia perigo para os espectadores, pelo que o jogo estava suspenso. Felizmente ninguém se aleijou. Para os milhões que estavam nesse momento no proverbial conforto do sofá ou na mesa do café, foi como se tivesse falhado a água no duche em pleno ensaboamento. Em campo o Estoril estava em vantagem (16'), fruto de um livre lateral que Eduardo transformou num belo golo. Só o próprio saberá se queria apenas cruzar. Para o FC Porto é como se alguém o tivesse acordado de um pequeno pesadelo, já que se ia assistindo à exibição menos consistente da temporada até agora por parte dos dragões. Ainda assim, registaram-se duas oportunidades claras em resposta ao golo sofrido. Numa jogada envolvente Aboubakar apareceu na pequena área com o golo à espera de ser feito, mas o guarda-redes Renan Ribeiro estava no caminho (24'); em cima do intervalo Marega e Reyes estorvaram-se mutuamente para cabecear um canto de Alex Telles e a bola saiu à barra. Antes (44'), o estorilista Kyriakou falhou por pouco num remate de ressaca. Até que se jogue, ou não, o tempo que falta, as palavras "e menos um jogo" andarão de mãos dadas com dragões e canarinhos quando se olhar para a classificação.

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por Miran Pavlin às 23:30

Quarta-feira, 09.08.17

Liga NOS, 1.ª jornada - FC Porto 4-0 GD Estoril Praia - Tracção à frente

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A pré-temporada perspectivou-o, a estreia oficial confirmou: o FC Porto está virado para a frente e traz golos na manga. Dito isto, é favor fazer a bandeira descer da haste e ter bem presente que uma andorinha não faz a primavera, e que se tratou apenas do primeiro jogo a doer. A verdade, ainda assim, é que os dragões começam o novo campeonato na mesma forma que exibiram no seu melhor período da época passada. Com uma nuance: os laterais, principalmente o regressado Ricardo, na direita, porporcionaram jogo à largura do terreno de uma forma bastante mais efectiva que na pretérita temporada. Face a esse pendor ofensivo, acaba por ser paradoxal que o FC Porto tenha chegado ao conforto do 2-0 graças a um erro da defensiva estorilista e a um ressalto feliz. O também regressado Marega foi o responsável por castigar a asneira contrária (35'), pressionando Mano na altura certa, quando o lateral canarinho, julgando-se sozinho, devolveu nas calmas um passe ao guarda-redes Moreira; o maliano do FC Porto intrometeu-se então e só teve de empurrar para assinar o primeiro golo azul-e-branco da época. Pouco depois do intervalo (54'), Brahimi furou pelo centro, beneficiou do tal ressalto quando procurava fintar um contrário, e acabou por ficar solto frente ao golo, colocando rasteiro para o golo junto ao poste esquerdo de Moreira.
O Estoril pouco tinha aparecido no ataque até aí, pelo que se tornava evidente que o FC Porto tinha o caminho aberto para a vitória. O resultado acabou por se avolumar mercê da atitude portista, que se manteve inalterável até final. Marega, imagine-se, bisou à boca da baliza a cruzamento de Óliver Torres (62'), e Marcano (70') fechou o resultado, de cabeça, após recurso ao vídeo-árbitro, que corrigiu um fora-de-jogo mal assinalado ao central espanhol. Por esta vez, a nova funcionalidade surtiu o efeito esperado ao emendar essa decisão incorrecta. Só depois do 4-0, e especialmente com Aylton Boa Morte em campo, é que o Estoril deu trabalho a Casillas, que se mostrou atento.
Num final de tarde globalmente positivo para os azuis-e-brancos, Soares ficou com a fava, ao resistir pouco mais de vinte minutos em campo, sendo rendido precisamente por Marega. O treinador Sérgio Conceição, na antevisão à partida, guardara para a hora do jogo a decisão sobre a utilização do ponta-de-lança brasileiro, que acabou por confirmar não estar em condições. Falando de pontas-de-lança, Aboubakar - não apenas o regressado, antes o convencido a regressar - apareceu um pouco por todo o lado na frente de ataque, mas não veria premiadas as suas inúmeras tentativas de facturar. Valeu-lhe o empenho com que jogou, que por ora mostra que está de corpo e alma com o clube.
E porque uma primeira jornada com vitória tranquila do FC Porto, por norma, não deixa muito mais que contar, não resisto a socorrer-me mais uma vez de uma estatística para acrescentar linhas ao texto: o FC Porto não conseguia um triunfo tão folgado na ronda de abertura desde 1998/99, então diante do Rio Ave. Era o início do ano do penta. Essa palavra tão querida do FC Porto, mas que este ano os simpatizantes do Dragão desejam ver proibida. Dê por onde der.

