Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]

CORTE LIMPO

Todas as fotografias neste blog encontram-se algures em desporto.sapo.pt, salvo indicação em contrário


Segunda-feira, 27.05.19

FC PORTO 2018/19

FCP - em formação.jpg

Quem olhasse para o FC Porto por alturas da viragem do campeonato não poderia pensar que o final de época seria cinzento. A equipa parecia ter tudo para revalidar o título de campeão, ao mesmo tempo que progredia, com maior ou menor dificuldade, rumo às fases decisivas das restantes provas. No entanto, os sinais de que poderia haver complicações estavam lá para quem os quisesse ver. Desde logo o veto de Sérgio Conceição aos reforços que lhe foram apresentados. As interpretações podiam passar pela falta de qualidade desses jogadores, pela falta de sintonia entre treinador e direcção, ou pela falta de acuidade do departamento de prospecção - sem prejuízo de outras -, mas a realidade era só uma: o FC Porto ia atacar a nova temporada com o mesmo grupo que tinha terminado a anterior. Uma garantia de estabilidade, por um lado, mas por outro uma manutenção da exiguidade que obrigou Conceição a uma gestão extrema e criteriosa dos recursos. Assim, as saídas de vulto cingiram-se a Marcano e Ricardo, tendo entrado Éder Militão para o lugar do primeiro. Numa primeira fase, o principal perigo que o FC Porto eventualmente enfrentaria seria uma fome de vitórias mais reduzida, à conta do campeonato conquistado em 2017/18.

FCP - a erguer Supertaça.jpgO triunfo na Supertaça, frente ao surpreendente Aves (3-1), contrariou essa ideia, servindo também de base para um arranque de campeonato positivo, manchado apenas pela inesperada derrota caseira diante do Vitória de Guimarães (2-3), logo à 3.ª jornada. A equipa não sentiu esse toque, assim como não sentiu a perda de Aboubakar, que se lesionou em finais de Setembro e só voltaria à competição em Abril. A prová-lo está uma primeira volta em que o FC Porto só desperdiçou oito pontos, venceu nove jogos de enfiada (jornadas 8 a 16) e prolongou pela segunda volta a série sem perder (jornadas 8 a 23). Ao mesmo tempo, os dragões assinavam também uma notável presença europeia, na qual igualaram o seu melhor registo de sempre num grupo da Champions (cinco vitórias e um empate, como em 1996/97), que é simultaneamente o melhor registo de qualquer equipa portuguesa nessa fase.
Os indicadores eram, de facto, bons, mas persistia a sensação de que o plantel estava a ser esticado ao máximo - senão mesmo além - das suas capacidades e de que não seria preciso muito para que a equipa cedesse. O que veio efectivamente a acontecer. A queda do FC Porto sintetiza-se em três momentos: os empates consecutivos nas visitas a Moreirense e Vitória de Guimarães (1-1 e 0-0, jornadas 20 e 21), a derrota caseira frente ao Benfica (1-2, jornada 24) e a igualdade em Vila do Conde (2-2, jornada 31), esta depois de estar a vencer por 0-2. De líder com seis pontos de vantagem à jornada 16, o FC Porto desceu nessa jornada 24 ao segundo lugar, com dois pontos de atraso e dependendo de terceiros. O referido empate no Rio Ave foi como que uma confirmação tácita de que a revalidação do título de campeão era pouco mais que um sonho impossível.

FCP - Pepe.jpgTendo em conta que a quebra do FC Porto aconteceu depois de fechado o mercado de inverno, as críticas de boa parte dos adeptos portistas dirigiram-se a Pepe e ao efeito que a sua chegada teve nos equilíbrios defensivos da equipa. O problema não terá estado tanto no regresso de Pepe em si, mas sim na opção de Sérgio Conceição em desfazer a dupla de centrais para acomodar o internacional português. Nem Felipe rendeu o mesmo sem Militão a seu lado, nem o próprio Militão rendeu o mesmo jogando a lateral. Teria sido melhor promover uma utilização rotativa dos três centrais na posição? Não sabemos. Só saberíamos sentando aqui Sérgio Conceição e deixando-o escrever por nossa vez. E Conceição poderia sempre reiterar as decisões que tomou; era provável que o fizesse. Dos restantes reforços de Janeiro Fernando Andrade e Manafá acrescentaram pouco, enquanto Loum nem se viu. O que terá realmente faltado ao FC Porto 2018/19 foi uma clara referência atacante, principalmente durante a ausência de Aboubakar. A demonstrá-lo está o facto de nada menos que 20 jogadores (com mais dois auto-golos) terem marcado pelos dragões no campeonato.
O FC Porto terminaria o campeonato com apenas menos três pontos (85 contra 88) que na edição anterior, e essa foi a diferença entre o tudo e o nada. Tanto na Taça da Liga como na de Portugal os dragões chegaram à final, mas ficariam de mãos a abanar, reforçando assim a tradição de não serem felizes nos desempates por grandes penalidades. A carreira na Liga dos Campeões desta vez terminou nos quartos-de-final, novamente diante do Liverpool, que mais uma vez foi impiedoso. Antes, o FC Porto desenvencilhara-se da Roma, de forma dramática como qualquer adepto que se preze gosta; foi necessária uma reviravolta após prolongamento, na segunda mão no Dragão.

