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CORTE LIMPO


Sábado, 12.05.18

Liga NOS, 34.ª jornada - Vitória SC 0-1 FC Porto - Canas

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O passado fim-de-semana foi de festa rija e muitos foguetes na cidade do Porto. As canas ficaram para apanhar em Guimarães, onde o FC Porto tinha o derradeiro compromisso da temporada. Pelo menos por 90 minutos, mais descontos, era necessário que os dragões recuperassem a seriedade, e bastava um olhar pela ficha de jogo para o subentender. Não havia rotação, invenções ou experiências entre os dez jogadores de campo, com excepção do lugar de ponta-de-lança, hoje ocupado por Gonçalo Paciência, que assim tinha uma oportunidade mais duradoura de mostrar serviço. A surpresa, ainda que anunciada, estava na baliza, onde Vaná somou minutos que lhe permitem ser campeão de pleno direito.
Embora o título já estivesse entregue, o FC Porto ainda tinha um objectivo: igualar o recorde de pontos amealhados numa temporada de 34 jornadas com vitórias a valer três pontos. Também isso terá contribuído para o onze sério apresentado pelos azuis-e-brancos. Ainda assim, não foi propriamente fácil o FC Porto encontrar motivação. Não quer isto dizer que tenha havido displicência. Longe disso. O ritmo de jogo é que não subiu sobremaneira, também porque o Vitória jogava apenas pela honra. Com o FC Porto a ter mais bola e os vimaranenses a apostar no contra-ataque, os dragões controlavam os acontecimentos enquanto os da casa se mostravam nos intervalos da chuva. Era, no fundo, um proverbial jogo de fim de época, contradizendo o que escrevi a propósito da partida com o Feirense - "no campeonato, quando se trata dos ditos grandes, a luta é sempre até ao fim".
O golo que valeu o recorde apareceu ao minuto 69. Alex Telles bateu um livre lateral e Marcano elevou-se para cabecear ao ângulo superior direito de Miguel Silva. Por essa altura, Paciência já tinha saído para entrar Soares (53'), e pouco depois André André foi a jogo no lugar de Corona (73'), alterando o esquema táctico para esses minutos finais. Restava uma substituição, que serviu para acrescentar à lista mais um campeão. Virtualmente arredado da vida portista desde 2015, por opção, empréstimo e depois lesão, o guarda-redes Fabiano tomou o lugar de Vaná (80') e ainda foi a tempo de fazer uma defesa a um cabeceamento de Rafael Martins (86'). Fabiano era o único elemento do plantel que sabia o que era ser campeão pelo FC Porto, pois tinha festejado em 2012/13 como suplente de Helton.
Concluída a campanha, outros 29 homens também passaram a saber.