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por Miran Pavlin às 23:30

Sexta-feira, 02.06.17

GD ESTORIL PRAIA 2016/17

O 10.º lugar obtido pelo Estoril é deveras enganador em relação ao que foi a temporada dos canarinhos. Não num bom sentido. O arranque do campeonato foi terrível, e a equipa da Linha era penúltima ao fim de seis difíceis jornadas que renderam apenas uma vitória e um empate e incluíram jogos com FC Porto (f), Braga (c) e Sporting (f). O Estoril ressurgiria entre as jornadas 7 e 13, somando 11 pontos e apenas duas derrotas, a última das quais (2-0 em Setúbal) seria o derradeiro jogo de Fabiano Soares ao comando da equipa, numa saída cuja leitura não foi fácil, até porque a equipa era agora 11.ª colocada.

Para o lugar do técnico brasileiro chegou o espanhol Pedro Gómez Carmona, perfeito desconhecido no futebol português, do qual decerto não levará as melhores memórias; pelo menos a julgar pela sua série inicial de seis derrotas. Carmona duraria apenas mais cinco jogos como técnico estorilista, dos quais venceu apenas um (2-1), na recepção ao Paços de Ferreira (21.ª jornada).

O Estoril não encontrou quem substituísse Léo Bonatini no departamento da concretização, e a principal referência Kléber terminaria a Liga com apenas oito tentos apontados.

 

TAÇA DE PORTUGAL

O lado positivo da passagem de Pedro Carmona pela Amoreira foi a continuação do percurso do clube na Taça de Portugal. Ainda com Fabiano Soares como treinador os canarinhos ultrapassaram Caldas (0-1, pelo segundo ano consecutivo) e Cova da Piedade (2-0); com Carmona acabado de chegar o Estoril sofreu para bater a Sanjoanense (4-2 após prolongamento), que esteve a vencer por duas vezes e consentiu o empate a dois golos ao minuto 80. Nos quartos-de-final foi a vez de a Académica vender cara a derrota aos estorilistas (2-1), que só fixaram o marcador final aos 85 minutos. Na meia-final coube ao Estoril a tarefa de defrontar o Benfica. Na primeira mão, ainda com as aflições do campeonato presentes, a equipa deu as mãos e só quebrou aos 89 minutos com um golo de Mitroglou (1-2).

A história foi bem diferente na segunda mão, a 5 de Abril. Já com Pedro Emanuel (ao centro) como treinador, no primeiro lance da segunda parte o Estoril empatava a eliminatória, depois de já ter estado a vencer por 0-1. Inesperadamente, o lugar no Jamor estava em aberto. O Benfica precisou mesmo vestir o fato de trabalho e acabou por voltar a adiantar-se ao minuto 72, mas o Estoril não queria ceder e voltaria a colocar-se a um golo de distância na final (78’). Acabou por ser de coração nas mãos que encarnados e canarinhos viveram o jogo, mas o 3-3 final não chegou para o Estoril.

