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CORTE LIMPO


Sábado, 12.05.18

Liga NOS, 34.ª jornada - Vitória SC 0-1 FC Porto - Canas

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O passado fim-de-semana foi de festa rija e muitos foguetes na cidade do Porto. As canas ficaram para apanhar em Guimarães, onde o FC Porto tinha o derradeiro compromisso da temporada. Pelo menos por 90 minutos, mais descontos, era necessário que os dragões recuperassem a seriedade, e bastava um olhar pela ficha de jogo para o subentender. Não havia rotação, invenções ou experiências entre os dez jogadores de campo, com excepção do lugar de ponta-de-lança, hoje ocupado por Gonçalo Paciência, que assim tinha uma oportunidade mais duradoura de mostrar serviço. A surpresa, ainda que anunciada, estava na baliza, onde Vaná somou minutos que lhe permitem ser campeão de pleno direito.
Embora o título já estivesse entregue, o FC Porto ainda tinha um objectivo: igualar o recorde de pontos amealhados numa temporada de 34 jornadas com vitórias a valer três pontos. Também isso terá contribuído para o onze sério apresentado pelos azuis-e-brancos. Ainda assim, não foi propriamente fácil o FC Porto encontrar motivação. Não quer isto dizer que tenha havido displicência. Longe disso. O ritmo de jogo é que não subiu sobremaneira, também porque o Vitória jogava apenas pela honra. Com o FC Porto a ter mais bola e os vimaranenses a apostar no contra-ataque, os dragões controlavam os acontecimentos enquanto os da casa se mostravam nos intervalos da chuva. Era, no fundo, um proverbial jogo de fim de época, contradizendo o que escrevi a propósito da partida com o Feirense - "no campeonato, quando se trata dos ditos grandes, a luta é sempre até ao fim".
O golo que valeu o recorde apareceu ao minuto 69. Alex Telles bateu um livre lateral e Marcano elevou-se para cabecear ao ângulo superior direito de Miguel Silva. Por essa altura, Paciência já tinha saído para entrar Soares (53'), e pouco depois André André foi a jogo no lugar de Corona (73'), alterando o esquema táctico para esses minutos finais. Restava uma substituição, que serviu para acrescentar à lista mais um campeão. Virtualmente arredado da vida portista desde 2015, por opção, empréstimo e depois lesão, o guarda-redes Fabiano tomou o lugar de Vaná (80') e ainda foi a tempo de fazer uma defesa a um cabeceamento de Rafael Martins (86'). Fabiano era o único elemento do plantel que sabia o que era ser campeão pelo FC Porto, pois tinha festejado em 2012/13 como suplente de Helton.
Concluída a campanha, outros 29 homens também passaram a saber.

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por Miran Pavlin às 19:10

Domingo, 06.05.18

Liga NOS, 33.ª jornada - FC Porto 2-1 CD Feirense - A luta continua

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O grito por que os portistas tanto ansiavam soltara-se na noite anterior, assim que o nulo no clássico lisboeta enviou o título de campeão para a Invicta, pelo que foi em clima de festa que o FC Porto viveu a sua última jornada caseira da época. Havia, no entanto, uma partida para disputar frente a um Feirense que ainda não tem a vida resolvida, pelo que era importante o FC Porto não se colocar a jeito de ser acusado de influir na verdade desportiva da luta pela manutenção. De resto, e até porque não era certo que o título se decidisse nesta jornada, o FC Porto decerto preparou o jogo como se fosse apenas mais um, e subiu ao relvado sem poupanças no onze. Numa frase, foi com grande dose de profissionalismo que os dragões encararam o jogo.
Além disso, convém não esquecer de que no campeonato, quando se trata dos ditos grandes, a luta é sempre até ao fim. E foi esse o caso. Muito mais quando Crivellaro aproveitou o adiantamento de Casillas e tentou um chapéu desde o meio-campo, levando a bola a embater na trave (16'). O FC Porto estava por cima praticamente desde o apito inicial, mas o Feirense não deixava de procurar o ataque, contribuindo assim para um jogo mexido. Nenhuma equipa quer estar em campo para fazer parte de uma festa que não é sua, mas, afinal de contas, não é todos os dias que se participa num jogo com esta envolvência, pelo que independentemente da aflição classificativa, era um momento para desfrutar. O Feirense fê-lo até aos 37 minutos, altura em que o FC Porto abriu o activo e reavivou o espectro da despromoção que os fogaceiros ainda não descartaram. Sérgio Oliveira foi o autor do golo, com um remate forte em frente à baliza, após cruzamento atrasado de Ricardo; o feirense Flávio Ramos aliviou mal e o médio portista dominou de peito antes de rematar. O golo era o coroar da boa exibição dos azuis-e-brancos, que construíram diversas jogadas com princípio, meio e fim, em mais uma prova de que o foco competitivo não esmoreceu. O momento da noite surgiu aos 59 minutos, já com Aboubakar em campo. O camaronês recebeu a bola junto à área, virou-se para a baliza com um belo toque e levantou para Brahimi, que dominou a bola no ar com o pé esquerdo, rodopiou e rematou de primeira com o direito, tirando do caminho com esse movimento o homem que o marcava. Um golaço.
Só aí o FC Porto abrandou ligeiramente o ritmo, mas sem nunca perder o controlo do jogo. Enquanto o público endereçava cânticos aos elementos mais destacados da equipa, a Sérgio Conceição e a Pinto da Costa, os dragões viram Reyes sair por lesão (70') - entrou Óliver Torres, que coincidentalmente já estava pronto para ir a jogo nesse momento - e viram também o Feirense apontar um golo, já ao cair do pano (90'+1'), com José Valencia a aparecer por entre os centrais e a desviar de cabeça, sem espinhas, o cruzamento de Kakuba. Um prémio justo para os fogaceiros, embora o FC Porto tenha feito o suficiente para obter um terceiro golo.
Seguiu-se o prolongamento da festa, primeiro dentro do estádio, com a apresentação um a um dos novos campeões e a entrega do troféu no centro do relvado, depois no exterior, para uma última consagração junto dos adeptos que não assistiram ao jogo ao vivo.

