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CORTE LIMPO


Quarta-feira, 18.04.18

Taça de Portugal, meias-finais, 2.ª mão - Sporting CP 1-0 FC Porto (a.p., 5-4 g.p.) - Adamastor

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FC Porto e Sporting gostaram tanto de se defrontar esta época, que não resistiram a mais meia hora de jogo até decidir quem ficava com o bilhete para o Jamor. No fundo, o cenário de um prolongamento tinha que estar em cima da mesa, se considerarmos que a média de golos marcados nos quatro jogos deste ano entre dragões e leões se cifrava em 1. O que vale por dizer que não era expectável que neste capítulo final a tendência se invertesse e o marcador escalasse até números invulgares, de resto como se viria a verificar. Além disso, uma vez que os clássicos entre os ditos grandes são jogos de tripla, um 1-0 para o Sporting encaixava no lote de resultados plausíveis. E assim foi.
Talvez por já estarem fartas de se conhecer mutuamente, nenhuma das equipas conseguiu surpreender a outra. Nem os treinadores inventaram formas de o fazer. O resultado foi um jogo tão desprovido de emoção, que é possível avançar o filme até ao minuto 85 sem prejudicar o estimado leitor por falta de informação. O Sporting esteve espevitado, mas apenas a espaços, enquanto o FC Porto foi pouco mais que circunspecto no seu futebol. Em face da desvantagem na eliminatória a responsabilidade estava, pois, do lado dos leões, mas os azuis-e-brancos pouco fizeram para evitar ficar em apuros. Quando Jorge Jesus trocou o lateral Fábio Coentrão pelo avançado Montero (75'), Sérgio Conceição respondeu introduzindo o mais defensivo Sérgio Oliveira no lugar de Otávio. Até aqui tudo bem, mas prosseguir tirando Óliver para colocar a trinco o central de raiz Reyes (84') era um convite a um eventual último assalto dos da casa. Meu dito, meu feito, passe a expressão. Segundos após essa substituição o Sporting beneficia de um canto, na sequência do qual Marcano acerta nas orelhas da bola ao tentar aliviar e esta sobra para Coates, que remata sem preparação, com a bola a bater no poste esquerdo de Casillas antes de entrar. O FC Porto respondeu através de um cabeceamento à trave do mesmo Marcano (87'). Ainda houve recargas, mas já havia fora-de-jogo, portanto já não contava. Foi o único lance de perigo claro dos dragões em todo o jogo. Já sem substiuições, e também sem pernas, um FC Porto que existiu pouco precisava agora de existir na plena força da vida, o que não se revelou fácil. O Sporting resistiu melhor fisicamente e o prolongamento pertenceu-lhe, mas as suas investidas foram todas travadas - sem grandes dificuldades, diga-se - por Casillas, que terá sido o melhor em campo nos 120 minutos.
E assim o FC Porto reencontrou o seu Adamastor: o desempate por grandes penalidades. Desta vez, um remate bastou para que a nau portista fosse atirada contra as rochas. Depois de Marcano confirmar que não devia ter saído de casa, ao ver a sua conversão embater no poste, as restantes nove tentativas deram todas em golo. Pelo FC Porto bateram ainda Alex Telles, Felipe, Reyes e Sérgio Oliveira; pelos leões cobraram Bruno Fernanes, Bryan Ruiz, Mathieu e Coates, antes de Montero assinar o penálti decisivo.
Cumpriu-se a velha máxima: quem joga para empatar, perde. Pelo menos a avaliar pelos minutos finais do tempo regulamentar. Não sobra agora outra alternativa ao FC Porto senão somar os pontos necessários para assegurar o título de campeão, sob pena de passar mais um ano sem acrescentar um troféu que seja à sua vitrine.

