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CORTE LIMPO

Todas as fotografias neste blog encontram-se algures em desporto.sapo.pt, salvo indicação em contrário


Terça-feira, 28.05.19

MOREIRENSE FC 2018/19

MOR - golo.jpg

O adjectivo "histórico" e a expressão "fazer história" têm sido usados ao desbarato nos tempos que correm, pelo que é preciso ponderar muito bem sobre o seu emprego. No caso do Moreirense, porém, podemos escrever à vontade que o clube fez história, pois esta foi a sua melhor participação de sempre na I Liga, superando o nono lugar de 2003/04. O Moreirense poderia mesmo ter ficado no quinto posto, mas a última jornada reservava um dérbi vimaranense no qual, pelo menos no campeonato, os cónegos não têm um bom registo. Com efeito, o Vitória triunfou (1-3) e saltou para o quinto posto, ainda que em igualdade pontual. Falando em pontos, os 52 averbados pelo Moreirense tornaram-se também recorde do clube no campeonato, batendo os 46 somados igualmente em 2003/04. Por bater terá ficado apenas o melhor registo de golos marcados, que assim se mantém nos 42, em 2002/03 - esta época o Moreirense fez 39.
Ainda assim, o Moreirense só começou verdadeiramente a carburar após a jornada 7. Somando nada menos que sete vitórias nos nove jogos seguintes, os axadrezados do Minho pularam até ao quinto lugar (jornada 16). Uma sequência de seis jogos sem perder (jornadas 19 a 24) consolidou a posição do clube e permitiu-lhe resistir a uma ponta final menos assertiva, na qual venceu apenas um dos últimos seis encontros. As consequências dessa derrapagem só não foram maiores porque o clube não se inscreveu nas provas da UEFA; caso contrário, a tal derrota na última jornada teria certamente tido uma digestão diferente.
Valerá agora a pena consultar os livros de história, para que o clube não repita a dúbia façanha do Arouca, que foi de quinto classificado - com acesso à Europa - em 2015/16, a despromovido em 2016/17.


TREINADOR

MOR - Ivo Vieira.jpgEm 2016, quando pegou no Aves, então na II Liga, o madeirense Ivo Vieira referiu que queria trabalhar no continente por considerar que, havendo menor necessidade de fazer viagens longas, a estabilidade é maior no trabalho diário. Demorou, mas o técnico acabou por fazer justificar essas palavras, ficando ligado à história dos cónegos por bons motivos.

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por Miran Pavlin às 13:00

Sexta-feira, 08.02.19

Liga NOS, 21.ª jornada - Moreirense FC 1-1 FC Porto

MORFCP.jpg

Não assisti ao jogo.

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por Miran Pavlin às 23:59

Terça-feira, 18.12.18

Taça de Portugal, oitavos-de-final - FC Porto 4-3 Moreirense FC - Propaganda

FCPMOR.jpgAconteceu neste jogo o que se esperava que tivesse acontecido aquando da visita do Belenenses na eliminatória anterior. Houve golos, incerteza, alternância, algumas oportunidades claras perdidas e jogo até ao fim. Só não houve Taça em todo o seu esplendor porque ganhou o mais provável. Apesar dos muitos golos, foi como se a partida vivesse de intermitências, começando morna, aquecendo entre os dez e os vinte minutos e arrefecendo até ao golo do empate minhoto em cima do intervalo. Um golo que obrigou o FC Porto a esquecer quaisquer planos que eventualmente tivesse para gerir o esforço na segunda parte. O primeiro pacote de acontecimentos incluiu o golo inaugural dos cónegos, num belo contra-ataque finalizado por Texeira (8'), a saída de Otávio por lesão (11') e a reviravolta portista com golos de Felipe (12') e Hernâni (16'), precisamente homem que entrara minutos antes. O central brasileiro desviou de cabeça um canto de Alex Telles, enquanto o extremo concluiu uma tabelinha pela esquerda com Adrián López com um potente remate cruzado ao ângulo superior contrário.
O resto da primeira parte não foi propriamente monótono, pois o Moreirense quis deixar boa imagem. Tanto que quando se deu por ela o intervalo estava ao virar da esquina, mas ainda houve tempo para o Moreirense desferir um soco no estômago, na forma de um cabeceamento de Iago Santos, a desviar um livre de Bruno Silva (45'+2'). Um tipo de golo que o FC Porto já sofreu algumas vezes nos anos mais recentes. Os dragões reapareceram mais cinzentos após o descanso. Foi preciso suster a respiração até aos 58 minutos, altura em que Hernâni conduziu um contra-ataque acompanhado por Marega, mas o maliano, na cara do golo, não desfeiteou Trigueira. Um lance que motivou o FC Porto a porfiar um pouco mais até Marega finalmente marcar (66'), a passe de Brahimi. A dupla voltaria a causar estragos perto do fim (89'), da mesma forma, mas agora com uma finalização em chapéu. O Moreirense, que nunca baixou os braços, ainda marcou mais um golo (90'+1'), num belo trabalho de Heriberto à entrada da área, concluído com um remate ao ângulo. O hoje titular Fabiano ainda teve que se aplicar para deter um cabeceamento de Texeira (90'+3'). Mais uma prova de que os cónegos foram de facto dignos vencidos num jogo que acabou por ser uma proverbial boa propaganda ao futebol.