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por Miran Pavlin às 23:55

Domingo, 29.04.18

Liga NOS, 32.ª jornada - CS Marítimo 0-1 FC Porto - Match point

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Dos estádios assinalados a vermelho no calendário do FC Porto, só faltava visitar os antigos Barreiros. Na verdade, a casa do Marítimo estava marcada a vermelho, negrito, itálico e sublinhado, pois os dragões aí não venciam desde 2011/12. Jejum mais longo só em Alvalade (2008/09). Como se isso não bastasse, a luta dos insulares por um quinto lugar que pode valer uma presença europeia era um acréscimo às dificuldades que os dragões implicitamente encontravam. Era, portanto, uma tarefa de considerável magnitude aquela que o FC Porto tinha pela frente. Os primeiros momentos do jogo confirmaram as projecções. Houve muito equilíbrio e escassearam os lances junto às áreas. Em face da derrota do segundo classificado 24 horas antes, para o FC Porto o cenário de um empate seria sempre um ponto ganho na corrida ao título, mas não era de todo aconselhável baixar a guarda ou tentar segurar o nulo. Com a lição bem estudada, mas sem entrar em loucuras, o Marítimo não deixava o adversário potenciar os seus homens-chave, ao mesmo tempo que ia trazendo o jogo até ao meio-campo portista. A estratégia sofreu um revés à passagem do minuto 40, altura em que Soares se isolou a caminho do golo e foi derrubado por uma saída imprudente do guardião maritimista Amir Abedzadeh. Cartão vermelho indiscutível e um livre prometedor em posição frontal, que Sérgio Oliveira atirou por cima.
O Marítimo sacrificou o médio Jean Cléber para fazer entrar o guarda-redes Charles, mas as consequências da inferioridade numérica só ficaram à vista no segundo tempo. Os verde-rubros baixaram as linhas e a acção passou a decorrer maioritariamente no seu meio-relvado. Ainda assim, graças a uma interessante performance defensiva, o FC Porto não conseguia furar. Com Pablo em destaque, o sector recuado do Marítimo não abria espaços, enquanto o próprio Charles se ia mostrando autoritário perante as bolas que passaram pelo seu raio de acção. As entradas de Corona e Óliver Torres ao intervalo, para os lugares de Otávio e Sérgio Oliveira, também ajudaram o FC Porto a ter melhor presença atacante, no entanto o Marítimo resistia bem ao jogo com menos uma unidade, restringindo os azuis-e-brancos a um ou outro remate de fora e a mais um livre frontal desaproveitado. No melhor lance portista (67'), Soares não contava que Zainadine falhasse o corte e por isso não conseguiu rematar em condições.
A partida aproximava-se do final e o 0-0 era cada vez mais provável. Talvez tenha sido essa sensação de o empate ser um ponto ganho a fazer com que o FC Porto conseguisse equilibrar bem o velho binómio cabeça/coração na pressão dos minutos finais. E foi aí que o jogo se decidiu. Ao minuto 89 os dragões beneficiaram de um canto; Alex Telles bateu e Marega elevou-se ao primeiro poste para um cabeceamento certeiro com efeitos contrários nas contas dos dois clubes. Enquanto o FC Porto regressou aos cinco pontos de vantagem, o Marítimo passou a estar três abaixo do quinto posto.
Com duas jornadas por disputar, o FC Porto dispõe agora de um match point. Caso o Sporting-Benfica da próxima jornada não termine empatado, um ponto basta para os dragões confirmarem o título na recepção ao Feirense. Se houver empate no dérbi da capital, o FC Porto será campeão no sofá.