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por Miran Pavlin às 19:10

Domingo, 07.01.18

Liga NOS, 17.ª jornada - FC Porto 4-2 Vitória SC - Mesma moeda

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Decorrido menos de um mês sobre o encontro da Taça de Portugal, o Vitória regressou ao Dragão para o compromisso relativo à I Liga e viu o FC Porto cobrar a visita na mesma moeda com que o fizera nesse jogo. Ainda assim, as primeiras despesas ficaram a cargo do Guimarães, que não só se tornou na primeira equipa a colocar os dragões em desvantagem neste campeonato, como também terá sido a primeira a exibir-se melhor que o FC Porto em casa deste. Utilizando um onze mais próximo daquele que habitualmente sobe ao relvado, além de emperrarem a mecânica adversária, os conquistadores fizeram mesmo o FC Porto provar do próprio veneno, ao marcar na primeira vez em que se aproximaram de José Sá (21'). Na resposta a um lance de perigo dos da casa, o Vitória avançou pelo flanco direito, de onde Víctor García cruzou muito largo para Raphinha aparecer nas costas de Ricardo e desviar para golo. O FC Porto tentou reagir mas ia esbarrando ora na boa colocação dos adversários, ora num ou noutro ressalto que caía para o lado vimaranense, ora na sua própria desarticulação. No fundo, os azuis-e-brancos iam sofrendo com algo que esta época não tem acontecido muitas vezes, e que se percebe assim que a bola começa a rolar: embora a equipa parecesse capaz, não conseguia jogar com princípio, meio e fim. E o Guimarães ia aproveitando, por muito que não tivesse outros lances de perigo além do golo. Uma sucessão de três cantos - os únicos que teve em todo o jogo - foram o mais que o Vitória levou para contar ao intervalo. O FC Porto ficou-se por uma jogada na esquerda da área (44') em que Brahimi se desvaneceu e reapareceu, mas não esteve ninguém no meio para desviar o seu cruzamento rasteiro.
O descanso refrescou de tal forma as ideias do FC Porto, que foi como se de repente se assistisse a um jogo de outra data, ou mesmo de outra época. Mais intensos, os dragões atingiram o jogo de corpo inteiro ao minuto 57, altura em que uma recuperação de Danilo Pereira terminou com um remate firme de Aboubakar a cruzamento de Corona. O momento da noite surgiu cinco minutos mais tarde, com Brahimi a fazer magia numa arrancada área adentro que incluiu uma boa finta sobre Jubal, antes de finalizar picado sobre o guardião Douglas. O FC Porto agarrava aqui o jogo com as duas mãos - ou com os dois pés, já que é futebol - e abria espaço para Sérgio Conceição arriscar mexer, tirando Corona para entrar Hernâni (64'). Pedro Martins lançou Sturgeon no lugar de Francisco Ramos em busca de presença ofensiva (67'), mas a fasquia colocada pelo FC Porto revelar-se-ia inatingível. O resultado ficou fora de questão com o bis de Marega (79' e 83'), obtido através de um cabeceamento e de um desvio no coração da área. Uma parte do público terá gostado tanto que até entoou alguns olés, que Heldon tratou de calar ao fim de alguns segundos (87'), ao tirar dois adversários do caminho e rematar rasteiro para o ângulo inferior. José Sá ainda tocou na bola, e esta entrou lentamente após bater no poste.
Júnior Tallo (90'+4') ainda esteve perto de um terceiro golo que daria uma cosmética exagerada para aquilo que o Vitória fez. Mesmo os dois tentos vimaranenses encontram melhor justificação na primeira parte, pois na segunda o FC Porto fez valer a sua superioridade teórica. Os dragões dobram assim o meio do campeonato na liderança, dois pontos à frente do segundo classificado.

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por Miran Pavlin às 23:59

Quinta-feira, 14.12.17

Taça de Portugal, oitavos-de-final - FC Porto 4-0 Vitória SC - De canto em canto

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Esperava-se que o jogo fosse mais exigente do que na realidade foi. Na equação das proverbiais poupanças quando o jogo não é de campeonato foi apenas o Vitória a introduzir variáveis, deixando no banco homens-chave como Raphinha, Rafael Martins ou Heldon. O FC Porto lançou apenas Maxi Pereira no onze, subindo novamente Ricardo e com isso dando descanso a Brahimi. No rescaldo o treinador vitoriano Pedro Martins justificou as mexidas com os três jogos em oito dias, mas terá esquecido que o FC Porto também estava a jogar pela terceira vez em nove dias, pelo que terá sido um risco descansar tantas peças. Apesar do desnível do resultado, a verdade é que até ao segundo golo portista (59') a partida não foi desequilibrada, por muito que o Vitória quase não tenha ido à baliza. O primeiro momento de perigo surgiu logo aos 5 minutos, com Danilo Pereira a cabecear cruzado ao poste num canto de Alex Telles. A bola ainda passeou no ar sobre a linha de golo, mas não chegou a entrar. À segunda (12'), Victor García joga a bola com a mão dentro da área num lance inofensivo. O lateral não teve intenção, mas foi o que objectivamente fez. Aboubakar não desperdiçou o castigo. O Guimarães assustou num cabeceamento de Sturgeon (17'), e seria tudo o que haveria para contar até aos 68 minutos, altura em que um remate de Heldon do meio da rua ainda tocou no poste. Poste que voltou a negar Danilo (25'), agora em remate cruzado na recarga a um primeiro tiro de Ricardo que ressaltara num defesa contrário. Os conquistadores voltaram a ameaçar num canto (36'), mas faltava mais baliza num jogo que até ia sendo disputado em bom ritmo. Danilo tanto tentou que acabou por marcar (59'), novamente num canto de Alex Telles, desta vez desviado com classe, ao primeiro poste. Cinco minutos mais tarde veio o terceiro golo azul-e-branco, numa recarga fácil de André André após primeiro remate de Aboubakar, solicitado de forma suculenta pelo ar por Herrera. André André tinha entrado três minutos antes de marcar, e ainda repetiria (83'), ao finalizar na pequena área novo canto de Alex Camões... perdão, Telles, com passagem por Soares, entrado ele próprio pouco antes (72'). Por esta altura já o Vitória se tinha ausentado do jogo e era claro quem estaria no sorteio da próxima eliminatória.
Óliver Torres ainda jogou onze minutos, por troca com Herrera, e Casillas voltou à titularidade, tendo aparentemente trocado de posição com José Sá na hierarquia. Novamente titular, terá Reyes subido ele próprio um lugar em relação a Felipe?