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por Miran Pavlin às 23:59

Domingo, 02.09.18

Liga NOS, 4.ª jornada - FC Porto 3-0 Moreirense FC - Três pontos

FCPMFC.jpg

Ao quarto jogo do campeonato Diogo Leite e André Pereira desapareceram dos titulares, deixando o onze portista ainda mais igual ao da época anterior. Só não o foi na totalidade porque o lugar vago no centro da defesa foi ocupado por Éder Militão, reforço que assim se estreou de dragão ao peito. O FC Porto ia a jogo na incumbência de corrigir o desaire da pretérita jornada, mas também de terminar a partida sem sofrer golos, coisa que só por uma vez conseguiu nos quatro jogos oficiais até aqui. A primeira parte da tarefa começou a desenhar-se ao quarto de hora, na sequência de um canto cobrado por Alex Telles, com Militão a desviar de cabeça para o segundo poste, onde Herrera amorteceu a bola e colocou para o golo. Antes (9'), já as luzes do golo tinham ameaçado acender-se, quando foi assinalada grande penalidade a favor dos dragões. Só quando já estava tudo a postos para a cobrança é que o juiz teve ordens para ir ver as imagens e voltar atrás com a decisão. E bem, pois Loum tinha mesmo cortado a bola. Era mesmo necessária tanta demora? Ao minuto 28 Aboubakar fazia o segundo golo portista, após primeiro remate de Marega ao poste. O FC Porto via-se pela terceira vez consecutiva com dois golos à maior. Nas anteriores ocasiões a equipa relaxou. Desta vez... também. Ao ponto de a segunda parte ter sido intragável. O FC Porto só não sofreu porque o Moreirense não foi capaz de mais que um remate de Chiquinho para defesa apertada de Casillas, à passagem do minuto 67. A emoção maior ficou guardada para o regresso de Danilo Pereira (82'), que finalmente debelou a lesão que desde Janeiro o atormentava. O próprio terceiro golo, apontado por Marega (90'+4'), apareceu numa altura em que o jogo já estava morto e enterrado. Não foi bonito. Valeram os três pontos.