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por Miran Pavlin às 21:45

Segunda-feira, 23.04.18

Liga NOS, 31.ª jornada - FC Porto 5-1 Vitória FC - Todo o vapor

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Depois da saída da Taça de Portugal, o FC Porto estava na incumbência de avançar a todo o vapor sobre o que resta de campeonato, sem justificações ou desculpas. Momento de alta pressão, portanto. No recente jogo do Restelo a ansiedade tomou conta da equipa; aqui, pelo contrário, foi mesmo de prego a fundo que o FC Porto entrou na partida. Logo ao minuto 6, na sequência de um cruzamento de Alex Telles, Soares desferiu um potente cabeceamento, Cristiano defendeu para a frente e Marega aproveitou para assinar a recarga certeira; aos 12, agora num canto, Telles voltou a colocar bem na área e Felipe imitou Soares cabeceando para defesa incompleta, cabendo a Marcano a recarga. Com algum estilo, numa bicicleta que entrou pelo meio das pernas de Cristiano. E ainda não era tudo, pois à passagem do quarto de hora Brahimi elevou para 3-0, dando o melhor seguimento a uma impressionante arrancada de Marega pela direita. O pesadelo do Vitória conheceu um interregno pouco depois (24'), com os sadinos a apontarem o golo, que seria de honra. Numa jogada simples iniciada num lançamento lateral, Patrick subiu pela direita e cruzou atrasado para João Amaral finalizar sem problemas. Era um lembrete para o FC Porto. Faltando ainda muito tempo até final do encontro, o Setúbal viu nesse tento um tónico e equilibrou o jogo, mas os dragões não perdoariam da vez seguinte em que se aproximaram da baliza (35'). Ricardo trabalhou na direita e assistiu Corona, para uma boa finalização cruzada do mexicano.
Só o intervalo fez o FC Porto mudar de agulha. Quebrada a reacção vitoriana e com uma diferença novamente confortável no marcador, os azuis-e-brancos optaram por gerir, tendo em vista o que ainda aí vem. Marega foi o primeiro a sair - e não gostou disso - (63'), para a entrada de Óliver Torres, seguindo-se-lhe Ricardo e Soares no caminho para o banco; entraram Maxi Pereira (73') e Gonçalo Paciência (75'), respectivamente. Pelo meio (72'), Alex Telles marcou o quinto golo portista, na cobrança irrepreensível de um livre directo.
Concluía-se assim um início de noite em que um FC Porto de cabeça limpa deu o melhor seguimento ao resultado obtido na jornada anterior. É proibido fraquejar com a meta aqui tão perto. As consequências de um deslize nesta fase serão certamente do tamanho do mundo.

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por Miran Pavlin às 23:20

Quarta-feira, 18.04.18

Taça de Portugal, meias-finais, 2.ª mão - Sporting CP 1-0 FC Porto (a.p., 5-4 g.p.) - Adamastor