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por Miran Pavlin às 23:25

Quarta-feira, 31.05.17

VITÓRIA SC 2016/17

O Vitória de Guimarães foi uma das poucas histórias de sucesso desta edição da Liga NOS. O quarto lugar final é a melhor classificação do clube desde o terceiro posto conseguido em 2007/08, e faltou apenas um triunfo mais para igualar o melhor registo do Vitória na I Liga (19 jogos, em 1995/96). 10.º classificado ao fim de cinco jornadas, o Guimarães venceria sete dos dez jogos seguintes, chegando a essa 15.ª jornada já no quinto posto, a apenas oito pontos do topo. Seguir-se-ia um período de maior instabilidade entre as jornadas 19 e 25 – apenas uma vitória nesses sete jogos –, antecedendo a sequência que viria a definir a temporada do Vitória no campeonato. Foram nada menos que sete triunfos consecutivos – Rio Ave (c), Nacional (f), Tondela (c), Chaves (f), Boavista (c), Setúbal (f) e Arouca (c) –, que guindaram os conquistadores até esse quarto lugar, numa numa saborosa troca de posições com o Braga. Foi ingrato para o Vitória ver a série terminar com uma goleada (5-0) que assinalou o título do Benfica, ainda para mais quando estava perante o adversário que encontraria na final do Jamor apenas duas semanas depois. Independentemente do desfecho desse jogo, uma coisa estava desde logo garantida: o quarto lugar deu acesso à fase de grupos da Liga Europa.

 

TAÇA DE PORTUGAL

A carreira vitoriana começou não muito longe de onde haveria de terminar alguns meses mais à frente. O 1-2 na visita ao Santa Iria, dos distritais da capital, foi apertado, mas os da casa só marcaram na compensação. A 4.ª eliminatória trouxe um osso bem mais duro, na forma de uma ida ao Bessa. Se já no campeonato este jogo é um clássico, na Taça muito mais, e o Guimarães só o resolveu (1-2) aos 118 minutos, por intermédio de Hurtado. O peruano voltou a ser decisivo ao apontar o único golo da vitória sobre o Vilafranquense nos oitavos-de-final. Na eliminatória seguinte, novo triunfo à tangente, agora diante do Covilhã – marcou Hernâni.

A meia-final entrou directamente para a galeria de clássicos da Taça, ao colocar os conquistadores frente a frente com um Chaves que trazia consigo os escalpes de FC Porto e Sporting. O Guimarães avançou para a segunda mão com dois golos à maior – bis de Hernâni –, que os flavienses logo trataram de obliterar, por Perdigão (1’), Renan Bressan (32’) e Nuno André Coelho (63’). Marega apontou o fatídico golo fora logo depois (66’), e Douglas foi herói ao defender uma grande penalidade de Braga já em tempo de descontos. Impróprio para cardíacos. Na final, o Vitória criou um punhado de boas oportunidades no primeiro tempo, mas não tendo capitalizado, sucumbiu a dois golos em oito minutos no arranque da segunda metade e viu o troféu fugir para as mãos do Benfica, com o golo de Zungu a servir de consolação.

 

PONTO ALTO

Na jornada 7 da Liga, a 1 de Outubro, o Vitória tornou-se na primeira equipa desde 2004/05 a recuperar de três golos de desvantagem, na recepção ao Sporting. A vinte minutos do tempo os leões venciam tranquilamente com golos de Marković, Coates e Elias, e pareciam encaminhados para uma vitória tranquila, mas o Guimarães tinha outras ideias. Em apenas dois minutos, entre os 74 e os 75, Marega relançou o jogo com um par de golos, cabendo a igualdade a Soares (89’), num lance que deixou dúvidas por alegada carga ao guarda-redes.