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por Miran Pavlin às 23:59

Quarta-feira, 07.02.18

Taça de Portugal, meias-finais, 1.ª mão - FC Porto 1-0 Sporting CP - Considerações futuras

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À semelhança do encontro para a Taça da Liga, esta terceira prestação do clássico não foi um bom jogo. Houve pouca acção em frente às balizas, faltou brilhantismo técnico e até o golo foi solitário. Pelo menos para quem vê de fora, é frequente em jogos desta dimensão as equipas optarem por remeter as decisões para considerações futuras. Foi o caso. Até porque em Abril haverá uma segunda mão e nem dragões, nem leões quiseram arriscar-se a lá chegar já fora da discussão. Dos poucos motivos de interesse que sobraram, as melhores - únicas? - oportunidades de golo, novamente em paralelo com os duelos anteriores, ficaram do lado do FC Porto. O primeiro a fazer perigar as redes leoninas foi Sérgio Oliveira (28'), com um livre directo que acertou em cheio no poste, seguindo-se-lhe Soares, que apontou o golo (60') com um forte cabeceamento entre Piccini e Ristovski, e só não repetiu a dose num lance idêntico (65') porque Rui Patrício lhe fez uma majestosa defesa. Herrera teve o golo à sua mercê (31') ao isolar-se perante Patrício, mas precisava de uma perna do comprimento da de um basquetebolista para ter dado o melhor seguimento ao passe picado de Corona. Brahimi também viu as redes, ainda que de ângulo apertado (21'), mas o guardião da selecção nacional fez uma boa mancha.
O Sporting apostou numa defesa de três centrais, ficando Ristovski e Fábio Coentrão com os corredores a seu cargo, mas já em desvantagem Jorge Jesus removeu-os para lançar Rúben Ribeiro (74') e Montero (84') nos seus lugares, inclinando a equipa para a frente. Esse risco quase era premiado em cima dos descontos, quando Ricardo facilitou e deixou que Rúben Ribeiro irrompesse pela área, e com opções de passe. No limite do pânico, Felipe e depois Casillas acabaram por aliviar. O guarda-redes saiu da baliza e foi por pouco que um instante em que paralisou saía caro. O destaque nos leões acabou por recair no inconformismo de Gelson Martins, mas faltou-lhe, de resto tal como a toda a equipa, a referência Dost, que falhou o jogo por lesão. Doumbia não deu o mesmo élan que o holandês. Num jogo em que Felipe se envolveu numa pequena altercação com Fábio Coentrão a propósito de um lançamento (25'), quem acabou expulso foi Acuña (90'+2'), por acumulação.
Ficou até a sensação de que o FC Porto jogou melhor depois de marcar, ainda que essa fase tenha coincidido com o período em que o Sporting se abriu mais. Talvez uma coisa seja consequência da outra. A verdade é que até aí o jogo foi predominantemente equilibrado, por muito que Casillas quase não tenha tido trabalho. A partida ficou ainda marcada pela forma recorrente como o Sporting contrariou o futebol portista através de faltas. Quiçá surpreendentemente, o juiz João Pinheiro fez uma arbitragem bastante positiva. Fica tudo para decidir em Alvalade, então. Felizmente o resultado não foi novamente 0-0.