 

RECTA FINAL

Com a chegada de Pedro Emanuel o Estoril transfigurou-se e perdeu apenas dois dos dez jogos que o antigo central orientou. Vitórias foram cinco – Tondela (f), Belenenses (f), Setúbal (c), Chaves (c) e Arouca (c) – e os 18 pontos somados nessa recta final trouxeram os canarinhos do 15.º até ao décimo lugar final. Era a melhor classificação do Estoril desde o nono posto ocupado na jornada 12.

 

CONTABILIDADE

Liga NOS: 10.º lugar, 10v-8e-16d,36gm-42gs, 38 pontos;

Taça de Portugal: eliminado nas meias-finais;

Taça da Liga: afastado na 2ª eliminatória, ao perder em casa do Moreirense (1-0).

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por Miran Pavlin às 12:00

Sábado, 28.01.17

Liga NOS, 19.ª jornada – GD Estoril Praia 1-2 FC Porto – Teste de fogo

A visita à Amoreira é continuamente um teste de fogo para o FC Porto. Mesmo frente a um Estoril mal classificado e preso numa série de seis derrotas, só a ferros os dragões prevaleceram, ao cabo de um jogo feio, pejado de faltas, praticamente todas a meio campo. Tal era reflexo de uns canarinhos com mais luta que arte, mas com isso nenhuma das equipas conseguia a fluidez de jogo necessária para visar as redes contrárias. Uma estatística exibida na transmissão televisiva algures nos primeiros minutos da segunda parte dizia tudo: ainda não havia remates à baliza.

A sensação de que um nulo seria o resultado final foi uma constante ao longo do jogo. Nuno Espírito Santo tê-lo-á sentido bem mais cedo que o comum mortal, trocando Diogo Jota por Brahimi logo aos 36 minutos. Bem marcado, o argelino não conseguiu encontrar espaços, pelo que a sua entrada acabou por não mexer com o jogo. No segundo tempo apareceram alguns tímidos lances que terminaram em remate à baliza, mas na prática o jogo não tinha mudado em relação à primeira parte. Enquanto o árbitro Manuel Oliveira distribuía cartões amarelos – só o Estoril viu sete – Nuno faria entrar Corona e Rui Pedro para os lugares dos apagados Herrera e Óliver (66’) e só aí o FC Porto começou a criar perigo. Rui Pedro chegou mesmo a introduzir a bola na baliza, mas já havia fora-de-jogo (70’). Continuava a sentir-se que só algo de fortuito faria mexer o marcador. Um ressalto, um frango, uma fífia… ou uma grande penalidade. Assim foi. Num lance que decerto dividirá opiniões (82’), André Silva é derrubado pelo guarda-redes Moreira, convertendo de seguida o castigo. Pouco depois (90’+1’) Corona assinava o golo decisivo num remate cruzado na direita do ataque. O Estoril não se rendeu e mesmo tendo ficado com menos um homem por acumulação de cartões de Diakhité (89’), ainda chegou ao golo, num belo remate colocado de Dankler (90’+3’), após confusão na área.

É quase inacreditável como se registaram três golos. Esta foi apenas a quarta vitória do FC Porto fora de casa neste campeonato; paradoxalmente, não sofria golos como visitante desde a jornada 3.

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por Miran Pavlin às 22:00

Sábado, 20.08.16

Liga NOS, 2.ª jornada - FC Porto 1-0 GD Estoril Praia

Não assisti ao jogo. O princípio mantém-se: sem ver, não há prosa.

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por Miran Pavlin às 23:00

Quarta-feira, 25.05.16

GD ESTORIL PRAIA 2015/16

O Estoril terminou a Liga NOS no oitavo posto e até chegou a imiscuir-se na corrida pela Liga Europa, mas a temporada foi, grosso modo, difícil. À 16.º jornada os canarinhos ocupavam o 14.º lugar, não venciam há dez partidas e sofriam golos há onze, numa sequência que tornou irrelevante o bom arranque, no qual o Estoril somou quatro vitórias nas seis primeiras jornadas; era quinto classificado nessa altura.