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por Miran Pavlin às 23:35

Terça-feira, 30.01.18

Liga NOS, 20.ª jornada - Moreirense FC 0-0 FC Porto - Pontinho

MFCFCP.jpg

Nos tempos que correm, se um dos habituais candidatos à vitória final perde pontos, segue-se um ataque aos outros concorrentes através das redes sociais. Essa guerra cibernética - este termo ainda existe? - tem sido tão feroz que até em caso de vitória é difícil resistir a combater o adversário e o que quer que tenha acontecido no seu jogo. Desta vez, contudo, o melhor é o FC Porto nem sequer chegar perto do computador, pois não há muito a que se possa agarrar para minorar este empate. Atabalhoados e sem grandes ideias, os dragões não encontraram forma de tirar do caminho um Moreirense que durante todo o jogo optou por colocar toda a gente atrás da linha da bola, usando o físico em vez da técnica para garantir o desejado pontinho. As estatísticas finais no capítulo ofensivo assim o demonstram.
Sem Danilo Pereira por lesão, o meio-campo portista sentiu dificuldades, não só porque Herrera não consegue dar a mesma solidez, mas também pela presença do estreante Paulinho. Não é que o ex-Portimonense tenha jogado mal, mas ainda precisa de tempo para se integrar melhor nos processos da equipa. Ainda assim, como se explica o jogo pouco conseguido dos dragões? Os alívios sem nexo repetiram-se, bem como os passes para o adversário e os ataques que perdiam gás quanto mais se aproximavam da área contrária. Nem assim o Moreirense procurava abrir-se um pouco, ao ponto de José Sá ter acabado sem qualquer defesa. Na outra baliza Jhonatan correu perigo, mas nas melhores oportunidades os remates saíram para fora. Ou não saíram, como num livre estudado aos 41 minutos, no qual Alex Telles picou a bola sobre a barreira para isolar Brahimi, mas o argelino falhou o tiro, ao melhor estilo de Depoitre. No segundo tempo Soares substituiu Paulinho (67') mas não calibrou a mira, cabeceando muito ao lado quando estava em óptima posição (90'). Antes, o brasileiro acorrera a um cruzamento suculento de Marega (75'), mas tocou apenas de raspão, não desviando sequer a bola do caminho que levava. Ao sexto minuto de compensação, a explosão: golo do FC Porto, pelo também estreante Waris. Os festejos não duraram mais que três segundos, pois tinha sido assinalado fora-de-jogo, transformando a prenda vinda dos céus numa miragem. O nulo era mesmo o destino.
Pouco ou nada criticado até agora, Sérgio Conceição merece hoje dois reparos. Nos moldes em que o jogo estava, porquê tirar o possante Aboubakar para meter o mais ligeiro Waris (74'), ainda para mais tendo o ganês apenas um par de treinos com o plantel? Mais tarde saía Óliver para entrar Sérgio Oliveira (88'), com Conceição a referir na entrevista rápida que meteu o médio português pela sua qualidade de passe. Não poderia ter entrado mais cedo? Uma nota ainda para a decisão do árbitro Luís Ferreira no lance mais perigoso do FC Porto (51'). Alex Telles bate um livre para a barra e na recarga Felipe tenta cabecear mas Rúben Lima tira-lhe a bola com um corte in extremis bem arriscado, à altura da cara. Pé em riste claro, mas foi assinalado canto em vez de livre indirecto.
E assim o FC Porto perdeu mais dois pontos em Moreira de Cónegos, para alegria de todos os que acham que as histórias passadas influenciam os reencontros no futuro. Esta foi a oitava visita dos dragões ao Moreirense para a I Liga, das quais venceu apenas três.

