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CORTE LIMPO


Domingo, 07.10.18

Liga NOS, 7.ª jornada - SL Benfica 1-0 FC Porto - Pobre

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Este terá sido o clássico mais pobre dos últimos anos entre águias e dragões no campeonato, sendo mesmo candidato ao título de pior da década no que à I Liga diz respeito. Não houve superioridade vincada de nenhum dos conjuntos, houve muito poucas oportunidades de golo e nem os ânimos aqueceram até rebentar a escala. E se o Benfica sai, evidentemente, satisfeito, o FC Porto não o pode estar, pois manteve-se no mesmo trilho que vinha seguindo: o de esperar que algo aconteça em vez de tentar fazer acontecer. Valeu que o próprio Benfica - apesar de ter vencido bem - ainda não pise terra firme, pois se assim fosse talvez o FC Porto não tenha estado dentro do jogo até final. A primeira parte resume-se a uma bola bem tirada por Casillas quando Seferovic se preparava para rematar (15') e a uma oportunidade flagrante que não contou (43'); o mesmo Seferovic isolou-se a passe de Cervi e à saída de Casillas falhou a baliza, mas estava em fora-de-jogo. O assistente só o assinalou depois de o suíço rematar. Os primeiros minutos após o reatamento fizeram crer que o FC Porto vinha com outras ideias, mas foi uma crença breve e não tardou para que a balança do jogo se reequilibrasse. O golo também não se fez tardar. Em mais uma transição rápida, Seferovic desta vez rematou com sucesso, mesmo com pressão de um contrário e com Casillas a tentar fechar a baliza (62'). A resposta dos dragões foi demasiado curta. Ficam para registo apenas um remate em arco de Brahimi ao qual faltou um pouco mais de efeito (86') - Vlachodimos estava batido - e um cabeceamento de Danilo Pereira que passou muito perto, mas ao lado (90'+5'). Sérgio Conceição ainda tentou jogar no risco ao tirar Maxi Pereira para lançar Corona (70'), mas a mexida não teve efeito, assim como não tiveram as tentativas de Soares dinamizar o araque; o brasileiro retirou-se ao minuto 76, por troca com André Pereira.
A derrota faz o FC Porto ficar dois pontos atrás da liderança. Por enquanto não é nada de alarmante, mas se a falta de iniciativa da equipa se mantiver, os dragões estarão mais perto de um novo desaire que, aí sim, trará contestação da grossa.

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por Miran Pavlin às 21:05

Quarta-feira, 03.10.18

Liga dos Campeões, fase de grupos - FC Porto 1-0 Galatasaray AS - Padrão

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Os últimos jogos do FC Porto têm correspondido a um padrão de resultados melhores que as exibições, e este não foi excepção. Com um FC Porto e oscilar entre o lento e o acomodado, o resultado foi um jogo que não fez jus à aura de bom futebol que emana da Liga dos Campeões. Ainda assim, houve algumas oportunidades de golo, quase todas criadas pelos turcos, pese embora estes se mostrassem confortáveis com o empate praticamente desde o início do encontro. O primeiro momento de algum perigo apareceu em cima do quarto de hora, quando um cruzamento de Onyekuru apanhou Gümüs sozinho em frente à baliza; o remate do avançado do Gala foi repelido in extremis pelas costas de Maxi Pereira. Casillas já não lhe chegaria. Os dragões responderam num remate de Brahimi à queima-roupa, após bom trabalho de Corona na direita (26'). Muslera foi gigante ao deter a finalização do argelino. Ambos os guarda-redes foram, de resto, decisivos para que o golo fosse presença solitária nesta partida. O autor do feito foi Marega (49'), que aproveitou uma grave falha defensiva para emendar, sozinho na pequena área, um canto de Alex Telles. Nem por isso o Galatasaray entrou em loucuras, mas não deixou de criar outros momentos de algum aperto. Antes (38'), já o lateral esquerdo Nagatomo se tinha soltado após tabelinha com um colega mas esbarrou em Casillas, cuja mancha, noutro momento, obrigou Donk a rematar à malha lateral quando estava em posição prometedora.
O FC Porto voltou a utilizar um onze retirado da época passada exceptuando Militão, com a complicação extra o ponta-de-lança habitual, Aboubakar, estar - e assim continuará - indisponível, mas terá faltado quem assumisse o jogo em nome do colectivo, uma vez que Corona e Otávio nem sempre encontraram saídas para os caminhos em que se metiam, Brahimi trouxe a sua versão mais individualista e Marega não está na mesma forma da época passada. Marcar foi, portanto, praticamente uma dádiva dos céus. Nos minutos finais os campeões turcos ensaiaram uma tímida busca pelo empate, que fez a sua manta destapar os pés e permitir a Marega (84') e a André Pereira (90'), que tinha entrado para o lugar de Otávio, surgirem isolados à porta do golo; em ambos os casos foi Muslera a dizer presente.
Talvez um empate fosse mais justo, mas assim não foi. Ao cabo de dois jogos o FC Porto lidera o grupo em igualdade total com o Schalke 04. Aguardam-se desenvolvimentos nos próximos capítulos.

