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CORTE LIMPO

Todas as fotografias neste blog encontram-se algures em desporto.sapo.pt, salvo indicação em contrário


Quarta-feira, 30.10.19

Liga NOS, 9.ª jornada - CS Marítimo 1-1 FC Porto - Retrospectiva ou antevisão?

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Este jogo foi todo ele um retrospectiva de tantas visitas passadas do FC Porto ao Caldeirão. As maleitas do costume estavam todas lá; a incapacidade de articular jogo por mais que alguns segundos, a falta de cabeça fria, os ocasionais momentos de desnorte... Nem o golo sofrido cedo faltou, com Bambock, ao minuto 11, a aproveitar uma bola mal aliviada pela defensiva portista para rematar a contar. A bola ainda sofre um desvio em Danilo Pereira. Enquanto Pepe oferecia um canto desnecessário algures na primeira parte e, mais tarde, até Marchesín tentava um passe visionário, mas para fora, o jogo transformava-se numa mini-batalha em que o principal protagonista era o som do apito do árbitro. Nomeadamente na segunda parte, o jogo desceu a uma sucessão de faltas, faltinhas e incidentes, polvilhados por dez cartões amarelos, incluindo um para Sérgio Conceição após o final. O futebol jogado foi parco, e em pequenos fogachos de curtíssima duração. Ao ponto de até o golo do FC Porto (84') ser quase impossível de detectar a olho nu e resultar de um lance em que Soares faz de defesa e acerta nas costas de Pepe, a quem foi atribuído o golo. Os dragões ainda tiveram forças para criar um par de lances prometedores, mas já não havia discernimento para finalizar melhor. De certa forma, o empate é um prémio para as duas equipas. Para o Marítimo por tê-lo conseguido jogando feio e duro, e não mostrando muito mais que o golo; para o FC Porto por ter sobrevivido a esse tipo de jogo. Tudo somado e afinal talvez este jogo não seja só uma retrospectiva. Talvez seja também uma antevisão do Boavista-FC Porto que está aí ao virar da esquina.

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por Miran Pavlin às 23:00

Quinta-feira, 30.05.19

CS MARÍTIMO 2018/19

MAR - golo.jpg

Ostentando já o rótulo de histórico do futebol português, ou não fosse o quinto clube há mais tempo consecutivamente na I Liga (desde 1985/86), o Marítimo parece ter recuado até aos seus primeiros tempos na divisão máxima, em que a luta era mais pela manutenção que pela Europa. Se nas épocas mais recentes acabou por não se poder escrever o seguinte com as letras todas, desta vez não houve margem para dúvidas: o Marítimo esteve efectivamente na luta pela permanência. O arranque até foi prometedor, com nove pontos em 12 possíveis, mas logo os leões do Funchal entraram numa terrível série de onze jogos sem vencer (jornadas 5 a 15), que os deixaram no proibido 16.º lugar nessa jornada. Valeu que a equipa ainda foi a tempo de se recompor, pese embora tenha sido o pior ataque desta edição do campeonato, com 26 golos marcados; o terceiro pior total dos verde-rubros na I Liga. O decréscimo de competitividade do Marítimo talvez não seja alheio aos treinadores que têm passado pelo clube nos anos recentes. É certo que Daniel Ramos fez do reduto maritimista uma fortaleza entre 2016/17 e 2017/18, mas nomes como Leonel Pontes (2014/15), ou Paulo César Gusmão (2016/17), não deram conta do recado. Tal como a aposta ousada que se lhes seguiu.

 

TREINADORES

MAR - Cláudio Braga.jpgCláudio Braga não trazia consigo um currículo por aí além, mas chegava ao Marítimo depois de promover o Fortuna Sittard à Eredivisie holandesa em 2017/18. A presença do técnico na ilha terminaria ao fim de dez pontos noutras tantas jornadas e uma eliminação da Taça de Portugal diante do Feirense (0-3), na 4.ª eliminatória.

MAR - Petit.jpgO substituto foi Petit, que chegava já calejado por situações bem mais periclitantes que viveu noutros emblemas.

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por Miran Pavlin às 12:30

Sábado, 16.03.19

Liga NOS, 26.ª jornada - FC Porto 3-0 CS Marítimo

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Não assisti ao jogo.

