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CORTE LIMPO

Todas as fotografias neste blog encontram-se algures em desporto.sapo.pt, salvo indicação em contrário


Quarta-feira, 09.12.20

Liga dos Campeões, fase de grupos - Olympiakos FC 0-2 FC Porto

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Não assisti ao jogo.

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por Miran Pavlin às 23:59

Terça-feira, 01.12.20

Liga dos Campeões, fase de grupos - FC Porto 0-0 Manchester City - Metamorfose

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Desta vez resultou na perfeição. O FC Porto transformou-se numa qualquer equipa humilde desta vida, remetendo-se a uma resoluta defesa do seu castelo, e com isso garantiu o ponto de que precisava para atingir os oitavos-de-final. O esquema com cinco defesas utilizado por Sérgio Conceição teve duas consequências práticas: impediu o Manchester City de encontrar os espaços necessários para atacar em velocidade, mas também deixou o próprio FC Porto longe demais da baliza contrária. A estatística final de remates (2-19) atesta-o bem. A verdade é que tudo foi correndo pelo melhor para este FC Porto metamorfoseado. O City teve diversas oportunidades de golo, mas ou não atinou com a baliza, ou encontrou pelo caminho um Marchesín em modo monstro. Nomeadamente na segunda parte, o guardião argentino dos dragões bilhou a grande altura, com algumas defesas vistosas. No lance mais perigoso dos citizens (69'), Marchesín defendeu, à queima-roupa, uma tentativa de Ferrán Torres. O lance tinha começado num cruzamento de Sterling para Rúben Dias fazer daquilo que é: de defesa. Ao tentar desviar para golo, o português acabou por fazer, tecnicamente, um corte in extremis, com a bola a sobrar para Torres. Antes (58'), já Marchesín tinha corrigido a única falha do sector defensivo com uma bela mancha perante o isolado Sterling. Haveria mais de Marchesín, a negar remates de Bernardo Silva (76') e Eric García (80'). A sorte do jogo também sorriu ao argentino, que depois de defender para a trave um primeiro cabeceamento de Gabriel Jesus, nada pôde fazer perante a recarga do mesmo jogador (81'). Pensou-se durante alguns segundos que se tinha feito justiça no resultado, mas o vídeo-árbitro descortinou um fora-de-jogo no desenrolar do lance e, portanto, o golo não valeu. Olhando pelo lado do City, é óbvio que os ingleses deviam ter vencido, quanto mais não seja por terem sido a equipa que tentou activamente ganhar o jogo. No entanto, não se pode culpar ninguém quando não se consegue ultrapassar o guarda-redes contrário. Porque ele, como em qualquer jogo, está lá para defender. E foi isso que Marchesín fez, tornando-se no carregador de piano do FC Porto. Não é todos os dias que um guarda-redes termina o jogo com esse estatuto. A igualdade vem reforçar a tendência histórica de os clubes ingleses não trazerem bons resultados de casa do FC Porto - por favor, não mostrem isto à malta do Liverpool, senão eles riem-se. Face ao enfoque defensivo, o FC Porto não teve lances perigosos a assinalar, mas entre o deve e o haver, pode queixar-se de uma excessiva condescendência do experiente juiz holandês Björn Kuipers para com os cotovelos dos homens do City. Dúvidas ainda num lance em que Ederson parece atropelar Otávio (16'), mas também terá havido falta para grande penalidade contra o FC Porto numa jogada em tudo idêntica à que deu castigo na recepção ao Marselha, pelo que os lances se anularão um ao outro. Certo é que tanto FC Porto como Manchester City seguem em frente. E se ambos se reencontrassem mais lá para os quartos-de-final?