 

TREINADOR

FCP - Sérgio Conceição.jpgSérgio Conceição fez com que a equipa desta vez chegasse mais longe nas taças nacionais e na Liga dos Campeões, e venceu a Supertaça Cândido de Oliveira, mas no prato forte ficou aquém. Não ter conseguido bater quer Vitória de Guimarães, quer Benfica, foi determinante.

 

FIGURAS

FCP - Casillas.jpgCasillas realizou mais uma temporada de grande nível, mas terminou-a de forma tão assustadora quanto ingrata. Um enfarte sofrido em pleno treino, nos últimos dias de Abril, removeu o histórico guarda-redes da recta final do campeonato e, presume-se, dos relvados.

FCP - Soares.jpgSoares foi o melhor marcador da equipa no campeonato, com 15 golos.

FCP - Éder Militão.jpgÉder Militão assinou pelo Real Madrid no decorrer da época, num negócio na casa dos 50 milhões de euros.

FCP - Marega.jpgMarega marcou em seis dos dez jogos do FC Porto na Liga dos Campeões 2018/19.

FCP - Herrera.jpgHerrera, embora em fim de contrato, reforçou o seu estatuto de capitão de equipa.

Autoria e outros dados (tags, etc)

por Miran Pavlin às 12:00

Sábado, 25.05.19

Final da Taça de Portugal - Sporting CP 2-2 FC Porto (a.p., 5-4 g.p.) - Última impressão

SCPFCP.jpg

Muitos defendem que a primeira impressão é a que fica. Outros entendem que é a última. Talvez os segundos estejam mais correctos. Nesta final, no fundo, foi como se os dragões estivessem a lutar contra as impressões que foram transmitindo ao longo da temporada. Ou seja: o melhor FC Porto da primeira metade da campanha, contra a versão mais insegura da recta final. Com efeito, depois de começar por cima, estar em vantagem e ser a equipa mais agradável de observar durante o jogo, o FC Porto acabou por não dar a machadada final e segurar firme o resultado. A maior iniciativa dos azuis-e-brancos deu frutos já perto do intervalo (41'), quando Soares cabeceou para o primeiro golo do jogo. Ficaram dúvidas sobre se Herrera dominou a bola com o braço antes de cruzar para o ponta-de-lança, mas a jogada foi validada após revisão. Mesmo jogando mais compacto, o Sporting marcaria também antes do descanso (45'), num remate cruzado de Bruno Fernandes que Danilo Pereira desviou para a própria baliza. O internacional português, tendo Luiz Phellype nas costas, tocou na bola apenas ao de leve, mas acabou por encaminhá-la para o cantinho do poste, onde Vaná já não conseguiu chegar. Que galo. Luiz Phellype, caso tivesse tocado na bola, estaria em fora-de-jogo. Essa infelicidade - um tanto ou quanto involuntária - teve repercussões ao longo da segunda parte. Logo ao minuto 48 Soares escapou-se pela esquerda e rematou ao poste, já com pouco ângulo. Em cima do fim do tempo normal (90'+2'), nova bola ao poste, agora por Danilo Pereira, na sequência de um canto.
O Sporting, que tinha mostrado pouco, era ao mesmo tempo uma equipa difícil de vergar. Tem sido assim nos jogos de eliminação directa. Para o confirmar, é favor visitar o minuto 100. Em mais um lance como tantos outros, Felipe tentou cortar o cruzamento de Acuña mas fê-lo com o joelho; com isso, tirou a bola do caminho dos restantes defesas portistas e esta foi ter com Dost, ao segundo poste, para um certeiro remate cruzado. A partir daqui o FC Porto voltou a jogar só com o coração, mas ainda viveu uma redenção momentânea ao chegar ao empate quando a derrota parecia certa (120'+1'). Foi Felipe a compensar o erro e levar a decisão para o desempate.
E assim, mais uma vez, FC Porto e Sporting arrastaram a decisão de um título entre si até à última, na continuação de uma tendência de décadas. Olhando apenas aos tempos mais recentes, os leões confirmaram que são mesmo a némesis do FC Porto. Já os dragões confirmaram eles próprios que os desempates são uma barreira intransponível. O FC Porto até começou melhor, já que acertou as primeiras duas conversões, enquanto Dost acertou na trave. Nem assim. O Sporting não falhou nenhuma das restantes cinco penalidades que tentou, ao passo que Pepe (trave) e Fernando Andrade (defesa) desperdiçaram. A festa foi, portanto, pintada de verde. Já o FC Porto completa oito anos sem vencer a prova rainha.