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por Miran Pavlin às 23:59

Sábado, 03.11.18

Liga NOS, 9.ª jornada - CS Marítimo 0-2 FC Porto - Memória distante

CSMFCP.jpg

Os dissabores portistas em casa do Marítimo são regulares, mas a história também guarda períodos em que os dragões têm sucesso. Como é o caso no jogo em apreço. Aliás, esta foi a primeira vez desde 2010/11 e 2011/12 que o FC Porto venceu em épocas consecutivas no reduto maritimista. Nem sequer se viu a ansiedade que frequentemente toma conta da equipa ao pisar este relvado. O que não quer dizer, porém, que o FC Porto tenha tido rédea solta, pois a partida esteve despida de motivos de interesse até perto da recta final. O intervalo chegaria com apenas um lance a assinalar, numa incursão de Joel Tagueu pela esquerda, à qual Casillas respondeu com uma defesa ao primeiro poste, quando o camaronês já tinha pouco ângulo (28'). Com a teia bem armada em frente à sua baliza o Marítimo não deixava o FC Porto aproximar-se do último terço, mas com essa estratégia os próprios verde-rubros acabavam por não conseguir criar perigo por falta de unidades no sector atacante. O bloqueio era total, e nem uma grande penalidade serviu para o romper. É verdade que o lance é um tanto ou quanto forçado por Soares, mas tendo em conta que Lucas Áfrico devia ter sido expulso aos 25 minutos por uma valente tesoura sobre Corona, o castigo acabou por assentar que nem uma luva ao defesa do Marítimo. Na cobrança, Marega permitiu a defesa a Amir Abedzadeh (62'). Sérgio Conceição reagiu tirando Maxi Pereira para meter Otávio, recuando Corona para a posição do uruguaio (67'). A mexida teve efeitos imediatos. Ao minuto 70, um lance iniciado na esquerda por Óliver teve continuação em Brahimi, que deu para o meio, onde Soares e Marega tocaram sucessivamente de calcanhar para desmarcar Otávio, que avançou destemido área adentro e rematou forte para o primeiro golo. Três minutos mais tarde, já com o Marítimo inclinado sobre o outro extremo do campo, Óliver roubou a bola a Bebeto e iniciou um contra-ataque de quatro para um; ao chegar à área deu para Otávio na direita, com o brasileiro a recolocar a bola no meio, onde Marega só teve que encostar. Ficava aí decidido o encontro, mas ainda haveria lugar à expulsão de Danny por agressão a Otávio (82'). Otávio fez uma falta insolente sobre o antigo internacional português - deu-lhe um toque na perna e agarrou-o pela camisola - mas não havia necessidade de Danny perder a cabeça. O lance aconteceu já depois do último momento digno de registo, no caso um remate de Óliver que saiu tão perto do poste esquerdo que parecia golo. Seria merecido, por tudo o que o médio deu à equipa neste jogo. Com o resultado feito Conceição reequilibrou a equipa com as entradas de Herrera (74') e Mbemba (79') para os lugares de Soares e Brahimi, respectivamente. No cômputo geral, o FC Porto passou por tão poucos apuros que os naufrágios na Madeira parecem uma memória distante.

