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CORTE LIMPO


Domingo, 18.02.18

Liga NOS, 23.ª jornada - FC Porto 5-0 Rio Ave FC - Factura

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Desde que José Mourinho a proferiu, na ressaca da derrota na Supertaça Europeia de 2003, que esta frase se tornou numa máxima: os próximos pagam. Calhou então ao Rio Ave a indesejável fava de ter que assumir a despesa do desastre portista no jogo anterior. O valor da factura a pagar pelos vila-condenses começou a crescer ainda não tinham passado 90 segundos. Brahimi e Alex Telles trabalharam na esquerda, o argelino cruzou, Soares assistiu Sérgio Oliveira por mero acaso, e o médio disparou rasteiro e colocado, de fora da área, para o primeiro golo do FC Porto. Ao minuto 14 os dragões voltaram a criar perigo, num livre de Brahimi à trave, e aos 22 Soares, elevando-se no centro da área, cabeceou para o 2-0. Tinha decorrido apenas um quarto do jogo e decerto já poucos se recordavam do que acontecera poucos dias atrás. Muito menos quando com 34 minutos um cruzamento de Marega foi desviado por Marcelo para a própria baliza. O Rio Ave aproximava-se pouco da baliza portista e quando o fazia não conseguia mais que rematar de longe, sem perigo.
A defender as redes do FC Porto estava Casillas, que não era titular na I Liga desde a jornada 8. Salta de imediato à memória a situação de Fabiano após os célebres 6-1 sofridos frente ao Bayern Munique em 2015. Aqui, uma nova titularidade de José Sá tanto podia ser vista como um voto de confiança, ou como um risco; jogando Casillas, ou Sá está a ser resguardado, ou então também lhe calhou uma factura da derrota de quarta-feira. De qualquer forma, também essa questão se tornou secundária face ao volume a que o resultado cedo chegou. O Rio Ave apenas criou relativo perigo no início da segunda parte, em dois remates de João Novais que obrigaram Casillas a defesas atentas. O FC Porto mantinha-se motivado e chegaria ao quarto golo ao minuto 72, com Marega a marcar de cabeça, na sequência de um livre lateral de Alex Telles. O resultado final fixou-se já na recta final (84'). Soares desviou à boca da baliza após jogada confusa, mas o tento só foi confirmado pelo vídeo-árbitro, que reverteu a decisão inicial de fora-de-jogo.
Dizem os entendidos que o melhor para esquecer um desaire é que o jogo seguinte não demore a chegar. Talvez não se pedisse tanto, mas o FC Porto acabou por regressar à eficácia que até agora tem sido hábito nesta edição da Liga NOS. Este jogo teve outros lances prometedores, mas quando se marcam cinco golos, mais não se pode exigir. A partida marcou ainda a estreia do lateral direito Diogo Dalot no campeonato (74').