 

FIGURAS

Marega fez 13 golos no campeonato, reencontrando-se com as redes depois da passagem difícil pelo FC Porto em 2015/16. Hernâni, também emprestado pelos dragões, marcou oito, mais um que Soares, que saiu para o FC Porto no mercado de inverno. Hurtado, Texeira, Josué e Pedro Henrique foram outros dos nomes em foco.

 

TREINADOR

Pedro Martins deu continuidade à sua sólida trajectória, fundada no bom trabalho realizado quando orientou o Marítimo e o Rio Ave. Foi um dos cinco sobreviventes da autêntica roda viva de treinadores esta temporada.

 

CONTABILIDADE

Liga NOS: 4.º lugar, 18v-8e-8d, 50gm-39gs, 62 pontos; apurado para a fase de grupos da Liga Europa;

Taça de Portugal: finalista vencido;

Taça da Liga: isento da 2.ª eliminatória; eliminado no grupo D (4 pontos), atrás do Benfica e à frente de Paços de Ferreira e Vizela.

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por Miran Pavlin às 12:00

Sábado, 11.02.17

Liga NOS, 21.ª jornada – Vitória SC 0-2 FC Porto

Não assisti ao jogo.

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por Miran Pavlin às 23:00

Sábado, 10.09.16

Liga NOS, 4.ª jornada - FC Porto 3-0 Vitória SC

Não assisti ao jogo.

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por Miran Pavlin às 23:30

Quarta-feira, 25.05.16

VITÓRIA SC 2015/16

Santos da casa não fazem milagres. O ditado é antigo, e explica parte daquilo que foi a temporada do Vitória. Com o homem da casa Armando Evangelista ao leme, os dissabores sucederam-se, e bem cedo na época. O primeiro desaire apareceu logo no início de Agosto, quando o Guimarães saiu do comboio da Liga Europa frente ao modesto SCR Altach, que se estreava nas provas da UEFA. Se perder a primeira mão na Áustria por 2-1 não era suficiente para grandes sinais de alarme, o jogo de retorno clarificou sem margem para dúvidas que algo não estava bem. Por muito humilde que fosse, o Altach venceu no D. Afonso Henriques por 1-4, deixando o conjunto vimaranense a caminhar sobre brasas.

Começar o campeonato com uma visita ao FC Porto era ingrato, e os dragões venceriam sem grande dificuldade (3-0). Apesar da exigência de uma visita a casa de um grande, o arranque em falso foi mais um sinal de que o Vitória estava praticamente parado na casa de partida. Empates com Belenenses (1-1), União (0-0) e Setúbal (2-2), aliados a uma vitória (1-0) sobre o Tondela obtida com um auto-golo, não chegavam para mais que um 13.º lugar, e Armando Evangelista abandonou a equipa. Estava-se ainda nos idos de Setembro.

Sérgio Conceição tomou aí as rédeas da equipa, não sem antes passar por uma conferência de imprensa de apresentação presenciada por sócios do clube. O treinador, que orientou nada menos que o Braga na época anterior, logo tratou de frisar que estava de corpo e alma com o clube, e isso deu-lhe a tranquilidade necessária para trabalhar. Mas os resultados continuaram a não surgir. A estreia de Conceição, de resto, não podia ter corrido pior, sofrendo uma derrota caseira precisamente diante do Braga (0-1, golo de Rafa aos 74 minutos). A jornada 7 traria uma pesada derrota em Alvalade (5-1), seguida das eliminações da Taça da Liga, a 10 de Outubro, e da Taça de Portugal, a 18 do mesmo mês. O regresso do campeonato, a 24 de Outubro, trouxe um empate caseiro com a aflita Académica (1-1). E era justamente a Liga NOS tudo o que restava ao Guimarães até final da época.

A equipa aos poucos daria uma resposta. Primeiro em casa do Paços de Ferreira (0-1), à jornada 9, depois no Bessa (1-2), duas rondas mais tarde. Os conquistadores entrariam de seguida na sua melhor fase da época, um período de 13 jogos – jornadas 12 a 24 – dos quais perderam apenas dois. O Guimarães vergou Rio Ave (3-1), Estoril (0-1), Moreirense (3-4), FC Porto (1-0) e União (3-1), chegando à 20.ª jornada no sexto lugar.

