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CORTE LIMPO

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Domingo, 07.08.16

FC PORTO - Pré-época 2016

Há muito que o FC Porto não vivia uma pré-temporada tão tranquila. Levando em linha de conta que a época anterior deixou muito a desejar, tal seria motivo para alarme, mas existem atenuantes e justificações. Naturalmente que o triunfo da selecção nacional no Euro 2016 ocupou a quase totalidade das atenções durante o defeso, mas o principal motivo da calma que se viveu na oficina dos dragões advém do aviso que a UEFA fez ao FC Porto no âmbito do fair play financeiro. Era necessário refrear as contratações, principalmente no tocante ao preço, e o FC Porto mudou então de agulha relativamente ao modus operandi das temporadas mais recentes.

Comparando o plantel que terminou a época transacta com aquele que está prestes a iniciar a nova campanha, parece que nada mudou. Alguns adeptos nem conseguirão dormir quando se apercebem disso, mas convém não esquecer uma das percepções que mais vezes ressaltou em 2015/16: o FC Porto não tinha uma equipa, antes um conjunto de jogadores a jogar praticamente cada um por si, o que levava a pensar que se todos remassem para o mesmo lado, seriam capazes de mais e melhor. E uma vez que quase todos continuam para 2016/17, parte do trabalho que o novo treinador teria em construir a equipa já está feito. A escolha de Nuno Espírito Santo como substituto de José Peseiro agradou de imediato aos apaniguados do dragão. O antigo guarda-redes dispensa períodos de adaptação ao clube, uma vez que o representou durante vários anos, participando em algumas das mais gloriosas gestas da história portista.

Os principais dossiês que Nuno tinha para resolver prendiam-se com as lacunas da equipa no centro da defesa e na cabeça do ataque. A abordagem tanto a estes problemas, como à definição global do plantel foi bastante invulgar para os tempos que correm. Em vez de comunicar à direcção que gostaria de ver este e aquele nome na equipa, Nuno Espírito Santo teve ao seu dispor o plantel que transitou de época, os melhores nomes da equipa B, e os incontáveis atletas que o FC Porto foi espalhando pelo planeta futebol em sede de empréstimo.

Conforme os trabalhos avançavam, o técnico foi emagrecendo o lote de jogadores, de acordo com as suas preferências. Os empréstimos continuam a ser muitos, principalmente em clubes da I Liga. Se nomes como Rafa Silva, Tiago Rodrigues, Gonçalo Paciência, Francisco Ramos, Ivo Rodrigues ou Pité estão ou continuam em rodagem, Fabiano, Andrés Fernández e Lichnovsky voltam a não ser opção, bem como José Ángel, que segue para o Villarreal.

Os primeiros reforços a chegar foram o central brasileiro Felipe, proveniente do Corinthians, e o médio João Carlos Teixeira, vindo do Liverpool a custo zero. Mais tarde chegaria o lateral-esquerdo Alex Telles, também brasileiro, que tem no currículo passagens por Galatasaray e Inter Milão. A outra contratação, Zé Manuel, veio do Boavista mas nem aqueceu o lugar, sendo imediatamente emprestado ao Setúbal. Para quê contratá-lo então?

À procura de reabilitação está o central mexicano Diego Reyes, que regressou do empréstimo à Real Sociedad e volta a integrar o plantel. O nigeriano Chidozie, que mostrou bons pormenores ao longo da última época, também segurou um lugar nas escolhas do treinador. Maxi Pereira, Marcano e Layún completam o departamento defensivo, onde a maior surpresa dá pelo nome de… Varela. Isso mesmo, não há engano; o Drogba da Caparica tem sido ensaiado a lateral-direito nos jogos de preparação. Mais uma vida de Varela no FC Porto?

No centro do terreno estarão novamente Danilo Pereira – o único campeão europeu do plantel –, Rúben Neves, Herrera, André André, Evandro e Sérgio Oliveira – que por ora está a disputar os Jogos Olímpicos. Alberto Bueno, agora recuperado das lesões que o perseguiram, procurará a afirmação que ainda não conseguiu.