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por Miran Pavlin às 21:20

Quinta-feira, 21.12.17

Taça da Liga, fase de grupos - FC Porto 3-0 Rio Ave FC - Pequena goleada

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Quando se pensa na Taça da Liga, pelo menos no caso português, pensa-se em gestão com onzes alternativos e jogos pouco entusiasmantes. Principalmente quando está envolvido um dos ditos grandes. Mas não nesta jornada, na qual ficou bem à frente dos olhos o quão reduzido é o plantel do FC Porto. Ao ponto de a única rotação ter ocorrido na baliza, mas quando o contemplado com a titularidade dá pelo nome de Iker Casillas, é crime dizer que é rotação; ter o mítico internacional espanhol no banco é antes um luxo a que o FC Porto se dá. E portanto, como o onze inicial portista era de campeonato, o desenrolar do encontro acabou por também o ser, à conta das inúmeras jogadas de perigo junto à baliza do Rio Ave e do apetite do FC Porto pelo golo. Só na primeira parte houve lances suficientes para um 6-0, que não seria escandaloso. No entanto, apenas por duas vezes os dragões festejaram. Ao minuto 11 Soares abriu o activo com um remate frontal, que castigou uma má reposição do Rio Ave. Nessa mesma jogada, os vilacondenses tinham arriscado sair a jogar uma primeira vez, mas o FC Porto não deixou. A bola voltou ao guarda-redes Cássio, que podia - devia? - ter aliviado para longe, mas preferiu insistir numa saída a jogar, novamente sem sucesso. Brahimi intrometeu-se e deu para Herrera, que assistiu o ponta-de-lança brasileiro. Dez minutos mais tarde, Marega redimiu-se de um falhanço anterior ao recolher um belo passe em profundidade de Brahimi, tirar Cássio do caminho e empurrar para a baliza deserta. Já se via a goleada no horizonte, e as oportunidades foram então mais que muitas, mas o intervalo chegaria sem mais golos a registar. Virando o foco para a equipa do Rio Ave, a sua desarticulação defensiva causou estranheza. Não só nessas más reposições, mas também nos buracos que apareciam de cada vez que o FC Porto se abeirava da área. O Rio Ave não parecia a equipa que tão elogiada tem sido, nesta época como nas anteriores.
A segunda metade abriu com os dragões novamente à procura do golo, mas a fome não durou muito, pelo que ao fim de alguns minutos se assistiu efectivamente a um jogo de Taça da Liga: ritmo médio/baixo, pouca emoção à frente das balizas, o cronómetro a avançar devagarinho e um ou outro tímido bocejo. O despertador, estridente, tocou ao minuto 80, quando Danilo Pereira foi expulso com segundo amarelo por protestar uma falta discutível assinalada contra si. Os adeptos presentes ainda gostaram menos da decisão que o médio, e fizeram ouvir a sua opinião colectiva alto e bom som. Danilo não seria o único a ir ao banho mais cedo, pois o seu homólogo vilacondense Pelé viu cartão vermelho directo (90') por rasteirar Aboubakar quando este seguia isolado para a baliza. Nas imagens, o derrube acontece a meio metro da área, mas à primeira vista é penálti de caras. O camaronês mais uma vez não desperdiça na conversão, oferecendo ao marcador um colorido mais consentâneo com as incidências.
Falando em cor, aproveito o remate do texto para uma menção ao último grito da moda desportiva: mexer nos emblemas dos clubes. No caso portista, os equipamentos alternativos - que hoje até nem foram utilizados - não ostentam o escudo do clube, apenas os seus contornos, sem qualquer cor. No caso do Rio Ave, a sua camisola amarela e vermelha não só dificulta a identificação do clube, como tem no lado esquerdo do peito uma versão esturricada do emblema. Na minha humilde opinião, um emblema é - ou deveria ser - como a bandeira vigente de um país: imutável. Ou alguém aceitaria que no próximo Mundial trouxessem a bandeira portuguesa a preto-e-branco e só com os contornos da esfera armilar e das quinas?

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por Miran Pavlin às 23:59

Domingo, 17.09.17

Liga NOS, 6.ª jornada - Rio Ave FC 1-2 FC Porto

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Não assisti ao jogo.

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por Miran Pavlin às 20:30

Quinta-feira, 01.06.17

RIO AVE FC 2016/17

Para um clube da dimensão do Rio Ave, o sucesso tem um preço. Apurado pela segunda vez para a Liga Europa, o clube de Vila do Conde voltou a ter que acelerar a construção do plantel e os trabalhos de pré-temporada, já que o primeiro jogo oficial estava marcado para 28 de Julho. Só faltou a acumulação de jogos, que os clubes desejam, mas depois usam como desculpa quando faltam resultados positivos. O Rio Ave foi então eliminado pelo Slavia Praga nos golos fora, logo nessa 3.ª pré-eliminatória, ao cabo de dois empates. Não conseguindo prolongar a presença internacional da mesma forma que em 2014/15, o Rio Ave apontou então baterias a novo apuramento europeu, mas os altos e baixos que foi vivendo acabaram por ser um obstáculo. Por muito respeitável que o sétimo lugar final seja, ficou a faltar um pontinho apenas para o acesso à UEFA.