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por Miran Pavlin às 23:50

Sexta-feira, 28.09.18

Liga NOS, 6.ª jornada - FC Porto 1-0 CD Tondela - Perto do embaraço

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O Tondela é um adversário tradicionalmente incómodo para o FC Porto. Nem é dos que mais vezes trazem o autocarro para dentro das quatro linhas, mas sabe como fazer para embaraçar a manobra dos dragões. E cedo se ficou a perceber como seria o jogo. O Tondela procurava o contra-ataque e aproveitava cada posse de bola que ganhava para fazer passar alguns segundos sem arriscar ver cartão amarelo; sem esquecer o jogador que ocasionalmente se prostrava queixoso no relvado. Isso deixava o FC Porto com a responsabilidade de comandar o jogo. Sem que o golo aparecesse, ia nascendo a incerteza sobre se os dragões iriam consegui-lo. O FC Porto nem por isso estava a fazer um mau jogo, mas faltava o essencial. Quando não era o desacerto dos avançados, como no lance em que Aboubakar só tinha que encostar mas fincou o pé na relva e caiu (43'), era o guardião Cláudio Ramos que resolvia o problema. O jogo estava vivo e assim continuou depois do descanso. O FC Porto pressionou mais, a bola andou muitas vezes perto da área tondelense, mas os beirões não cediam. Sérgio Conceição mexeu na equipa à passagem da hora de jogo para a inclinar ainda mais para a frente, através da troca de Sérgio Oliveira por Corona, mas o resultado foi praticamente nulo. Pouco depois (64') surgia o revés da noite, com Aboubakar a elevar-se para cabecear e a sair lesionado. Pelas imagens televisivas não foi perceptível exactamente como o camaronês se terá lesionado. Para o seu lugar entrou Soares, ele próprio de regresso após lesão, e seria precisamente o brasileiro o herói da noite, ao aproveitar a única mancha no trabalho de Cláudio Ramos para apontar o golo decisivo (85'). Brahimi disparou forte, Ramos não segurou e deixou a bola à disposição de Soares, que ainda assim teve que ser convicto na finalização, pois Ricardo Costa já se lançava no corte. O antigo central do FC Porto - formado no clube, de resto - foi dos que menos mereceram sair derrotados, tal como Ramos, Ícaro - o outro central -, Joãozinho e Xavier, este pelo inconformismo. No dia em que o FC Porto celebrava os seus 125 anos de história, foi por pouco que o Tondela não fez o bolo amargar. Um erro involuntário foi quanto bastou.

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por Miran Pavlin às 23:55

Sábado, 22.09.18

Liga NOS, 5.ª jornada - Vitória FC 0-2 FC Porto - Sequela

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Tinham passado quatro dias, mas quem ligasse a televisão poderia pensar estar a assistir a uma reposição do encontro anterior e não à 5.ª jornada da Liga portuguesa. Com o futebol escorreito novamente de folga, para o FC Porto a diferença em relação a esse jogo com o Schalke foi ter ficado em vantagem pouco depois do quarto de hora, numa sobra aproveitada por Aboubakar após primeiro trabalho de Maxi Pereira na direita da área. Até porque durante toda a primeira parte os dragões se bateram com um Vitória bastante fechado. Numa das poucas saídas dos sadinos ao ataque (21') pediu-se falta e expulsão por derrube de Felipe a Berto quando este se isolava rumo à baliza. O lance deixou dúvidas; Manuel Oliveira nada assinalou. O Vitória surgiu mais desperto no segundo tempo, ao contrário do FC Porto, que parecia sentar-se junto à bananeira. Não tardou que Valdu Té fizesse os dragões se levantarem (50'), mas o lance não contaria. Depois de rever as imagens o árbitro considerou que o ponta-de-lanca ajeitara a bola com o braço antes de fazer golo. Ficava então tudo na mesma, mas o Vitória não virou a cara à luta, forçando o FC Porto a batalhar pelo resultado. Os lances flagrantes de golo foram tão escassos que só de bola parada a rede voltou a abanar. E de que maneira, à conta do livre batido rasteiro e com força por Sérgio Oliveira (78'). Era o célebre golo da tranquilidade, que acabaria por confirmar um triunfo portista que, qual sequela de Gelsenkirchen, voltou a ser melhor que a exibição.

