Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]

CORTE LIMPO

Todas as fotografias neste blog encontram-se algures em desporto.sapo.pt, salvo indicação em contrário


Segunda-feira, 16.12.19

Liga NOS, 14.ª jornada - FC Porto 3-0 CD Tondela - Noventa minutos

Os corajosos que se deslocaram ao Dragão numa fria segunda à noite de Dezembro receberam uma prendinha de Natal, na forma de uma exibição portista mais colorida do que tem sido habitual. Soares adiantou cedo o FC Porto com um cabeceamento colocado após cruzamento de Corona na direita (10'), repetindo a dose ao minuto 32 com novo golpe de cabeça, agora na sequência de um canto de Alex Telles desviado por Marega ao primeiro poste. Os golos deram confiança suficiente para o FC Porto lidar bem com um Tondela que nunca deixou de procurar jogar, aliás como costuma acontecer sempre que visita o reduto azul-e-branco. Ainda assim, os beirões não conseguiram criar grande perigo. Como frequentemente acontece neste tipo de jogos, o guarda-redes termina como o melhor da sua equipa. Principalmente na segunda parte, o tondelense Cláudio Ramos foi o homem em foco, mostrando várias vezes serviço com a qualidade que lhe é reconhecida. Toda essa qualidade, no entanto, não chegou para impedir o terceiro tento portista (51'), numa jogada colectiva de fazer inveja ao Barcelona de Guardiola. A movimentação passou por Nakajima e Corona, antes de Soares, de calcanhar, desmarcar Otávio para o golo. Fixava-se aí o resultado final. Com o jogo virtualmente decidido, Sérgio Conceição aproveitou para dar minutos a Fábio Silva (entrou aos 74') e Sérgio Oliveira (aos 79'). A imagem positiva deixada pelo FC Porto no final do encontro resulta da sensação de se ter assistido a uma exibição que durou noventa minutos. Devia ser a norma por esta altura do campeonato, independentemente de qual tivesse sido o resultado, mas não tem sido bem assim.

Autoria e outros dados (tags, etc)

por Miran Pavlin às 23:59

Sexta-feira, 31.05.19

CD TONDELA 2018/19

TON - golo.jpg

O Houdini do campeonato português desta vez viveu uma luta pela manutenção mais convencional. Ou seja, sem as longas séries negativas - excepção feita a 15 jogos consecutivos a sofrer - e os tempos intermináveis de lanterna vermelha na mão. Mesmo não tendo sido último classificado neste campeonato, o Tondela passou onze jornadas nos lugares que não interessam e não conseguiu mais que seis pontos de vantagem sobre a linha de água (à jornada 16). A permanência só seria selada, como não podia deixar de ser, na última jornada. E com um daqueles jogos que não acontecem muitas vezes.

TONCHA.jpgChegados à derradeira jornada, faltava saber quem era o último despromovido à II Liga. Ou Tondela, ou Chaves. E o caprichoso calendário, taxativo, decretava precisamente um Tondela-Chaves! Tecnicamente, uma final. Ícaro abriria o marcador logo aos 4 minutos, e antes da meia hora o Tondela já vencia por 4-0. O Chaves reduziu a diferença para metade ainda antes do intervalo, mas seriam os da casa a fixar o 5-2 final, pelo venezuelano Murillo (78').

 

TREINADOR

TON - Pepa.jpg

Pepa completou duas épocas e meia ao comando dos beirões, e esteve à altura das exigências em cada momento.

 

FIGURA

TON - Tomané.jpgTomané (à esquerda) marcou doze golos no campeonato.

 

GALO
Na Taça de Portugal o Tondela foi eliminado pelo Leixões pela terceira época consecutiva.