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FC Porto e Sporting gostaram tanto de se defrontar esta época, que não resistiram a mais meia hora de jogo até decidir quem ficava com o bilhete para o Jamor. No fundo, o cenário de um prolongamento tinha que estar em cima da mesa, se considerarmos que a média de golos marcados nos quatro jogos deste ano entre dragões e leões se cifrava em 1. O que vale por dizer que não era expectável que neste capítulo final a tendência se invertesse e o marcador escalasse até números invulgares, de resto como se viria a verificar. Além disso, uma vez que os clássicos entre os ditos grandes são jogos de tripla, um 1-0 para o Sporting encaixava no lote de resultados plausíveis. E assim foi.
Talvez por já estarem fartas de se conhecer mutuamente, nenhuma das equipas conseguiu surpreender a outra. Nem os treinadores inventaram formas de o fazer. O resultado foi um jogo tão desprovido de emoção, que é possível avançar o filme até ao minuto 85 sem prejudicar o estimado leitor por falta de informação. O Sporting esteve espevitado, mas apenas a espaços, enquanto o FC Porto foi pouco mais que circunspecto no seu futebol. Em face da desvantagem na eliminatória a responsabilidade estava, pois, do lado dos leões, mas os azuis-e-brancos pouco fizeram para evitar ficar em apuros. Quando Jorge Jesus trocou o lateral Fábio Coentrão pelo avançado Montero (75'), Sérgio Conceição respondeu introduzindo o mais defensivo Sérgio Oliveira no lugar de Otávio. Até aqui tudo bem, mas prosseguir tirando Óliver para colocar a trinco o central de raiz Reyes (84') era um convite a um eventual último assalto dos da casa. Meu dito, meu feito, passe a expressão. Segundos após essa substituição o Sporting beneficia de um canto, na sequência do qual Marcano acerta nas orelhas da bola ao tentar aliviar e esta sobra para Coates, que remata sem preparação, com a bola a bater no poste esquerdo de Casillas antes de entrar. O FC Porto respondeu através de um cabeceamento à trave do mesmo Marcano (87'). Ainda houve recargas, mas já havia fora-de-jogo, portanto já não contava. Foi o único lance de perigo claro dos dragões em todo o jogo. Já sem substiuições, e também sem pernas, um FC Porto que existiu pouco precisava agora de existir na plena força da vida, o que não se revelou fácil. O Sporting resistiu melhor fisicamente e o prolongamento pertenceu-lhe, mas as suas investidas foram todas travadas - sem grandes dificuldades, diga-se - por Casillas, que terá sido o melhor em campo nos 120 minutos.
E assim o FC Porto reencontrou o seu Adamastor: o desempate por grandes penalidades. Desta vez, um remate bastou para que a nau portista fosse atirada contra as rochas. Depois de Marcano confirmar que não devia ter saído de casa, ao ver a sua conversão embater no poste, as restantes nove tentativas deram todas em golo. Pelo FC Porto bateram ainda Alex Telles, Felipe, Reyes e Sérgio Oliveira; pelos leões cobraram Bruno Fernanes, Bryan Ruiz, Mathieu e Coates, antes de Montero assinar o penálti decisivo.
Cumpriu-se a velha máxima: quem joga para empatar, perde. Pelo menos a avaliar pelos minutos finais do tempo regulamentar. Não sobra agora outra alternativa ao FC Porto senão somar os pontos necessários para assegurar o título de campeão, sob pena de passar mais um ano sem acrescentar um troféu que seja à sua vitrine.