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por Miran Pavlin às 23:59

Quinta-feira, 11.01.18

Taça de Portugal, quartos-de-final - Moreirense FC 1-2 FC Porto - Sem demora

MFCFCP.jpg

As frequentes perdas de pontos, bem como a eliminação da Taça da Liga na época passada, dizem que Moreira de Cónegos não é terreno fácil para o FC Porto. Excepto se a partida contar para a Taça de Portugal, pois nesse caso são os dragões que levam a melhor, somando agora novo triunfo àquele conseguido na 4.ª eliminatória de 2010/11 (0-1, golo de Falcao aos 73 minutos). Desta vez, o golo do FC Porto não se fez demorar como nesse jogo de há sete anos. Logo ao minuto 8, Herrera isolou-se a caminho da baliza e à saída do guarda-redes tocou para o golo. À passagem do minuto 20, uma dupla falha defensiva resultou no segundo golo azul-e-branco. Alex Telles cruza na esquerda, a bola ia para as mãos do guarda-redes mas o central André Micael tira-a desse caminho, e Rúben Lima tenta aliviar mas coloca em Layún, que remata cruzado em arco para um bom golo. O mexicano, que jogou na cabeça do meio-campo, foi uma das novidades entre os titulares, a par de Hernâni. Novidade foi também a impressão de um cansaço generalizado na equipa do FC Porto, nomeadamente nos casos de Brahimi, que saiu ao intervalo após se ter lesionado, e de Soares, que saiu já perto do fim depois de jogar vários minutos queixoso. Marega aqueceu e esteve para entrar, mas também não estava nas melhores condições. É o preço a pagar quando se permanece nas várias frentes, claro, mas também um sinal mais visível do curto plantel de que o FC Porto dispõe neste momento.
A verdade é que após o segundo golo o FC Porto relaxou imenso, ao ponto de se assemelhar a um computador em ecrã de bloqueio. Ou seja, ligado mas a precisar que alguém mexa o rato. O cronómetro contou longos minutos até bater nos 73, momento em que o estreante Edno foi mais rápido que Marcano e cabeceou para o 1-2 a cruzamento de Tozé na esquerda. O computador do FC Porto voltou aí à vida, com Soares a perder dois lances claros (80 e 84 minutos), primeiro num desvio muito por cima, em boa posição, após livre lateral de Layún, depois num cabeceamento frontal solicitado por Maxi Pereira. O resultado não voltou a mexer, mas o FC Porto, forçado pelo resultado agora tangencial, teve que mostrar algum músculo. O Moreirense, pouco mais que lutador, terminou com apenas mais um lance claro (29'), no qual Ronaldo Peña esteve cara-a-cara com o golo mas permitiu a Casillas uma boa defesa com as pernas. Na recarga, Zizo rematou pouco ao lado.
A passagem portista às meias-finais da Taça de Portugal confirma que serão mesmo quatro os jogos entre FC Porto e Sporting até final da época, já que dragões e leões também se vão encontrar na Taça da Liga, além do campeonato.

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por Miran Pavlin às 23:50

Domingo, 20.08.17

Liga NOS, 3.ª jornada - FC Porto 3-0 Moreirense FC - Do controlo ao domínio

FCPMFC.jpg

De volta ao Dragão, o FC Porto voltou a ser dominador, diante de um Moreirense que ficou preso na teia da velha máxima de uma equipa só conseguir jogar o que a outra deixa. A posse de bola quase constante dos da casa pouco espaço deixava para que os minhotos pudessem montar a eventual estratégia que traziam para o jogo. À posse portista juntava-se a pressão, nesses vinte minutos iniciais muito inclinados sobre o último reduto do Moreirense. Através de rápidas trocas de bola - algumas ao primeiro toque - e movimentações inteligentes, o FC Porto efectivamente cortava a respiração do adversário e ameaçava o golo a qualquer instante.
Seria preciso esperar então 18 minutos. Numa jogada simples, Brahimi trabalhou no meio e lançou o lateral Alex Telles, que cruzou certeiro para a cabeça de Aboubakar, que irrompeu solto pelo centro da área. Ainda os adeptos portistas se acomodavam depois do festejo do golo quando o ponta-de-lança bisou (21'), num lance em que os atacantes do FC Porto fizeram fila em frente à baliza como se alguém estivesse a vender alguma coisa. Marega foi o primeiro a rematar, para defesa incompleta de Jhonatan. Óliver Torres tentou uma recarga que o guarda-redes ainda susteve, até que Aboubakar finalmente acertou. E ainda estava lá Brahimi caso fosse necessário novo disparo.
A tranquilidade do 2-0 fez o FC Porto abrandar o ritmo, mas nem assim o Moreirense pôs a cabeça fora da toca. Entre um ou outro lance de maior perigo, quando se deu por ela já ia alta a segunda parte, e não havia indícios de que o jogo conhecesse novos capítulos. O FC Porto não só controlava, como dominava os acontecimentos e Sérgio Conceição aproveitou para dar minutos a Otávio (entrado ao intervalo) e a Hernâni (67'), substituindo respectivamente Brahimi e Corona. O minuto 77 trouxe o terceiro golo, a castigar uma hesitação dos centrais do Moreirense numa bola aparentemente inofensiva. Quem não hesitou foi, novamente, Aboubakar, que avançou decidido e rematou forte para carimbar o seu primeiro hat-trick pelos dragões.
Reduzido a um remate de Arsénio para boa defesa de Casillas (87'), o Moreirense pouco mais fez que sublinhar a justiça do triunfo portista, que assim segue no pelotão da frente da I Liga, formado pelos clientes habituais e pelo Rio Ave, e com a baliza ainda virgem. Um bom arranque, ao qual falta a peça-chave: a ida a Braga, naquele que se prevê ser o teste mais complicado da "primeira etapa" desta edição da Liga.