Autoria e outros dados (tags, etc)

por Miran Pavlin às 13:00

Sexta-feira, 22.02.19

Liga NOS, 23.ª jornada - CD Tondela 0-3 FC Porto - Melhor de todos os tempos

TONFCP.jpg

A visita ao Tondela costuma trazer grandes dificuldades ao FC Porto. Até hoje. O Tondela voltou a não querer nada com autocarros na forma como encarou o jogo, mas desta vez os dragões estiveram irrepreensíveis, pelo que este foi o melhor jogo de todos os tempos do FC Porto em Tondela - e Aveiro (2015/16). Ainda para mais quando o departamento médico dos da Invicta vive um período bem atarefado. Com efeito, Manafá, Óliver Torres, Adrián López e Fernando Andrade foram todos titulares, não se tendo sentido qualquer decréscimo no rendimento global da equipa. Tal como no jogo anterior, marcar cedo (11') ajudou a que os dragões se tranquilizassem e lidassem da melhor maneira com qualquer atrevimento do aversário. O golo pertenceu a Pepe, na insistência a uma primeira investida de Herrera. O momento da noite ficou guardado até ao minuto 52. Corona cruzou para Fernando Andrade, mas o brasileiro não fez melhor que rematar contra Ricardo Costa; a sobra caiu direitinha em Óliver, que sem deixar a bola cair desferiu um brilhante remate que bateu no interior do poste direito de Cláudio Ramos antes de cruzar a linha. Que golaço! Candidato a golo da época do FC Porto. O resultado final foi fixado aos 74 minutos por intermédio de Herrera, na sequência de uma bola não aliviada pelo sector recuado dos beirões. O lance começou num cruzamento de Otávio na esquerda, ficando a assistência para Brahimi, do lado contrário. O Tondela não merecia um resultado tão pesado, mas o triunfo do FC Porto não merece contestação.

Autoria e outros dados (tags, etc)

por Miran Pavlin às 23:59

Sexta-feira, 28.09.18

Liga NOS, 6.ª jornada - FC Porto 1-0 CD Tondela - Perto do embaraço

FCPCDT.jpg

O Tondela é um adversário tradicionalmente incómodo para o FC Porto. Nem é dos que mais vezes trazem o autocarro para dentro das quatro linhas, mas sabe como fazer para embaraçar a manobra dos dragões. E cedo se ficou a perceber como seria o jogo. O Tondela procurava o contra-ataque e aproveitava cada posse de bola que ganhava para fazer passar alguns segundos sem arriscar ver cartão amarelo; sem esquecer o jogador que ocasionalmente se prostrava queixoso no relvado. Isso deixava o FC Porto com a responsabilidade de comandar o jogo. Sem que o golo aparecesse, ia nascendo a incerteza sobre se os dragões iriam consegui-lo. O FC Porto nem por isso estava a fazer um mau jogo, mas faltava o essencial. Quando não era o desacerto dos avançados, como no lance em que Aboubakar só tinha que encostar mas fincou o pé na relva e caiu (43'), era o guardião Cláudio Ramos que resolvia o problema. O jogo estava vivo e assim continuou depois do descanso. O FC Porto pressionou mais, a bola andou muitas vezes perto da área tondelense, mas os beirões não cediam. Sérgio Conceição mexeu na equipa à passagem da hora de jogo para a inclinar ainda mais para a frente, através da troca de Sérgio Oliveira por Corona, mas o resultado foi praticamente nulo. Pouco depois (64') surgia o revés da noite, com Aboubakar a elevar-se para cabecear e a sair lesionado. Pelas imagens televisivas não foi perceptível exactamente como o camaronês se terá lesionado. Para o seu lugar entrou Soares, ele próprio de regresso após lesão, e seria precisamente o brasileiro o herói da noite, ao aproveitar a única mancha no trabalho de Cláudio Ramos para apontar o golo decisivo (85'). Brahimi disparou forte, Ramos não segurou e deixou a bola à disposição de Soares, que ainda assim teve que ser convicto na finalização, pois Ricardo Costa já se lançava no corte. O antigo central do FC Porto - formado no clube, de resto - foi dos que menos mereceram sair derrotados, tal como Ramos, Ícaro - o outro central -, Joãozinho e Xavier, este pelo inconformismo. No dia em que o FC Porto celebrava os seus 125 anos de história, foi por pouco que o Tondela não fez o bolo amargar. Um erro involuntário foi quanto bastou.