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por Miran Pavlin às 23:55

Domingo, 29.04.18

Liga NOS, 32.ª jornada - CS Marítimo 0-1 FC Porto - Match point

CSMFCP.jpg

Dos estádios assinalados a vermelho no calendário do FC Porto, só faltava visitar os antigos Barreiros. Na verdade, a casa do Marítimo estava marcada a vermelho, negrito, itálico e sublinhado, pois os dragões aí não venciam desde 2011/12. Jejum mais longo só em Alvalade (2008/09). Como se isso não bastasse, a luta dos insulares por um quinto lugar que pode valer uma presença europeia era um acréscimo às dificuldades que os dragões implicitamente encontravam. Era, portanto, uma tarefa de considerável magnitude aquela que o FC Porto tinha pela frente. Os primeiros momentos do jogo confirmaram as projecções. Houve muito equilíbrio e escassearam os lances junto às áreas. Em face da derrota do segundo classificado 24 horas antes, para o FC Porto o cenário de um empate seria sempre um ponto ganho na corrida ao título, mas não era de todo aconselhável baixar a guarda ou tentar segurar o nulo. Com a lição bem estudada, mas sem entrar em loucuras, o Marítimo não deixava o adversário potenciar os seus homens-chave, ao mesmo tempo que ia trazendo o jogo até ao meio-campo portista. A estratégia sofreu um revés à passagem do minuto 40, altura em que Soares se isolou a caminho do golo e foi derrubado por uma saída imprudente do guardião maritimista Amir Abedzadeh. Cartão vermelho indiscutível e um livre prometedor em posição frontal, que Sérgio Oliveira atirou por cima.
O Marítimo sacrificou o médio Jean Cléber para fazer entrar o guarda-redes Charles, mas as consequências da inferioridade numérica só ficaram à vista no segundo tempo. Os verde-rubros baixaram as linhas e a acção passou a decorrer maioritariamente no seu meio-relvado. Ainda assim, graças a uma interessante performance defensiva, o FC Porto não conseguia furar. Com Pablo em destaque, o sector recuado do Marítimo não abria espaços, enquanto o próprio Charles se ia mostrando autoritário perante as bolas que passaram pelo seu raio de acção. As entradas de Corona e Óliver Torres ao intervalo, para os lugares de Otávio e Sérgio Oliveira, também ajudaram o FC Porto a ter melhor presença atacante, no entanto o Marítimo resistia bem ao jogo com menos uma unidade, restringindo os azuis-e-brancos a um ou outro remate de fora e a mais um livre frontal desaproveitado. No melhor lance portista (67'), Soares não contava que Zainadine falhasse o corte e por isso não conseguiu rematar em condições.
A partida aproximava-se do final e o 0-0 era cada vez mais provável. Talvez tenha sido essa sensação de o empate ser um ponto ganho a fazer com que o FC Porto conseguisse equilibrar bem o velho binómio cabeça/coração na pressão dos minutos finais. E foi aí que o jogo se decidiu. Ao minuto 89 os dragões beneficiaram de um canto; Alex Telles bateu e Marega elevou-se ao primeiro poste para um cabeceamento certeiro com efeitos contrários nas contas dos dois clubes. Enquanto o FC Porto regressou aos cinco pontos de vantagem, o Marítimo passou a estar três abaixo do quinto posto.
Com duas jornadas por disputar, o FC Porto dispõe agora de um match point. Caso o Sporting-Benfica da próxima jornada não termine empatado, um ponto basta para os dragões confirmarem o título na recepção ao Feirense. Se houver empate no dérbi da capital, o FC Porto será campeão no sofá.

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por Miran Pavlin às 21:45

Segunda-feira, 18.12.17

Liga NOS, 15.ª jornada - FC Porto 3-1 CS Marítimo - Apanhar o autocarro

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Foi preciso esperar quase meia época até que o FC Porto se deparasse com um adversário a jogar no chamado autocarro. E quem diria que o responsável daria pelo nome de Marítimo, tão só o quinto classificado da Liga, que na jornada anterior venceu nada menos que o Braga. Quando o técnico maritimista Daniel Ramos anteviu o jogo referindo que "empatar já seria extraordinário", cheirou a bluff, mas não. O ferrolho era mesmo a estratégia privilegiada pelo Marítimo para contrariar o FC Porto, que respondeu com um futebol variado como há bastante tempo não se via. Alternando velocidade com paciência, lances individuais com colectivos, e ora procurando as alas, ora o meio, os dragões gozaram de largos períodos com bola, fazendo circulação à procura de um desequilíbrio. Somando a busca ofensiva portista ao retraimento insular, o resultado era um jogo de sentido único, que demorou 18 minutos a desbloquear. Nesse momento, Felipe ter-se-á sentido do tamanho de um boneco de Lego, pois o golo foi da autoria de Reyes, precisamente o homem que o substituiu no centro da defesa nos últimos jogos. Em mais um canto de Alex Telles, o central mexicano cabeceou com força na pequena área.
De forma um tanto ou quanto inesperada, o Marítimo chegou ao empate ao minuto 26, naquela que terá sido a sua única incursão atacante. Ricardo Valente assumiu o volante do autocarro e conduziu um contra-ataque pela direita até ao remate, forçando José Sá a defender com uma estirada. Fábio China manteve o lance vivo do lado contrário e assistiu Fábio Pacheco, que entrara solto na área e rematou certeiro, com a bola a desviar em Reyes. Os verde-rubros podiam assim voltar ao conforto da sua toca, mas foram traídos pela expulsão de João Gamboa (39'), que acumulou amarelos em apenas três minutos. A pressão do FC Porto não baixava, e deu novo fruto em cima do intervalo (45'), quando um passe de Brahimi rasgou o lado direito da defesa do Marítimo, permitindo a Marega finalizar com um bom remate, já de ângulo apertado. O passe e desmarcação foram repetidos na perfeição no terceiro golo dos dragões (78'), ao ponto de nem valer a pena descrever a jogada. Só mudou o remate: a subir no 2-1, rasteiro no 3-1. Marega só não terminou com um hat-trick porque Charles lhe negou um remate à meia volta com uma enorme defesa (52'). A equipa do FC Porto funcionou tão bem que não foi necessário efectuar mexidas de fundo no onze. Aboubakar e Brahimi tiveram direito a descanso (72 e 83 minutos, respectivamente), consequentemente dando minutos a Soares e a André André.
Em nenhum momento o Marítimo optou por se aventurar no ataque, e com isso não poderia nunca beneficiar de alguma bola parada perto da área do FC Porto. Com todo o perigo a vestir de azul-e-branco, não resta senão sublinhar a justiça do triunfo portista, que acabou por se superiorizar com naturalidade à pouca ambição do Marítimo desta noite. Até apetece dizer que o FC Porto apanhou o autocarro que o transporta para 2018 na liderança.