Uma coisa não mudou em relação à temporada transacta: o Rio Ave voltou a praticar bom futebol. Principalmente quando Luís Castro tomou conta da equipa após a 10.ª jornada. Até aí, não é que o Rio Ave estivesse a fazer um mau percurso, mas depois da vitória sobre o Sporting (3-1, 5.ª jornada) a equipa bloqueou, perdendo com Paços de Ferreira (2-1), Estoril (1-2), Guimarães (0-3) e Boavista (1-2), com um empate em Moreira de Cónegos (1-1 fora) pelo meio. Dito de outra forma, eram três derrotas consecutivas em casa, e a paciência dos dirigentes vila-condenses esgotou-se. A mudança de treinador teve resultados imediatos, com o Rio Ave a vencer quatro encontros de enfiada – Setúbal (0-1), Tondela (3-1), Arouca (0-2) e Nacional (2-1) –, antes de novo período menos bom, no qual venceu apenas um jogo em nove – 1-0 frente ao Braga na jornada 19. A má fase atirou o Rio Ave para o 10.º posto.

Uma ligeira recuperação, pontuada por seis vitórias e dois empates nos últimos onze jogos, recolocou o Rio Ave na rota da Europa, mas os pontos até aí desperdiçados, aliados à resistência do Marítimo, não permitiram à equipa dos Arcos chegar mais acima. O Rio Ave ocupou em definitivo o sétimo lugar a partir da ronda 25.

Depois de três meias-finais consecutivas na Taça de Portugal, desta vez o Rio Ave caiu à primeira tentativa, eliminado nas grandes penalidades (4-2) pelo Santa Clara, após um empate a um golo nos 120 minutos. Na fase de grupos da Taça da Liga foram os critérios de desempate a virar as costas à equipa de Luís Castro. Por ter melhor diferença de golos, foi o Braga a seguir para as meias-finais da prova. Indigesto para o Rio Ave, que até venceu em Braga (1-2) na segunda jornada.

 

TREINADOR INICIAL

Nuno Capucho estreou-se como treinador principal na I Liga, resistindo dez jornadas e adicionando ao seu currículo um triunfo sobre o Sporting. A ressaca foi forte, traduzindo-se em cinco jornadas sem vencer, que lhe custaram o lugar.

 

PONTO ALTO

A vitória sobre o Sporting (3-1), na quinta jornada, parecia encaminhar o Rio Ave para mais uma época de grande nível, mas seria, como se leu acima, uma espécie de mini canto do cisne.

 

CONTABILIDADE

Liga NOS: 7.º lugar, 14v-7e-13d, 41gm-39gs, 49 pontos;

Taça de Portugal: afastado na 3.ª eliminatória pelo Santa Clara;

Taça da Liga: afastou o Chaves na 2.ª eliminatória (1-1, 3-1 gp); segundo classificado no grupo C (6 pontos), atrás do Braga, e à frente de Marítimo e Covilhã;

Liga Europa: afastado na 3.ª pré-eliminatória pelo Slavia Praga (0-0f, 1-1c).

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por Miran Pavlin às 12:00

Sábado, 21.01.17

Liga NOS, 18.ª jornada – FC Porto 4-2 Rio Ave FC – Com cabeça

Numa partida com seis golos e duas reviravoltas, é no mínimo estranho não se chegar ao final e bradar a quem quiser ouvir que se tratou de um dos grandes jogos da temporada. O Rio Ave cumpriu o prometido e não veio ao Dragão fazer figura de corpo presente nem estacionar o autocarro, enquanto o FC Porto tremeu antes de fazer valer o peso de um Dragão que Nuno Espírito Santo insiste em querer transformar numa fortaleza, mas faltou aquela dose de intensidade que transforma jogos como este em clássicos para a história.

Ainda não se tinha passado muito quando o FC Porto abriu o marcador (18’), num cabeceamento de Felipe, na sequência de um livre lateral batido por Alex Telles. O central estava em fora-de-jogo, mas o carácter milimétrico do adiantamento torna admissível as eventuais dúvidas que o juiz de linha possa ter tido. Poucos minutos mais tarde Diogo Jota poderia ter duplicado a vantagem portista, ao aparecer solto em frente ao golo, mas o seu remate bateu com estrondo na trave, gorando-se assim a oportunidade. Com o Rio Ave a procurar estender o seu jogo, e sendo orientado por Luís Castro, técnico que iniciou a temporada ao comando do FC Porto B, decerto que os vila-condenses conheciam alguns segredos dos dragões. Aproveitando um certo conformismo do adversário, o Rio Ave equilibrou o jogo, mas chegaria ao empate num golpe de sorte (35’). Pressionado por Layún junto à lateral, Gil Dias tirou um cruzamento paradoxal; foi tão mau que acabou por sair muito chegado à baliza, apanhando todos desprevenidos. Casillas só conseguiu defender para a frente, onde apareceu Guedes para encostar.