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por Miran Pavlin às 22:00

Sábado, 03.06.17

MOREIRENSE FC 2016/17

Se alguém fez história em 2016/17, foi o Moreirense, mas foi por pouco que o grande feito dos cónegos não ficava soterrado por uma descida de divisão. Os minhotos até começaram razoavelmente bem o campeonato, empatando em casa com o Paços de Ferreira (1-1) e vencendo na Feira (0-3), mas uma série de cinco derrotas atirou o Moreirense para o último lugar da tabela à 7.ª jornada. A partir daí, a equipa não conseguiu subir acima do 14.º lugar – à jornada 19 – o que justifica bem a insegurança que se viveu ao longo da campanha da Liga NOS. A segunda volta traria uma série de dez encontros sem vencer – jornadas 19 a 28 – que colocou o espectro da II Liga bem à frente do nariz do Moreirense. Além disso, o Moreirense passou 13 jornadas sempre a sofrer golos – 3.ª à 15.ª – e teve a mais longa série sem marcar, nos cinco encontros entre as jornadas 3 e 7, uma sequência só igualada pelo Boavista mais à frente na temporada. Os cónegos começaram a segunda volta com cinco pontos à maior sobre a zona fatal, mas terminaram apenas um acima, em função dos parcos 19 pontos somados nesse período.

 

TAÇA DA LIGA

O troféu voltou ao Minho quatro anos depois de lá ter estado, mas não para a localização mais provável tendo em conta os participantes na final a quatro. Foi mesmo o Moreirense a trazer o caneco para casa, numa final totalmente minhota que se tornou no ponto mais alto da história do clube, que até esta temporada contava dois títulos da II Liga e outros dois na antiga II Divisão B. A campanha dos cónegos arrancou na 2.ª eliminatória, com um triunfo sobre o Estoril (1-0).

Na fase de grupos o Moreirense ganhou de imediato vantagem, batendo o Feirense (1-2) e beneficiando do empate do teórico favorito, o FC Porto. A segunda ronda trouxe uma boa dose de sofrimento, já que ao minuto 73 o Belenenses fazia o 1-3, mas o Moreirense encontrou engenho para igualar o marcador, batendo depois o FC Porto na última jornada (1-0), com um golo de Francisco Geraldes.

Na meia-final novo choque, e com números mais expressivos. A vítima foi o Benfica, talvez surpreendido pela crença e energia dos cónegos, principalmente depois de os encarnados se encontrarem a vencer desde o minuto 6, por Salvio. Na segunda parte o detentor do troféu não teve reacção para os golos de Dramé (46’) e Emmanuel Boateng (54’), e ainda consentiu um terceiro golo, novamente por Boateng (71’).

Na final o Moreirense não foi tão exuberante, necessitando apenas de uma grande penalidade de Cauê (45’+2’) para garantir o troféu, face a um Braga que terá gasto as suas fichas na meia-final frente ao Setúbal.

 

TREINADOR VENCEDOR

Augusto Inácio chegou ao clube apenas à 12.ª jornada, quando o Moreirense já tinha realizado o primeiro jogo na fase de grupos, e foi bem claro em declarações à RTP na noite da vitória: “os adeptos que hoje nos aplaudem são os mesmos que nos vão cobrar se não ganharmos o próximo jogo da I Liga”. De facto. A conquista da Taça da Liga não funcionou como tónico para a carreira no campeonato, já que a tal série de dez partidas sem vencer começou precisamente no jogo seguinte à final. Inácio sairia sete jogos mais tarde, após a jornada 26.

 

RESTANTES TREINADORES

Pepa iniciou a época, sendo uma escolha oblíqua, apesar de contar uma subida de divisão pela Sanjoanense, em 2013/14, e 37 jogos na época passada pelo Feirense, que subiria de divisão já sem o técnico. A aventura no Minho durou então dez jornadas, à conta dos resultados insuficientes. O adjunto Leandro Mendes assegurou na 11.ª jornada a transição para Augusto Inácio. A recta final ficaria a cargo de Petit, obreiro da incrível manutenção do Tondela em 2015/16. Será que Petit se está a tornar num Vítor Oliveira das permanências?