Autoria e outros dados (tags, etc)

por Miran Pavlin às 23:55

Sábado, 18.05.19

Liga NOS, 34.ª jornada - FC Porto 2-1 Sporting CP - Espectros

FCPSCP.jpg

Desde que se mudou para o Dragão o FC Porto só em 2004/05 viveu uma derradeira jornada em casa como esta, jogando ainda a poder chegar ao topo, mas a depender de terceiros para o atingir. Ter que defrontar o Sporting não era, ainda, a melhor das proposições; além do desagradável espectro da derrota final que pairava sobre os dragões, estes tinham ainda que se debater com o espectro da iminente final da Taça frente a este mesmo adversário. A partida só não foi uma antevisão dessa final porque só o FC Porto ainda tinha alguma coisa em jogo. Ainda assim, a primeira parte foi pouco mais que o proverbial jogo de fim de época. O futebol morno de parte a parte fazia com que até desse para ouvir os ponteiros do relógio a contar os minutos até ao intervalo. A única agitação resultou da expulsão de Borja (20'), por impedir Corona quando este se isolava rumo à baliza. No reatamento o FC Porto pareceu entrar com outra iniciativa, mas foi sol de pouca dura. Esse aparente desinteresse portista foi punido com um golo do Sporting (61'), numa das poucas subidas dos leões. Lançado por Diaby, Acuña conduziu o contra-ataque e assistiu Luiz Phellype, que rematou cruzado à saída de Vaná.
O FC Porto jogava contra dez há cerca de 40 minutos, mas não conseguia estabelecer um domínio claro sobre o jogo. E como tantas vezes acontece, o golo do adversário tornou-se no melhor remédio para espicaçar quem o sofre. Com outra vontade, e também beneficiando de um retraimento ainda maior por parte do Sporting, os dragões tornaram-se mais ameaçadores. O empate surgiria ao minuto 78, por Danilo Pereira, que à boca da baliza empurrou de cabeça, após desvio de Soares a um canto de Corona. Ao minuto 85 o FC Porto esteve perto do golo em dose tripla, mas Renan Ribeiro, André Pinto e Mathieu estiveram em grande para negar Aboubakar, Herrera e Soares, respectivamente. Face ao resultado do outro jogo relevante para as contas do título, já era certo que o FC Porto nunca sairia do segundo posto, mas pairava agora sobre o Dragão o espectro de uma não-vitória tão desagradável quanto o título perdido. Herrera assim não quis, e tratou de apontar, com um remate acrobático, de ângulo apertado, o golo que consumou a reviravolta (87'). O mexicano festejou com vontade, mas esse golo significou apenas que o FC Porto fez a sua parte até ao fim. As restantes partes ficaram por fazer. O Sporting, que procurou pouco mais que não perder peças para a Taça, acabou por não aguentar até final.
Falando em perder peças, o jogo não terminaria sem que se gerasse um enorme sururu a propósito de um lançamento lateral (90'). Sem que houvesse grande justificação para que os jogadores do FC Porto se envolvessem nessa confusão, Corona abusou e foi expulso. E fará muito mais falta ao FC Porto do que Borja ao Sporting.

Autoria e outros dados (tags, etc)

por Miran Pavlin às 23:59

Domingo, 12.05.19

Liga NOS, 33.ª jornada - CD Nacional 0-4 FC Porto

NACFCP.jpg

Não assisti ao jogo.