Um potencial escândalo pareceu possível ao minuto 49, quando Roderick converteu com sucesso uma grande penalidade cometida por Layún sobre o mesmo Gil Dias – de regresso após lesão, o mexicano esteve particularmente desastrado, sendo substituído aos 56 minutos, já amarelado, talvez para evitar uma expulsão. O FC Porto não demoraria muito a anular a desvantagem. Corria o minuto 55 quando Marcano, também de cabeça, igualmente após livre lateral de Alex Telles, fez o 2-2. Rui Pedro já estava pronto para entrar e o golo não fez Nuno mudar de ideias; o avançado foi mesmo a jogo, para o lugar de Layún. A reviravolta também não se fez esperar (62’), coroando a melhor fase do FC Porto no jogo. Novamente num livre lateral, Alex Telles completou um hat-trick de assistências graças ao cabeceamento de Danilo Pereira – um dos melhores em campo – junto à pequena área. O Rio Ave não desistiu de tentar novo empate, mas já não conseguiu ser tão expansivo como anteriormente, e veria mesmo o FC Porto chegar aos dois golos de vantagem (88’), por Rui Pedro. Era o póquer portista em cabeceamentos, apesar de o gesto do avançado não ter sido o melhor.

Confirmando a tendência geral no campeonato, enquanto visitado o FC Porto voltou a fazer das fraquezas forças, ainda para mais perante um adversário que justificou plenamente os dois golos que leva para casa. Ainda assim, é bom manter as cautelas; o FC Porto venceu mas não deslumbrou, e ainda não mostrou consistência suficiente para fazer crer que não estará mais um empate ao virar da esquina.

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por Miran Pavlin às 20:00

Sexta-feira, 12.08.16

Liga NOS, 1.ª jornada – Rio Ave FC 1-3 FC Porto – É como acaba

Quem viu os primeiros minutos oficiais deste FC Porto dificilmente ficou satisfeito. A intensidade era pouca, o rasgo também. A baliza, tanto a do Rio Ave como a do próprio FC Porto, eram como que um pequeno ponto lá longe no horizonte. Durante esse tempo, o jogo foi como que um remake de muitas noites da temporada passada, em que à falta de melhores ideias, o FC Porto se ia deixando enredar pelo adversário, como se estivesse à espera de que algo caísse do céu. Até que, à semelhança de diversas ocasiões em 2015/16, caiu mesmo, mas onde os dragões menos desejariam: na sua baliza.

Na cobrança de um canto, Marcelo escapou à marcação de Felipe e cabeceou cruzado para o primeiro golo desta edição da Liga NOS (36’). Era o ingrediente que faltava para que os adeptos dos azuis-e-brancos levassem as mãos à cabeça e vissem passar à frente dos olhos todo o filme do pretérito ano. Se já era claro, tornou-se inequívoco que Felipe ainda não entrou no ritmo do jogo europeu; o futebol que se pratica por cá está longe da vertigem, por exemplo, do futebol inglês, mas o central brasileiro ainda precisa de adaptar o seu chip.

O filme de terror dos portistas durou apenas quatro minutos. Corona foi mais forte no corpo-a-corpo com o central vila-condense e finalizou em beleza, sem deixar a bola cair, após cruzamento de Alex Telles que ressaltou num adversário antes de André Silva endossar, de cabeça, ao mexicano. O FC Porto foi subindo de rendimento a partir daqui. Sete minutos após o reatamento, Herrera assinou um belo golo, num remate colocado, e à passagem da hora de jogo André Silva picou o ponto, na recarga a uma grande penalidade desperdiçada pelo próprio, que permitiu a defesa, ainda que incompleta, a Cássio.