 

FIGURAS

Daniel Podence (na foto da final) e Francisco Geraldes estiveram em destaque até à final da Taça da Liga, altura em que foram resgatados do empréstimo pelo Sporting. Emmanuel Boateng foi o melhor marcador da equipa na Liga. Quando de luta arduamente pela manutenção é difícil não reparar em quem está na baliza, e o georgiano Makaridze esteve à altura do exigido, numa equipa em que também ficaram na retina os nomes de Cauê, Dramé, Nildo e Rebocho. Sougou regressou à I Liga anos depois de se notabilizar ao serviço do Leiria, mas com pouco impacto.

 

CONTABILIDADE

Liga NOS: 15.º lugar, 8v-9e-17d, 33gm-48gs, 33 pontos;

Taça de Portugal: afastado logo na 3.ª eliminatória pelo Vizela (1-0);

Taça da Liga: vencedor.

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por Miran Pavlin às 13:00

Domingo, 21.05.17

Liga NOS, 34.ª jornada – Moreirense FC 3-1 FC Porto – Cabeça

Calma, estimados leitores portistas, o título deste texto é apenas uma ironia. Porque cabeça foi coisa que o FC Porto não teve no derradeiro jogo de 2016/17. Por cabeça entenda-se motivação para defrontar um Moreirense que jogava toda a temporada nesta partida. Já no último parágrafo da crónica anterior o Corte Limpo deixou uma previsão daquilo que o FC Porto poderia encontrar na última jornada. Por muito que não fosse preciso lançar avisos, pois a história recente era esclarecedora: o FC Porto não vencera nas últimas duas deslocações a Moreira de Cónegos. E à terceira não foi de vez.

Se havia coisa que o Moreirense não podia ter era medo. Não só porque jogando com medo dificilmente conseguiria os seus objectivos, mas também porque nesta temporada já tinha batido FC Porto e Benfica, ainda que a contar para outra prova. Nesse jogo da Taça da Liga, em Janeiro, os cónegos encontraram um FC Porto numa fase mais instável, desta vez os dragões vinham já sem objectivos. E se não os havia, ao minuto 19 passou a existir um, mercê do golo de Emmanuel Boateng (16’), num golpe de cabeça em antecipação no coração da área. Já tínhamos visto o FC Porto sofrer este golo no Marítimo. A reacção portista fez-se principalmente de arrancadas individuais de Brahimi, que hoje primou pela inconsequência. Mas tal também era reflexo da falta de ideias e de entreajuda na equipa. É difícil encontrar uma explicação para isso, tendo em conta que a única rotação efectuada por Nuno Espírito Santo foi na baliza, onde José Sá se estreou nesta Liga NOS. Enquanto o FC Porto tentava perceber o que se estava a passar, o Moreirense aproveitou para dilatar a vantagem (37’), com Frédéric Maciel a finalizar um contra-ataque, via que os minhotos já tinham explorado antes.

Ao intervalo Nuno trocou Otávio por André Silva e Herrera por Corona, e o FC Porto esboçou uma reacção, ainda que com pouco ou nenhum critério. A bola circulava entre flancos mas não havia incursões à área. Mesmo assim, os azuis-e-brancos conseguiriam chegar ao golo (66’), e que golo! André André cruzou na direita e Maxi Pereira, de costas para a baliza, fez um chapéu a Makaridze com um magnífico gesto técnico. A corrida portista atrás do prejuízo não duraria muito mais tempo, porém, e o FC Porto voltou a reduzir-se à palidez do primeiro tempo. O Moreirense reagrupou-se, voltou ele próprio à estabilidade exibida na primeira parte, obrigou José Sá a uma óptima defesa num livre de Nildo (71’), e mataria o jogo já na recta final (83’), por intermédio de Alex, que frente a José Sá ameaçou rematar forte mas colocou em jeito, rasteiro, ao poste mais distante.