Autoria e outros dados (tags, etc)

por Miran Pavlin às 21:25

Sábado, 04.05.19

Liga NOS, 32.ª jornada - FC Porto 4-0 CD Aves - Fé depositada

FCPAVE.jpgCom a nau portista a adornar, à conta da agitação da pretérita jornada, a recepção ao Aves podia facilmente tornar-se num presente envenenado. Ainda para mais quando a turma avense ainda não tem a manutenção garantida. As hipóteses de um resultado inesperado começaram a encolher à passagem do minuto 18, quando Corona desviou, na pequena área, um cruzamento de Alex Telles. Um toque subtil do mexicano, de cabeça. À meia hora os dragões elevavam, por Soares, na conversão de uma grande penalidade por mão na bola de Jorge Fellipe. Embora - na maioria dos casos - um jogo de futebol só esteja resolvido quando acaba, na prática esta partida ficava virtualmente resolvida com cerca de uma hora por jogar. Pouco mais se regista além do curto espaço de tempo (68' e 70') no qual o FC Porto transformou o resultado numa goleada. No terceiro golo Manafá estreou-se a marcar pelos azuis-e-brancos, com um remate cruzado, no aproveitamento de uma sobra de uma primeira investida de Marega. Já o último golo da noite foi também o melhor. Parecia mesmo vindo da PlayStation. Marega remata desde a direita, Beunardeau defende para a frente e deixa a bola em Corona, que falha o remate; esta vai ter com Brahimi, que entretanto entrava pela esquerda, e o argelino toca para trás, de calcalnhar, para Soares receber e rematar certeiro para o seu bis. Se já estava resolvido, o jogo ficava agora selado. O último destaque vai para Aboubakar, que voltou à competição pouco mais de sete meses depois da lesão sofrida na recepção ao Tondela, na 6.ª jornada da Liga. O camaronês jogou onze minutos, sem influência no jogo. Corrigindo, na medida do possível, o empate de há uma semana, o FC Porto continua a depositar toda a sua fé num resultado adverso do líder. E todas as esmolas podem não chegar.

Autoria e outros dados (tags, etc)

por Miran Pavlin às 23:00

Sexta-feira, 26.04.19

Liga NOS, 31.ª jornada - Rio Ave FC 2-2 FC Porto - Bomba

RAVFCP.jpg

Nas últimas linhas do texto sobre o FC Porto-Benfica escrevi que os dragões continuavam no fio da navalha e que a lâmina fere mais depressa a quem corre atrás do prejuízo. Estava enganado. A luta pelo título não se faz com armas brancas, antes com artilharia. E foi, justamente, uma bomba que rebentou no caminho por onde passava a coluna portista, na forma de um empate potencialmente catastrófico. Até porque o FC Porto tinha passado largos minutos a vencer por dois golos de diferença, fruto de um início de jogo com foco total na tarefa que tinha em mãos. Brahimi abriu o activo ao minuto 18, de cabeça, solicitado por Otávio, antes de Marega duplicar a vantagem (22'), num remate de ressaca que desviou em Junio Rocha. A Liga considerou mesmo auto-golo do lateral rioavista; erradamente, na opinião do Corte Limpo, mas quem somos nós...
Certo é que a intensidade do futebol portista decresceu após o 0-2. O Rio Ave continuou tranquilamente aquilo que já estava a fazer. Tal traduzia-se numa ou noutra investida de parte a parte, mas muito espaçadas no tempo. Até que o FC Porto desligou. Nem o aviso de Filipe Augusto, através de um remate à trave (73'), serviu para que os azuis-e-brancos percebessem que o jogo ainda estava a rolar. O rastilho acender-se-ia ao minuto 85 com o golo de Nuno Santos, que só teve que encostar após assistência de Gelson Dala, e a tal bomba explodiria no final do tempo regulamentar, através de um remate de Ronan, em zona frontal, que desviou em Alex Telles e traiu Casillas - aqui a Liga entendeu não atribuir auto-golo. Quem somos nós...
Já agarrado a tudo quanto eram adereços religiosos, o FC Porto tentou um último esforço, mas em vão. Os dragões pagavam bem caro o adormecimento nesses dez minutos finais e ficam agora dois pontos abaixo do líder. No próximo episódio, as eventuais ondas de choque da explosão. Não percam...