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por Miran Pavlin às 23:45

Terça-feira, 18.09.18

Liga dos Campeões, fase de grupos - FC Schalke 04 1-1 FC Porto - Suado

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A Liga dos Campeões, habitualmente um paraíso do bom futebol, por uma vez não o foi. Enquanto o FC Porto acabou por não se galvanizar por estar na casa onde em 2004 se sagrou campeão europeu, o Schalke não conseguiu dar um pontapé na série de derrotas que o acompanha desde o arranque da Bundesliga. O resultado foi uma partida disputada predominantemente a meio-campo, com poucas oportunidades de golo e pouco fio de jogo de parte a parte. Numa frase, mais luta que futebol. Poderia não ter sido assim, mas o FC Porto não aproveitou a melhor oportunidade que teve durante o primeiro tempo, no caso uma grande penalidade por mão de Naldo (12'); na cobrança Alex Telles até nem atirou mal, mas o guardião Fährmann adivinhou o lado e defendeu. Não abrindo aí o marcador, o próprio jogo também não abriu. O futebol escorreito, esse, terá aparecido apenas por uma vez, no lance do golo do Schalke (63'). Curiosamente, esse golo começa num canto a favor do FC Porto, o qual foi batido atrasado para Herrera. No enfiamento da área, o mexicano tentou fazer qualquer coisa que não se sabe bem o que era e daí nasceu um contra-ataque ao melhor estilo alemão. Ultrapassando as linhas do adversário como um TGV, os Königsblauen num ápice fizeram a bola chegar a Embolo, que finalizou a contar. Alex Telles e Corona estavam a fechar a baliza mas ficaram à espera que o outro tomasse a iniciativa de se lançar num corte de última instância. A bola entrou tão devagar que é impossível não achar que qualquer um deles tinha hipótese de salvar o lance. Essa hesitação talvez seja reflexo da menor intensidade com que se joga em Portugal, em comparação com as ligas de topo. Uma questão que fica para debater noutra oportunidade. Certo é que o FC Porto se via a perder num jogo em que não estava a mostrar a sua melhor cara. Pouco antes do golo Sérgio Conceição tinha feito uma substituição difícil de entender, ao tirar Aboubakar para meter Corona (60'). Só um problema físico poderia motivar a troca. De outra forma, era como uma mensagem para a equipa tentar segurar o nulo. O que poucas vezes resulta, muito menos na Liga dos Campeões. Até que o milagre - ou quase - aconteceu: uma nova grande penalidade bafejou os dragões (74'), esta mais discutível que a primeira. Há um toque no pé de Marega, mas é pouco crível que tenha sido suficiente para derrubar o maliano. Talvez um árbitro do norte da Europa tivesse deixado passar o lance, mas o espanhol Gil Manzano não deixou. Desta vez foi Otávio a bater e não falhou (75'), salvando assim um ponto justo, mas muito suado.