Marcelo foi expulso no lance da grande penalidade, e Alex Telles acompanhá-lo-ia no banho antecipado aos 65 minutos, quando viu um segundo cartão amarelo, talvez por excesso de zelo do juiz da partida. Nuno Espírito Santo recompôs a defesa retirando Otávio para fazer entrar Layún, mas o jogo cairia de intensidade a partir deste momento. Com uma novidade: o FC Porto controlou as operações sem problemas de maior, ao ponto de se dar ao luxo de refrescar o ataque, dando minutos ao reforço Depoitre, que ainda apalpa terreno enquanto jogador do FC Porto, e também a Adrián López, que procura agarrar uma inesperada segunda oportunidade.

O FC Porto terminou o jogo com uma cara muito melhor que aquela que começou. Poderá ser um bom prenúncio, mas, naturalmente, é demasiado cedo para afirmar o que quer que seja. Era importante começar bem, e isso foi conseguido. Para que o texto não termine de forma abrupta, aqui ficam algumas curiosidades: Nuno Espírito Santo iniciou o seu percurso oficial no comando do FC Porto frente à equipa pela qual se estreou na I Liga como técnico, enquanto Nuno Capucho encontrou o antigo clube na sua própria estreia como treinador na liga principal. Os dragões saem de Vila do Conde com um triunfo por 1-3 pela quarta época consecutiva. O presente jogo copiou até a marcha do marcador verificada no encontro da temporada passada.

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por Miran Pavlin às 23:50

Quarta-feira, 25.05.16

RIO AVE FC 2015/16

Há cerca de três anos era o Estoril quem vivia o melhor período da sua história, graças a boas classificações finais, que garantiram mesmo idas à Liga Europa. Volvido esse tempo, o testemunho passou para as mãos do Rio Ave, que repetiu o sexto posto de 2012/13, conseguindo com isso o seu segundo apuramento para as provas da UEFA.

Os vila-condenses não terão sido extravagantes, em termos do futebol praticado, mãs não deixou de saltar à vista a capacidade da equipa em marcar golos. O Rio Ave realizou esta época 43 jogos, em todas as competições nacionais, e apenas ficou em branco em oito ocasiões. O Rio Ave não só marcou golos em cada uma das primeiras dez jornadas do campeonato – nessa altura os restantes 17 participantes já tinham ficado a seco pelo menos uma vez – como ainda conseguiria outra sequência a marcar, agora de nova jogos, entre as rondas 12 e 20. O Rio Ave terminou com 44 golos marcados na Liga NOS; talvez tivesse conseguido ficar um pouco mais alto se não tivesse sofrido igual número.

A produtividade ofensiva, no entanto, permitiu à equipa de Vila do Conde andar praticamente toda a época entre o quinto e o sétimo lugares, com predominância para o sexto posto, o qual ocupou em 12 jornadas. A época terminaria, então, em festa, mas o Rio Ave não se livrou de um susto, já com a meta à frente do nariz. Um empate em Tondela (1-1), à jornada 32, fez o Rio Ave descer ao sétimo posto, que seria oitavo na semana seguinte, após derrota caseira (1-3) com o FC Porto. Uma quebra semelhante, na mesma fase da temporada passada, atirou o Rio Ave para o décimo lugar, mas o desfecho não se repetiu. Na última jornada os vila-condenses a fizeram a sua parte, e a conjugação de resultados fez o resto, devolvendo o Rio Ave ao mágico sexto posto, que abriu então as portas da Europa do futebol.

 

Sessões contínuas

Rio Ave e Braga parecem ter uma atracção irresistível um pelo outro. Nunca duas equipas se defrontaram tantas vezes no espaço de três temporadas. Vila-condenses e arsenalistas esgrimiram argumentos pela terceira vez consecutiva nas meias-finais da Taça de Portugal, e se no primeiro cruzamento foi o Rio Ave a sair por cima, nos dois anos seguintes o Braga tornou-se na némesis do Rio Ave, que não mais o ultrapassou. Esta época, em cinco jogos, o Rio Ave fez apenas um golo ao Braga, e numa derrota por 5-1, na 19.º jornada da Liga. Confira então a lista dos 15 jogos:

