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CORTE LIMPO


Terça-feira, 09.09.14

Liga de Clubes - Entrevista a Mario Figueiredo

Antes de por em dia aquilo que se tem passado no Sporting nas últimas semanas, não posso deixar de comentar algo que vi ontem com muita atenção: a entrevista de Mário Figueiredo na RTP Informação. Descoberta por acaso no zapping de fim de noite, nesta entrevista Mário Figueiredo mencionou frontalmente quais os problemas estruturais do futebol português neste momento: a posse abusiva dos direitos televisivos da Liga Portuguesa por parte da Olivedesportos e a mudança do poder sobre a arbitragem e a justiça para a esfera da FPF no final do processo do Apito Dourado. Depois de compreender as implicações destes dois factos, facilmente se percebe a guerra aberta a este presidente de Liga e a vontade que aparentemente existe em o depor. Digo aparentemente, porque Mário Figueiredo deixou no ar uma ideia interessante: a ideia de que ele tem o apoio (em privado) de clubes que publicamente estão alinhados com o inimigo, para não sofrerem repercussões a nível financeiro e desportivo.
Mas voltando atrás, a ideia base da candidatura de Mário Figueiredo, é desde o início, o regresso dos direitos televisivos à Liga de Clubes, para que seja a própria Liga a negociar com as televisões e a repartir mais equitativamente o bolo pelos diversos clubes das duas ligas profissionais, à imagem e semelhança do que acontece em toda a Europa, com a excepção de Portugal e Espanha. Esta reconcentração de direitos da Liga levaria, segundo Mário Figueiredo a um aumento de receitas total (de 70 para 200 milhões de euros) e parcial (já que cada clube receberia muito mais), levando consequentemente a um aumento da competitividade do campeonato Português. Com isto se eliminaria o intermediário (Olivedesportos) que tem tido o tal exclusivo da compra dos direitos, revendido como lhe apetece e redistribuindo o bolo entre os clubes também como lhe apetece. E como esta distribuição é feita arbitrariamente pela Olivedesportos, isso leva a que a Olivedesportos seja detentora de um enorme poder e influência (um poder de facto), já que controla uma receita que no caso dos clubes mais pequenos muitas vezes representa cerca de 75% do seu orçamento. Caso a Liga ganhe a queixa na Autoridade da Concorrência, isso representará o fim da Olivedesportos e o fim do actual status quo do futebol Português... isso explica as tentativas desesperadas de tomada de assalto da Liga por parte das candidaturas de Rui Alves (apanhado nas escutas do Apito Dourado) e Fernando Seara, criadas para travar os processos judiciais em curso e deixar tudo na mesma...
Outra questão levantada por Mário Figueiredo foi a questão da tutela da arbitragem e da justiça ter saído da alçada da Liga e ter passado para a FPF. Nessa altura a Liga, no que diz respeito ao controlo das questões verdadeiramente importantes, ficou APENAS com o controlo dos direitos televisivos. E deu-se um acontecimento engraçado: as pessoas que estavam a controlar a Liga formam uma candidatura para tomar de assalto a FPF e mudam-se se armas e bagagens para a Rua Alexandre Herculano, mantendo tudo a funcionar exactamente como estava. Este "tudo" diz sobretudo respeito aos observadores, relatórios de observação e classificação dos árbitros, à progressão da carreira dos árbitros e à ausência de sorteio dos árbitros, ao que se junta também a hermeticidade da justiça, permitindo que os grupos de pressão continuem a influenciar da mesma forma que já influenciam há muitos anos. Como se viu no Mundial do Brasil (e se vai continuar a ver neste apuramento para o Europeu), esta estrutura da FPF continua mais preocupada em certos negócios do que em fazer progredir o futebol em Portugal...

Alguns dos meus amigos Portistas recusam-se a admitir que o Apito Dourado foi real. Dizem-me que todos os clubes pressionam e tentam corromper, que o Porto é apenas mais um e por isso não deve ser castigado por isso. Dizem que o Apito Dourado é apenas uma desculpa para justificar a incompetência de Sporting e Benfica no plano desportivo... Contudo, acho que muitos menosprezam a questão da transparência, em especial numa altura em que o Benfica tem aumentado a sua influência neste circuito. Ainda há pouco tempo perderam um campeonato no túnel da luz... quem lhes disse que não começarão a perder com mais frequência nos bastidores? Da mesma forma, e como disse Mário Figueiredo, o Benfica tem apostado mais em substituir o Porto na posição hegemónica dentro deste sistema (usando a expressão popularizada por Dias da Cunha) do que apostar na reforma do futebol Português, aumentando a transparência e fazendo depender os resultados de factores meramente desportivos. Não ganharia também o Benfica com a transparência? Quem não deve não teme... não teriam todos a ganhar com o fim das polémicas?

Uma nota final para o trabalho execrável da jornalista da RTP (instrumentada por um qualquer catedrático do jornalismo sentado na régie) interrompendo Mário Figueiredo constantemente, insistindo sempre na tecla de que a maioria dos clubes estavam contra ele e que por isso ele não tinha condições para continuar. Desde o início do verão tem sido constantes as noticias que visam descredibilizar a liga (falta de dinheiro, falta de patrocinadores entre muitas outras variadas acusações de incompetência) mas Mário Figueiredo deixou no ar a ideia que mal a legislação relativa às apostas desportivas online seja aprovada, não vão faltar patrocinadores a esta liga...
Com a entrevista de ontem percebi melhor esta presidência de Mário Figueiredo... espero agora que ele continue inabalável nesta sua missão de acabar com os poderes instalados na sombra, neste nosso futebol. 

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por Kirovski às 10:21



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