O Vitória subiria a quinto classificado, nas rondas 21 e 22, mas à custa de empates com Tondela (1-1) e Setúbal (2-2). Essas igualdades foram os primeiros jogos de uma terrível sequência de doze sem vencer, que recolocou o Guimarães praticamente no mesmo ponto em que estava no início da temporada. Foi a segunda pior série sem triunfos da época, ex æquo com outras duas formações. O Vitória só ganharia mais um jogo, frente ao Moreirense (4-1) na 33.ª jornada, e terminou em plena série de dez jogos consecutivos a sofrer golos.

O décimo lugar final ficou então seguro pelos rendimentos dessa boa fase a meio da época. Por muito que a equipa estivesse bem entregue a Sérgio Conceição, ficou à vista que a saída de Rui Vitória foi um golpe de que o plantel não conseguiu recuperar. Nem com os golos de Henrique Dourado – nada menos que 12 –, um jogador que o Vitória decerto gostaria que não estivesse na casa por empréstimo, nem com a iniciativa de Otávio, outro homem cedido, que ainda apontou seis golos. Ricardo Valente fez cinco golos mas não esteve em tão boa forma como na época passada, enquanto Licá, ainda mexeu com o ataque, mas não foi além de outros cinco tentos. O jovem guarda-redes Miguel Silva – ou João Miguel, conforme as fontes – destacou-se num ou noutro jogo, na ausência de Douglas.

O Vitória até foi quinto classificado em 2014/15, mas têm sido tempos difíceis em Guimarães. A saúde financeira do clube não é das melhores, e disso se ressente a qualidade global do plantel. É preciso muito coração e alguma felicidade para corresponder em campo à pressão que a massa associativa vitoriana sempre exerce. A recta final de temporada não foi bonita, mas chegou para estar a salvo da insegurança dos últimos lugares. Um bom arranque na próxima época será de capital importância. Vencer apenas nove dos 38 jogos realizados na temporada é manifestamente pouco.

 

Contas finais

Campeonato: 10.º lugar, com 9v, 13e, 12d, 45gm, 53gs, 40pts

Taça de Portugal: afastado na 3.ª eliminatória

Taça da Liga: afastado na 2.ª eliminatória

Europa: afastado da Liga Europa na 3.ª pré-eliminatória

 

Para mais tarde recordar

28.11.2015, jornada 11 – ao vencer o Boavista por 1-2, o Vitória consegue o seu primeiro triunfo no Bessa desde 1997/98;

17.01.2016, jornada 18 – vence o FC Porto em casa (1-0) pela primeira vez desde 2001/02.

 

Para esquecer

06.08.2015, Liga Europa: eliminado logo na terceira pré-eliminatória;

10.10.2015, Taça da Liga – sai da Taça da Liga ao perder em Vila do Conde por 3-2;

18.10.2015, Taça de Portugal – eliminado da prova rainha logo à primeira tentativa, ao perder por 2-0 em casa do secundário Penafiel;

17.04.2016, jornada 30 – ao perder por 3-0, o Vitória sai derrotado de casa do Marítimo pela sexta época consecutiva.

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por Miran Pavlin às 15:00

Domingo, 17.01.16

Liga NOS, 18.ª jornada – Vitória SC 1-0 FC Porto – À porta do castelo

A época do FC Porto está cada vez mais imprevisível. Líderes à 14.ª jornada, os dragões vêem-se agora em terceiro lugar, cinco pontos atrás do Sporting. Se nos jogos com o Boavista o FC Porto mostrou alguma atitude e união, e lidou bem com a agressividade imposta pelos axadrezados, em Guimarães não foi capaz de encontrar as melhores soluções para vir à tona num jogo que foi um poço de problemas.

O problema maior apareceu bem, bem cedo. Tinham passado apenas quatro minutos quando Casillas complicou ainda mais uma bola já de si traiçoeira, no caso um ressalto que subiu às alturas e caiu já muito chegado à baliza. Talvez o guarda-redes tenha pensado demais em não agarrar a bola molhada, que lhe poderia escorregar por entre as luvas, em vez de pensar unicamente em socar a bola, ou para longe, ou para o lado. O veredicto de Casillas foi dar um tapinha para a frente, onde aparecia Bouba Saré, que aproveitou da melhor maneira a hesitação do internacional espanhol.