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por Miran Pavlin às 23:50

Sexta-feira, 14.09.18

Taça da Liga, fase de grupos - FC Porto 1-1 GD Chaves - Vira o disco

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Um mês e três dias mais tarde o Chaves voltava ao local onde foi desmantelado na abertura da Liga. E se para os flavienses o disco virou e a música foi outra, para o FC Porto foi mesmo um caso de vira o disco e toca o mesmo. Trata-se da Taça da Liga, pois claro. Naturalmente que os jogos que aí vêm podem contrariar o seguinte considerando, mas por ora esta prova continua a não combinar com o FC Porto. O Chaves voltou apostado em deixar uma imagem diferente da que ficou do encontro para o campeonato, o que se traduziu num reforço das linhas defensivas e no aproveitamento dos contactos para forçar faltas. Não é nada de novo, mas pelos vistos é impossível quem está lá dentro não se enervar com essa postura. Mais ainda quando o adversário adiciona à equação uma ou outra perda de tempo. Só depois do intervalo o FC Porto se conseguiu libertar dessa teia de artimanhas dos transmontanos. Foi isso, possivelmente, que acabou por colocar Sérgio Conceição fora do banco pouco antes do descanso - pela televisão não foi possível perceber se o técnico fora efectivamente expulso ou se preferiu descer mais cedo ao balneário. No entanto, continuava a não se afigurar fácil chegar ao golo. Decerto não seria pelos nomes em campo, pois a rotatividade habitual na Taça da Liga estava reduzida ao mínimo. Além das presenças de Vaná na baliza e de Adrián López na cabeça do ataque, houve espaço apenas para o regresso de Diogo Leite ao eixo da defesa e para a estreia do brasileiro João Pedro na lateral direita. O FC Porto assumia o jogo mas as oportunidades foram poucas. Marega (22') e Perdigão (56') apareceram isolados em frente à baliza em lances de contra-ataque mas nenhum teve sucesso; o maliano viu António Filipe defender, enquanto o brasileiro ficou sem opções perante a pressão de Alex Telles e ao chegar à área tentou cavar uma grande penalidade. Face às dificuldades, Corona cedeu o lugar a Brahimi (60') e o argelino mexeu com o jogo. Os dragões marcariam numa insistência do também entrado Hernâni (74') e procuraram o segundo golo, mas o Chaves igualaria mesmo, numa das suas poucas incursões ofensivas (83'). Avto cruzou desde a esquerda, André Luís desviou no coração da área e Stephen Eustáquio encostou ao segundo poste. Óliver estava pronto a entrar e até já tinha recebido indicações, mas o golo mudou tudo e quem acabou por entrar foi Aboubakar (84'). O resultado não sofreria mais alterações, por muito que o FC Porto tenha terminado o jogo com a equipa concentrada nos últimos 25 metros de terreno e a expor-se a um contra-ataque de quatro para três que só Vaná resolveu com uma boa defesa para canto (90'+1') a remate de Jefferson. No final, ainda bem que o resultado não sofreu mais alterações, pois o Dragão chegou mesmo a explodir em festejos ao minuto 90'+5', quando Aboubakar desviou na pequena área um cruzamento de Hernâni. Não havendo vídeo-árbitro, e perante protestos aparentemente credíveis dos homens do Chaves, o juiz do encontro consultou o assistente antes de repor a verdade dos factos: o camaronês tinha marcado com o braço. E assim se cumpriu a tradição de os dragões ficarem com contas para fazer na Taça da Liga ao cabo dos primeiros 90 minutos na prova.

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por Miran Pavlin às 23:59

Domingo, 02.09.18

Liga NOS, 4.ª jornada - FC Porto 3-0 Moreirense FC - Três pontos

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Ao quarto jogo do campeonato Diogo Leite e André Pereira desapareceram dos titulares, deixando o onze portista ainda mais igual ao da época anterior. Só não o foi na totalidade porque o lugar vago no centro da defesa foi ocupado por Éder Militão, reforço que assim se estreou de dragão ao peito. O FC Porto ia a jogo na incumbência de corrigir o desaire da pretérita jornada, mas também de terminar a partida sem sofrer golos, coisa que só por uma vez conseguiu nos quatro jogos oficiais até aqui. A primeira parte da tarefa começou a desenhar-se ao quarto de hora, na sequência de um canto cobrado por Alex Telles, com Militão a desviar de cabeça para o segundo poste, onde Herrera amorteceu a bola e colocou para o golo. Antes (9'), já as luzes do golo tinham ameaçado acender-se, quando foi assinalada grande penalidade a favor dos dragões. Só quando já estava tudo a postos para a cobrança é que o juiz teve ordens para ir ver as imagens e voltar atrás com a decisão. E bem, pois Loum tinha mesmo cortado a bola. Era mesmo necessária tanta demora? Ao minuto 28 Aboubakar fazia o segundo golo portista, após primeiro remate de Marega ao poste. O FC Porto via-se pela terceira vez consecutiva com dois golos à maior. Nas anteriores ocasiões a equipa relaxou. Desta vez... também. Ao ponto de a segunda parte ter sido intragável. O FC Porto só não sofreu porque o Moreirense não foi capaz de mais que um remate de Chiquinho para defesa apertada de Casillas, à passagem do minuto 67. A emoção maior ficou guardada para o regresso de Danilo Pereira (82'), que finalmente debelou a lesão que desde Janeiro o atormentava. O próprio terceiro golo, apontado por Marega (90'+4'), apareceu numa altura em que o jogo já estava morto e enterrado. Não foi bonito. Valeram os três pontos.