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por Miran Pavlin às 23:55

Quinta-feira, 11.01.18

Taça de Portugal, quartos-de-final - Moreirense FC 1-2 FC Porto - Sem demora

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As frequentes perdas de pontos, bem como a eliminação da Taça da Liga na época passada, dizem que Moreira de Cónegos não é terreno fácil para o FC Porto. Excepto se a partida contar para a Taça de Portugal, pois nesse caso são os dragões que levam a melhor, somando agora novo triunfo àquele conseguido na 4.ª eliminatória de 2010/11 (0-1, golo de Falcao aos 73 minutos). Desta vez, o golo do FC Porto não se fez demorar como nesse jogo de há sete anos. Logo ao minuto 8, Herrera isolou-se a caminho da baliza e à saída do guarda-redes tocou para o golo. À passagem do minuto 20, uma dupla falha defensiva resultou no segundo golo azul-e-branco. Alex Telles cruza na esquerda, a bola ia para as mãos do guarda-redes mas o central André Micael tira-a desse caminho, e Rúben Lima tenta aliviar mas coloca em Layún, que remata cruzado em arco para um bom golo. O mexicano, que jogou na cabeça do meio-campo, foi uma das novidades entre os titulares, a par de Hernâni. Novidade foi também a impressão de um cansaço generalizado na equipa do FC Porto, nomeadamente nos casos de Brahimi, que saiu ao intervalo após se ter lesionado, e de Soares, que saiu já perto do fim depois de jogar vários minutos queixoso. Marega aqueceu e esteve para entrar, mas também não estava nas melhores condições. É o preço a pagar quando se permanece nas várias frentes, claro, mas também um sinal mais visível do curto plantel de que o FC Porto dispõe neste momento.
A verdade é que após o segundo golo o FC Porto relaxou imenso, ao ponto de se assemelhar a um computador em ecrã de bloqueio. Ou seja, ligado mas a precisar que alguém mexa o rato. O cronómetro contou longos minutos até bater nos 73, momento em que o estreante Edno foi mais rápido que Marcano e cabeceou para o 1-2 a cruzamento de Tozé na esquerda. O computador do FC Porto voltou aí à vida, com Soares a perder dois lances claros (80 e 84 minutos), primeiro num desvio muito por cima, em boa posição, após livre lateral de Layún, depois num cabeceamento frontal solicitado por Maxi Pereira. O resultado não voltou a mexer, mas o FC Porto, forçado pelo resultado agora tangencial, teve que mostrar algum músculo. O Moreirense, pouco mais que lutador, terminou com apenas mais um lance claro (29'), no qual Ronaldo Peña esteve cara-a-cara com o golo mas permitiu a Casillas uma boa defesa com as pernas. Na recarga, Zizo rematou pouco ao lado.
A passagem portista às meias-finais da Taça de Portugal confirma que serão mesmo quatro os jogos entre FC Porto e Sporting até final da época, já que dragões e leões também se vão encontrar na Taça da Liga, além do campeonato.

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por Miran Pavlin às 23:50

Quinta-feira, 14.12.17

Taça de Portugal, oitavos-de-final - FC Porto 4-0 Vitória SC - De canto em canto

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Esperava-se que o jogo fosse mais exigente do que na realidade foi. Na equação das proverbiais poupanças quando o jogo não é de campeonato foi apenas o Vitória a introduzir variáveis, deixando no banco homens-chave como Raphinha, Rafael Martins ou Heldon. O FC Porto lançou apenas Maxi Pereira no onze, subindo novamente Ricardo e com isso dando descanso a Brahimi. No rescaldo o treinador vitoriano Pedro Martins justificou as mexidas com os três jogos em oito dias, mas terá esquecido que o FC Porto também estava a jogar pela terceira vez em nove dias, pelo que terá sido um risco descansar tantas peças. Apesar do desnível do resultado, a verdade é que até ao segundo golo portista (59') a partida não foi desequilibrada, por muito que o Vitória quase não tenha ido à baliza. O primeiro momento de perigo surgiu logo aos 5 minutos, com Danilo Pereira a cabecear cruzado ao poste num canto de Alex Telles. A bola ainda passeou no ar sobre a linha de golo, mas não chegou a entrar. À segunda (12'), Victor García joga a bola com a mão dentro da área num lance inofensivo. O lateral não teve intenção, mas foi o que objectivamente fez. Aboubakar não desperdiçou o castigo. O Guimarães assustou num cabeceamento de Sturgeon (17'), e seria tudo o que haveria para contar até aos 68 minutos, altura em que um remate de Heldon do meio da rua ainda tocou no poste. Poste que voltou a negar Danilo (25'), agora em remate cruzado na recarga a um primeiro tiro de Ricardo que ressaltara num defesa contrário. Os conquistadores voltaram a ameaçar num canto (36'), mas faltava mais baliza num jogo que até ia sendo disputado em bom ritmo. Danilo tanto tentou que acabou por marcar (59'), novamente num canto de Alex Telles, desta vez desviado com classe, ao primeiro poste. Cinco minutos mais tarde veio o terceiro golo azul-e-branco, numa recarga fácil de André André após primeiro remate de Aboubakar, solicitado de forma suculenta pelo ar por Herrera. André André tinha entrado três minutos antes de marcar, e ainda repetiria (83'), ao finalizar na pequena área novo canto de Alex Camões... perdão, Telles, com passagem por Soares, entrado ele próprio pouco antes (72'). Por esta altura já o Vitória se tinha ausentado do jogo e era claro quem estaria no sorteio da próxima eliminatória.
Óliver Torres ainda jogou onze minutos, por troca com Herrera, e Casillas voltou à titularidade, tendo aparentemente trocado de posição com José Sá na hierarquia. Novamente titular, terá Reyes subido ele próprio um lugar em relação a Felipe?