Na frente de ataque Corona e Brahimi deverão continuar, mas têm agora a companhia de Otávio, que deu sequência à boa temporada ao serviço do Guimarães com uma pré-época vistosa, assumindo-se como opção válida para o onze titular. A questão do ponta-de-lança é a que mais curiosidades encerra. André Silva é hoje uma luz muito mais cintilante que no final da época anterior e marcou golos a rodos nos jogos de aquecimento, colocando Aboubakar em xeque. O camaronês está agora numa posição tão delicada que até Adrián López – ele mesmo – volta a fazer parte do plantel, tendo mesmo sido apresentado aos sócios. Em sentido contrário, o central Martins Indi não o foi, pelo que deverá sair.

A baliza será novamente confiada a Casillas, agora com José Sá como alternativa, uma vez que Helton deixou o clube em circunstâncias ainda por explicar por parte da direcção do FC Porto, muito mais quando ainda tinha contrato por mais uma época. Os onze anos de serviço do veterano guardião mereciam outro tratamento. Uma palavra ainda para Maicon, que saiu do FC Porto pela porta pequena e é agora em definitivo jogador do São Paulo.

Só o futebol a doer permitirá aferir três coisas: se Felipe é a solução para os problemas defensivos do FC Porto, se André Silva já tem ombros para suportar a pressão de ser a fonte dos golos da equipa, e se Nuno Espírito Santo é a peça que faltava para transformar o plantel portista numa equipa de corpo inteiro. Falta uma semana para o pontapé de saída oficial da época 2016/17 portista, e o mês de Agosto volta a ser agitado. A juntar à instabilidade que invariavelmente persiste enquanto o mercado de transferências não fecha, o FC Porto joga o play-off de acesso à Liga dos Campeões com a Roma, e fecha o mês com uma deslocação a casa do Sporting, na 3.ª jornada da Liga NOS. Não há tempo para mais experimentações. Seja o que o Espírito Santo quiser…

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por Miran Pavlin às 23:00

Domingo, 09.08.15

FC PORTO - Pré-época 2015

Mediatismo. Esse terrível conceito, que frequentemente exacerba o acessório em detrimento do essencial, foi a nota dominante do defeso portista. Na verdade, era impossível não abafar tudo e mais alguma coisa quando se contrata um dos jogadores mais titulados da história, juntamente com uma peça fundamental do principal rival, que era ao mesmo tempo um dos homens mais criticados pela forma como encara a dimensão física do jogo.

Com oito anos de casa na Luz e sem proposta de renovação até tarde demais, Maxi Pereira deixava meio mundo em alvoroço ao trocar as águias pelos dragões, obrigando os adeptos portistas a engolir o ódio que nutriam pelo lateral uruguaio. A transferência foi muito debatida, mas foi, do ponto de vista desportivo, um golpe certeiro.

Totalmente inesperada foi a contratação do lendário Iker Casillas, guarda-redes de sempre do Real Madrid. Um sismo sentido mundialmente, que levou a comunicação social a focar-se no que menos interessa. Mais do que nas implicações desportivas da mudança, as notícias centraram-se nas opiniões da mulher e dos pais do jogador. Por muito que se possa achar que Casillas perdeu a cabeça, importa lembrar que Raul jogou pelo Schalke 04 e não lhe caíram os parentes na lama – e o Schalke não tem o mesmo prestígio que o FC Porto. Ainda que numa liga menos proeminente que a do seu país, o guarda-redes continuará a lutar por títulos e a disputar a Liga dos Campeões, pelo que a sua aventura no Porto não será assim tão descabida.