03.11.2013           Braga 0-1 Rio Ave             Liga, 9.ª jornada

13.02.2014           Rio Ave 2-1 Braga             Taça da Liga, meias-finais

21.03.2014           Rio Ave 1-1 Braga             Liga, 24.ª jornada

26.03.2014           Braga 0-0 Rio Ave             Taça de Portugal, meias-finais

16.04.2014           Rio Ave 2-0 Braga             Taça de Portugal, meias-finais

27.09.2014           Braga 3-0 Rio Ave             Liga, 6.ª jornada

04.02.2015           Rio Ave 0-2 Braga             Taça da Liga, fase de grupos

28.02.2015           Rio Ave 0-2 Braga             Liga, 23.ª jornada

07.04.2015           Braga 3-0 Rio Ave             Taça de Portugal, meias-finais

30.04.2015           Rio Ave 1-1 Braga             Taça de Portugal, meias-finais

21.08.2015           Rio Ave 1-0 Braga             Liga, 2.ª jornada

24.01.2016           Braga 5-1 Rio Ave             Liga, 19.ª jornada

27.01.2016           Rio Ave 0-0 Braga             Taça da Liga, fase de grupos

04.02.2016           Braga 1-0 Rio Ave             Taça de Portugal, meias-finais

02.03.2016           Rio Ave 0-0 Braga             Taça de Portugal, meias-finais

O Rio Ave venceu quatro jogos, contra seis do Braga, com cinco igualdades. 19-9 em golos para o Braga.

 

Treinador

Pedro Martins tem construído uma carreira interessante desde que começou a treinar na I Liga, ao serviço do Marítimo, clube que qualificou para a Liga Europa em 2012 e conduziu a uma digna presença na fase de grupos. Martins repetiu a receita nesta primeira época no Rio Ave e o resultado global é novamente positivo, apesar do amargo de boca na Taça de Portugal.

 

Figuras

Tarantini tornou-se no jogador com mais jogos pelo Rio Ave, com 201 jogos, ultrapassando o mítico Niquinha. Guedes e Renan Bressan foram os melhores marcadores da equipa no campeonato, com seis golos cada, enquanto mais atrás Kayembé, Roderick e Marvin Zegelaar, que sairia para o Sporting no mercado de inverno, foram os elementos em destaque. Foi também em Janeiro que Hélder Postiga chegou ao clube, ainda a tempo de apontar cinco golos na Liga. Apesar de influente, Ukra não foi tão letal como em outras campanhas, terminando com apenas um golo marcado.

 

Contas finais

Campeonato: 6.º lugar, com 14v, 8e, 12d, 44gm, 44gs, 50pts

Taça de Portugal: eliminado nas meias-finais (Braga, 0-1f, 0-0c)

Taça da Liga: eliminado na fase de grupos

 

Para mais tarde recordar

12.12.2015, jornada 13 – vence pela primeira vez o Arouca em jogos da I Liga;

06.01.2016, jornada 16 – ao empatar a um golo, o Rio Ave somou o seu primeiro ponto em casa do FC Porto desde 2004/05;

18.03.2016, jornada 27 – primeira vitória do Rio Ave em casa frente ao Marítimo desde 2003/04;

14.05.2016, jornada 34 – apuramento para a Liga Europa, graças a uma vitória em casa do União (1-2).

 

Para esquecer

27.01.2016, Taça da Liga: eliminado na fase de grupos após um nulo caseiro com o Braga, que jogou com menos um homem cerca de meia hora;

13.03.2016, jornada 26 – ao perder por 1-0, o Rio Ave continua sem vencer em casa do Nacional em jogos da I Liga.

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por Miran Pavlin às 12:45

Sábado, 07.05.16

Liga NOS, 33.ª jornada – Rio Ave FC 1-3 FC Porto – Sem molho

Em abstracto, é sempre bom para os portistas ver a equipa de futebol do clube vencer por 3-1 – ou 1-3, como é o caso. No entanto, finalizada a partida, a sensação que fica é a de se ter comido uma francesinha sem molho. O FC Porto controlou todo o jogo, operou uma reviravolta e acabou por disfarçar, pelo menos por mais uma semana, a insegurança que esteve em amostra no jogo anterior. Mas faltou qualquer coisa.