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por Miran Pavlin às 23:59

Quarta-feira, 31.05.17

CS MARÍTIMO 2016/17

Em abstracto, quanto mais vezes uma determinada situação se repetir, menos valor notícia tem. No entanto, o nono apuramento do Marítimo para as provas da UEFA é mesmo uma proeza, em face dos problemas por que a equipa passou. Desde logo o péssimo arranque de campeonato, com uma vitória e quatro derrotas nas primeiras cinco jornadas – e apenas um golo marcado. Nessa jornada 5, a derrota (2-0) que significou o fim da linha para o brasileiro Paulo César Gusmão, que se estreava no futebol português, não foi propriamente uma gota de água; foi uma enxurrada, já que o adversário era nada menos que o Nacional. Além do mal-estar de perder com o rival (2-0), o Marítimo era 17.º classificado e via bem de perto o espectro da má época de 2015/16, na qual bateu recordes negativos do clube.

Só havia uma solução. A habitual. Foi o primeiro estalar de chicote na Liga esta época, e a verdade é que funcionou. A escolha de Daniel Ramos para substituir Gusmão foi também ela arriscada, já que o novo técnico, apesar do currículo, nunca tinha treinado na divisão maior. Na hora do balanço, uma estatística basta para provar que a aposta foi acertada: o Marítimo não voltou a perder em casa até final do campeonato. Na verdade, perdeu apenas mais seis vezes nesses 29 jogos, metade delas nas visitas aos ditos três grandes. Falando neles, nenhum venceu nos antigos Barreiros, e o Benfica saiu mesmo do Funchal derrotado (2-1), na jornada 12.

O Marítimo teve ainda que lidar com a nuvem do castigo de nove meses a Dyego Sousa por agressão a um árbitro auxiliar num jogo da pré-época. Enquanto o processo correu trâmites o avançado brasileiro ainda marcou cinco golos, mas por alturas do início da segunda volta passou a ser necessário um substituto que nunca apareceu. Talvez também porque o meio-campo – Fransérgio em destaque – e a defesa estivessem a funcionar bem. Principalmente o sector recuado, com os centrais Raul Silva e Maurício António à cabeça, que consentiram apenas 32 golos – a terceira melhor defesa da temporada, logo a seguir a Benfica e FC Porto. Este é mesmo o segundo melhor registo dos insulares na I Liga, ex æquo com as épocas 2004/05 e 2010/11, apenas atrás dos 28 golos sofridos em 2007/08. E como a defesa é o melhor ataque, o artilheiro da equipa na I Liga foi precisamente Raul Silva, com sete golos.

A escalada maritimista na classificação consolidou-se entre as jornadas 14 e 23, nas quais a equipa não perdeu – o encontro da jornada 15 havia sido antecipado. O Marítimo foi sexto classificado na jornada 17, e a partir da 20.ª não mais o largou, mas a qualificação europeia só ficaria garantida na última jornada. A turma madeirense foi ainda uma das cinco equipas que conseguiram sequências de pelo menos dez jogos sem perder, e a única além dos ditos grandes que somou quarto partidas sem sofrer golos, no caso entre as rondas 19 e 22 – Guimarães (f), Moreirense (c), Rio Ave (f) e Nacional (c).