Arrumado a um canto ficou então o facto de o FC Porto ter perdido quase toda a equipa titular da época passada, tendo agora que construir uma nova. Tal como se supunha há um ano, o FC Porto acabou mesmo por valorizar jogadores para outros colherem os proveitos. Com efeito, o Real Madrid fez regressar o trinco Casemiro e o Atlético Madrid resgatou o criativo Óliver Torres. As compras dos dois madrilenos não se ficaram por aí, já que os merengues levaram também o lateral Danilo – negócio feito ainda no decorrer de 2014/15 – enquanto os colchoneros recrutaram Jackson Martínez, que deixa a Invicta com uma sacola de golos às costas.

Tendo perdido espaço depois do desastre de Munique, o guarda-redes Fabiano seguiu por empréstimo para o Fenerbahçe. Não seria o único a rumar a Istambul, pois Quaresma está de regresso ao Beşiktaş, onde é idolatrado. Entre os nomes menos utilizados, registam-se as saídas de Campaña (Alcorcón, da II Liga espanhola), Reyes (Real Sociedad, por empréstimo) e do guardião Andrés Fernández (Granada, também cedido).

Foram-se muitos anéis, mas os dedos que se ficaram são suficientes para que a reconstrução não comece propriamente do zero. Helton, Maicon, Marcano, Martins Indi, Alex Sandro, Ruben Neves, Herrera, Tello e Brahimi estão prontos para mais uma batalha, secundados por Ricardo, Evandro e Aboubakar. Uma óptima base de trabalho, complementada na perfeição pelos dois nomes referidos mais acima, mas não só.

O FC Porto bateu o seu recorde de transferência mais cara ao assinar com o francês de origem congolesa Gilbert “Giannelli” Imbula (ex-Marselha) por 20 milhões de euros. Será que o médio vai sentir o peso do seu preço da mesma forma que Adrián López há um ano?

As chegadas de André André (ex-Vitória Guimarães e filho do antigo jogador portista António André), Danilo Pereira (ex-Marítimo) e Sérgio Oliveira (ex-Paços de Ferreira e formado na casa) serviram para matar dois coelhos com uma cajadada só: além de aumentarem o número de portugueses do plantel, são todos médios, e parecem suprir muitas das lacunas que o FC Porto teve nesse sector na última temporada. Outra das contratações, o espanhol Alberto Bueno, traz credenciais (28 golos pelo Rayo Vallecano em duas épocas), mas talvez seja como os melões; só depois de aberto se verá a sua real qualidade.

O defeso azul-e-branco foi mesmo repleto de surpresas. Quem poderia pensar que Varela ainda conheceria uma segunda – ou terceira – vida no FC Porto? A verdade é que o extremo um dia apelidado de Drogba da Caparica está de volta ao cabo de um ano nas brumas do futebol europeu (West Bromwich Albion e Parma), e somou tantos minutos nos jogos de pré-época que até o lugar de Tello está agora em xeque.

A pré-temporada do FC Porto contemplou dois estágios, primeiro em Horst, na Holanda, depois em Marienfeld, na Alemanha, pontuados por seis jogos de preparação, que revelaram algumas carências a nível de golos. Mesmo tendo Aboubakar, será que a solução está no italo-argentino Pablo Osvaldo? Chegado do Boca Juniors, o internacional italiano traz consigo a nada desejável reputação de ter um mau feitio que lhe terá tolhido a carreira. O FC Porto será uma das suas últimas oportunidades de deixar marca.

A derradeira surpresa da pré-temporada foi o regresso de Aly Cissokho, o lateral esquerdo que em 2009 conheceu uma ascensão meteórica, muito a reboque da célebre exibição colectiva do FC Porto nos 2-2 de Manchester na Liga dos Campeões.

Nas entrelinhas acabaram por ficar o empréstimo de Gonçalo Paciência à Académica e as saídas definitivas de Carlos Eduardo, Kléber e Sinan Bolat, nomes que já não faziam parte da equipa. Por definir está a situação da eterna promessa Quintero, enquanto Hernâni, que chegou a estar em negociações com o Olympiakos, deverá ficar, de resto tal como José Ángel. O guarda-redes mexicano Raul Gudiño e o central chileno Igor Lichnovsky ascendem da equipa B, e o ponta-de-lança André Silva surge no plantel principal na senda de Ruben Neves.