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por Miran Pavlin às 23:35

Sábado, 25.08.18

Liga NOS, 3.ª jornada - FC Porto 2-3 Vitória SC - Brincar com o fogo

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O aviso da semana anterior não foi suficiente. De tal forma, que quando o FC Porto abriu os olhos a valer já era tarde demais. E os milagres não acontecem em todos os jogos. Por muito que no FC Porto nenhuma derrota possa ser desvalorizada, vendo-a pelo lado positivo é preferível que tenha acontecido agora do que numa fase mais adiantada da época, onde os pontos contam, eles próprios, a valer. Independentemente do gosto que tenha ficado na boca depois do apito final, todos têm que concordar que se tratou de um bom jogo. Os dragões entraram com posse de bola e inclinados para a frente, mas o Vitória não se deixava ficar. A cada investida dos azuis-e-brancos os conquistadores respondiam com tranquilidade, tanto na saída de bola como no uso que cada jogador fazia dela. Havia tempo e à-vontade para fazer uma pequena finta logo após recuperar a bola e espaço para procurar criar jogadas de corpo inteiro, o que porventura denota uma certa falta de intensidade do FC Porto. A verdade, contudo, é que os da casa controlavam as operações. O golo inaugural chegou ao minuto 37, por Brahimi, numa fotocópia do golo de Herrera na Luz na época passada. Aqui, o argelino fez a tabela vertical com André Pereira antes de rematar com fogo para o fundo da baliza. O segundo golo demorou seis minutos a aparecer, agora por André Pereira, que desviou, ao primeiro poste, um livre lateral de Alex Telles. O avançado portista estava inequivocamente em fora-de-jogo. Qual não foi o espanto quando o árbitro Fábio Veríssimo mandou seguir com pontapé de saída. Como podia o vídeo-árbitro não ter visto?! A justificação chegaria durante o intervalo: o VAR estava indisponível, por motivos técnicos, desde os quinze minutos de jogo. É possível que o árbitro assistente Valdemar Maia tenha preferido resguardar-se, deixando a responsabilidade para o VAR, mas o tiro saiu pela culatra, e acaba por ser o próprio assistente a ficar muito mal na fotografia. Até porque era um lance de bola parada.
O Vitória deixou um aviso ainda antes do intervalo, numa subida ao ataque que terminou num remate pouco ao lado de André André (45'+1'), mas seria na segunda parte que os vimaranenses mostrariam sem margem para dúvidas que ainda acreditavam que podiam retirar alguma coisa positiva deste jogo. O FC Porto baixou claramente de intensidade, permitindo aos visitantes ter ainda mais tempo e espaço para desenvolver jogadas. Ao minuto 63 Ola John aproveitou-se de um carrinho de Sérgio Oliveira para forçar uma grande penalidade que André André converteu. Os dragões, aparentemente, não levaram a sério o toque. Não só já tinham perdido Brahimi por lesão (51'), como trocaram Aboubakar por Marega imediatamente antes de o penálti ser batido, o que se traduzia num desinteresse pela parte ofensiva do jogo. E a margem mínima nunca - mas nunca - é um porto seguro. O FC Porto continuava, ainda assim, a chegar perto da área, mas o Vitória também; e com mais moral, pois tinha sido o último a marcar. Até que o golpe de teatro começou a materializar-se. Douglas pousou a bola nos pés de André André, o médio percorreu os muitos metros de espaço livre que tinha, ao passar a linha de meio campo lateralizou para Florent, que tinha também muito espaço para avançar, e o francês centrou para Tozé, sozinho, atirar cruzado para o empate (76'). Há mérito na forma como os homens do Guimarães construíram a jogada, mas talvez o FC Porto não tenha pressionado como devia. O pior, contudo, estava para vir. A três minutos da compensação os dragões limitaram-se a ver jogar e pagaram com o golo de uma reviravolta poucas vezes vista. Após um lançamento lateral para a pequena área, Welthon atrasou para Davidson, que pôde rematar em posição privilegiada e sem qualquer oposição.
Só aqui o FC Porto acordou, mas Douglas fez questão de silenciar dois golos cantados com defesas monumentais a Marega e a Óliver. Douglas não se ficou por aqui e defendeu mais um golo certo, agora para o poste, com a bola a sobrar para Maxi Pereira, que falhou inacreditavelmente. Herrera também já tinha atirado ao poste, pelo que se pode dizer que talvez estivesse mesmo escrito algures que o FC Porto não poderia brincar com o fogo pelo segundo jogo consecutivo e voltar a escapar incólume. E nem se pode falar em azar, pois esse restringiu-se ao capítulo físico, como prova a saída de Corona por lesão (73'), depois de ter rendido Brahimi. O mexicano durou 22 minutos em campo. As duas substituições forçadas terão deixado Sérgio Conceição sem soluções, mas as desculpas ficam por aqui.
Sobram as curiosidades históricas e o mérito do Vitória em quebrar um jejum de 22 anos sem vencer em casa do FC Porto. Tanto o treinador, como os jogadores, como o vosso humilde escriba não conseguem fazer outra coisa senão reconhecê-lo. Incluindo todas as provas, é preciso recuar ao célebre jogo com o Artmedia na Liga dos Campeões de 2005/06 para encontrar uma cambalhota igual.