 

PONTO ALTO

A vitória na 12.ª jornada, a 2 de Dezembro, sobre um Benfica até aí invicto. O arménio Ghazaryan abriu o activo (5’), Gonçalo Guedes igualou (27’) e Maurício fixou o marcador final ao minuto 69. O resto foi obra e graça do guarda-redes Gottardi, que coleccionou defesas monstruosas.

 

PONTO BAIXO

Aquele triunfo foi o reverso da indigesta medalha trazida da Luz a 19 de Novembro, na 4.ª eliminatória da Taça de Portugal. Nesse dia, o Marítimo foi vergado a um pesado 6-0, num encontro em que fez pouco mais que figura de corpo presente.

 

TAÇA DA LIGA

O Marítimo entrou em cena na 2.ª eliminatória, onde o esperava um dérbi com o União. Os unionistas entraram a ganhar – marcou N’Sor aos 35 segundos –, mas Edgar Costa (12’), Dyego Sousa (47’) e Ghazaryan (55’) impediram uma gracinha como aquelas que o União conseguiu na I Liga da época passada. Na fase de grupos os verde-rubros começaram por empatar com o Covilhã (1-1 fora), batendo depois o Rio Ave (1-0). A última jornada reservou uma final frente ao Braga, onde quem ganhasse passava. As equipas anularam-se até aos descontos, para proveito do Rio Ave, que assim seguiria em frente. Até que Gottardi se lesionou quando já não havia substituições, avançando Maurício para a baliza. O Braga marcaria aos 90’+4’ minutos por Velázquez, saltando assim para a fase seguinte.

 

CONTABILIDADE

Liga NOS: 6.º lugar, 13v-11e-10d, 34gm-32gs, 50 pontos; apurado para a 3.ª pré-eliminatória da Liga Europa;

Taça de Portugal: eliminou a Naval 1.º de Maio (0-4), antes de perder na 4.ª eliminatória diante do Benfica (6-0);

Taça da Liga: afastou o União na 2.ª eliminatória; terceiro classificado no grupo C (4 pontos), atrás de Braga e Rio Ave, e à frente do Covilhã.

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por Miran Pavlin às 13:00

Sábado, 06.05.17

Liga NOS, 32.ª jornada – CS Marítimo 1-1 FC Porto – Roleta russa

Ainda não foi desta. A visita ao Marítimo voltou a ser nefasta para o FC Porto, que deixa cair mais dois pontos, estes realmente vitais. Até porque não se tratava de mais um daqueles passageiros jogos decisivos que se vão apregoando ao longo da época; com a linha da meta já assustadoramente perto os pontos contam a sério. Afectado pelas lesões e castigos que não teve noutros momentos da temporada, o FC Porto voltou a ter Brahimi, mas ainda não podia contar com Danilo Pereira, nem com Maxi Pereira. Por defeito, a posição de lateral direito seria assegurada por Layún, mas Nuno Espírito Santo foi oblíquo, indo à equipa B pegar em Fernando Fonseca. O jovem não comprometeu, e até esteve perto de marcar (42’) quando apareceu solto na direita da pequena área, mas acabaria por dar o lugar a Rui Pedro quando o técnico inverteu o esquema para 3x3x4. Corria o minuto 84 e o FC Porto jogava com o desespero em pano de fundo. Por essa altura tinha já trocado ainda Rúben Neves por André Silva (76’). Já tinha também saltado à memória o fatídico jogo da 26.ª jornada com o Setúbal, no qual o FC Porto se deixou empatar na única oportunidade concedida ao adversário.

Os dragões não fizeram uma primeira parte de luxo, mas pareciam estar confiantes o suficiente para repetir o resultado de Chaves, ainda mais quando se adiantaram no marcador (28’), com Otávio na direita a aproveitar um mau corte de Zainadine para rematar cruzado e certeiro. Na segunda metade faltou ao FC Porto a iniciativa necessária para matar o jogo, o que se traduzia em escassez de oportunidades. Só depois do empate é que os azuis-e-brancos voltaram a ameaçar a baliza insular, num cabeceamento de André Silva (79’), noutro cabeceamento cruzado de Soares ao qual o mesmo André Silva não chegou a tempo de emendar (84’) e num terceiro cabeceamento, agora de Rui Pedro (90’+4). Mas inclinar a equipa para o ataque – Corona também estava em campo, no lugar de Otávio (74’) – não foi suficiente para que o FC Porto regressasse à vantagem.