Autoria e outros dados (tags, etc)

por Miran Pavlin às 23:55

Sexta-feira, 19.01.18

Liga NOS, 19.ª jornada - FC Porto 1-0 CD Tondela - Goleada mínima

FCPCDT.jpg

A margem mínima com que o jogo terminou é enganadora face às incidências do jogo, e assenta num pilar chamado Cláudio Ramos. O guarda-redes do Tondela foi o homem do jogo, e quando assim é fica à vista que as operações atacantes foram responsabilidade da outra equipa. Ainda assim, o FC Porto apenas marcou num erro horrível do central tondelense Sulley, que após receber um passe do seu guarda-redes lateralizou para o outro central; só que a meio dos vinte metros que separavam Sulley de Ricardo Costa estava Marega, que se intrometeu, aproximou-se da baliza e colocou para o golo (13'). É tentador pensar que o jogo teria sido diferente sem esse momento de desacerto, até porque Cláudio Ramos só não agarrou aquilo que não foi à baliza, com uma excepção: o cabeceamento de Aboubakar ao poste em canto de Alex Telles (31') - é a nona vez esta temporada que as palavras "canto de Alex Telles" são escritas no Corte Limpo, sinal de que com o lateral brasileiro esse tipo de lance a favor do FC Porto ganhou uma nova dimensão. O minuto 65 trouxe a melhor oportunidade dos dragões, num remate de Felipe, numa insistência junto à pequena área. Cheirava fortemente a golo, mas o tiro do central saiu por cima. Na retina ficou também uma tabelinha entre Danilo Pereira e Corona (36'). Merecia golo, mas a finalização do extremo não foi a melhor.
Tudo o resto se traduziu, como já se disse, numa batalha entre a armada portista e Cláudio Ramos. O Tondela teve um ou outro remate mais perigoso, pelo inconformado Tomané, a quem faltou acerto. Marega ainda festejou o 2-0 (75'), mas o vídeo-árbitro anulou o golo por fora-de-jogo. Na resposta, o maliano isolou-se e contornou Ramos, mas não iria além da malha lateral. A fechar (90'+3'), Hernâni tentou mais um remate de longe, mas o guarda-redes dos beirões fez questão de fechar a sua actuação com mais uma candidata a defesa da noite. No fundo, o jogo não foi muito diferente do da época passada, mas nesse dia os azuis-e-brancos apontaram quatro golos. Desta vez, o escasso resultado decerto fará com que a história continue a realçar que o Tondela é dos adversários mais problemáticos para o FC Porto.
Tendo perdido a liderança em virtude da não-conclusão da partida com o Estoril, os dragões aproveitaram da melhor maneira o empate do Sporting no jogo que terminou minutos antes de este começar e reassumiram o comando da classificação. Uma nota ainda para Ricardo Costa. A qualidade da exibição do ex-portista torna obrigatório questionar o porquê de não estar neste FC Porto.

Autoria e outros dados (tags, etc)

por Miran Pavlin às 23:55

Domingo, 13.08.17

Liga NOS, 2.ª jornada - CD Tondela 0-1 FC Porto - À justa

 