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por Miran Pavlin às 23:59

Domingo, 19.08.18

Liga NOS, 2.ª jornada - Os Belenenses SAD 2-3 FC Porto

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Não assisti ao jogo.

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por Miran Pavlin às 22:50

Sábado, 11.08.18

Liga NOS, 1.ª jornada - FC Porto 5-0 GD Chaves - Imponente

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O arranque da caminhada portista no campeonato foi tão imponente que até pareceu tratar-se de uma jornada algures a meio da prova, com a equipa já em velocidade de cruzeiro. Perdido na velha máxima de uma equipa só jogar o que a outra deixa ficou o Desportivo de Chaves, que teve efectivamente pouca bola e não conseguiu - ou não soube - criar algo de positivo quando a teve. Bem cedo ficou a perceber-se qual seria o rumo do jogo. Aboubakar ameaçou ao minuto 8, com um cabeceamento em mergulho que saiu sobre a trave, e concretizou aos 14, trabalhando bem na pequena área antes de finalizar. O lance começou em Otávio junto à bandeirola de canto e passou por uma simulação de André Pereira antes de a bola chegar ao camaronês. Ao minuto 20 surgiria o segundo golo de Aboubakar, seguramente um dos mais fáceis que alguma vez teve de marcar. O segredo da jogada esteve no passe de Sérgio Oliveira para a desmarcação de Otávio, que apanhou os transmontanos totalmente desprevenidos. Não foi o único momento em que o FC Porto descobriu linhas de passe menos óbvias, que além de confundirem o adversário eram agradáveis à vista. Em lance individual Brahimi assinou o terceiro golo, com um remate inesperado depois de ultrapassar o central flaviense Maras (45').
Desta vez não houve a gestão de esforço tantas vezes levada a cabo quando tudo parece estar decidido. O FC Porto voltou do intervalo com a mesma atitude e criou perigo logo na bola de saída, em jogada de insistência com alguma confusão na área. As jogadas com princípio, meio e fim sucediam-se, mas seria preciso esperar até ao minuto 71 para ver um golo, agora por Corona, que interceptou um passe junto ao círculo de meio campo e cavalgou imparável até à festa. Os homens do Chaves limitaram-se a ver o mexicano avançar, diga-se. Corona tinha entrado apenas quatro minutos antes, para o lugar de André Pereira. Pouco depois do quarto golo iria a jogo Adrián López, que assim dava início à sua terceira tentativa de afirmação no FC Porto. O terceiro suplente utilizado seria Marius, que entrou aos 81 minutos e precisou de apenas sete para marcar. No lugar certo à hora certa, o chadiano estava onde era preciso para emendar de cabeça um remate transviado de Sérgio Oliveira.
Mesmo tentando colocar-nos do lado dos flavienses, é impossível questionar a justiça desta manita. Cinco golos que, no fundo, não valem mais que três pontos. O Chaves pode desde já colocar para trás das costas um dos três jogos teoricamente mais difíceis que cada equipa tem que fazer em cada campeonato português. Do outro lado, se os dragões não ganharam uma moral extra, pelo menos mantiveram a que já traziam.

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por Miran Pavlin às 23:59



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