O golo do Marítimo (69’) nasce de um canto talvez desnecessário cedido por Alex Telles, que não se apercebeu que tinha um adversário em cima das costas e não abordou o lance da melhor maneira. Na cobrança Djoussé, que fora a jogo um minuto antes, irrompeu decidido pelo coração da área e cabeceou forte para o fundo da baliza. O tento era também ele vital para os verde-rubros, que ainda têm o seu sexto lugar à mercê de predadores. Foi mesmo a única vez que o Marítimo alvejou as redes portistas em todo o jogo. Os insulares resistiriam até final, salvando um ponto muito importante para a sua luta. Já o FC Porto, tal como nesse jogo com os sadinos, fica a chorar os dois que fugiram após ser condenado na única desatenção que teve. Serão mais sinais dos tempos, ou o estádio outrora apelidado de caldeirão é mesmo como uma roleta russa em que o FC Porto leva sempre um tiro?

A verdadeira extensão deste empate só será conhecida depois de realizado o jogo do líder da classificação. Numa hipótese tresloucada o empate até poderá ter significado uma aproximação ao topo; o que só viria sublinhar o preço que o FC Porto paga pelos dois pontos perdidos. No aproveitar está o ganho, diz o povo. E o FC Porto não o tem feito quando mais interessa.

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por Miran Pavlin às 23:59

Quinta-feira, 15.12.16

Liga NOS, 15.ª jornada (jogo antecipado) – FC Porto 2-1 CS Marítimo – Desacerto de calendário

Já eliminados da Taça de Portugal, FC Porto e Marítimo optaram por antecipar a partida da 15.ª jornada, que por defeito devia realizar-se a 21 de Dezembro. A avaliar pelo estado do tempo, que se agravou nas horas que antecederam o pontapé de saída, talvez tivesse sido melhor jogar na data prevista, já que as equipas surgiram aparentemente entorpecidas pela chuva, que em certos momentos caiu forte. Mesmo com um resultado final apertado, foi o FC Porto quem teve o controlo das operações praticamente de início a fim, não precisando vestir o fato de gala para somar três pontos que lhe permitem fazer pressão ao líder nos escassos dias até que o calendário acerte.

A magia do futebol, essa, desta vez manifestou-se apenas nos golos, já que o jogo em si foi, então, pachorrento. O FC Porto podia ter-se adiantado logo ao minuto 9, mas o cabeceamento decidido de Felipe na cobrança de um canto errou o alvo. Os azuis-e-brancos teriam que esperar até aos segundos antes do descanso para celebrar, altura em que Brahimi recebeu a bola na esquerda da área e avançou até perder o ângulo. Perdão, até colocar a bola entre o poste e o guarda-redes, com esta a beijar a rede lateral do lado contrário. O argelino passou de goleador a assistente (67’), quando solicitou André Silva com um passe a rasgar; o avançado finalizou bem para o 2-0.

O Marítimo não se atreveu muito no ataque, mesmo depois de estar em desvantagem, mas foi ainda assim premiado com um golo. Djoussé ganhou a bola já no meio-campo contrário, avançou, embrulhou-se e caiu com Alex Telles, levantou-se de pronto, tirando um adversário do caminho com o mesmo movimento, e desferiu um forte remate para um belo golo, que quebrou a sequência portista de 745 minutos sem sofrer. O técnico Nuno Espírito Santo resumiu o momento da melhor forma na zona de entrevistas rápidas: “algum dia o golo [sofrido] ia aparecer, e a ser, que seja assim”. Foi, de facto, um belo golo.

Com o calendário desacertado, dragões e leões do Funchal poderão ir mais cedo para as mini-férias de Natal, assim que realizem os seus encontros da 14.ª jornada. É conveniente, pois logo a seguir à data festiva ambos jogam para a Taça da Liga.

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por Miran Pavlin às 23:15

Quinta-feira, 26.05.16

CS MARÍTIMO 2015/16

A palavra-chave da época do Marítimo é: inconstância. Capaz de golear e ser goleado, foi como se o emblema insular passasse toda a época no interminável sobe-e-desce de uma montanha russa. Quem sai da montanha russa fá-lo por baixo, e foi precisamente isso que sucedeu ao Marítimo. O 13.º lugar foi a sua pior classificação desde 1982/83, ao passo que os 63 golos sofridos são novo recorde do clube. Como se não bastasse, nunca antes o clube tinha perdido 19 jogos numa só edição da I Liga.