A pré-temporada culminou ontem com a apresentação aos sócios, num empate a zero com o Nápoles. Adrián López não foi apresentado, pelo que deverá sair nos próximos dias. Começa aqui a contagem decrescente para o futebol a doer e já há problemas para resolver, pois Brahimi e Cissokho saíram do jogo tocados. Por ter um plantel mais e melhor apetrechado que na época passada a solução não deverá ser difícil. Que comece a acção!

ACTUALIZAÇÃO (1 Setembro 2015): até ao fecho do mercado Alex Sandro deixou o FC Porto rumo à Juventus, sendo substituído pelo mexicano Miguel Layún, que chega por empréstimo do Watford. Não foi o único mexicano a ingressar no FC Porto. Da Holanda chegou Jesús Corona, para colmatar a vaga deixada por Quaresma.

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por Miran Pavlin às 22:00

Sexta-feira, 08.08.14

FC PORTO - A pré-época

adamirtorres

O pesadelo é passado. A página volta a estar em branco, à espera de ser escrita, na crença de que as palavras reflictam uma realidade diferente da pobreza franciscana do pretérito ano.

Para haver uma nova realidade era necessário que o FC Porto procedesse a uma reestruturação dos seus quadros, que começou a tomar forma com o anúncio de Julen Lopetegui como novo treinador, quando ainda fumegavam as cinzas de 2013/14. O técnico basco pôde assim tomar o pulso ao clube e à cidade, e preparar a sua abordagem calmamente, aproveitando o dispersar de atenções que um Mundial sempre provoca.

Lopetegui trouxe, a julgar pelo que passou para o público, um método de trabalho com um cunho bastante pessoal, centrado na vertente táctica e na construção de mecanismos de jogo, e alicerçado num estilo interventivo, sem pejo de corrigir os jogadores quando estes não executam bem as suas indicações.

Depois da entrada em funções do treinador – e da inusitada instalação de uma torre de observação no Olival –, passo a passo a revolução foi seguindo o seu caminho.

De saída está Jorge Fucile – essa bomba-relógio –, que finalmente deixou de ser jogador do FC Porto e regressa ao seu país para jogar no Nacional de Montevideu; Fernando também sai finalmente – no ponto de vista dele – do clube, juntando-se ao campeão inglês Manchester City, que contratou igualmente Mangala por uns astronómicos 40 milhões de euros mas ainda não se apercebeu; Iturbe e Castro desvincularam-se e vão seguir as suas carreiras noutras paragens.

Entre os que ficam, o Mundial foi bom para refrescar as ideias de alguns jogadores. Herrera teve uma boa prestação a nível individual, enquanto para Jackson Martínez e Quintero também colectivamente o Brasil 2014 fica como uma boa memória. Ambos marcaram, e regressam tendo feito parte da melhor participação de sempre da Colômbia na prova.

Entre as caras novas que vão encontrar contam-se o central Bruno Martins Indi, que traz ao peito a medalha de bronze do Mundial, e nas laterais haverá a tão desejada concorrência a Danilo e Alex Sandro, através do ganês Daniel Opare e do espanhol José Ángel.

Para o miolo chegam o argelino Yacine Brahimi, que parece tratar bem a bola, como mostrou pela sua selecção, e Evandro, ex-Estoril, que já conhece o quotidiano da Liga portuguesa. Mais à frente, o FC Porto assegurou os serviços de Cristián Tello, que integrou o mágico Barcelona de Guardiola mas nunca encontrou o seu espaço, e de Adrián López, este uma contratação inesperada, uma vez que chega como campeão espanhol, e de quem se espera que tenha ombros para suportar a pressão dos 11 milhões de euros que custou.