CDTFCP.jpg

Principalmente enquanto visitante, ao longo dos tempos o FC Porto tem-se cruzado com uma ou outra besta negra que lhe custa pontos atrás de pontos, como o Estoril de meados do século passado, ou, a partir da década de 1990, o Marítimo. Esse testemunho, aparentemente, está agora nas mãos do Tondela, que voltou a impedir os azuis-e-brancos de viver uma jornada tranquila. Este foi o quinto encontro entre os dois emblemas, e só por uma vez o FC Porto terminou com mais que um golo marcado - e em duas ocasiões nem isso conseguiu. Não se pense, porém, que se assistiu a um jogo de Champions, como diria Jorge Jesus. Longe disso. Oportunidades contaram-se três: o golo de Aboubakar (37'), quase fortuito, com o camaronês a aproveitar, à segunda, um remate falhado de Alex Telles que acabou por o deixar sozinho na zona proibida; um remate do mesmo Aboubakar ao poste (63'); e um lance do Tondela (70') que Casillas abordou de forma terrível e quase sofria um golo extraído do seu terrível 2015/16, não fosse o corte in extremis de Alex Telles.
Só aquando do remate de Aboubakar ao poste se tornou possível ponderar se o FC Porto fizera o suficiente para estar em vantagem, o que diz bem das já históricas dificuldades que os dragões encontram quando do outro lado está a formação beirã. Mais ainda quando a defesa tondelense é agora liderada por Ricardo Costa, homem com um passado de glória como jogador do FC Porto. Por outro lado, talvez esta vitória à justa tenha vindo na altura certa para fazer os jogadores e os adeptos portistas manter os pés na terra. A época não vai ser o jackpot de golos que saiu nos jogos de preparação e na partida inaugural. O lado mental e a capacidade de sofrimento terão que estar ao máximo para que o FC Porto atinja o objectivo máximo da época.

Autoria e outros dados (tags, etc)

por Miran Pavlin às 23:10

Domingo, 04.06.17

CD TONDELA 2016/17

Cale-se quem pensava que era irrepetível! O Tondela voltou a contrariar as previsões e alcançou mais uma permanência sobre a meta. Embora não tenha estado pontualmente tão afastado do mágico 16.º lugar como na época anterior, o Tondela voltou a reunir e sobreviver a estatísticas que habitualmente levam o carimbo de “condenado”. Foi lanterna vermelha em 18 jornadas e passou outras nove abaixo da linha de água, só venceu à 7.ª jornada, encadeou séries de sete, e depois nove, jogos sem ganhar e sofreu golos em 13 jornadas consecutivas (6.ª à 18.ª). Mais uma vez o destino parecia traçado.

No entanto o Tondela foi conseguindo alguns resultados vistosos aqui e ali; empatou com o FC Porto (0-0 em casa, 5.ª jornada) e o Sporting (1-1 fora, 8.ª), e bateu o Guimarães (2-1, 11.ª), mas sofreria um golpe potencialmente fatal ao perder com o então último classificado Nacional (3-2, 13.ª), que lhe passou a lanterna para a mão. Os beirões só voltaram a dar sinal de vida quanto bateram o Chaves (2-0) à jornada 19, antes do período negro que só terminaria na ronda 29 com um triunfo (2-1) sobre o Rio Ave. Na jornada 30, um requinte: a vitória tondelense sobre o Nacional (2-0) devolveu a lanterna aos insulares.

O Tondela não olharia mais para trás, e venceria Setúbal (2-1, 32.ª), Arouca (1-2, 33.ª) e Braga (2-0, 34.ª) na recta final para escapar no último segundo ao desmoronamento precisamente do Arouca. Incrível.

 

TREINADORES

Petit procurou dar seguimento ao milagre da época transacta, mas assim que se aproximou a viragem do campeonato, e estando já fora das duas Taças, o antigo internacional português apresentou a demissão ao fim de 16 jogos.

Pepa, que tinha saído do Moreirense apenas cinco jornadas antes, assumiu de pronto os comandos para a repetição da façanha do seu antecessor, a quem indirectamente ainda deu uma mãozinha. Ao empatar com o Tondela em casa na jornada 26, Augusto Inácio saiu do Moreirense para entrar Petit.

 

FIGURAS

Cláudio Ramos foi mais uma vez um guarda-redes com grande capacidade de sofrimento. E foi bem preciso, já que o Tondela foi uma de três equipas que marcaram menos de 30 golos. Daí que o melhor marcador na Liga, Jhon Murillo terminasse com o estonteante total de cinco golos. Kaká voltou a colocar a ordem possível na defesa e ainda marcou o tento que assegurou a permanência, enquanto Wagner e Osorio asseguraram outros golos decisivos. Pedro Nuno bisou no crucial jogo de Arouca. O mesmo Kaká (frente ao Nacional, 13.ª jornada) e Pica (contra o Setúbal, 15.ª) bisaram nos auto-golos

 

CONTABILIDADE

Liga NOS: 16.º lugar, 8v-8e-18d, 29gm-52gs, 32 pontos;

Taça de Portugal: ultrapassou Sertanense (0-4) e Aljustrelense (1-2), antes de ser eliminado pelo Leixões (2-1) nos oitavos-de-final;

Taça da Liga: afastado na 2.ª eliminatória pelo Feirense (3-0).