Seria o único golo do jogo. Seguiram-se 86 minutos, mais descontos, de infrutífero esforço portista. Com o pássaro na mão, o Vitória fechou-se no seu castelo e o FC Porto estacionou à porta. Foi aí que os problemas se multiplicaram. Novamente mais vertical, mas com alguma lentidão, ainda que não tanta como com Lopetegui, os azuis-e-brancos procuraram todo e qualquer espaço por onde pudessem furar a muralha, mas sem sucesso.

Não que o Vitória não tenha mérito, porque o tem. Primeiro porque o jovem guardião Miguel Silva foi exemplar, e depois porque a equipa soube secar o FC Porto. Naturalmente que é mais fácil estando em vantagem, mas a verdade é que a pressão dos conquistadores foi bem aplicada, estorvando imenso a fluidez do jogo portista.

O FC Porto terminou com mais de 70% de posse de bola, mas o perigo criado foi pouco. Em parte pelo que se escreve no parágrafo anterior, e noutra parte porque é justo dizer que nada saía bem. As diversas jogadas ao primeiro toque que os dragões elaboraram foram sempre como um puzzle em que faltava uma peça, fosse ela um passe certeiro, um bom domínio de quem recebia a bola final, ou até mesmo os mais incontroláveis ressaltos, nos quais o FC Porto não teve sorte.

Ocasiões claras? Porventura apenas uma, segundos antes do golo. Foi mesmo como se tivesse havido dois jogos dentro do mesmo. Um frenético, em que o Guimarães esteve pertíssimo do golo logo aos 13 segundos, seguindo-se esse lance por parte dos visitantes, e culminando no golo; e outro em que a muralha vitoriana suportou firmemente a pressão exercida. O FC Porto ficou mesmo à porta do castelo.

Com o escoar dos minutos ficou claro que só um lance fortuito alteraria o rumo dos acontecimentos. A derrota acontece não tanto por falta de esforço – por enquanto esse problema parece estar adormecido – mas sim porque perante um adversário mais competente voltaram a notar-se as dúvidas que a equipa tem na construção ofensiva, que era sempre demasiado cautelosa na vigência do técnico anterior. É, de facto, emergente que se encerre o dossier treinador. Seja ele novo, ou não.

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por Miran Pavlin às 23:50

Sábado, 15.08.15

Liga NOS, 1.ª jornada – FC Porto 3-0 Vitória SC – Calçar os sapatos

Nos últimos vinte anos o FC Porto tem sido exímio na reposição dos níveis da sua fonte de golos, principalmente quando alguns arriscam pensar em seca. Começando em Domingos e passando por Jardel, McCarthy, Lisandro López e Falcao até chegar a Jackson Martínez, todos partiram deixando sapatos mais ou menos pesados para o seguinte calçar.

A pré-época até levantou algumas questões no departamento ofensivo, mas quando a bola rolou a sério bastaram oito minutos para que não houvesse nem questões, nem lembranças. Ainda que com a ajuda de um ressalto em João Afonso, Vincent Aboubakar marcava aquele que talvez seja, até agora, o seu mais saboroso golo pelo FC Porto. Confirmando as indicações positivas que foi deixando ao longo da época passada, o camaronês calçou sem problemas os sapatos de Jackson. E não se ficou por aí, já que aos 61 minutos bisou mesmo, num forte remate na passada, de longe, semelhante àquele que lhe dera um golo frente ao Shakhtar em Dezembro de 2014.

Com a sucessão aparentemente em bons pés, ninguém teve tempo para se lembrar do passado, nem de que o FC Porto mudou grande parte da equipa titular de 2014/15. Com cinco caras novas em campo, os dragões foram assertivos, gerindo e pressionando conforme o jogo o proporcionava. É verdade que o Vitória está a começar a temporada de pé esquerdo e não colocou problemas de maior, mas nem por isso o FC Porto cedeu à tentação de cair num futebol pastoso e desinteressado.