Os reforços são bastante interessantes, mas nem tudo são rosas da cor da nova camisola. O FC Porto este ano vai valorizar – crê-se – jogadores sobre os quais poderá não ser tido nem achado. Óliver Torres e Casemiro chegam ao Dragão por empréstimo, o primeiro para ser o médio ofensivo que falta desde Deco, o segundo para colmatar a saída de Fernando. A situação será mais séria caso o Real Madrid queira o brasileiro de volta e o FC Porto se veja obrigado a procurar novo trinco.

Com o futuro indefinido estão Defour, para quem o Mundial não correu nada bem – só foi utilizado num jogo para cumprir calendário e conseguiu ser expulso ao fim de 45 minutos – e Ghilas, que jogou nos três jogos da fase de grupos mas muito discretamente, e sempre como opção para os minutos finais.

Rolando esteve para integrar os trabalhos, mas mudou de ideias e continua sem colocação, tal como Varela, que não quer continuar no FC Porto, e também Josué. Licá e Abdoulaye foram emprestados ao Rayo Vallecano, mas hão-de voltar, possivelmente para a mesma sina que Djalma continua a enfrentar.

Dúvidas ainda na questão do guarda-redes. Com Helton no limbo de uma lesão grave em idade avançada, Fabiano é mais que competente para ser titular, e o reforço Ricardo é um suplente de luxo – pode estar a tornar-se no novo Nuno Espírito Santo –, pelo que é de questionar se a contratação de Andrés Fernández terá sido precipitada.

De uma coisa Lopetegui não se pode queixar: tem os jogadores que quis. Portugueses quase não há. Lembrando as célebres palavras de Pedroto, o técnico acaba de montar uma escola não de samba, mas de flamenco.

Tudo ingredientes para aumentar a pressão, que já de si é grande, após um ano atípico. Não se deve, no entanto, pensar que a revolução está concluída. Este é só o primeiro ano de uma nova etapa, e os jogos de preparação indicam que este FC Porto ataca melhor do que defende, pelo que o processo de reconstrução deverá continuar no futuro.

Falta uma semana para começar a acção, e enquanto o jornal O Jogo tece loas ao jovem Ruben Neves, no tocante a chegadas os dossiês Marcano, Clasie e Jiménez prolongam-se sem solução. Se o que acontece com o Benfica praticamente todos os anos fizer jurisprudência, estes nomes não virão.

Dia 15 de Agosto o FC Porto terá o privilégio de dar o pontapé de saída na 81.ª edição do campeonato, recebendo o Marítimo. De seguida, é mesmo – mesmo – a doer. O FC Porto jogará com o Lille a primeira mão do play-off da Liga dos Campeões, que decidirá desde já muito do que será a época 2014/15.

Não havendo Supertaça para dar balanço, o FC Porto tem que entrar de prego a fundo. Se eu fosse o treinador, o meu primeiro onze seria: Fabiano; Danilo, Maicon, Martins Indi, Alex Sandro; Casemiro, Herrera, Óliver; Tello, Quaresma, Jackson.

Mas não sou. Por isso, que role a bola, que aqui estarei para começar a escrever a dita página em branco.

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por Miran Pavlin às 21:00

Segunda-feira, 12.08.13

A pré-época - Balanço

 

O Sporting fez ontem o último dos jogos de preparação para época 2013/2014. Neste último mês foram notórias as diferenças entre esta equipa e uma outra que jogou com as mesmas cores na época passada. Aliás, arrisco a dizer que qualquer semelhança entre as duas é pura coincidência... 