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por Miran Pavlin às 23:59

Domingo, 15.04.18

Liga NOS, 30.ª jornada - SL Benfica 0-1 FC Porto - Golpe de teatro

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Muito do eventual sucesso do FC Porto esta temporada passava por este jogo, no qual só uma vitória lhe permitiria manter controlo total sobre o seu destino. A tarefa dos azuis-e-brancos não foi nem mais, nem menos difícil que em anteriores visitas à Luz; a conclusão da mesma foi, isso sim, demorada, uma vez que se tratou de um encontro muito equilibrado e, como se diz em futebolês, com pouca baliza. Os primeiros 45 minutos esgotaram-se sem que houvesse muito a assinalar, à conta dessa pronunciada vertente táctica que o jogo exibiu. Apesar do equilíbrio, o grosso da iniciativa até ao intervalo pertenceu ao Benfica, mas os caminhos para a área estavam tão escondidos que nem um mapa podia ajudar a descobri-los. Os encarnados ameaçaram ao minuto 22, num lance bem trabalhado na esquerda por Grimaldo e Cervi, e concluído com um disparo do argentino para defesa apertada de Casillas; a sobra quase queimou nos pés de Felipe, mas o central resolveu. Em cima do descanso houve perigo dos dois lados no mesmo minuto (45'); primeiro por Pizzi, que ficou na cara do golo após corte falhado de Marcano mas viu Casillas fazer a defesa da tarde, depois por Marega, que na sequência do lance recebeu um cruzamento de Ricardo e desviou rente ao poste, mas do lado de fora.
O segundo tempo trouxe mudanças, ainda que não tivesse havido qualquer substituição. O FC Porto passava a jogar mais subido no terreno, e quando o Benfica procurava romper através de bolas em profundidade, havia sempre alguém dos dragões a antecipar o movimento e a chegar primeiro à bola. Nomeadamente os centrais Marcano e Felipe, que estiveram ao seu melhor nível, de resto tal como os seus homólogos encarnados Jardel e Rúben Dias. As disputas de bola incluíram alguns contactos mais fortes entre os jogadores. Talvez o facto de estes não terem protestado com veemência tenha contribuído para os poucos cartões mostrados, mas pelo meio o FC Porto fez as faltas cirúrgicas que teve que fazer, para quebrar uma ou outra arrancada das águias. Em última instância, foi isso que custou a saída do amarelado Sérgio Oliveira (74'). E nesse capítulo das substituições Sérgio Conceição não foi conservador, alterando a configuração do meio campo com a entrada de Óliver Torres. Ao contrário do que aconteceu no clássico da época transacta, no qual o FC Porto chegou ao ponto de festejar o empate, desta vez a mensagem - que já era óbvia - tornava-se clara e cristalina: ganhar era o único caminho. E assim foram também a jogo Corona (saiu Otávio, 80') e Aboubakar (saiu Soares, que esteve apagado, 83'), enquanto do lado das águias saía Cervi para entrar Samaris (74'). Certamente que a intenção de Rui Vitória era contrariar a entrada de Óliver juntando outra torre ao lado de Fejsa, mas tal traduzia-se num enfoque mais defensivo à manobra do Benfica.
A verdade é que o jogo se mantinha atado ao 0-0, por muito que os dragões jogassem então mais subidos. Marega isolou-se sobre a direita mas não teve gás para apanhar a bola e Bruno Varela chegou primeiro (48'), antes de Brahimi procurar um remate em arco ao melhor estilo de Quaresma e errar por pouco (66'). O Benfica, por seu turno, não voltaria a aparecer à frente de Casillas; e numa altura em que parecia começar a contentar-se com o nulo, o golpe de teatro aconteceu (90'). É verdade que o lance ameaçava ser inconclusivo, face ao pouco espaço que havia para jogar, mas os homens da frente do FC Porto seguraram a bola e trocaram-na entre si tempo suficiente para que os elementos das duas equipas se aglomerassem na faixa central. Aboubakar não conseguiu ultrapassar Jardel, Grimaldo aliviou mal, e Herrera apareceu na sobra, de pé cheio, rematando com tudo o que tinha. Era golo, e não havia tempo suficiente para que os encarnados se recompusessem e procurassem a igualdade.
E assim, ao cabo de duas jornadas, o topo da Liga muda novamente de ocupante. Por enquanto, contudo, o alento portista é moral, já que a escassa vantagem de dois pontos significa que tudo continua por decidir quanto ao vencedor deste campeonato. Foi a sétima vitória dos dragões na Luz este século, contra apenas quatro triunfos do Benfica.

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por Miran Pavlin às 21:50

Domingo, 08.04.18

Liga NOS, 29.ª jornada - FC Porto 2-0 CD Aves - Tranquilidade antecipada

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Quatro jornadas atrás, no final do encontro com o Sporting, o sol brilhava forte nos céus do dragão e a silhueta do título já se via ao fundo da longa recta que o FC Porto agora percorre. Porém, nas três jornadas seguintes tudo mudou. O céu enegreceu à conta dos três pontos somados em nove possíveis, já não se vê o título ali à frente, e é como se tudo tivesse voltado à estaca zero. Daí que a recepção ao Desportivo das Aves se revestisse de uma importância maior que aquela que a teoria normalmente lhe confere. Não só devido ao desassossego vivido pelo FC Porto, mas também porque o Aves ainda está inserido na luta pela permanência. Era como se este jogo fosse uma corrente com vários elos por onde podia partir. Acabou por quebrar pelo lado avense, que viu Tissone cometer grande penalidade sobre Ricardo logo ao minuto 7. A marca dos onze metros costuma ser nefasta para os dragões, mas Alex Telles bateu bem e abriu o activo, com a bola a subir rumo ao canto esquerdo da baliza. À passagem do minuto 11 os da casa elevaram a contagem num lance fortuito. No centro da área, o trinco Cláudio Falcão recuperou uma bola e tentou enviá-la para longe, mas o alívio saiu rasteiro e contra as pernas de Otávio, que se arrojou ao relvado, pressentindo o que o adversário ia fazer. O ressalto encaminhou-se para o cantinho do poste direito, onde a luva de Adriano já não conseguiu chegar.
Era o golo de uma tranquilidade antecipada. De tal forma, que o jogo perdeu motivos de interesse e lances de perigo. O Aves chegou a romper um par de vezes em contra-ataque mas Casillas terminou o encontro sem uma defesa digna desse nome, enquanto o FC Porto se ficou por três lances passíveis de registo: uma bola de Brahimi à trave após boa jogada (36'), e um cabeceamento de Soares (56') seguido de um remate cruzado de Aboubakar (58'), em ambos os casos para boas defesas de Adriano. O Aves ia procurando jogar, mas os dragões não deixavam. Além disso, o FC Porto também não forçava desequilíbrios, possivelmente por sentir o jogo controlado. Era notório que a cabeça quer de uns, quer de outros, estava já nas batalhas que se seguem para as respectivas lutas.
No caso do FC Porto, é com a cabeça limpa na medida do possível que entrará no importante jogo da próxima jornada, no qual só um triunfo o poderá devolver ao lugar mais alto da classificação.