Autoria e outros dados (tags, etc)

por Miran Pavlin às 12:00

Sexta-feira, 17.02.17

Liga NOS, 22.ª jornada – FC Porto 4-0 CD Tondela – Contra a história

Quando dois clubes se defrontam muitas vezes ao longos dos anos, a tendência é que os resultados se repartam, havendo aqui e ali exemplos de vitórias para um e outro lado, esbatendo-se assim um pouco o seu impacto. Tratando-se apenas do quarto jogo entre os dois emblemas, a importância da história assume outras proporções, e a do FC Porto frente ao Tondela não era bonita, já que nos três encontros precedentes os dragões marcaram o espantoso total de um golo. Na época passada a formação beirã venceu mesmo no Estádio do Dragão e chegava à edição deste ano na mesma aflição classificativa em que estava nessa data. No fundo, sem nada a perder e sem motivos para para praticar futebol negativo.

Pelo menos, foi novamente dessa forma que o Tondela encarou a partida, embora o primeiro perigo tenha sido criado pelo FC Porto (4’), num cabeceamento de Soares a que Cláudio Ramos se opôs com uma monumental defesa. Sacudida a pressão inicial, o futebol descontraído do Tondela começou a causar problemas ao FC Porto, nomeadamente através de matreiros contra-ataques, que num dos casos custaram um cartão amarelo a Felipe por travar um avanço prometedor de Murillo (31’). Por essa altura Marcano também já tinha sido admoestado, e ter um adversário com ambos os centrais amarelados era uma deixa que os tondelenses poderiam aproveitar para provocar estragos. Mas esses aconteceram junto à sua área, numa sucessão de eventos que autenticamente puxou o tapete ao Tondela. Aos 40 minutos o árbitro Luís Ferreira entendeu que Osorio agarrou Soares dentro da área e assinalou castigo máximo; André Silva converteu bem. Aos 45’+3’ o venezuelano voltou a prevaricar, desta vez obstruindo o mesmo Soares para o segundo amarelo e um banho antecipado. Não sendo claro quem promoveu o contacto com quem, os responsáveis do Tondela não ficaram satisfeitos com estas decisões capitais do juiz da partida e fizeram questão de o frisar nas declarações pós-jogo.

Com menos uma unidade a equipa do Tondela ficou mais curta e estreita, e só o acaso lhe permitiu sair do Dragão com os números com que saiu. Dentro dos primeiros quinze minutos da segunda parte Soares, André Silva, Otávio e novamente Soares tiveram o golo à espera de ser feito, mas incrivelmente não acertatam com a baliza. Pelo meio, o hoje capitão Rúben Neves inspirou-se em Guarín e arrancou um fabuloso remate do meio da rua para um golaço (54’). Soares não lhe quis ficar atrás e redimiu-se com outro belíssimo golo, numa deliciosa colocação em arco para o canto inferior do segundo poste (63’). Com o resultado encaminhado e as substituições esgotadas por volta dos 70 minutos, o jogo despiu-se de motivos de interesse. Asfixiado, o Tondela teve que contentar-se com um remate de Heliardo (39’) como único lance de algum perigo, mas Casillas estava bem colocado para uma defesa segura.

Os portistas deram-se mesmo ao luxo de procurar embelezar em demasia algumas jogadas já na recta final do encontro, mas sem sucesso. Nuno Espírito Santo poupou unidades-chave – Danilo Pereira e Brahimi – para o próximo jogo, dando minutos nomeadamente a Otávio e Layún – este entrado aos 69’ –, que regressavam de lesões. Sobre o apito final uma triangulação na área entre os suplentes utilizados deu o último golo da noite. Layún assistiu de cabeça, Óliver Torres amorteceu atrasado e Diogo Jota rematou com convicção.