Talvez seja porque a motivação não é muita. Poderá faltar um pouco de chama. Será da falta de entrosamento, que de resto raras vezes existiu esta época? Certamente que se podem procurar os mais variados motivos, mas a verdade é que o FC Porto, apesar de ter vencido com tranquilidade, conseguiu-o com pouco brilho.

E se não havia motivação suficiente para a equipa do FC Porto entrar acordada no jogo, foi preciso um ex-portista fazer soar o despertador. Ou melhor, detonar uma bomba. Hélder Postiga, que tão mal-amado foi no FC Porto, arrancou um tiro do meio da rua, para um golo de bandeira (5’). O hoje titular Helton não teve hipóteses. Apetece até perguntar se Postiga não teria lugar neste FC Porto – de resto, tal como Ricardo Costa e/ou Ricardo Carvalho, não esquecendo Vieirinha. Possivelmente não para ser titular em todos os jogos, mas sim como arma secreta ou suplente de luxo para os momentos de maior aperto. Convém não esquecer de que velhos são os trapos, aliás como se viu.

O Rio Ave vencia então por 1-0. O chavão que entraria aqui é que o FC Porto reagiu. Na realidade é impossível escrever isso. Os golos aconteceram, sim, mas não é líquido que se tenham preenchido todos os requisitos de uma reacção propriamente dita. O empate apareceu ao minuto 20, numa grande penalidade convertida por Layún. Já na segunda parte, Sérgio Oliveira, porventura inspirado por Postiga, fez o 1-2 também com um remate fogoso de fora da área, na ressaca de um canto (57’). Um bilhete, como se diz na gíria. A floresta de pernas à frente do médio não adiantou de nada.

A três minutos dos descontos surgiria o terceiro tento portista, num remate cruzado de Varela após centro largo de Maxi Pereira. Resolvia-se assim em definitivo um jogo em que o ponta-de-lança de serviço foi André Silva, que voltou a não marcar mas somou minutos na sua ambientação ao que é ser titular no FC Porto.

Falta um jogo para que se conclua a campanha portista na I Liga. Não será um jogo qualquer, já que se trata de um dérbi tripeiro frente ao Boavista. Um perigo à espreita. Com a manutenção garantida, os axadrezados terão uma oportunidade de ouro para subir ao relvado do Dragão, jogar o jogo pelo jogo e escrever um pouco de história.

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por Miran Pavlin às 19:25

Quarta-feira, 06.01.16

Liga NOS, 16.ª jornada – FC Porto 1-1 Rio Ave FC – Tudo para nada

Esqueçam tudo o que viram em Alvalade. Hoje frente ao Rio Ave não houve uma equipa letárgica. Não houve revolução no onze inicial. Não houve tanta lentidão de processos, apenas alguma, a espaços. Nem houve substituições absurdas. Houve, sim, muito ataque, ao ponto de toda a segunda parte se ter desenrolado no meio-campo do Rio Ave. Houve muitos remates. Houve 18 cantos a favor do FC Porto e só um para o adversário. Até houve Aboubakar e André Silva a jogar em simultâneo nos minutos finais. Houve um pouco de tudo. E o FC Porto não venceu.

Por uma vez, não é possível apontar grandes defeitos à equipa. É verdade que os pontapés de canto e os inúmeros cruzamentos não resultaram em qualquer oportunidade clara de golo, mas o FC Porto rematou vezes sem conta. Maxi Pereira e Layún apareceram com frequência no ataque, Brahimi não foi tão individualista como o habitual, Corona foi mais concreto que em outros jogos, André André mais uma vez deu o que tinha e o miolo, em geral, funcionou. Pena que Aboubakar não esteja numa fase particularmente produtiva. Pena que o último passe nunca tenha saído para onde estava quem o pudesse receber. Pena também que a maior parte dos remates dos azuis-e-brancos tenha ficado presa na teia defensiva do Rio Ave. O guarda-redes Cássio também esteve em bom plano, mas está lá para defender. Que o diga André André, que perdeu um lance clamoroso aos 40 minutos, com a bola a ir ao poste antes de o brasileiro fazer um milagre na recarga.