A segunda volta trouxe melhorias. O Estoril não só marcou golos em todos os jogos desde a jornada 22 até ao fim, como também venceu sete desses 13 jogos. Setúbal (3-0), Rio Ave (1-3), Académica (0-3) e Paços de Ferreira (1-0) caíram aos pés dos homens da Linha. O Estoril poderia mesmo ter-se apurado para a Liga Europa, cenário improvável durante a primeira volta, mas na última jornada, no terreno de um Belenenses já com a vida resolvida, saíram derrotados por 2-1.

O treinador Fabiano Soares resistiu a tudo. Não só àquela má fase a meio da época, mas também à eliminação da Taça da Liga perante o secundário Oriental (3-2), logo na segunda eliminatória. Na Taça de Portugal os canarinhos avançaram até aos quartos-de-final, onde o Rio Ave foi mais forte, vencendo por claros 3-0.

Léo Bonatini esteve de pé quente ao longo de toda a temporada, facturando 17 golos na Liga NOS, incluindo um hat-trick frente ao Setúbal na jornada 24. O avançado brasileiro marcou ainda um golo na Taça da Liga e mais dois na Taça de Portugal, que foram decisivos para ultrapassar a 3.ª eliminatória e os oitavos-de-final. O defesa Anderson Luís, que nunca tinha marcado qualquer golo na carreira, fez dois na Liga NOS, diante de Belenenses e Moreirense. Kieszek cotou-se mais uma vez como um guarda-redes seguro, numa equipa em que Mattheus (4 golos), Mendy (3), Diogo Amado e Diego Carlos (2 cada) também se destacaram.

 

Contas finais

Campeonato: 8.º lugar, com 13v, 8e, 13d, 40gm, 41gs, 47 pts

Taça de Portugal: eliminado nos quartos-de-final (Rio Ave, 3-0)

Taça da Liga: afastado na 2.ª eliminatória (Oriental, 3-2)

Para mais tarde recordar

07.03.2016, jornada 25 – vitória em Vila do Conde por 1-3; primeira vez que o Estoril marcou três golos ao Rio Ave na I Liga.

 

Para esquecer

10.04.2016, jornada 29 – ao perder por 4-1, o Estoril mantém-se sem vencer na Choupana em jogos da I Liga;

14.05.2016, jornada 34 – Estoril perde em casa do Belenenses (2-1). Além de não vencer no Restelo desde 1979/80, a derrota impediu os canarinhos de garantir lugar na próxima Liga Europa.

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por Miran Pavlin às 13:30

Sábado, 30.01.16

Liga NOS, 20.ª jornada – GD Estoril Praia 1-3 FC Porto – Bálsamo

Vencer em casa do Estoril é a mais difícil das tarefas que o FC Porto pode ter em mãos. A História fala por si: antes deste jogo contavam-se apenas oito vitórias dos dragões em 23 visitas. O presente, esse, também dispensa comentários: o FC Porto subia ao relvado da Amoreira na ressaca de uma negra sequência de dez jogos em que só venceu quatro. Os azuis-e-brancos tinham ainda contra si o facto de não vencerem na Grande Lisboa há mais de três anos. A última vez que o FC Porto o conseguiu tinha sido precisamente em casa do Estoril. E tal como nesse dia 28 de Outubro de 2012, hoje também foi preciso operar uma reviravolta para trazer os três pontos para a Invicta.

Face à dimensão da proposição, a vitória tem que ser encarada como um bálsamo, não só para uma equipa extremamente necessitada de algo de positivo a que se agarrar, mas também para um treinador que ainda não tinha lançado uma primeira pedra sólida o suficiente para começar a construir.