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por Miran Pavlin às 23:59

Quarta-feira, 25.11.20

Liga dos Campeões, fase de grupos - Olympique Marselha 0-2 FC Porto - Déjà vu

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Perdoem-me os leitores por começar este texto com a mesma ideia utilizada na apreciação ao recente encontro com o Portimonense, mas foi como se este desafio fosse uma continuação do que já se tinha visto em Portugal entre dragões e phoccéens. Um déjà vu, portanto. É certo que o Marselha teve mais afinco na forma como tentou jogar, mas a verdade é que pouco lhe saiu bem, na relação entre passes e movimentações. Mais experimentado nestas andanças - a última ida do OM à fase de grupos da Champions remontava a 2013/14 -, o FC Porto soube gerir o jogo da melhor forma, inaugurando o marcador ao minuto 39, por Zaidu. O nigeriano fez assim o seu primeiro golo pelo FC Porto, no aproveitamento de um ressalto à boca da baliza, após canto de Sérgio Oliveira e primeiro desvio de Grujic. Falando em Grujic, o sérvio parece tratar-se de um jogador de extremos: fino no toque de bola, mas grosso na disputa dos lances. A sua expulsão por acumulação de cartões amarelos (67') não teve consequências de maior porque pouco depois (71'), do lado dos marselheses, Balerdi era também expulso, com a agravante de o seu segundo amarelo surgir numa falta para grande penalidade. Sérgio Oliveira converteria o castigo (72'). A margem de dois golos não sofreu alterações, deixando o FC Porto a precisar de um pontinho apenas para passar à fase seguinte. Não resisto a recordar a época 2015/16, na qual o FC Porto estava exactamente na mesma situação a dois jogos do fim da fase de grupos. Dessa vez, com Dinamo Kiev e Chelsea ainda pela frente, o ponto necessário não chegou a aparecer e os dragões caíram para a Liga Europa. Talvez seja conveniente recordar essa época. Caso o ponto em falta não apareça já na recepção ao Manchester City, terá que aparecer na visita à Grécia, local onde o FC Porto não tem um registo histórico positivo. Haverá novo déjà vu a caminho?

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por Miran Pavlin às 23:59

Terça-feira, 03.11.20

Liga dos Campeões, fase de grupos - FC Porto 3-0 Olympique Marselha - Tudo a nu

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Nesta era de futebol hermético, não haver público nos palcos onde é mais habitual tê-lo em bom número deixa o jogo despido de quase tudo. Se a isso se juntarem uma equipa que controla as operações desde cedo e outra que não parece ter armas suficientes para se libertar, então é como se ficasse tudo a nu. Sem ruído, sem brilho e até sem glamour, o encontro foi passando sem deixar grandes saudades, excepto, talvez, ao FC Porto, porque o venceu. Os dragões chegaram ao golo cedo (4'), por Marega, que parece trazer a pontaria afinada sempre que há Champions na ementa. Talvez a viagem dos 90 minutos tivesse sido mais agitada se Payet tivesse convertido uma grande penalidade por falta de Sarr sobre Thauvin (10'), mas o tiro do francês saiu por cima. Não marcou Payet, marcaria Sérgio Oliveira (28'), a castigar falta de Amavi sobre Corona. O lance foi revisto, mas mesmo assim não parece ser claro e óbvio. O Marselha, que não vinha mostrando muito, ficava em posição incómoda. Mais incómoda só a do treinador André Villas-Boas, que tinha de convencer as suas tropas a derrubar o clube do coração. Não terá sido a pedido do técnico que o Marselha fez um jogo cinzento escuro, mas a verdade é que se esperava mais de uma equipa que ainda há coisa de semanas tinha ido à capital francesa bater o PSG. O FC Porto elevaria a meio do segundo tempo (69'), numa jogada conduzida por Corona e finalizada por Luis Díaz. O resultado ficava bem seguro para o lado azul-e-branco e, face ao pouco perigo criado pelos marselheses, pouco mais restava senão aguardar o apito final. Despido de público, de emoção e até de história, este jogo não foi o melhor exemplo do que pode ser uma partida da Liga dos Campeões. Talvez só quando o mau tempo passar voltemos a ver Champions como deve ser.

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por Miran Pavlin às 23:59

Terça-feira, 27.10.20

Liga dos Campeões, fase de grupos - FC Porto 2-0 Olympiakos FC - Para memória futura