Autoria e outros dados (tags, etc)

por Miran Pavlin às 23:59

Sábado, 20.04.19

Liga NOS, 30.ª jornada - FC Porto 1-0 CD Santa Clara - Sem sal

FCPSCL.jpg

Não é fácil começar a escrever um texto sobre um jogo em que a equipa mais provável, jogando em casa, vence com um golo solitário e pouco mais há a registar. Não querendo agarrar-nos à proverbial ressaca europeia, também não nos é possível desbravar caminho pela igualmente proverbial incerteza da margem mínima, pois o Santa Clara não foi uma equipa particularmente ameaçadora. Ainda assim, os açorianos tiveram dois golos invalidados por fora-de-jogo (9' e 41'), ambos em lances de contra-ataque. Noutra jogada de transição rápida (23'), o Santa Clara criou perigo, mas o remate cruzado de Osama Rashid saiu uma nesga ao lado do poste. O FC Porto pouco mais deixou que o golo de Marega (18'), no aproveitamento de uma defesa de Marco para a frente, após remate de Otávio. Com efeito, o mais perto que os dragões estiveram de resolver o jogo foi já aos 75 minutos, quando o guardião dos insulares se estirou para uma óptima defesa a um remate de Fernando Andrade - ele que tinha começado a época precisamente no Santa Clara. O sal deste jogo foi tão pouco que o próprio golo, o também proverbial sal do futebol, parece nem ter existido. Mas existiu. E ainda bem - para os portistas, claro -, caso contrário teria sido o fim da picada.

Autoria e outros dados (tags, etc)

por Miran Pavlin às 23:30

Quarta-feira, 17.04.19

Liga dos Campeões, quartos-de-final, 2.ª mão - FC Porto 1-4 Liverpool FC - Diferença fulcral

FCPLIV.jpg

É incrível como por vezes o futebol não faz sentido nenhum. Serve isto para dizer que é muito difícil relacionar o resultado final com a estatística que diz que Casillas não fez uma única defesa. Esse desenlace adverso para o FC Porto faz ainda menos sentido quando se constata que os dragões jogaram de igual para igual com os reds ao longo de praticamente toda a primeira parte. Foi, pois, mais uma amostra de como o futebol pode ser um jogo simples e inexplicável ao mesmo tempo. Embora a tarefa do FC Porto fosse assaz difícil, a equipa não virou a cara à luta e não teve medo de ter a bola e enfrentar o Liverpool com ela nos pés. Os ingleses eram forçados a recuar, mas o FC Porto encravava na hora de definir a jogada; ora elaborava demais e a oportunidade de remate se perdia, ora rematava mal. Ou fraco e à figura. Já o Liverpool era mortífero. Na primeira vez em que subiu à área oposta, marcou, por Sadio Mané (26'). O lance teve que ser confirmado pelo vídeo-árbitro, pois o assistente assinalou fora-de-jogo. Se os dragões já precisavam de um milagre, passavam agora a precisar de que o Liverpool sofresse um cataclismo. Daí que tenha sido natural que a equipa esmorecesse durante alguns minutos. Após o descanso o FC Porto reentrou com alguma intenção, mas foi sol de pouca dura e depressa o Liverpool ficou mais tranquilo em campo. O 0-2, por Salah (65'), não só matou o jogo, como também fez com que o público da casa se erguesse em cânticos de apoio à equipa, que logo retribuiu com um golo (69'). O autor foi Éder Militão, que se elevou no centro da área para desviar um canto de Alex Telles. Esse prémio, justo para aquilo que foi a crença do FC Porto em reverter o resultado da primeira mão, acabou por ficar soterrado por mais dois golos do Liverpool (77' e 84'), ambos de cabeça. Marcaram Firmino, à vontade em zona frontal, e van Dijk, ao segundo poste na sequência de um canto. Essa boa primeira parte do FC Porto faz com que os números finais do jogo sejam demasiado pesados. No cômputo geral da eliminatória, a diferença esteve na eficácia do Liverpool na hora do golo. É a mais fulcral das diferenças...

Autoria e outros dados (tags, etc)