O golo do Estoril apareceu logo aos quatro minutos, quando Diego Carlos cabeceou certeiro na sequência de um canto. Ao contrário do que acontecera em Guimarães, onde o FC Porto pareceu indeciso sobre a resposta a dar ao golo sofrido e acabaria por deixar a questão em branco, desta vez não houve dúvidas: inclinar o jogo sobre o último reduto estorilista era a solução. Aos 18 minutos Aboubakar finalizou um ataque rápido com um desvio na zona fatal, a cruzamento de Layún. Aos 33, foi Danilo Pereira a marcar, também de cabrça, também na cobrança de um canto. Era a melhor fase do FC Porto no jogo.

A segunda parte foi diferente. Os jogadores decidiram não facilitar a tarefa ao árbitro e os cartões começaram a saltar que nem pipocas. Com o jogo mais rasgadinho, Gerso e Maxi Pereira protagonizaram o mais notório despique, acabando ambos amarelados. Quem pagou foi o jogo em si, que descresceu de qualidade.

Mesmo assim, foi o FC Porto a estar mais perto do golo, quando Aboubakar (77’) conseguiu falhar um golo cantado, rematando por cima quando estava a dois metros da baliza. A perdida foi inacreditável. O golpe final surgiria ao minuto 82, altura em que André André fez o 1-3 com um remate cruzado na direita, após defesa incompleta de Kieszek a um disparo de Corona.

O triunfo dos azuis-e-brancos foi merecido. Quase tão importante como os três pontos é o facto de a exibição finalmente ter sido convincente. Levando em linha de conta que este foi o quinto jogo consecutivo da I Liga em que o FC Porto utilizou o mesmo onze, será que uma coisa tem a ver com a outra?

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por Miran Pavlin às 22:15

Sábado, 29.08.15

Liga NOS, 3.ª jornada – FC Porto 2-0 GD Estoril Praia – Em construção

Os três pontos ficaram em casa, mas não foi bonito. Veio ao de cima aquele que pode vir a ser o problema maior da equipa esta época: há caras novas que é preciso integrar. O FC Porto foi uma equipa hesitante na hora de definir os movimentos ofensivos. E nada fazia prever que os dragões emperrassem tanto, uma vez que a entrada em jogo foi bastante apetitosa.

Seis minutos de iniciativa portista culminaram no golo de Aboubakar, que finalizou um movimento de ataque pela direita, conduzido por Brahimi. Pouco depois do primeiro quarto de hora o FC Porto como que adormeceu, tornando essa boa entrada num falso degrau.

Imbula atrapalhou-se várias vezes na hora de receber a bola, Danilo Pereira seguiu-lhe o exemplo e Brahimi demorava demasiado tempo a soltar o esférico para um colega. Era o suficiente para que o meio-campo não proporcionasse a estabilidade de que uma equipa precisa. Vendo por outro prisma, talvez fosse a presença de um corpo estranho a obstar à fluidez do miolo portista. Pela primeira vez como médio, Brahimi foi uma opção acertada, mostrando estar muito à vontade na posição, mas o dia não do colectivo não potenciou aquilo que o argelino tinha para oferecer.

À meia hora de jogo Lopetegui agiu e trocou Varela por André André, recolocando Brahimi na extrema. A decisão foi, no mínimo, incompreensível. Varela estava a jogar do lado do banco portista e talvez tenha sido isso a expô-lo ao treinador. Do outro lado do campo, Tello estava a fazer uma exibição mediana, que depois evoluiu para miserável. Lento e previsível, o extremo congelava a bola sempre que a recebia, dando tempo à defesa adversária para se recolocar, ao mesmo tempo que quebrava o movimento dos colegas. Incrível como resistiu 90 minutos em campo.

Casillas também não sai bem visto, apesar de não ter sofrido golos. A cada remate de longe do Estoril correspondeu uma defesa para a frente, que na Liga dos Campeões se paga bem mais caro que no campeonato. Um aspecto a rever com especial atenção.