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Na época passada o FC Porto regressou à Holanda 21 anos depois. Agora foi a vez de matar saudades do futebol grego, cujos clubes não encontrava desde 2002/03. No caso do Olympiakos, a memória da última visita leva-nos ainda mais longe, até ao Outono de 1999 e a uma partida que terminou com o mesmo resultado de hoje. O FC Porto saltou cedo para o comando (11'), na sequência de um péssimo domínio de Bouchalakis, que viu a bola bater-lhe na canela e sobrar para Sérgio Oliveira. O médio português aproveitou para se isolar e cruzar para um corte incompleto de Cissé, com a bola a sobrar para a direita do ataque, de onde Fábio Vieira rematou cruzado para o seu primeiro golo europeu. O FC Porto ficou por cima, mas teve que lidar com um Olympiakos irrequieto, que fez questão de mostar que veio até ao Dragão para discutir o resultado. Entre uma oportunidade e outra, a mais flagrante até ao intervalo pertenceu ao Olympiakos (40'), que viu Mbemba cortar in extremis uma tentativa de Valbuena aproveitar um mau alívio da defesa portista. O segundo tempo não trouxe grandes mudanças, pelo menos até perto do quarto-de-hora final, altura em que o Olympiakos conseguiu encadear alguns lances bem construídos e uma ou outra recuperação de bola ainda no meio-campo contrário. Os gregos começavam a justificar um golo, mas acabou por prevalecer a velha máxima "quem não marca, sofre". E assim, Sérgio Oliveira faria o segundo golo portista (85'), de cabeça, em antecipação, a cruzamento de Marega. O Olympiakos ainda teve mais uma oportunidade flagrante (88'), com Hassan a aparecer solto na direita, mas Marchesín, que já tinha feito algumas boas defesas, ainda tinha uma última guardada, assegurando que o marcador não voltaria a mexer. O FC Porto não fez muito, mas foi o suficiente para arrecadar os três pontos. Tendo em conta que o registo dos dragões na Grécia não é famoso, talvez seja conveniente guardar para memória futura os melhores momentos do Olympiakos nete jogo.

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por Miran Pavlin às 23:59

Terça-feira, 20.10.20

Liga dos Campeões, fase de grupos - Manchester City 3-1 FC Porto - Entre o possível e o impossível

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Por muito que no futebol tudo seja possível, só um louco esperaria ver o FC Porto trazer alguma coisa deste jogo. No campo, no entanto, durante bastante tempo pareceu que os dragões seriam capazes de trazer mesmo alguma coisa, mas por entre os possíveis e impossíveis do futebol, foi uma noite em que o FC Porto ficou do lado errado de duas decisões, que custaram dois golos. Talvez já se tenha visto pior - surge imediatamente à ideia Hugh Dallas em 2000 -, e tratando-se de uma primeira jornada da fase de grupos as coisas tendem a esfumar-se na memória, mas o juiz Andris Treimanis não teve uma noite para recordar. No lance capital (17'), o letão assinalou grande penalidade numa jogada confusa, que incluiu uma calcadela de Gündogan a Marchesín e um encontrão entre Pepe e Sterling. Talvez nem houvesse nada a assinalar, mas a decisão inicial manteve-se após consulta às imagens e Agüero bateu o castigo para o 1-1 (20'). Antes, Luis Díaz abrira o activo (14') com um lance individual em que sai da esquerda e avança pelo meio-campo dos citizens, ultrapassa com mestria dois adversários e finaliza já descaído para a direita, com um remate cruzado. Os dragões responderam com um lance flagrante (22'), mas Uribe falhou a baliza na ressaca de um mau alívio. Podia ter feito muito melhor. O FC Porto não voltaria a ter um lance tão bom, mas o Manchester City aparentemente também não os tinha. Através de bom posicionamento colectivo e muitas antecipações, os dragões iam impedindo que o City se impusesse. E um empate não seria nada de se deitar fora. Até que chegou o minuto 65 e o golo de Gündogan, num livre frontal que castigou uma falta muito duvidosa de Fábio Vieira. Na única repetição mostrada o médio portista parece jogar a bola. Neste tipo de jogos, de todos os livres que acontecem junto à área, o golo é sempre naquele cuja falta não convenceu. Ferrán Torres ainda faria o 3-1 (73'), partindo Pepe com surpreendente facilidade antes de finalizar em jeito. Foi por pouco que não houve mais um golo a acrescentar (83'), num remate de longe de Rodri, que Marchesín desviou para o poste com as pontas dos dedos. O esquema de três centrais com laterais projectados utilizado por Sérgio Conceição surtiu efeito até onde foi possível, e só sofreu alterações de vulto com o resultado final já fixado. Tudo somado, fica o registo de uma noite difícil tornada fácil para o Manchester City, e o amargo, para o FC Porto, de ver dois momentos infelizes arruinarem o seu esforço. Por muito que, à partida, não fosse neste jogo que o FC Porto teria que fazer os seus pontos.