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por Miran Pavlin às 20:40

Segunda-feira, 02.04.18

Liga NOS, 28.ª jornada - CF Os Belenenses 2-0 FC Porto - Estocada

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Costumava ser só no Marítimo. Nos tempos que correm, contudo, é preciso juntar também a antiga Mata Real e este Restelo à equação de campos minados para o FC Porto. Antes do jogo, a percepção geral era de que a paragem de duas semanas para os compromissos das selecções era benéfica para os azuis-e-brancos, no sentido de recuperarem a fadiga acumulada em alguns jogadores, mas a verdade é que essa ideia era uma falácia, pois diversos elementos do plantel foram forçados a longas viagens. E alguns nem chegaram a entrar em campo, ou regressaram tocados. O que vale por dizer que Sérgio Conceição era mais uma vez obrigado a magicar um melhor onze possível. Apostando num 4x4x2 com Soares e Aboubakar na cabeça do ataque, Ricardo voltou a ser ala direito e Brahimi ocupou a esquerda, com Herrera e Sérgio Oliveira a assegurarem o centro; as novidades estavam na defesa, onde Alex Telles regressava após lesão e o central venezuelano Osorio, reforço de inverno, se estreou. Conceição só não conseguiu controlar uma coisa: o estado de espírito dos jogadores. Principalmente depois de o Belenenses ter aberto o marcador. O primeiro perigo até veio do FC Porto (2'), num cabeceamento de Felipe que o guarda-redes contrário segurou, mas seguiu-se o acidente da noite (10'). Um alívio da defesa portista caiu pouco à frente da linha de meio-campo, Sérgio Oliveira ficou a ver o adversário cabecear para a frente, Felipe e Osorio chocaram ao acorrer à mesma bola e Nathan ficou sozinho perante Casillas. O avançado dos azuis picou a bola sobre o espanhol para o primeiro golo.
A ausência de resposta pronta ao golo sofrido conduziu àquilo que viria a ser a nota principal da exibição do FC Porto: uma ansiedade que ainda não se tinha visto esta temporada. A bola queimava nos pés de cada jogador, a indecisão era grande sobre o que fazer com ela e os lances eram criados aos soluços. Para quem via o jogo pela televisão, era evidente que os homens do FC Porto jogavam de rosto fechado e olhar perdido no vazio. Decerto que não era medo, mas quase. Do outro lado, o Belenenses jogava tranquilo. Evidentemente que é mais fácil encarar o adversário quando se está em vantagem; e muito mais quando este não consegue responder em condições. Os azuis conseguiram reeditar aquilo que de melhor fizeram aquando da visita do Benfica, em que ficaram a segundos de vencer. Concentrados mentalmente e disciplinados na forma como se colocavam em duas linhas atrás de onde a bola estivesse, os da casa não concediam espaços ao FC Porto, nem tempo para o portador da bola jogar. Numa frase, a estratégia surtia efeito.
Ainda assim, o FC Porto teve algumas oportunidades, nomeadamente em remates que saíram a rasar o poste. Também nesses lances ficou à vista a ansiedade que ia consumindo os dragões, pela forma como levavam as mãos à cabeça ao ver a bola escapar-se pela linha de fundo. Só o intervalo poderia fazer o FC Porto começar de novo, mas nem isso; o Belenenses não se abria. Ao minuto 56 Conceição mexeu: trocou Aboubakar por Gonçalo Paciência e tirou Maxi Pereira para meter Paulinho. Ricardo recuou, na tentativa de dar a largura de ataque que nem o uruguaio, nem Telles - quiçá sem ritmo - estavam a dar. O FC Porto teve aí as suas melhores oportunidades (62 e 63'), mas André Moreira respondeu com defesas estupendas a novo cabeceamento de Felipe e a um desvio de Paciência na pequena área. Se já estava escrito a lápis, ficou a negrito: naquela baliza a bola não vai entrar. O técnico belenense Silas, por seu turno, teve toque de Midas. Tirou o autor do golo para entrar Maurides (66'), e o brasileiro deu a estocada final nos dragões apenas quatro minutos depois, com uma forte cabeçada em frente à baliza, após livre lateral batido por Fredy.
No quarto de hora final o Belenenses fechou a loja, passe a expressão. Entregou a iniciativa ao FC Porto e bloqueou os caminhos da baliza. Conceição tirou Osorio e lançou Danilo Pereira (72'), que também regressava após longa paragem, mas não houve meio de dar um sinal de vida, por ténue que fosse. É todo um novo campeonato que começa nesta recta final. Em escassas três jornadas os cinco pontos de avanço que o FC Porto tinha tornaram-se em um de atraso. Por outro lado, tudo está na mesma, pois dragões e águias continuam a depender de si mesmos para cortar a meta em primeiro. Não restam dúvidas de que a hora das grandes decisões chegou.