Talvez seja a motivação do novo arranque. Todos quiseram mostrar alguma coisa. Varela trabalhou bem na direita para de ângulo apertado fazer o 3-0 (84’), Danilo Pereira e Imbula deram consistência ao meio-campo, Tello agarrou bem a oportunidade que lhe foi fugindo durante os jogos de preparação e Maxi Pereira participou em dois golos. A fava calhou a Herrera. O mexicano certamente não estava nos seus dias, e destoou do resto da equipa, perdendo mesmo uma ocasião clara já perto do intervalo, ao chegar uma fracção de segundo atrasado ao excelente passe de ruptura de Aboubakar.

Após o intervalo o Vitória apareceu mais espevitado, mas bastou um lance de perigo (53’) para que o FC Porto tomasse novamente conta das operações. O guarda-redes vitoriano Douglas não segurou um cruzamento de Varela, Tello estava no lugar certo e teve nos pés o golo, mas rematou com força quando seria mais avisado colocar. A bola bateu em cheio em João Afonso, sobrando para Imbula, que teve pontaria a mais e tirou tinta ao poste esquerdo.

Foi, acima de tudo, uma noite tranquila no Dragão, que esteve perto de encher. Não terá sido só por ser Agosto e estarem cá os emigrantes. Terá funcionado a crença de que esta equipa é uma laranja com bastante sumo. O primeiro gomo assim o indica. O próximo porá à prova outras crenças, tradições e agoiros. É a temida visita aos Barreiros, a primeira de três idas à pérola do Atlântico durante a primeira volta.

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por Miran Pavlin às 23:55

Sábado, 06.06.15

Vitória SC 2014/15 – 5.º lugar – 15v, 10e, 9d, 50gm-35gs, 55 pts

Numa situação financeira semelhante à da época anterior, Rui Vitória operou um novo milagre em Guimarães, este com contornos muito mais definidos que em 2013/14. O quinto lugar final foi obtido nos ombros de uma equipa jovem e aguerrida, com muitos portugueses, e leva os conquistadores até à Liga Europa. Será a 15.ª participação europeia na história do clube.

A temporada vimaranense teve, no entanto, duas caras. A uma primeira volta com dez vitórias e quatro empates, seguiu-se uma segunda metade em que o Vitória pareceu viver de rendimentos, já que apenas somou mais cinco triunfos, saindo derrotado em seis partidas. Ainda assim, e face a um certo relaxamento do Braga, o Vitória terminou a época com hipóteses de usurpar o quarto lugar aos seus arqui-rivais, naquilo que seria uma vingança da eliminação caseira sofrida na Taça de Portugal.

Tal não veio a acontecer, mas no cômputo geral o Vitória fez uma época de grande nível. O arranque de campeonato foi auspicioso, com nove golos marcados nas primeiras três jornadas. Na quarta ronda o FC Porto foi travado no Minho (1-1), e a primeira derrota dos vitorianos só apareceria à sexta jornada, quando foram goleados pelo Marítimo por 4-0. Os minhotos não perderam tempo a lamber feridas, arrancando aí para uma série de cinco triunfos consecutivos, que incluíram um 3-0 contra o Sporting. Nessa fase, uma vez que jogou quase sempre primeiro que os tradicionais candidatos ao título, o Vitória pôde desfrutar de alguns dias como líder provisório, dando outra emoção à prova. De resto, o Vitória nunca esteve abaixo do quinto posto.

Bernard Mensah, Hernâni e Tomané assumiram as despesas da equipa durante a primeira volta, mas foi André André quem mais se destacou, não só por ser o motor da equipa, mas também porque coneguiu aí os golos que lhe permitiram ser o artilheiro da equipa, com 11 – oito dos quais de grande penalidade, departamento onde André André se mostrou exímio.

Hernâni foi para o FC Porto em Janeiro, mas a sua saída foi rapidamente colmatada com Ricardo Valente, recrutado ao Leixões. Em estreia na divisão maior, Valente apontou oito golos, com um dos quais a ser suficiente para bater o Braga, à jornada 29.

Guimarães foi o único recinto onde nenhum dos três grandes conseguiu vencer em 2014/15; só Belenenses e Setúbal saíram do D. Afonso Henriques com os três pontos. Diz bem do quão combativo foi este Vitória.

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por Miran Pavlin às 15:05



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