A derrota, que já era previsível há largos minutos, tornou-se então óbvia. Mais que isso: despedindo-se da época tendo feito parte da festa da permanência do Moreirense, o FC Porto permite ao mesmo tempo que o triunfo dos cónegos na Taça da Liga mantenha validade total. Sim, porque das equipas em campo neste jogo, aquela que termina a temporada com um título no bolso é mesmo o Moreirense. Diz bastante das profundezas a que o FC Porto chegou na hora de fazer o balanço de quatro anos aquém dos serviços mínimos.

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por Miran Pavlin às 21:45

Domingo, 15.01.17

Liga NOS, 17.ª jornada – FC Porto 3-0 Moreirense FC – Lar, doce lar

Os avisos, bem visíveis, estavam lá desde o dia anterior. Os deslizes dos outros dois grandes eram para ser levados bem a sério pelo FC Porto, ainda para mais quando reencontrava a equipa que há menos de duas semanas o eliminou da Taça da Liga. Além disso, sendo o Moreirense orientado por Augusto Inácio, velha raposa com história no FC Porto, era mesmo necessário triplicar os cuidados. Os cónegos efectivamente mostraram que vinham ao Dragão sem complexos, procurando jogar em todo o campo, mas o factor-casa prevaleceria. Enquanto visitados os portistas têm sido, grosso modo, irrepreensíveis nos jogos da I Liga.

A primeira oportunidade, contudo, foi do Moreirense, num remate de Francisco Geraldes a que Casillas se opôs bem (4’). Jogando aberto, o conjunto minhoto expunha-se, e o FC Porto depressa começou a fazer pender a balança para o seu lado, por entre algumas arrancadas de Dramé, que se cotou como elemento mais inconformado do Moreirense. O guardião Makaridze chegou para as encomendas até à meia hora, altura em que o FC Porto abriu o activo. O georgiano começou por defender bem um livre de Alex Telles, mas a jogada não morreu aí porque Marcano, imagine-se, acorreu à sobra do lado esquerdo junto à bandeirola de canto, inventando espaço para um cruzamento atrasado que encontrou Óliver Torres esquecido na área. O remate do espanhol saiu rasteiro e colocado. A pressão de Sagna sobre Marcano na linha de nada adiantou.

A tranquilidade chegaria ao minuto 41. Diogo Jota pegou na bola uns quinze metros à frente da área portista, trabalhou com classe sobre um contrário e avançou decidido até ao último terço, onde deu para Corona, que flectiu para dentro e rematou forte; Makaridze defendeu para o lado, onde estava André Silva, que mergulhou para o 2-0. Se ainda houvesse dúvidas, elas dissiparam-se segundos depois, quando Francisco Geraldes acumulou amarelos e se despediu do jogo. Com um homem a mais o FC Porto sufocou o Moreirense no arranque da segunda parte, coleccionando lances de perigo através de rápidas – e bonitas, diga-se – trocas de bola. A finalização é que não esteve à altura, impedindo que Makaridze se mostrasse um pouco mais, e que o marcador se avolumasse. Haveria apenas mais um golo a registar (62’), por Marcano, que cabeceou no centro da área após um canto, com a bola a entrar pelo meio das pernas do guarda-redes. Foi o terceiro golo do central neste campeonato.

Com a vitória no bolso a intensidade do futebol portista decresceu e o Moreirense voltou a subir um pouco mais no terreno, impelido principalmente pelo referido Dramé e também por Podence, mas não voltaria a incomodar Casillas. Nuno Espírito Santo refrescou a equipa com as entradas de André André para o lugar de Óliver (69’) e de Rui Pedro para o posto de Diogo Jota (78’), ao mesmo tempo que proporcionou o regresso de Kelvin – substituiu Corona – ao relvado do Dragão (69’), mas ainda não foi desta que o brasileiro se descolou da memória daquele célebre minuto 92 em Maio de 2013.

Nem era isso que dele se esperava esta noite, de resto. Conseguido o objectivo essencial para esta partida, o FC Porto regressa aos quatro pontos de desvantagem para o topo, que poderiam ser dois não fosse o tropeção da jornada anterior – não vale a pena ir mais atrás lamentar outros resultados negativos. Que falta tem feito transportar alguma da doçura do lar portista para os jogos longe do Dragão…

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por Miran Pavlin às 21:30



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