O FC Porto é novamente líder momentâneo, aguardando pelo desfecho da jornada para saber se acontece uma cambalhota no topo da classificação.

Autoria e outros dados (tags, etc)

por Miran Pavlin às 23:45

Domingo, 18.09.16

Liga NOS, 5.ª jornada – CD Tondela 0-0 FC Porto – Pedra no sapato

O Tondela participa nesta edição da Liga NOS quase por acaso. Virtualmente condenado à descida durante longos meses, um milagre na recta final da temporada permitiu-lhe assegurar a permanência no photo finish, mas apesar da sua curta existência ao mais alto nível, o Tondela já é uma pedra no sapato do FC Porto. Tão grande como as visitas ao caldeirão dos Barreiros. Em três jogos, o FC Porto marcou apenas um golo aos beirões, e sofreu mesmo uma derrota caseira na segunda volta de 2015/16.

Tal como no jogo da Liga dos Campeões, o FC Porto denotou dificuldades em visar a baliza contrária. Quer jogue com um ou com dois pontas-de-lança, as redes do adversário estão sempre lá longe no horizonte, e a bola passa poucas vezes pela zona de todas as decisões. Quando passou, a finalização ficou aquém do exigido, nomeadamente quando Depoitre, solto em frente à baliza, cabeceou fraco e sem pontaria, algures nos primeiros minutos da segunda parte. Na melhor – talvez a única – oportunidade do Tondela, Jhon Murillo obrigou Casillas a ser decisivo, depois de ultrapassar o estreante Boly e ficar com o golo à sua mercê. No último quarto de hora o FC Porto ainda construiria um ou outro lance de perigo, mas aí foi o guardião tondelense a brilhar, negando uma investida de Adrián López e fechando a porta a André Silva. Antes, aos 73 minutos, aquela que seria a oportunidade mais clara de todas as do FC Porto foi travada pelo árbitro Hugo Miguel, que não deu lei da vantagem quando Adrián López seguia isolado para a baliza; o juiz interrompeu o jogo para admoestar um jogador do Tondela, beneficiando claramente o infractor, apesar do cartão exibido.

Sem ter conseguido marcar, o FC Porto fica dependente do que façam os outros grandes e o Braga – que visita a Luz – para saber as linhas com que se coserá nas jornadas seguintes.

Autoria e outros dados (tags, etc)

por Miran Pavlin às 21:45

Quinta-feira, 26.05.16

CD TONDELA 2015/16

A I Liga não via nada assim desde o Rio Ave de 1996/97. Com oito jogos por disputar, o Tondela estava a 11 pontos de distância do 16.º lugar, portanto praticamente condenado à despromoção. O que se seguiu não estava nas previsões de ninguém; talvez só estivesse mesmo nos sonhos mais loucos dos seus adeptos. Nessas oito partidas, o Tondela somou nada menos que 17 pontos – só Benfica e Sporting fizeram melhor nesse período – e terminou a festejar uma permanência conseguida à justa. Foi uma recuperação tão ou mais sensacional que o 5.º posto obtido pelo Arouca.

É quase impossível explicar como o Tondela conseguiu inverter a tendência que o acompanhou desde o início da época. A equipa conheceu três treinadores e teve sequências de 14 e depois 9 jogos sem vencer, e de 24 a sofrer golos, além de 22 jornadas como lanterna vermelha e 20 derrotas, mais que qualquer outra equipa. É certo que o Tondela deu um ar de sua graça aqui e ali, nomeadamente através da vitória em Vila do Conde (2-3) à jornada 15, e do empate em Alvalade (2-2) três rondas mais tarde, mas face aos números que a equipa trazia, era difícil não encarar esses resultados como um acaso.