Fica a ideia de que este empate é um sinal dos tempos. O FC Porto poderia e deveria ter sido mais eficaz num ou noutro aspecto, e as dificuldades que a equipa sente são resultado do que vem de trás, mas hoje, pelo menos timidamente, pode dizer-se que o FC Porto fez por merecer três pontos. Noutras eras, um FC Porto mais apagado teria saído vencedor por 1-0, mas nos dias que correm, além de não convencerem, os dragões não têm a pontinha de fortuna necessária para passar incólumes.

Infelicidade é mesmo a palavra-chave do encontro. O golo de Herrera (22’), num remate de fora da área, sofre um ligeiro desvio num defensor vila-condense. A resposta certeira de João Novais (33’), também num remate à distância, deflectiu em Danilo Pereira e traiu Casillas. O golo do empate foi o ponto alto do único período em que o Rio Ave se aventurou em terrenos mais afastados da sua baliza. Daí para a frente, não mais se viu a equipa de Pedro Martins senão no momento defensivo. O conjunto de Vila do Conde quis que fosse assim, e conseguiu-o, sobrevivendo a todas as investidas dos dragões.

Enquanto o Rio Ave deitou para trás das costas a derrota caseira com o lanterna vermelha Tondela, o FC Porto vê o desaire de Alvalade diluir-se num par de jogos sem vencer, que o deixam não só em igualdade pontual com o Benfica, como também quatro pontos atrás do Sporting.

Seguem-se três jogos fora de casa, todos teoricamente difíceis. Há dose dupla no Bessa – campeonato e depois Taça de Portugal – antes de visitar Guimarães. Segurem-se. Os próximos dias serão agitados.

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por Miran Pavlin às 23:45

Sábado, 06.06.15

Rio Ave FC 2014/15 – 10.º lugar – 10v, 13e, 11d, 38gm-42-gs, 43pts

A época 2014/15 foi histórica para o Rio Ave, por ter sido a primeira que incluiu jogos europeus. A viagem inaugural durou até Dezembro, com o Rio Ave a ultrapassar duas pré-eliminatórias (IFK Gotemburgo e Elfsborg) para chegar à fase de grupos, onde a competição foi mais difícil (Dinamo Kiev, Steaua Bucareste e Ålborg). Quatro pontos foi o pecúlio dos vila-condenses na prova.

Os passeios ao estrangeiro tiveram um preço, que foi pago no campeonato. Ambição não falta ao treinador Pedro Martins, no entanto, só isso não chegou para que a equipa se pudesse aproximar do sexto posto. O Rio Ave não esteve longe, mas depois de cair para o oitavo lugar após a jornada 9, só ocupou o sexto posto em três ocasiões, nas rondas 15, 16 e 19. A saída da Liga Europa também não foi uma bênção, já que dos dez jogos seguintes à eliminação o Rio Ave só venceu dois.

A salvação parecia estar na Taça de Portugal, onde o Rio Ave novamente foi longe, no caso até às meias-finais, reencontrando aí o Braga. Se em 2013/14 a turma de Vila do Conde não perdeu nenhum dos cinco jogos disputados contra os arsenalistas, desta vez não venceu nenhum em quatro e não pôde, portanto, repetir a presença no Jamor.

Dissabores à parte, a luta pela Liga Europa ainda era uma realidade, mas o sonho do Rio Ave terminou com estrondo no Funchal, onde perdeu com um Marítimo em ascensão por 4-0. Essa derrota na 33.ª jornada empurrou o Rio Ave para o décimo posto, que seria final. O subsequente desaire com o Sporting (0-1) confirmou a classificação.

O avançar do campeonato fez esquecer que o Rio Ave entrou na época a todo o gás, liderando mesmo a classificação entre as jornadas 2 e 4, mercê de vitórias contra Setúbal (2-0), Estoril (1-5) e Boavista (4-0), e um empate (1-1) com o Moreirense.

Uma pergunta ficará eternamente sem resposta. Se não tivesse havido Liga Europa, será que o Rio Ave teria feito um campeonato mais conseguido?

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por Miran Pavlin às 15:35



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