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por Miran Pavlin às 23:46

Terça-feira, 13.08.19

Liga dos Campeões, 3.ª pré-eliminatória, 2.ª mão - FC Porto 2-3 FC Krasnodar - Fora dos planos

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Até dá vontade de ir apressadamente verificar todos os calendários e agendas, mas não há engano. É mesmo 13 de Agosto e o FC Porto está fora da Liga dos Campeões. Escrever a segunda parte da frase anterior tão cedo na época é tão impensável quanto um 0-3 em 34 minutos de jogo. Aí, há mérito do conjunto russo, que foi cirúrgico na forma como deu a volta à eliminatória. Logo ao minuto 3, num pontapé de canto, Tonny Trindade de Vilhena ficou esquecido ao segundo poste e rematou cruzado a contar; aos 12, num contra-ataque que beneficiou de um corte de Corona directamente para os pés de Wanderson, Suleymanov, isolado, não teve dificuldades em bater Marchesín. O mesmo Suleymanov, agora em lance individual, assinaria o terceiro do Krasnodar com um remate cruzado. O estrondo foi tal, que os dragões não conseguiam melhor que alternar passividade com letargia, e vice-versa. Nakajima era dos poucos que motravam alguma presença mental, procurando constantemente mostrar-se ao jogo para receber a bola e distribuir, mas à sua volta Marega e Luis Díaz eram pouco mais que inconsequentes, enquanto Corona, apesar de esforçado, estava demasiado individualista. Sérgio Conceição fez o mais natural nestas circunstâncias, ao tirar o lateral Saravia para colocar o ponta-de-lança Zé Luís (37'), mas a equipa, atordoada, demorou algum tempo a reagir. Logo a seguir à saída de Sérgio Oliveira por lesão (49'), foi por pouco que o Krasnodar não fez mais um golo, em novo lance de transição rápida (52'), mas Marchesín foi gigante a negar a finalização de Berg. Pouco depois (57'), o FC Porto finalmente tinha sucesso nalguma coisa; numa jogada de envolvência Alex Telles cruzou para a zona frontal, onde Zé Luís se elevou para cabecear para o fundo das redes. Só aqui o FC Porto colocou o coração em campo - porque a cabeça, na verdade, nunca chegou a aparecer. Ainda assim, essa nova intensidade serviu para pouco mais que mostrar que o FC Porto tinha algum futebol dentro de si. O golo de Luis Díaz (76'), num bom remate curzado, ainda fez os dragões acreditar que era possível sair do buraco em que se tinham metido, mas até final não haveria mais oportunidades. E assim, 19 anos depois, o FC Porto volta a despedir-se da Champions antes da chegada ao quadro principal. O choque é bem maior que nesse Agosto de 2000, pois na altura a 3.ª pré-eliminatória era a última e o carrasco foi o Anderlecht, um grande do seu país. Perder para o Krasnodar estava fora dos planos - excepto para os próprios russos, claro.

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por Miran Pavlin às 23:59

Quarta-feira, 07.08.19

Liga dos Campeões, 3.ª pré-eliminatória, 1.ª mão - FC Krasnodar 0-1 FC Porto

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Não assisti ao jogo.

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por Miran Pavlin às 23:00

Quarta-feira, 17.04.19

Liga dos Campeões, quartos-de-final, 2.ª mão - FC Porto 1-4 Liverpool FC - Diferença fulcral