O tom crítico fica por aqui, porque nem tudo foi mau. André André foi um poço de energia, sempre muito interventivo no jogo, batalhando pela bola daquela forma que os adeptos azuis-e-brancos gostam de ver. Maxi Pereira, embora numa tarde discreta, conseguiu arrancar aplausos e Martins Indi, que alinhou a lateral-esquerdo, foi dos melhores em campo. Cissokho não foi convocado. Castigo pelo erro na Madeira, ou a confirmação implícita de que precisava de mais tempo de repouso?

O Estoril foi um digno vencido. Chegou ao intervalo com mais oportunidades que o FC Porto e entrou no segundo tempo cheio de intenção, dominando mesmo a partida. As sucessivas jogadas de ataque dos canarinhos obrigaram o FC Porto a recuar toda a equipa para trás da linha de meio-campo durante alguns minutos, mas faltou pontaria.

Seria num livre directo superiormente cobrado por Maicon – uma novidade – que o FC Porto poria cobro ao atrevimento do Estoril. Estavam decorridos 62 minutos. Oito minutos mais tarde Lopetegui considerou que havia condições para lançar Osvaldo no jogo. Pesado e pouco móvel, o italo-argentino estacionou na área adversária e os colegas procuraram jogar para ele. Dois remates à meia volta – um sem direcção e outro à figura – e um semi-acrobático foram o pecúlio do avançado, que claramente precisa de ritmo.

A fase final do jogo coincidiu com um FC Porto mais desperto, mas o marcador não se alterou. Seria lisonjeiro. O 2-0 talvez o seja. Quiçá o 1-1 fosse o resultado mais justo, mas só contam as que entram. O Estoril deu mostras de ter vencido a ressaca que viveu na última época; o FC Porto ainda é uma obra em construção. Convém apressar-se a concluí-la.

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por Miran Pavlin às 22:30

Domingo, 07.06.15

GD Estoril-Praia 2014/15 – 12.º lugar – 9v, 13e, 12d, 38gm-56gs, 40pts

As últimas duas temporadas foram, de longe, as melhores de sempre do Estoril. Treinado por Marco Silva, o clube conseguiu um quinto e um quarto lugares, com as correspondentes qualificações para a Liga Europa. Com a saída do técnico para o Sporting, a sucessão ficou a cargo de José Couceiro, e não tardou muito para que as coisas se complicassem em termos classificativos.

Ao cabo de oito jornadas e uma só vitória, o Estoril era 16.º classificado. Uma prestação interessante na Liga Europa talvez atenuasse a pressão sobre Couceiro. O Panathinaikos foi vergado na Amoreira (2-0) e em Eindhoven só uma grande penalidade deu o triunfo ao PSV (1-0). O Dinamo de Moscovo venceu todos os jogos do grupo e o Estoril terminaria com dois empates, perante PSV (3-3 em casa, em jogo marcado pelo mau tempo) e Panathinaikos (1-1 fora).

Quando a fase de grupos da Liga Europa terminou, em meados de Dezembro, o Estoril estava a meio de uma série de dez jogos em que só perdeu um, em Alvalade. Os canarinhos eram oitavos após a primeira jornada da segunda volta e pareciam revigorados, mas desmoronaram-se, perdendo cinco partidas consecutivas entre as jornadas 19 e 23, caindo para o 12.º lugar. Essa quinta derrota foi um 6-0 na Luz que precipitou a saída de José Couceiro. Mantém-se a sina do técnico, que só consegue ser feliz em Setúbal.

A temporada concluiu-se sob a batuta de uma liderança bicéfala Fabiano Soares/Hugo Leal, que pouco mais puderam fazer que minorar os estragos de um ano de sobressaltos, conseguindo três vitórias e seis empates nos últimos onze encontros, um deles com o Sporting. Por essa altura o Estoril já estava fora das duas taças nacionais.

É o Estoril a descer à terra. A Traffic, detentora da SAD do clube está interessada em vender. Sinal de que os canarinhos vão cair ainda mais?

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por Miran Pavlin às 15:00



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