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por Miran Pavlin às 23:25

Sexta-feira, 17.11.17

Taça de Portugal, 4.ª eliminatória - FC Porto 3-2 Portimonense SC

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Não assisti ao jogo.

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por Miran Pavlin às 23:00

Sexta-feira, 13.10.17

Taça de Portugal, 3.ª eliminatória - Lusitano GC 0-6 FC Porto - Festa da Taça?

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Costuma dizer-se que na Taça de Portugal as diferenças entre as equipas tendem a esbater-se. Mais se esbatem quando as equipas em jogo têm longo historial na prova, como é o caso do Lusitano de Évora, que em 1954/55 chegou a eliminar o FC Porto nos oitavos-de-final (0-2 nas então novíssimas Antas), coincidindo com o período em que militou na então I Divisão (1952-1966). Foi há tanto tempo que é como se esse jogo tivesse sido noutro mundo. No mundo de 2017, mesmo tentando pesar esse histórico, é difícil esbater a diferença entre uma equipa de topo e outra do Distrital da AF Évora. Em campo, sempre o palco onde tudo se decide, a diferença começou a marcar-se aos 20 minutos, quando Aboubakar trabalhou na área para o primeiro golo. Os adeptos do FC Porto mal tiveram tempo para se sentar, já que o camaronês voltou a facturar no minuto seguinte, agora de cabeça, a cruzamento de Diogo Dalot, lateral direito que se estreava pela equipa principal do FC Porto. Dalot era praticamente o único nome menos habitual do onze dos dragões, que contou ainda com nomes como Marcano, Óliver, André André e Brahimi.
Ao intervalo Sérgio Conceição começou a lançar integrantes do seu banco experimental. Galeno foi o primeiro a ir a jogo, e com ele em campo os dragões chegaram ao 0-4, num canto desviado na pequena área por Marcano (49'), e num remate em arco após trabalho individual de Otávio (55'). Logo a seguir (59'), Galeno pontuou a estreia com um golo, num remate que sofreu um desvio quase imperceptível, mas suficiente para trair o guarda-redes. As entradas de Luizão (52') e Jorge Fernandes (67') em última instância acabaram por fazer o FC Porto perder alguma acutilância, mas ainda havia um golo a acrescentar (90'), num golpe de escorpião de Hernâni - a um pé, não como o célebre momento de René Higuita. Hernâni parece estar em descarado fora-de-jogo, mas ninguém levantou a questão.
Tendo corrido tudo como no livrinho, pouco mais fica para contar. Se assim não fosse, teria sido o maior escândalo de toda a história da Taça de Portugal. Só não fica para a posteridade como mais um episódio da festa da Taça porque o encontro decorreu no Estádio do Restelo. É incompreensível como podem as regras, regulamentos e exigências obrigar os clubes da I Liga a realizar esta eliminatória como visitantes, ao mesmo tempo que inviabilizam que se jogue na casa dos visitados. Não acontece sempre, mas os exemplos são muitos e variados. Os cerca de 150 quilómetros entre Évora e Lisboa obrigam a questionar se não havia mesmo alternativas mais perto da capital do Alentejo, mas por outro lado talvez a simples mudança do local do jogo seja sintomática do estado em que se encontra o futebol de Évora, sede de dois clubes históricos que estão fora dos nacionais. Foi o primeiro encontro entre Lusitano e FC Porto desde 1965/66. Na Taça, cruzaram-se pela quinta vez.