A primeira dessas derrotas ocorreu logo na jornada inaugural, e não terá sido fácil de digerir. Apadrinhando o regresso do União à categoria máxima, o Marítimo inadvertidamente entrou na festa, ao sair derrotado por 2-1. Na segunda jornada, e pelo quarto ano consecutivo, os verde-rubros roubaram pontos na recepção ao FC Porto (1-1). Era só o primeiro exemplo da disparidade de resultados de que o Marítimo era capaz. Nas jornadas imediatas, o Marítimo brindou o Setúbal com um 5-2, saindo depois de Braga vergado a um robusto 5-1. Como visitante, o Marítimo venceria apenas três jogos, frente a Boavista (0-1), Guimarães (3-4) e Tondela (3-4), perdendo onze, com as goleadas sofridas em Arouca (4-1) e na Luz (6-0) à cabeça. A resposta ao vexame na capital – 5-1 na recepção ao Moreirense – foi apenas mais um exemplo das duas caras dos leões do Funchal.

As duas taças nacionais também trouxeram resultados diametralmente opostos. Enquanto na Taça de Portugal o Marítimo foi vítima do episódio de tomba gigantes do ano, ao ser afastado na 4.ª eliminatória pelo Amarante, do Campeonato de Portugal (1-0, golo de Miguelito aos 44’), na Taça da Liga os maritimistas chegaram até à final, num percurso que incluiu uma vitória por 1-3 em casa do FC Porto na fase de grupos. O Marítimo nunca aí tinha ganho qualquer jogo, incluindo todas as competições. O passaporte para o jogo decisivo seria carimbado com uma vitória por 3-1 sobre o Portimonense, que se tornou na primeira equipa da II Liga a atingir as meias-finais, após concluir a fase de grupos à frente do Sporting.

A final foi uma repetição do encontro da época passada, mas só nos intervenientes e no local, pois desta vez o Benfica esteve intratável e goleou por 6-2 – em 2014/15 tinha havido 2-1. O estádio Cidade de Coimbra é definitivamente de má memória para o Marítimo, que havia perdido também na visita à Académica (1-0) para o campeonato.

Tantos desaires acabaram por custar o lugar ao técnico Ivo Vieira, que se demitiu após a 18.ª jornada, naquele que seria o último chicote a estalar esta época na Liga NOS. O resto da temporada ficaria a cargo de Nelo Vingada, mas o experiente técnico, na sua segunda passagem pelo clube – que orientou entre 1999 e 2002 – não conseguiu recuperar o ânimo do plantel.

Nada menos que 16 jogadores fizeram o gosto ao pé pelo Marítimo na Liga NOS, com Dyego Sousa a facturar 12 golos – nenhum de grande penalidade. Fransérgio (5 golos) e Edgar Costa (4) também estiveram em foco, com este último a apontar talvez o golo do ano, rematando de costas para a baliza, depois de receber a bola e dar dois toques. Marcá-lo frente ao Nacional abrilhantou ainda mais o movimento. Baba regressou ao clube em Janeiro para colmatar a saída de Marega para o FC Porto, mas foi pouco mais que um fracasso; curiosamente, tal como o próprio Marega, que se eclipsou no Dragão. Na defesa, João Diogo e Rúben Ferreira não chegaram para as encomendas.

 

Contas finais

Campeonato: 13.º lugar, com 10v, 5e, 19d, 45gm, 63gs, 35pts

Taça de Portugal: afastado na 4.ª eliminatória

Taça da Liga: finalista vencido

 

Para mais tarde recordar

13.09.2015, jornada 4 – vence o Setúbal por 5-2; não marcava cinco golos num jogo de I Liga desde um 1-5 em Coimbra, em 2010/11;

12.12.2015, jornada 13 – marcou pela primeira vez quatro golos em casa do Guimarães (3-4);

10.01.2016, jornada 17 – vitória sobre o Moreirense por 5-1; a maior de sempre frente aos cónegos na I Liga.

 

Para esquecer

22.11.2015, Taça de Portugal: afastado pelo Amarante, do Campeonato de Portugal;

06.01.2016, jornada 16 – derrota na Luz por 6-0. A pior do Marítimo desde 1995/96, quando perdeu pelo mesmo resultado tanto em Guimarães, como nas Antas.

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por Miran Pavlin às 12:45



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