Tenho dito às pessoas que me rodeiam, que há apenas uma contratação que não pode falhar este ano: o treinador. E até agora o trabalho realizado tem-se sentido de uma forma muito positiva. Nota-se um grupo concentrado, com vontade de interpretar em campo as ideias do treinador, praticando um futebol de processos mais simples, mais rápido, ao primeiro toque. E com esta nova filosofia, este novo modelo de jogo parece-me que há interpretes mais talhados para o executar do que outros. Assim sendo não me chocará se na próxima semana Wilson Eduardo for titular em vez de Diego Capel. E Carrillo comece no banco também. Que Gerson Magrão pegue de estaca no onze, em especial se mantiver esta atitude competitiva. E que William Carvalho jogue no miolo, com ou sem Rinaudo.
Montero parte em vantagem para jogar na frente de ataque, sobretudo por ter mais tempo de treino. Slimani é o avançado com as características que o Sporting precisava há muito tempo, mas resta saber se a adaptação ao futebol português será rápida, e se ao bom porte físico se juntam os atributos técnicos para não ser mais um "purovic" desta vida.

Na defesa moram as maiores incógnitas. Na direita Cédric Soares procura a época de afirmação, mas terá de mostrar muito mais. Welder não comprometeu  na pré-época mas é cedo para dizer que será uma alternativa viável à posição de defesa direito. Na esquerda Jefferson será a primeira opção (parece que Evaldo será bem encaminhado para outras paragens...), tenho como sombra a adaptação de Rojo ou um dos defesas da equipa B (Mica ou King). No meio há que lamentar a falta de propostas para a venda de Rojo, claramente o jogador mais sobrevalorizado do plantel, com uma especial apetência para comprometer e pôr a defesa em apuros. Apesar disso espera-se que seja titular...
Dos restantes candidatos ao centro da defesa, confesso que fiquei impressionado com a pré-época tranquila de Maurício, que cumpriu com eficácia e alguma classe o seu papel. Eric Dier pela sua estatura e entrega, parece-me que terá lugar de caras nesta equipa assim que estiver a 100%. Tiago Ilori é uma carta fora do baralho (pelo menos por enquanto) e todos os outros centrais deverão ser opções regulares na equipa B, sendo chamados à A quando necessário.

No meio campo surpreendeu o ritmo competitivo de Adrien Silva nesta pré-época. Absolutamente irreconhecível! E o supracitado William Carvalho. André Martins tem assumido um papel importante no meio campo e deverá ser opção regular para Jardim. André Santos e Chaby partirão em desvantagem, embora também não tenham comprometido neste último mês.

Na frente de ataque tenho pena que esta não seja a época de afirmação de Labyad, um talento demasiado bem pago para o seu próprio bem. Cissé partirá em desvantagem em relação a Montero & Slimani, mas pode ser que consiga somar minutos ao longo da época. E como dito no ínicio do post, o estilo rápido e simples do futebol de Jardim perde gás no individualismo de Capel e Carrillo. Apesar do espanhol continuar a ser um dos favoritos das bancadas, será necessária uma evolução do seu jogo colectivo para poder dar à equipa aquilo que ela precisa. O mesmo com Carrillo, que a pesar de ter marcado um golo ontem, com a sua habitual displicência perdeu demasiadas bolas na frente de ataque. 

Faltou apenas falar na situação da baliza, que ficará sempre bem entregue quer Rui Patrício fique ou saia.  

 

Depois de uma época miserável a todos os níveis (em especial em termos exibicionais), o Sporting acabou a pré-temporada com indicadores positivos, mostrando que será capaz de se apresentar em muito melhores condições do que há meses atrás. Daqui a algumas semanas será fácil criticar se tudo correr mal, mas agora, antes dos jogos oficiais, parece-me que o Sporting, com a matéria-prima da academia e uma série de contratações de baixo custo, montou uma equipa capaz de brindar o seu público com bom futebol e apresentar resultados positivos caso a sorte e as habituais condicionantes que persistem no futebol português assim o permitirem. Sinal mais para a equipa técnica (ao que parece, alguns destes reforços low-cost estavam debaixo de olho há algum tempo) e para a equipa directiva. Segue-se o Arouca, desta vez a doer, no regresso das matinés a Alvalade.

 

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por Kirovski às 18:30



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