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por Miran Pavlin às 23:45

Sexta-feira, 18.11.16

Taça de Portugal, 4.ª eliminatória – GD Chaves 0-0 FC Porto (a.p., 3-2 g.p.) – Faltou o sal

Em abstracto, uma das piores coisas – senão mesmo a pior – que o futebol pode oferecer aos adeptos é um 0-0 ao fim de 120 minutos de jogo. São muito raras as ocasiões em que não são vistas como mal empregues as duas horas na bancada ou em frente à televisão com o tempero principal do jogo bem fechado no saleiro. Foi justamente isso que aconteceu nesta primeira visita do FC Porto a Chaves em nove anos. Intensa na primeira parte, equilibrada após o descanso, e de sentido único no prolongamento, a partida, qual peça de teatro, teve vários actos, mas a todos faltou o golo.

O Chaves foi o primeiro a causar perigo, num cabeceamento de William que não passou longe da baliza (10’); o FC Porto teve o primeiro remate ao quarto de hora, mas o jogo pouco mais teria que meias oportunidades, de parte a parte. Os flavienses tiveram mais um cabeceamento perigoso antes do intervalo, André André, já na segunda parte, desferiu um belo remate em arco, que só não foi belíssimo porque esbarrou na trave, e em cima do apito final Nélson Lenho vestir-se-ia de herói, ao cortar o remate de Diogo Jota com a cabeça, bem no centro da área. O tiro levava a palavra “golo” escrita a letras garrafais, mas não passou disso, confirmando-se o prolongamento como o capítulo seguinte. Os treinadores das duas equipas é que já o tinham percebido há muito, pois a primeira mexida aconteceu apenas ao minuto 77, com a troca de Otávio por Depoitre. Tantas vezes criticado por não lançar o belga, Nuno Espírito Santo desta vez fê-lo, mas o ponta-de-lança não conseguiu ser mais que desajeitado na hora de finalizar, tornando-se ele próprio em mais um óbice à finalização dos dragões, que novamente deixou a desejar.

No tempo extra o Chaves mudou então de estratégia, e procurou queimar algum tempo com assistências médicas, ao ponto de a primeira parte ter tido quatro minutos de compensação. A iniciativa que o Chaves entregava ao FC Porto era um presente envenenado, que trazia consigo a responsabilidade total de terem que ser os dragões a decidir o jogo a seu favor. A conclusão das jogadas, no entanto, continuou a ser a pecha. O mais perto que o FC Porto esteve do golo até final foi quando o flaviense Paulinho, ao tentar aliviar, fez uma rosca que por pouco não resultou num auto-golo (118’). As grandes penalidades eram mesmo o destino.

Vasculhando a memória, o vosso humilde escriba consegue lembrar-se de sete desempates, dos quais o FC Porto venceu apenas dois, ambos diante do Sporting nesta mesma competição. E mais uma vez o FC Porto sucumbiu. A primeira leva parecia encaminhar os azuis-e-brancos para o sucesso, com Evandro a marcar e Braga a permitir a defesa a José Sá, mas não é possível resistir quando Layún, Depoitre e André Silva falham as suas conversões; mérito a António Filipe, que parou cada uma dessas grandes penalidades. Felipe Lopes ainda desperdiçaria a sua tentativa – no total, falharam-se cinco das dez grandes penalidades tentadas –, antes de Leandro Freire assumir a cobrança decisiva, enviando o Chaves para próxima eliminatória.

Curiosamente, Freire era o mesmo homem que protagonizou um lance duvidoso, em que parece ter cortado a bola dentro da área com o braço, já no prolongamento. Talvez o árbitro não tivesse o melhor ângulo para avaliar o lance, e o jogo seguiu. Ficam os lamentos sobre o que poderia ter sido. Depois de duas épocas em que os desastres defensivos foram a ordem do dia, e tendo o FC Porto aparentemente corrigido esse problema, é agora a finalização que volta a tolher a equipa, depois dos encontros do campeonato com Setúbal e Benfica. Nuno reconheceu-o na entrevista rápida. Será mais um sinal dos tempos, ou a próxima etapa a cumprir para o renascimento do FC Porto?