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por Miran Pavlin às 23:45

Sábado, 17.03.18

Liga NOS, 27.ª jornada - FC Porto 2-0 Boavista FC - Isto, só vídeo

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Em cada temporada, o raciocínio do vosso humilde escriba acerca dos jogos entre dragões e panteras começa da seguinte forma: é dérbi. E um dérbi nunca pode ser encarado de ânimo leve, nem mesmo quando a história diz que é raro o FC Porto sentir problemas quando recebe o seu rival da zona oeste da cidade. O encontro deste ano mais uma vez seguiu a tendência histórica, muito por culpa do madrugador golo de Felipe (2'), que cabeceou junto à pequena área a cruzamento de Sérgio Oliveira, numa segunda vaga portista de ataque após canto aliviado pela defesa contrária. Terá sido esse golo que permitiu ao FC Porto conviver bem com um jogo mexido, frente a um adversário que não quis de maneira nenhuma ficar remetido à sua própria zona defensiva. No fundo, esta linha de pensamento é como que uma pescadinha de rabo na boca, pois encontrando-se a perder, não atacar era o pior que o Boavista poderia fazer. E lá está: era um dérbi. Ainda assim, nem por isso os axadrezados criaram perigo, de resto tal como o FC Porto, que se deparava ele próprio com dificuldades em colocar a baliza do Boavista em risco. Nesse particular, a responsabilidade era da acção do central Raphael Rossi, que teve muitas palavras a dizer, limpando lance atrás de lance aos dragões. O jogo decorria sem grandes sobressaltos até ao minuto 41, quando uma entrada mais viril de Vítor Bruno sobre Sérgio Oliveira foi punida com cartão vermelho directo. Manuel Oliveira foi peremptório na decisão, mas mudou de ideias depois de ir à linha lateral rever o lance. As imagens não deixavam dúvidas; o lance não justificava mais que um cartão amarelo. Um alívio para Vítor Bruno, que tinha entrado para colmatar a lesão de David Simão havia escassos oito minutos.
O jogo estava então a ser disputado a bom ritmo, mas sem grandes motivos de interesse. A segunda parte trouxe um ligeiro acréscimo de intensidade, mas o resultado prático era nulo. O Boavista teve a sua melhor oportunidade aos 56 minutos, através de um remate cruzado de Mateus que Casillas defendeu para canto com uma boa estirada. Acabaria por ser o próprio Boavista a virtualmente resolver o jogo (62'), quando o guarda-redes Vágner cobrou um pontapé de baliza com um passe em frente para Idris mas apanhou Herrera no caminho. O mexicano só precisou de se aproximar da baliza e colocar a bola. O vídeo-árbitro voltou a desempenhar um papel importante mais à frente (73'). A jogada até já tinha seguido durante alguns segundos quando o árbitro assinalou grande penalidade a favor do FC Porto; tinha havido um derrube de Sparagna a Maxi Pereira no momento em que o uruguaio meteu a bola para o centro da área. Sérgio Oliveira avançou para uma conversão com sucesso, mas os axadrezados imediatamente rodearam Manuel Oliveira alegando que o médio portista deu dois toques na bola. Vendo o lance corrido, foi perceptível que Sérgio Oliveira escorregou. E mais uma vez as imagens foram esclarecedoras: ao escorregar, o pé de apoio tocou na bola ao mesmo tempo do pé que rematou. Golo invalidado, de nada valendo os efusivos festejos.
Foi o último momento de destaque do encontro. No cômputo geral, foi um dérbi que não deixa grandes saudades. Para o FC Porto, valeu por um triunfo que coloca atrás das costas em definitivo o deslize da pretérita ronda, e por uma utilização do vídeo-árbitro que não merece comentários negativos; o que na verdade vale para as duas equipas. O Boavista, mesmo derrotado, justificou bem o lugar tranquilo que ocupa na tabela.