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É incrível como por vezes o futebol não faz sentido nenhum. Serve isto para dizer que é muito difícil relacionar o resultado final com a estatística que diz que Casillas não fez uma única defesa. Esse desenlace adverso para o FC Porto faz ainda menos sentido quando se constata que os dragões jogaram de igual para igual com os reds ao longo de praticamente toda a primeira parte. Foi, pois, mais uma amostra de como o futebol pode ser um jogo simples e inexplicável ao mesmo tempo. Embora a tarefa do FC Porto fosse assaz difícil, a equipa não virou a cara à luta e não teve medo de ter a bola e enfrentar o Liverpool com ela nos pés. Os ingleses eram forçados a recuar, mas o FC Porto encravava na hora de definir a jogada; ora elaborava demais e a oportunidade de remate se perdia, ora rematava mal. Ou fraco e à figura. Já o Liverpool era mortífero. Na primeira vez em que subiu à área oposta, marcou, por Sadio Mané (26'). O lance teve que ser confirmado pelo vídeo-árbitro, pois o assistente assinalou fora-de-jogo. Se os dragões já precisavam de um milagre, passavam agora a precisar de que o Liverpool sofresse um cataclismo. Daí que tenha sido natural que a equipa esmorecesse durante alguns minutos. Após o descanso o FC Porto reentrou com alguma intenção, mas foi sol de pouca dura e depressa o Liverpool ficou mais tranquilo em campo. O 0-2, por Salah (65'), não só matou o jogo, como também fez com que o público da casa se erguesse em cânticos de apoio à equipa, que logo retribuiu com um golo (69'). O autor foi Éder Militão, que se elevou no centro da área para desviar um canto de Alex Telles. Esse prémio, justo para aquilo que foi a crença do FC Porto em reverter o resultado da primeira mão, acabou por ficar soterrado por mais dois golos do Liverpool (77' e 84'), ambos de cabeça. Marcaram Firmino, à vontade em zona frontal, e van Dijk, ao segundo poste na sequência de um canto. Essa boa primeira parte do FC Porto faz com que os números finais do jogo sejam demasiado pesados. No cômputo geral da eliminatória, a diferença esteve na eficácia do Liverpool na hora do golo. É a mais fulcral das diferenças...

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por Miran Pavlin às 23:59

Terça-feira, 09.04.19

Liga dos Campeões, quartos-de-final, 1.ª mão - Liverpool FC 2-0 FC Porto - Mudar o chip

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Defrontavam-se neste jogo um clube portador de um palmarés rico, proveniente de um dos países de topo do futebol europeu - se não é considerado um tubarão, pouco lhe falta -, e um dos clubes de ponta de um país médio/médio-alto. Como frequentemente acontece em encontros deste calibre, o FC Porto estava perante a necessidade de deixar de ser a equipa que passa a maioria do tempo com bola junto à área do adversário, transformando-se precisamente nesse adversário que aceita ficar bem fechado junto ao seu último reduto, sempre à espreita do momento em que se pode desdobrar no contra-ataque. Numa frase, o FC Porto precisava mudar o chip em relação àquilo que habitualmente acontece no futebol doméstico. O que não se revelou fácil, a avaliar pelo nervosismo demonstrado pelos dragões sempre que passavam demasiados segundos subjugados à pressão do Liverpool, principalmente durante a primeira parte. Sofrer cedo (5') também não ajudou, ainda para mais quando o golo aparece não só na primeira investida do adversário, como também num desvio que traiu o guarda-redes; sem essa tentativa de corte de Óliver o remate de Naby Keita teria saído à figura de Casillas. O Liverpool criou várias outras oportunidades e chegou ao segundo golo à passagem do minuto 26, numa simples jogada em que o médio Henderson lançou o lateral Alexander-Arnold pela direita e este cruzou para a entrada sem oposição de Firmino. Também é verdade que o FC Porto procurou jogar sempre que teve a bola. Na melhor oportunidade (30'), Marega viu Alisson parar com os pés o seu remate cruzado. Mais confortável no segundo tempo, o FC Porto não deixou que os reds fizessem o marcador avolumar-se como na época passada, o que vale por dizer que a eliminatória fica por resolver, embora aparente estar encaminhada para o lado dos homens de Merseyside, que, de resto, nunca deixaram de tentar um fatídico - para o adversário, pois - terceiro golo. O FC Porto terminou com queixas relativamente a duas hipotéticas grandes penalidades por mão na bola, mas as decisões do juiz espanhol Mateu Lahoz nesses momentos parecem acertadas. O mesmo não se pode dizer do lance entre Salah e Danilo Pereira (85'). Embora não tenha sido maldoso, em vez de jogar a bola o egípcio do Liverpool acertou em cheio, de sola, na perna do internacional português. Tendo em conta lances análogos, o cartão vermelho não seria desajustado, mas nem o amarelo saiu do bolso do árbitro. Talvez tenha havido respeito a mais pelo Liverpool. Ou medo das críticas por expulsar o seu jogador mais perigoso. Como sempre, é inútil insistir nas reclamações; soado o apito final o jogo passa a existir só nos livros de história. Só a segunda mão poderá repor, ou confirmar, os factos.

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por Miran Pavlin às 23:59



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