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por Miran Pavlin às 23:59

Sábado, 15.10.16

Taça de Portugal, 3.ª eliminatória – GD Gafanha 0-3 FC Porto

Não assisti ao jogo, e com isso escapo à tarefa de dissertar sobre um dos jogos mais difíceis de comentar em cada época. Nos últimos anos, a 3.ª eliminatória da Taça de Portugal tem surgido logo após uma paragem para jogos das selecções, e na véspera de uma jornada europeia; e como o FC Porto normalmente encontra um adversário dos campeonatos secundários – Varzim, Trofense, Santa Eulália, Pêro Pinheiro, Limianos –, fica aberto o espaço para mexidas de fundo no onze titular. Desta vez, contudo, Nuno Espírito Santo optou por rodar apenas o guarda-redes, estreando assim José Sá. A ordem natural das coisas prevaleceu, e o FC Porto segue para a 4.ª eliminatória da prova rainha.

 

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por Miran Pavlin às 23:00

Domingo, 22.05.16

Final da Taça de Portugal – FC Porto 2-2 SC Braga (a.p., 2-4 g.p.) – O peso do contexto

Passara um lustro desde a última subida do FC Porto ao relvado do Jamor para discutir a Taça de Portugal. Nesse dia 22 de Maio de 2011 os azuis-e-brancos comemoravam o final de uma época memorável com um triunfo retumbante frente ao Vitória de Guimarães. Volvidos exactos cinco anos, o contexto em que o FC Porto chegava ao jogo decisivo não podia ser mais diverso. Era a derradeira hipótese de festejar um título antes que se completassem três anos sobre o último. Mais que isso: era a oportunidade de acrescentar um apêndice positivo a uma temporada, em termos gerais, para esquecer.

O jogo pareceu ser uma cópia em papel vegetal da decisão da temporada anterior. Mais uma vez o Braga esteve a vencer por 0-2 e permitiu o empate em cima da hora, adiando tudo para as grandes penalidades. Aí, todavia, os arsenalistas não vacilaram como na época anterior.

O FC Porto complicou a sua tarefa do mesmo modo que em diversas vezes no decorrer da época, no caso através de erros defensivos. Logo ao minuto 12, numa bola lançada em profundidade, tanto Chidozie como Helton ficaram à espera que o outro cortasse a bola. A decisão ficou por tomar, e Rui Fonte aproveitou da melhor maneira para se intrometer entre os dois portistas, afastar a bola e empurrá-la para a baliza deserta. No minuto 58 o sector recuado dos dragões comprometeria de novo, agora por Marcano, que recebeu um passe de Helton com um terrível domínio, numa altura em que já estava a ser pressionado por Josué. A bola fugiu do central espanhol o suficiente para que o médio arsenalista a apanhasse e desfeiteasse Helton com uma finalização cruzada. Emprestado pelo FC Porto, Josué não festejou.

O Braga, que vinha realizando um jogo deveras cauteloso, conseguia mesmo assim construir uma boa vantagem. Faltava saber se o FC Porto ainda teria palavras a dizer, uma vez que até esse momento ainda não tinha incomodado as redes do Braga. Quando incomodou, foi a valer. Na primeira bola que chegou à zona fatal, André Silva estava no local certo para emendar uma defesa incompleta de Marafona a remate de Brahimi e relançar o jogo (61’). Apesar da pouca acutilância ofensiva, este não foi o pior jogo do FC Porto esta época. Longe disso. Mesmo que por vezes se pressentisse algum nervosismo, os dragões tentavam de tudo para furar um Braga que manteve, então, muitos homens atrás da linha da bola durante todo o jogo.

André Silva foi um tractor, Maxi Pereira deu o que tinha e o que não tinha, Brahimi fez, finalmente, uma exibição mais colectiva, Sérgio Oliveira e mais tarde André André acrescentaram músculo, Layún não se cansou de ir ao ataque, e até Varela não foi um desastre. Mas faltou sempre encontrar a baliza contrária. Seria quando o Braga já tinha nos pés a areia da praia onde morreu no ano passado que o FC Porto juntou um toque dramático aos acontecimentos.