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por Miran Pavlin às 23:40

Domingo, 11.03.18

Liga NOS, 26.ª jornada - FC Paços de Ferreira 1-0 FC Porto - Soma de factores

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O som das rolhas das garrafas de champanhe a saltar ouviu-se um pouco por toda a parte. Entre os não-portistas, claro. Pela primeira vez esta época a nível interno, o FC Porto foi derrotado, naquilo que pode ser visto como uma inevitabilidade. Nas 83 edições anteriores da I Liga, apenas por quatro vezes uma equipa terminou sem derrotas; e num dos casos, em 1977/78, esse registo não chegou para ser campeão. Daí que neste encontro um conjunto de factores se tenha alinhado para que os dragões não vencessem. Desde logo as lesões que afectam diversas unidades-chave do plantel azul-e-branco, nomeadamente nos sectores mais avançados. O onze titular não mudou sobremaneira em relação àquele que jogou em Liverpool. A envolvência do jogo sim; de um mero cumprimento de calendário, passou-se para uma partida em que os pontos faziam uma falta tremenda a ambas as equipas. Acrescentam-se ainda à equação o vento que tornava infrutíferos os passes em profundidade pelo ar, o relvado que impedia os dragões de ter fluidez nas transições ofensivas por estar empapado em certas zonas, e a chuva que fazia a bola ganhar velocidade a cada ressalto desses passes pelo ar. Obviamente que essas condições eram iguais para as duas equipas, mas o Paços de Ferreira ter-se-á adaptado melhor ao que o jogo exigia.
Tendo um dos motores do ataque indisponível e o outro, no mínimo, gripado - Marega e Aboubakar, respectivamente - e sem contar com Herrera por castigo, o FC Porto não soube - ou não conseguiu - impor-se no jogo. Um meio-campo a recuperar poucas bolas e um ataque com poucas ideias deixavam o FC Porto com uma cara semelhante à que mostrou na primeira parte do célebre jogo interrompido com o Estoril. Além disso, também não havia Alex Telles para que algum dos quinze cantos conquistados causasse perigo. O futebol pouco escorreito dos dragões permitia ao Paços jogar nos moldes que mais lhe convinham, destruindo sem grande dificuldade os ataques contrários e procurando o contacto fácil em cada bola dividida. Lances relevantes contam-se três: o golo dos castores (34'), num canto mal aliviado por Marcano, seguido de um ressalto no rosto de Waris que sobrou para Filipe Ferreira na esquerda, com o lateral a cruzar para a entrada triunfal de Miguel Vieira ao primeiro poste; a resposta do FC Porto (36'), em que Mário Felgueiras defendeu um desvio de Aboubakar à queima-roupa, a cruzamento de Diogo Dalot; e a grande penalidade desperdiçada por Brahimi (66'), que viu Felgueiras adivinhar o lado e voltar a ser decisivo.
Correndo o risco de ser acusado de ver o jogo com óculos azuis, o anti-jogo pacense é indissociável da história do desafio. Se antes do golo já se notava, assim que os castores passaram para a frente do marcador essa prática tornou-se no lema da equipa de cada vez que ganhava a posse da bola. Nestas situações é recorrente ouvir-se ou ler-se que cada um joga com as armas que tem. No entanto, neste caso o anti-jogo era revelador da posição classificativa ocupada pelo Paços de Ferreira à entrada para a jornada, mas também do desejo de capitalizar os deslizes prévios de todos os outros emblemas envolvidos na luta pela permanência. Esse futebol negativo do Paços não explica per se a derrota do FC Porto, mas foi um factor, ao contribuir para enervar os dragões. Tal como a arbitragem de Bruno Paixão. É certo que não houve lances difíceis com decisões controversas, mas Paixão colocou-se a jeito para ser acusado de caseirismo ao ajuizar a favor dos homens da Capital do Móvel praticamente todos os lances divididos. Também não justifica o desaire, mas foi igualmente um factor.
Somados todos os factores, o FC Porto regressa à Invicta de mãos a abanar, vendo encurtar-se a distância para os perseguidores. E porque no final é sempre fácil apontar erros, vistamos então o fato de treinador de bancada: mesmo não esquecendo que Conceição tinha pouco por onde escolher, não teria sido mais avisado alinhar de início com Gonçalo Paciência em vez de Aboubakar? O resultado até poderia ter sido o mesmo, mas enquanto Paciência precisa de minutos pelo FC Porto e trouxe ritmo da primeira volta em Setúbal, o camaronês veio há pouco de lesão e talvez pudesse ter sido mais efectivo sendo lançado mais tarde no jogo.

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por Miran Pavlin às 23:45



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