por Miran Pavlin às 23:59

Sábado, 13.04.19

Liga NOS, 29.ª jornada - Portimonense SC 0-3 FC Porto - Cabeça limpa

PORFCP.jpg

Poucos jogos são tão inconvenientes como aquele que o calendário faz encravar entre dois encontros europeus em semanas consecutivas. Como se tal não bastasse, no caso presente tratava-se de uma visita ao Algarve; só nas ilhas havia adversário mais distante da cidade do Porto. Estavam, portanto, reunidos todos os ingredientes para que o FC Porto fizesse um daqueles jogos em que as camisolas estão lá, mas a cabeça dos jogadores não. Assim não foi, contudo, pois os dragões cumpriram com o exigido e trabalharam para a construção de uma vitória que não deixa margem para contestação. Se a mente colectiva da equipa estava na Liga dos Campeões, ninguém notou. Ter aberto o marcador relativamente cedo (14') também terá ajudado a que o FC Porto tivesse um final de tarde, grosso modo, tranquilo. Numa jogada de transição rápida, Corona lançou Marega na direita e o maliano cruzou atrasado para Brahimi, que beneficiou do desposicionamento da defesa dos algarvios para rematar certeiro. Para o Portimonense foi caso para dizer que uma desgraça nunca vem só, pois o golo surgiu dois minutos depois da saída forçada do lateral Rúben Fernandes por lesão. Embora não tenha sido uma equipa fechada sobre si própria, a verdade é que o Portimonense terminou sem ter criado momentos de perigo extremo. Mesmo quando encontrou o poste (20'), na sequência de um canto, o desvio foi de Soares para a sua própria baliza. Pese embora a relativa tranquilidade, o segundo golo azul-e-branco fez-se demorar até ao minuto 74, altura em que Marega se isola e pica a bola sobre o guardião dos algarvios. O último golo pertenceu a Herrera, a culminar uma sucessão de cantos; o mexicano só teve que encostar, após defesa incompleta de Ricardo Ferreira. Em suma, foi um FC Porto de cabeça limpa que chegou e saiu do Algarve rumo aos próximos capítulos.

Autoria e outros dados (tags, etc)

por Miran Pavlin às 22:00

Terça-feira, 09.04.19

Liga dos Campeões, quartos-de-final, 1.ª mão - Liverpool FC 2-0 FC Porto - Mudar o chip

LIVFCP.jpg

Defrontavam-se neste jogo um clube portador de um palmarés rico, proveniente de um dos países de topo do futebol europeu - se não é considerado um tubarão, pouco lhe falta -, e um dos clubes de ponta de um país médio/médio-alto. Como frequentemente acontece em encontros deste calibre, o FC Porto estava perante a necessidade de deixar de ser a equipa que passa a maioria do tempo com bola junto à área do adversário, transformando-se precisamente nesse adversário que aceita ficar bem fechado junto ao seu último reduto, sempre à espreita do momento em que se pode desdobrar no contra-ataque. Numa frase, o FC Porto precisava mudar o chip em relação àquilo que habitualmente acontece no futebol doméstico. O que não se revelou fácil, a avaliar pelo nervosismo demonstrado pelos dragões sempre que passavam demasiados segundos subjugados à pressão do Liverpool, principalmente durante a primeira parte. Sofrer cedo (5') também não ajudou, ainda para mais quando o golo aparece não só na primeira investida do adversário, como também num desvio que traiu o guarda-redes; sem essa tentativa de corte de Óliver o remate de Naby Keita teria saído à figura de Casillas. O Liverpool criou várias outras oportunidades e chegou ao segundo golo à passagem do minuto 26, numa simples jogada em que o médio Henderson lançou o lateral Alexander-Arnold pela direita e este cruzou para a entrada sem oposição de Firmino. Também é verdade que o FC Porto procurou jogar sempre que teve a bola. Na melhor oportunidade (30'), Marega viu Alisson parar com os pés o seu remate cruzado. Mais confortável no segundo tempo, o FC Porto não deixou que os reds fizessem o marcador avolumar-se como na época passada, o que vale por dizer que a eliminatória fica por resolver, embora aparente estar encaminhada para o lado dos homens de Merseyside, que, de resto, nunca deixaram de tentar um fatídico - para o adversário, pois - terceiro golo. O FC Porto terminou com queixas relativamente a duas hipotéticas grandes penalidades por mão na bola, mas as decisões do juiz espanhol Mateu Lahoz nesses momentos parecem acertadas. O mesmo não se pode dizer do lance entre Salah e Danilo Pereira (85'). Embora não tenha sido maldoso, em vez de jogar a bola o egípcio do Liverpool acertou em cheio, de sola, na perna do internacional português. Tendo em conta lances análogos, o cartão vermelho não seria desajustado, mas nem o amarelo saiu do bolso do árbitro. Talvez tenha havido respeito a mais pelo Liverpool. Ou medo das críticas por expulsar o seu jogador mais perigoso. Como sempre, é inútil insistir nas reclamações; soado o apito final o jogo passa a existir só nos livros de história. Só a segunda mão poderá repor, ou confirmar, os factos.

Autoria e outros dados (tags, etc)

por Miran Pavlin às 23:59



Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Pesquisar

Pesquisar no Blog  

calendário

Junho 2019

D S T Q Q S S
1
2345678
9101112131415
16171819202122
23242526272829
30