Após uma sucessão de cantos, e em mais uma jogada de insistência, Herrera cruzou no limite e André Silva foi herói por uns momentos, ao igualar a contenda com um pontapé de bicicleta (90’), atrasando o final do jogo pelo menos por meia hora. O prolongamento pertenceu por completo ao FC Porto, mas o perigo criado foi, mesmo assim, pouco. Muito porque o Braga disfarçou a falta de pernas com a continuação de uma notável performance defensiva.

Pelo jogo em si talvez o FC Porto merecesse mais, mas na hora das grandes penalidades pouco ou nada do que se passou até aí interessa. Terá pesado mais o tal contexto negativo em que o FC Porto aqui chegou. Com efeito, Herrera e Maxi Pereira viram as mãos de Marafona negar as suas cobranças; o Braga foi irrepreensível em cada uma das quatro conversões de que necessitou. Marcelo Goiano foi o último a rematar certeiro, espoletando os festejos dos guerreiros. 50 anos depois, o Braga junta ao seu palmarés a segunda Taça de Portugal, apagando, talvez para sempre, a frustração da última final.

O FC Porto fica em branco pela segunda época consecutiva, e vai de férias com mais problemas do que respostas para os mesmos.

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por Miran Pavlin às 23:00

Quarta-feira, 02.03.16

Taça de Portugal, meias-finais, 2.ª mão – FC Porto 2-0 Gil Vicente FC

Por muito que no futebol tudo seja possível, este jogo pouco mais era que a confirmação do que já estava alinhavado de antemão. Para que o Gil Vicente invertesse o resultado que trazia do primeiro jogo, a ocorrência de um milagre era pouco. Era necessário que todas as divindades, incluindo as figuras das mitologias grega e romana, dessem as mãos e fizessem uso de todos os seus poderes, uma vez que nunca na história da Taça de Portugal o FC Porto perdeu em casa por quatro golos de diferença; incluindo todas as competições oficiais existentes hoje, tal aconteceu apenas por quatro vezes, sempre no campeonato. Empatar a eliminatória também estaria fora de questão, visto que só num par de ocasiões se verificou um 0-3 em casa do FC Porto na Taça de Portugal, diante de Benfica em 1973/74, e Setúbal em 1966/67; o 1-4, que serviria aos gilistas, aconteceu apenas uma vez, pelo Sporting de 1944/45.

Face ao exposto acima, era então altamente improvável que o FC Porto não atingisse a final. Também por isso o jogo deixou margem para poupanças e experiências. De entre os mais utilizados, só Layún, Rúben Neves e Aboubakar alinharam de início. Evandro ganhou minutos, assim como Marega, enquanto Chidozie voltou ao eixo da defesa, onde tem dado algumas cartas, ainda que tímidas. Helton, Víctor García, José Ángel, Sérgio Oliveira e Varela completaram o onze.

A fraca assistência também terá contribuído para que a primeira parte fosse fastidiosa. Foram poucos os lances relevantes, entre eles o primeiro golo de Chidozie pelo FC Porto (11’), num cabeceamento após canto cobrado por Sérgio Oliveira. O jogo arrastar-se-ia sem grandes motivos de interesse até ao minuto 81, quando Marega também se estreou a marcar pelos azuis-e-brancos, assistido por Aboubakar. A crónica terá que ficar por aqui, visto que ao intervalo abandonei o conforto do sofá, e analisar um jogo apenas com base no relato radiofónico é o mesmo que pedir a um míope sem óculos para descrever o que acabou de se passar do outro lado da rua.

Sobram as curiosidades à volta das quais girará parte da antevisão da final do Jamor, onde o FC Porto esgrimirá argumentos com o Braga: a última final entre ambos, na Taça da Liga 2012/13, foi vencida pelos arsenalistas, na altura orientados por José Peseiro, ao passo que o mais recente título do FC Porto, a Supertaça de 2013, foi conquistado sob o comando de Paulo Fonseca, hoje técnico do Braga. A final é só em Maio, mas os caprichos do calendário ditam que o aperitivo seja servido sem demoras: Braga e FC Porto defrontam-se já no próximo fim-de-semana, a contar para a I Liga.

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por Miran Pavlin às 23:55



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