A primeira vez em que o Tondela foi verdadeiramente feliz ocorreu então nessa jornada 27. A perder por 0-2 com o Belenenses, o Tondela conseguiu igualar já nos descontos. Na semana seguinte deu-se o escândalo do ano na I Liga, com a vitória no Dragão (0-1), graças a um pedaço de arte de Luís Alberto. A avaliar pelas reacções ao jogo, foi o desventurado FC Porto que o perdeu, não o Tondela que o ganhou.

E se ainda não era possível ver as coisas dessa forma, o Tondela fez com que fosse, prosseguindo com uma vitória sobre o igualmente aflito União (1-0), antes de perder em Braga (3-0) na jornada 30. Precisando agora de seis pontos quando faltavam jogar 12, seria o fim da linha para os beirões? Nada disso. Seguiu-se uma vitória diante de outro aflito, no caso o Setúbal (0-1), um empate com o Rio Ave (1-1), e um impressionante triunfo em Paços de Ferreira (1-4). Na derradeira jornada o Tondela ainda esteve com o coração nas mãos durante alguns minutos, mas a conjugação da sua vitória por 2-0 sobre a Académica com os outros resultados ditou então a permanência.

Foi como se a temporada do Tondela se assemelhasse a um dia de Março, chuvoso de manhã e soalheiro à tarde. Enquanto não encontraram a fortuna, os tondelenses foram coleccionando derrotas pela margem mínima – nada menos que 13, com a mais inglória de todas a surgir na jornada 23, na qual estiveram a perder com o Marítimo por 0-2 (33’), deram a volta (85’), mas acabaram derrotados por 3-4. Ao fim de sete jornadas – e quatro pontos somados – estalava o chicote pela primeira vez, com Vítor Paneira a ceder o lugar a Rui Bento.

Com Bento ao volante o Tondela despistou-se nas duas Taças no espaço de poucos dias. A 10 de Outubro saiu da Taça da Liga nas grandes penalidades contra o Nacional; oito dias depois foi eliminado da Taça de Portugal ao perder frente ao secundário Gil Vicente (2-1). Sem conseguir recuperar no campeonato, Rui Bento foi também ele afastado, após a 12.ª jornada.

O central Pica foi figura central da equipa, passe o pelonasmo, ao marcar quatro golos. Três deles valeram sete pontos; o último, na jornada de fecho, abriu caminho à manutenção. Nathan Júnior marcou 13 golos, Chamorro marcou o golo que valeu o empate em Alvalade, e Kaká foi a voz da experiência numa defesa muito massacrada. Luís Alberto marcou o primeiro golo de sempre da equipa na I Liga, com Jhon Murillo e Lucas Souza a mostrarem-se a epaços.

A época de estreia do Tondela na I Liga foi inesquecível, tanto pelos bons como pelos maus motivos. Só um louco arriscará agora um prognóstico para o segundo ano.

 

Treinador

O que terá passado pela cabeça de Petit para abandonar a luta pela manutenção do Boavista, e duas jornadas depois ter a seu cargo a luta de outro emblema ainda mais mal classificado? Demorou algum tempo, mas o antigo médio acabaria por justificar a troca – não sem antes ser derrotado pelo próprio Boavista (1-2), na 19.ª jornada –, entrando assim na história do clube. Petit foi o único técnico que esteve ao comando de duas equipas nesta edição da I Liga. Já o Tondela termina a época tendo sido orientado por três antigos internacionais portugueses.

 

 

Contas finais

Campeonato: 16.º lugar, com 8v, 6e, 20d, 34gm, 54gs, 30pts

Taça de Portugal: afastado na 4.ª eliminatória

Taça da Liga: afastado na 2.ª eliminatória

 

Para mais tarde recordar

03.01.2016, jornada 15 – primeira vitória de sempre fora de casa na I Liga (2-3 em Vila do Conde);

03.04.2016, jornada 28 – vitória por 0-1 sobre o FC Porto. A primeira da história do Tondela frente a um grande.

Autoria e outros dados (tags, etc)

por Miran Pavlin às 19:00



Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Pesquisar

Pesquisar no Blog  

calendário

Dezembro 2019

D S T Q Q S S
1234567
891011121314
15161718192021
22232425262728
293031

Posts mais comentados